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PARALEL OTURUMLAR

Conforme mencionado em parágrafo anterior, neste primeiro núcleo destacamos a satisfação e o sentimento de realização da professora durante os anos do magistério.

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“Comecei a dar aula lá... no antigo curso de admissão, porque eu não sou, eu não tenho o curso de magistério, cientifico na época”.

“E ai, estavam sem professor de matemática. Ai me contrataram. Eu recebi uma autorização da secretaria da educação que me permitiu dar aula de 1◦ a 4◦ série e eu fui contratada pela escola do Clube de Regatas Tietê. Fiquei lá 4 anos”.

“Ai, em 68 eu prestei vestibular e entrei na USP para fazer letras, no 2◦ano de faculdade eu comecei a dar aula pro estado, em 69 eu comecei a dar aula pro estado, ai eu dava aula de noite no Estado, a tarde no Tietê e de manhã eu fazia faculdade”. “Era uma vida louca, corrida, né, eu fazia três coisas e todas elas distantes e eu não tinha carro. Eu pegava dez conduções por dia”.

“Então, ai antes do 3◦ ano da faculdade, e no segundo ano que eu dava aula no estado, o diretor da escola onde eu dava aula, que ficava a 30Km da minha casa, lá na Vila Alpina, ele me propôs o cargo de 40h/a e ai o diretor me propôs ficar só lá, ai eu já tinha comprado um carro eu fiquei só lá”.

“Fiquei com 40h/a. Começava a dar aula 16h20min e ia até mais ou menos 23h50min, todos os dias até sábado e ia pra faculdade de manhã. Ai terminei a faculdade, continuei na mesma escola que era lá na Zona leste, Vila Alpina, ao lado de São Caetano, mas ai eu tinha carro, ficava mais fácil. Ai eu”...

“Ai eu vim pra cá, era uma escola assim, maravilhosa pra você dar aula, porque lá onde eu dava aula na Vila Alpina, apesar de ser uma escola super agradável os alunos eles tinham assim... um nível de vida muito difícil, a maior parte deles eram dependentes de russos, porque eram refugiados da antiga União Soviética, eles se localizaram tudo ali na região”.

“A maior parte deles eram bilínge, eles em casa falavam a língua deles a russa e depois tinham que aprender o Português na escola. Apesar disso, eles eram muito

bons, os pais eram muito devotados, mas, a dificuldade para ensinar era grande, por esse motivo”.

“Quando eu vim pra cá em 77, eu já encontrei uma outra realidade, aqui a escola era bem central, próxima, em termos de Vila Alpina era uns 30 km do centro de SP, aqui não são nem 10 Km, acho que 5 ou 6 Km”.

“Os alunos eram de um poder aquisitivo bem melhor, os pais tinham um interesse muito grande e eles aprendiam assim com muita facilidade e, era muito tranqilo dar aula aqui”.

“Veja, eu não era efetiva nessa época, eu tinha classes da tarde e a noite classes do Ensino Médio. O Ensino Médio, nessa época, a escola era dividida em primário, secundário e terciário”.

“Então eu dava aula para quem era de humanas, eu dava aula de técnicas de redação e português, mas era assim, extremamente produtiva, era noturno, e os alunos assim, rendiam muito, sexta-feira a noite, ultima aula, tinha a classe lotada, hoje você não tem a classe lotada nem na segunda feira a tarde”.

“Eu fiquei aqui até 80. Em 80 eu me efetivei e fui para uma outra escola aqui perto, o... aqui na Av... lá praticamente a escola era noturna”.

“O noturno dessa época era diferente do noturno de hoje, os alunos não eram de EJA, mas eles eram mais velhos, a faixa etária era acima de 17, 18 anos, então, os alunos, não sei se pela idade, por serem mais maduros ou pela necessidade tinham mais interesse”.

“Ali na ... o nível sócio econômico dos alunos era diferente dos alunos daqui”. “Novamente eu encontrei uma realidade semelhante daquela que eu tinha saído, com uma diferença, lá eu tinha bilínge, aqui eu tinha alunos de uma classe muito baixa, falavam muito errado, moravam ali na favela do ..., favela do ..., mas eles eram assim, não só na disciplina, o diálogo entre nós era muito bom”.

“Fiquei lá até 85. Em 87 eu fui para o experimental da ..., eu fui convidada a dar aula lá, ai eu fiz um testes e quiseram que eu ficasse. Fiquei lá à noite”.

“Como eu ja tinha tinha filhos, eu decidi ficar com eles, era fome, era médico , era isso, então a noite eu tinha mais liberdade para ir para a escola”.

“Então em 87 eu comecei lá, só que a noite a escola tinha uma característica, era uma escola de corredor, era uma escola em que os alunos não moravam na região, eles moravam pro lado da zona norte e pra lá da zona norte”.

“Então o que aconteceu, eu tinha quatro classes de regular e duas de suplência, na época era supletivo e depois eu fiquei só com as classes de suplência que era divino”. “Os alunos eram extremamente interessados, muito amigos, muito companheiros, davam satisfação de tudo. Eles tinham uma biblioteca com bibliotecária, com tudo que você pode imaginar e ai a diretora permitiu que a biblioteca fosse aberta pra mim pelo menos uma vez por semana à noite; eu tinha aluno que não conhecia uma biblioteca e ai eu fazia um trabalho com biblioteca e produção de texto com leitura”.

“Foi o trabalho mais gratificante da minha vida, ai eu comecei a fazer pedagogia. Em 86 eu terminei e em 88 houve um concurso pra direção e eu prestei e passei”. “Ai eu fiquei numa dúvida, eu adorava a sala de aula, mas eu tinha que sair da sala de aula porque eu não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo. Ainda mais, com dois filhos pequenos, na época uma tinha 9, a outra 11, minha mãe começando com mal de Alzaimer, eu não ia dar conta, então eu já comecei a pensar, no final de 89 eu tinha que escolher, a direção”.

“E a minha intenção era exonerar o meu cargo de professora e foi o que eu fiz. Eu escolhi a direção lá no litoral norte porque era o que me convinha, a minha família era de Caraguatatuba e eu tenho uma casa lá”.

“Aqui em SP, como eu não tinha ninguém e só tinha escola pública longe, eu ia dar aula assim... em Cumbica, em Itapevi, lugares que eu ia ficar fora o dia todo, sem ver minha mãe, meus filhos. Ai eu escolhi essa, uma escola pequena, só de ensino fundamental, e assim, no total de salas ela é 12, contando os três períodos (risos), tava no céu, só que era assim uma escola manipulada, que era um tabu, que eu não conhecia”.

“Essa escola ficava num bairro de São Sebastião que é um dos bairros assim de muitos favelados que é o Pontal da Cruz, e vinculadas a ela tinha mais sete bairros”. “Ai eu dirigi uma escola que ficava em Abrasilumas, que é 70 km da escola que eu ficava, ai eu tinha, era uma escola que todas elas era parte de um, era uma só, umas quatro séries, o professor morava na escola, porque normalmente eram professores de um outro (lugar)...do Vale do Paraíba, e eles não podiam ficar indo e voltando porque era muito longe, então havia a casa do professor, a sala de aula, a cozinha, era tudo junto, e o professor era quem fazia a merenda, servia a merenda, ele morava lá”.

“Então havia mais sete escolas, uma era numa ilha, a Ilha do Montando o Pi (?), e os alunos pra irem pra escola, pra não terem que vir pra costa e atravessar de lancha todo dia, eles instalaram uma escola numa ilha em que moravam 47 pessoas, a escola tinha 7 alunos, isso depois dos anos 90, que foi em 90 que eu fui pra lá, e ai essas escolas tinham um projeto, era o projeto Orca, em que os alunos passavam (pausa).. e aí eu tinha essa escola lá na ilha que eu tinha que ir com a Cetesb de lancha, porque era numa ilha”.

“Tava meio complicado sem falar no desgaste. Foi ótimo, foi uma experiência”. “Fiquei dois anos lá, um ano fiquei trabalhando na diretoria de ensino na época como coordenadora pedagógica, mas eu atendia 4 municipios, era Ilhabela, São Sebastião, Caraguatatuba e Ubatuba, porque todas pertenciam a mesma diretoria, as escolas eram da mesma diretoria”.

Observamos na entrevista que boa parte da carreira de Ana foi constituída por muitos projetos que não só ocorreram ao mesmo tempo, como também deram a ela diversas experiências positivas.

Evidencia-se no seu relato que o trabalho nas diferentes escolas por onde passou sempre foi tido como gratificante e satisfatório. Problemas relacionados à falta de tempo, distância, excesso de trabalho não foram enfatizados pela professora. No âmbito pedagógico, o aspecto positivo se evidencia no interesse dos alunos e no apoio das famílias muito interessadas.

Benzer Belgeler