Human Toxocariasis
PARAZİTİN MORFOLOJİSİ
Quanto às condições de chegada, apresentou-se neste texto o fato da precariedade da escola na preparação para as escolhas que os jovens precisam fazer ao terminar o ensino médio. Relatou-se, também, o peso da ordem midiática, que com a força da propaganda mais direta e com um conjunto de reportagens, articulando dados e entrevistas com especialistas, e recorrendo sobretudo ao poder sedutor das imagens, tem o potencial de “fazer ver e fazer crer”. Nas escolhas aqui em análise não aparecem os cursos mais valorizados da região e, mesmo entre as opções menos prestigiadas, ainda prevalece para muitos uma distância entre o curso que realiza e o curso desejado. Essa será uma marca sobre a passagem pelo ensino superior e também a principal barreira de permanência, notadamente nos relatos de Carla, Débora, Beatriz e Amanda. Com essa sequência emerge ainda, nesta questão, um recorte de gênero: seriam as mulheres as mais ameaçadas por esses condicionantes? Pergunta esta que os limites dos dados desta pesquisa apenas enuncia; permite talvez levantar algumas hipóteses, mas não respondê-la de forma mais ampla.
Veja-se como estes elementos aparecem, a começar pela fala de Carla:
Eu passei em Biomédicas, aí quase que eu fui fazer Biomédicas, aí... por causa do valor... passei em décimo terceiro lugar, não estudei pra prova, passei super bem. Aí fiquei arrasada. Mas aí ia ter o vestibular pra Psicologia, que eu tinha feito inscrição [...] aí eu tinha feito inscrição pra Psicologia, aí passei também, falei: “então, vou...”, era mais barato, aí dava pra eu pagar. Eu lembro que era setecentos e pouco a Biomédicas... Aí passei/ aí eu peguei e fui fazer Psicologia.
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Tendo começado um curso em Patologia Clínica, após a realização do ensino médio, Carla tinha se apaixonado pela área de enfermagem, porém o seu sonho era cursar Medicina. Como não havia esse curso em universidade pública na região, acaba prestando vestibular para Biomédicas, em uma faculdade de Mogi das Cruzes. Para se matricular nesse curso, pesa para ela a questão econômica, e por esse motivo abre mão de sua opção primeira e faz, por quatro semestres, o curso de psicologia. A dificuldade diante da realização de um trabalho de uma disciplina acabou sendo a gota d’água, diante do seu frágil envolvimento com o curso. Reconhecendo isso como principal motivo de abandono, afirma: É. Foi. O principal, porque financeiramente eu “tava” conseguindo levar, “né”. Então foi assim: “não tenho paixão”, aí foi a palavra-chave, fechou, é isso, vou trancar. E tranquei antes de completar o semestre.
No relato de Carla fica claro um conjunto de interdições para a realização do ensino superior. Primeiramente, a ausência do curso de que gostaria em uma universidade pública próxima, depois a limitação financeira para cursar biomédicas e, ainda, a desistência da Psicologia por não ter uma paixão maior pelo curso. Apesar de uma experiência positiva de vida escolar, que lhe garantiu ter boas colocações, tanto nos vestibulares que prestou, quanto para se tornar funcionária pública em um concurso, o não poder optar pelo curso que gostaria e a realização de um curso com o qual tem pouco envolvimento acabaram truncando o seu projeto de se graduar.
O desencontro entre o que gostaria de fazer e o curso em que se matriculou seguirá nas falas de Débora, Beatriz, Amanda, todas optando pelo curso de administração. Segue o relato de Débora:
Eu namorava um rapaz na época que estava se formando em Engenharia. Eu falava para ele que queria fazer Letras. Daí ele falava...“Letras não dá dinheiro”. Era coisa do tipo. E a minha mãe não me incentivava a fazer faculdade, porque ela queria que eu estudasse para fazer concurso público. Só que eu já tava naquela... “não... vou fazer faculdade, tal. Porque minha mãe tá errada. Quem falar comigo tá errado, só ele que tá certo”. Ai eu caí no dia da inscrição, eu me lembro até hoje, que eu fui fazer... e tinha lá a opção, ah! Vou fazer Administração... Aí eu passei no vestibular, daí as aulas começaram em fevereiro de 2011. Aí ele foi embora para Fortaleza, fiquei morando sozinha, porque ele se formou em Engenharia dava para me ajudar, em matéria, né.... Aí foi uns dois messes depois a gente terminou; e eu lá sofrendo fazendo Administração. Aí eu consegui um bom estágio na Total Lubrificantes em Pinda, e eu fiquei lá por quase dois anos, até o término do contrato, mesmo. Aí eu já tava desanimada com a faculdade, já. Mas eu pensei, se me efetivarem aqui na fábrica eu vou, continuo, vou até o final. Ah! Mas, no momento que eles não continuaram comigo, eu falei não quero saber mais, vou trancar, cansei, não dá. Foi pelo lado financeiro
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também, mas eu acho que o que pesou mais foi 70% do curso ser isso, cálculo, matérias que eu não me identificava. Fora o arrependimento, por que eu não fiz Letras, porque agora são três anos, né. Poxa vida, eu podia ter me formado.
O relato de Débora aponta para a convergência de elementos desvantajosos para a sua maior permanência. Primeiramente, vem de uma experiência escolar negativa. Relata que conclui o ensino médio no período noturno em uma escola precária e que era pouco aplicada: estudava para prova em cima da hora, tirava a nota que tinha que tirar. Distancia-se da sua vontade de cursar Letras ao se inscrever em Administração, um curso que demanda conhecimento básico de matemática em várias disciplinas, justamente uma área em que carrega dificuldades desde a educação básica. Impulsionada pela conquista de um estágio na área, consegue realizar dois anos do curso, porém com o rompimento do contrato e desanimada com o curso, acaba trancando. Quando foi na metade do ano eu já estava saturada com a faculdade, não é para mim, não vai dar certo, as minhas notas já não estavam muito boas... Desse modo, a sua não identificação com o curso acaba sendo o elemento de maior peso na sua desistência da faculdade. Diante desse quadro, perguntada sobre o que foi significativo em sua passagem pela faculdade, ela afirma: Então, me faz pensar bastante em escolhas, porque quem tem que escolher sou eu, não é ninguém mais não.
As implicações negativas para a vida universitária envolvendo escolha do curso e herança escolar aparece também nos relatos de Beatriz. Diante da questão sobre a transição do ensino médio para o ensino superior, afirma:
Eu creio que não tem muita diferença para quem acompanha, eu tenho dificuldade até hoje em acompanhar o técnico que eu faço, por quê? Por essa dificuldade que eu carrego de lá de trás, então eu acredito que para quem não tem dificuldade no acompanhamento durante o ensino médio não tem problema nenhum.
Pode-se observar que a transição é tranquila desde que o aluno consiga entender o que está acontecendo no novo espaço.
Com o tempo eu fui vendo que a minha dificuldade ela não mudava nunca e eu sentia um peixe fora d’agua na sala, todo mundo entendia e eu não, isso de uma certa forma me incomodava muito, eu gastava muito dinheiro com a aula particular e não alcançava o meu objetivo, isso tudo foi me desanimando já levando em consideração que não era o curso que eu gostaria de ter feito.
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Beatriz relata a facilidade com as disciplinas de humanas do curso de administração, porém no currículo desse curso há muitas disciplinas que envolvem cálculo, o que acaba constituindo para ela um obstáculo para maiores avanços, apesar do apoio dos colegas e das aulas particulares. Eles tentavam me ajudar de tudo quanto é forma, porque Administração nada mais é do que matemática, então eles me ajudavam muito, lembro que a gente fazia todos os nossos trabalhos de sala, era tudo em grupo, não porque exigia... Essa boa relação com os colegas é uma constante nas falas, o que demonstra que não era o fator que causava maiores estranhamentos nesse novo espaço. Para Beatriz pesava ainda o fato de não ter feito o curso de que gostaria: cheguei a prestar para Serviço Social [...] mais por influência da minha mãe, ela falava que o Serviço Social não ia me dar nada, que não ia ser bom, que não tinha campo e isso e aquilo, e eu acabei me inscrevendo para a Administração.
Esse desencontro em relação à escolha aparece também nas falas de Amanda, que gostaria de ter cursado História ou Geografia, mas acaba optando pelo curso de administração em decorrência de maior identidade dessa área com os trabalhos exercidos na fábrica. Afirma Amanda:
Eu não tinha paciência de ficar ali ouvindo aquela coisa e era a minha vivência na fábrica, era aquilo ali, era tudo muito parecido [...] eu descobri que eu realmente não gosto do que eu faço. Ao invés de enriquecer o trabalho acabou que decepcionando em alguns aspectos, o meu semestre na faculdade não foi jogado no lixo porque é uma experiência, mas eu não aproveitei em relação ao estudo mesmo. [...] Eu ia para a escola, mas não tinha paciência, eu saía da sala ficava para fora ou então ia para o bar com o pessoal, foi um dinheiro mal gasto vamos dizer assim, talvez se eu tivesse realmente fazendo o que eu queria fazer teria sido mais proveitoso.
As falas de Amanda revelam a precariedade da sua escolha de curso, condicionada pelo mercado de trabalho. A continuidade que ela observa entre o curso e suas atividades na fábrica, o que poderia ser considerado uma motivação, para ela é motivo de chateação, pois descobre que realmente não gosta do que faz. Seus relatos deixam transparecer ainda a precariedade das condições de estudo. Em comparação com o ensino médio, quando relatou uma experiência positiva de escola, foi o melhor tempo da minha vida, achava estranho agora o fato de predominar na sala de aula um entre e sai, era muita falta de respeito para com os professores, inclusive no meio das apresentações. E, falando de si mesma, afirma: mesmo faltando eu fiz todas as provas e passei. Suas importunações com o curso aparecem ainda quando relata as atividades online:
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Lá não tem aula sexta feira, mas tinha que fazer as provas online, e tinha que fazer uns acompanhamentos online, e eu já não tinha paciência para isso também de ficar vendo vídeo-aula. Então, o mais chato para mim e o que eu não fazia era isso. Nas sextas-feiras eu não ia para a faculdade porque eu não tinha aula, mas eu não acompanhava as vídeo-aula por conta de ser uma coisa muito maçante. Era você e o professor lá longe, e você tem que ficar voltando o vídeo para saber se entendeu direito o que estava acontecendo ou não.
Desmotivada com os conteúdos do curso e com a descontinuidade entre eles e o ambiente da fábrica, Amanda também não vê atrativos no percentual de atividades realizadas online. Por fim, observa-se uma experiência universitária negativa, marcada por situações de precariedade e pelo desencontro entre suas motivações e o curso que realiza. Nesse contexto, ela afirma sobre a sua saída: Eu aloprei na verdade, eu não quero mais, eu não quero, acabou, eu estava no meio de um processo de ATPS pro semestre seguinte, eu falei: Oh galera essa daqui é a minha parte do projeto, toma porque eu estou fora da faculdade, eu não quero mais fazer faculdade. Na resposta ao questionário Amanda havia anotado como motivos para a desistência: a insatisfação com o curso e dificuldades financeiras. Na entrevista, porém, a questão econômica não apareceu. Questionada sobre isso, responde: não vou te falar que o problema de eu ter largado a faculdade foi o financeiro porque eu poderia dar um jeito, mas foi mais identificação do curso e eu não encontrei ali.
No conjunto dessas falas, articuladas neste tema eixo, constata-se que a fragilidade das escolhas foi decorrente da falta de uma pesquisa exploratória do currículo dos cursos, dos assuntos a serem estudados, e também não se realizou uma pesquisa mais efetiva sobre as condições da vida acadêmica. À precariedade das escolhas somam-se as limitações impostas pela condição financeira e por uma herança escolar e familiar que também não constituiu uma base de informações mais consistente.
Nesse cenário de tantas limitações, pulsam as tensões entre a carreira desejada e a carreira possível. Afirma Bourdieu (2003, p. 47), “[...] as famílias têm aspirações estritamente limitadas pelas oportunidades objetivas”. As condições objetivas de existência acabam condicionando as atitudes em relação ao futuro e, desse modo, as escolhas dos indivíduos não passam de um veredicto de suas condições sociais. No intuito de atender aos condicionantes da mãe, do namorado ou da fábrica, as escolhas são influenciadas por uma mesma ordem: fazer um curso superior com expectativa de retorno financeiro e de inserção no mercado de trabalho. Desse modo, status social. Como afirma Bauman (2000,
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p. 79-80), as opções individuais são duplamente limitadas, pois não se escolhe o leque das opções em pauta e muito menos os códigos do processo da escolha, uma vez que eles são tensionados por forças “[...] associadas aos mercados financeiro e de consumo”.
A vocação, a construção da carreira desejada, as aptidões pessoais ou o fato de aquilo de que gosta cedem lugar para a carreira possível. As opções por carreiras acima citadas como desejadas, Serviço Social, Letras, História, Geografia serão duramente questionadas. Não faltam relatos dos alunos e alunas desses cursos sobre os bombardeios que sofrem em decorrência das opções que fizeram. Novamente aparece o peso de uma ordem social mais ampla, francamente influenciada por um aparato midiático, sempre indicando de forma explícita ou sutil o que deve ser valorado ou não. Nessa direção, afirma Dubar (2005, p. 246): “As imposições estruturais dos mercados de trabalho, através dos setores, são amplamente preditivas dos percursos de mobilidade dos assalariados atuais”. Refletindo sobre o processo de socialização profissional e a construção de identidades, esse autor afirma que “[...] hoje em dia, é na confrontação com o mercado de trabalho que, certamente, se situa a implicação identitária mais importante dos indivíduos da geração da crise” (Idem, p. 148). Apenas para nomear, são indicativos dessa crise o fato de que os modelos clássicos de profissão estão mais limitados, pois houve uma multiplicação das funções, sobretudo com a expansão do setor de serviços. É uma realidade que pesa mais sobre as camadas desfavorecidas. Com mais pressões advindas dos fenômenos do desemprego ou do subemprego, a formação pode ser um diferencial que agrega valor a essa luta fratricida por um lugar ao sol. Afirma Fábio:
Na questão do estudo, eu acho que meu irmão influenciou muito, pois ele sempre falou: “ou, a gente não é nada, sem um diploma a gente não é nada, a gente é só mais um na multidão, faça um curso, porque... mesmo você trabalhando como ajudante geral, todo mundo é ajudante, você é formado em x, você vai ser o último a ser dispensado. Vai dispensar todos aqueles que não têm nada...” O Fábio eles vão sempre segurar por quê? Porque, numa nova oportunidade, você poder ser reaproveitado com outra função”. Então o meu irmão influenciou bastante nisso daí... questão de estudo.
O depoimento de Fábio vai ao encontro das reflexões de Dubar (2005, p. 146), que explicita as relações entre a formação e o emprego: “A ‘formação’ se tornou um componente cada vez mais valorizado, não somente do acesso aos empregos, mas também das trajetórias de emprego e das saídas de emprego”. Diante desse imperativo da formação, qual curso realizar? Segue outro imperativo: não está em primeiro plano o “[...] que os trabalhadores possuem como características consideradas estimáveis pelos empregadores”,
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mas o que “os empregadores julgam estimável” (Idem, p. 246). Não basta ao trabalhador investir em sua formação, ampliar suas competências naquilo que gosta de fazer, é necessário que se qualifique naquilo que o mercado está demandando. Afirmou Frei Betto (1998, p. 7), em uma palestra no final dos anos noventa: “Minha geração deve ter sido a última beneficiada pelo luxo de ter vocação”. Um luxo que funda a tensão entre a carreira desejada e a carreira possível, tensão esta que compromete o envolvimento com o curso e o comprometimento com a carreira, resultando, para o estudante, em desânimo com o curso, dificuldade no enfrentamento das dificuldades, sendo, por fim, um dos motivos para o abandono do sonho da graduação. E quais seriam as consequências para a sociedade? Entre outros, a pressão do mercado desvirtua as pessoas de suas aptidões, podendo tirar bons profissionais das áreas menos valorizadas e colocar pessoas pouco compromissadas nas áreas mais valorizadas.
O jogo não para por aqui, e também não há clareza em relação ao que pretende o mercado, pois muitas são as possibilidades. Além da definição da área, qual é a melhor opção, por exemplo, um técnico, um tecnólogo ou uma graduação? Elucidando o campo pantanoso dessas alternativas, afirma Dubet (2012a, p. 44): “Mientras que los títulos y diplomas, antes relativamente raros, tenían valores y utilidades sociales más bien homogéneos, ahora no cesan de jerarquizarse con la multiplicatión de las orientacionnes y de las opciones”. Chamando a atenção para os perigos inerentes às muitas possibilidades de formação oferecidas pelo sistema escolar, pondera Bourdieu (1983, p. 4): “Atualmente há uma porção de desdobramentos pouco diferenciados entre si e é preciso ser muito consciente para escapar dos jogos dos becos sem saída ou das ciladas, e também da armadilha das orientações e títulos desvalorizados”. Armadilhas estas que podem fazer “as pessoas terem aspirações incompatíveis com suas chances reais”, comprometendo recursos, tempo, e correndo o alto risco de ter que parar no meio do caminho, ou, então, de alcançar um título que não atende a suas expectativas. Não é fácil escapar dessas armadilhas, pois às pressões do meio, sejam elas do mercado de trabalho ou da família, somam-se ainda a carência de informações. Desse modo, afirma Bourdieu (1999b, p. 587): “[...] a escola está na origem do sofrimento das pessoas interrogadas, decepcionadas em seu próprio projeto ou nos projetos que fizeram para seus descendentes ou então pelos desmentidos infligidos pelo mercado de trabalho às promessas e às garantias da escola”.
Em síntese, a fragilidade das escolhas faz parte do jogo e constitui um importante mecanismo de eliminação. Podem trazer a ilusão da liberdade, da autoafirmação do sujeito
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e, ao mesmo tempo, dissimular as condicionantes das oportunidades objetivas. Não por acaso, a falta de maior envolvimento com o curso foi apresentada como motivo principal de desistência pela metade dos sujeitos entrevistados nesta pesquisa.