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Para Arzı ile Borsa Endeksi Arasındaki İlişki

2.2. Para Arzının Makroekonomik Faktörlerle Olan İlişkisi

2.2.3. Para Arzı ile Borsa Endeksi Arasındaki İlişki

Não obstante as pesquisas acerca dos remanescentes de quilombos no Brasil tenham aumentado consideravelmente nos últimos anos, principalmente após a edição do Decreto nº. 4.887/2003, é válido registrar que, ao contrário do que parece, foram encontradas inúmeras dificuldades para realizar a pesquisa in loco, principalmente as entrevistas. A maioria das pessoas abordadas nas ruas da cidade de São Mateus sequer conhecia o local onde seria possível encontrar as comunidades quilombolas. Algumas, muito poucas, faziam menção a qualquer tipo de organização que pudesse ajudar na busca.

Foi preciso um minucioso trabalho de investigação até encontrar, nas feiras da cidade, mais precisamente no Mercado Municipal, alguns representantes dessas comunidades que lá estavam vendendo biju. A partir de então, foi possível identificar, na sociedade local, concepções positivas e negativas acerca dos movimentos quilombolas, fato que estimulava ainda mais a busca por um contato direto com esses remanescentes.

Em frente ao Mercado Municipal, fiz23 contato telefônico com Kátia Santos Penha, representante da Comunidade do Divino Espírito Santo, utilizando o número de telefone que havia conseguido no INCRA.

Vale registrar que foi a partir desse contato que dei início, efetivamente, à pesquisa

in loco, pois Kátia Santos Penha me levou dentro do Mercado Municipal de São

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Neste item, o texto está redigido na primeira pessoa do singular por se tratar de pesquisa de campo em que relato experiências pessoais.

Mateus (APÊNDICE F – Fotografia 1) onde foi possível colher os primeiros depoimentos de seus companheiros de comunidade.

Nesse primeiro contato com algumas pessoas que se auto-reconhecem remanescentes de quilombos, não foi difícil perceber que, apesar de tantas informações previamente compiladas sobre seu tipo de vida comunitária, tudo o que fora pesquisado não mais parecia suficiente. Concluí, então, que só seria possível conceber uma comunidade quilombola estando lá, registrando seu dia-a-dia e interagindo com seus integrantes.

Na casa de Kátia Santos Penha (APÊNDICE F - Fotografia 3), fiz a primeira entrevista (APÊNDICE C). Lá mesmo, com base em suas respostas, defini uma agenda de trabalho e tracei um breve roteiro de visitas sobre o território a ser pesquisado, ao lado de um estagiário voluntário, que acompanhou o trabalho durante toda a pesquisa de campo, contei também com a preciosa ajuda de Kátia que, a partir daquele momento, se propôs a acompanhar as visitas às demais comunidades.

Comecei, então, pelas comunidades de Serraria e São Cristóvão. No caminho, o estagiário ficou com a função de anotar os dados da conversa informal que eu tinha com Kátia, enquanto dirigia o carro até as comunidades, pois toda e qualquer informação seria extremamente valiosa.

Serraria e São Cristóvão são comunidades que ficam na altura do km 28 que liga São Mateus a Nova Venécia e tem como principal empecilho o fato de se situarem em lugar de difícil acesso. Durante a pesquisa, encontrei muita dificuldade de locomoção, porque, após um longo período de chuvas, as estradas da região encontravam-se alagadas em alguns trechos. Durante o trajeto, observei que não havia transporte público que chegasse ao local, nem registrei presença de qualquer carro particular.

Na estrada, o acesso a muitos lugares era quase inacessível: as trilhas eram diversas, cheias de bifurcações e as chances de um novato se perder era grande. Numa dessas bifurcações, Kátia informou que, seguindo pela esquerda, poder-se-ia chegar a Serraria e, seguindo pela direita, a São Cristóvão. Optei pela esquerda, e, em menos de um quilômetro, a viagem foi interrompida. O veículo não conseguia passar no lamaçal. Depois de contar com a ajuda de alguns boiadeiros da região,

tive de retroceder e seguir em direção à São Cristóvão. Por causa dessas dificuldades, o número de pessoas entrevistadas na região ficou bastante reduzido, uma vez que cheguei somente à comunidade de São Cristóvão.

Em São Cristóvão, fui recebido por seu Sebastião Nascimento (APÊNDICE D) que não soube precisar quantas pessoas integram a comunidade, mas disse ter conhecimento de que seria cerca de 23 famílias. Desse grupo, seu Sebastião se destaca por integrar a equipe de liderança. Ele participa ativamente dos encontros com os técnicos do INCRA e demonstrou estar a par de todo o processo de reconhecimento daquelas terras. Quando perguntado acerca da relação que aquela comunidade tinha com a terra, respondeu:

As terras, ainda em termo de demarcação, está em processo, faz uns 15 dias que receberam a carta deles. Cada um, cada família vive com um pedaço de chão que os pais deixaram. Depois que essa terra, depois da morte do Capitão Raulino, ficou para o nosso povo, os antigos deixaram pra gente, mas, em 1964 ou 1965, veio uma lei para as pessoas regularem suas terras e cada um ficou com um feixe de terra.

Ainda em São Cristóvão, o estagiário ficou responsável por aplicar os questionários (APÊNDICE B) aos poucos membros que se encontravam nas unidades familiares, enquanto eu entrevistava o Sr. Sebastião Nascimento.

Por meio desse questionário, foi possível observar que todos os entrevistados conheciam o termo “quilombola” e sabiam como estava o processo de reconhecimento da sua comunidade no INCRA.

Todavia, quanto indagados acerca da legislação que regulamenta o reconhecimento das terras quilombolas, os membros de São Cristóvão demonstraram pouco conhecimento. Nem mesmo a liderança conhecia o Decreto nº4.887/2003. Seu Sebastião, por exemplo, sabia da existência de uma legislação que regulamentava o reconhecimento das terras dos remanescentes de quilombo, mas não sabia precisar que legislação era essa, muito menos os requisitos por ela exigidos.

Vale ressaltar que, nesta pesquisa, usei um método muito comum: a observação participativa. Apesar do pouco tempo em cada comunidade, procurei estreitar laços, tornando a pesquisa mais fácil e as entrevistas menos formais, travando uma relação de empatia na tentativa de buscar uma maior autenticidade dos depoimentos.

Diversos relatos dos membros da comunidade foram ouvidos, principalmente os que se referiam aos seus eventos, sempre enriquecendo as informações com algumas perguntas. Sem pretensão de buscar a “verdade absoluta” acerca da origem de cada comunidade entrevistada, dediquei toda a atenção ao objeto principal da pesquisa, ou seja, observar como aquelas pessoas compreendem o “ser quilombola” diante das diversas definições dadas ao termo juridicamente construído pelo Decreto nº. 4.887/2003.

Assim, não houve preocupação em comprovar se certos discursos eram ensaiados ou apenas “ecos” de algum tipo de liderança. O trabalho limitou-se às questões jurídicas, pois importava saber o que aquelas pessoas pensavam da atual legislação quilombola e das políticas desenvolvidas pelo Governo Federal.

Tudo o que se vi e ouvi foi devidamente anotado em meu diário de campo. Muitas vezes não eram feitas anotações na frente dos entrevistados, pois alguns já estavam “desconfiados” das pessoas “de fora”. Kátia havia alertado para o fato de que alguns pesquisadores já teriam ido às comunidades, extraído informações, concluído suas pesquisas, e nunca mais retornado, sequer para fornecer uma cópia do seu trabalho. Ciente disso, a máquina fotográfica foi usada somente no final das entrevistas, quando os inquiridos já estavam mais familiarizados com minha presença. Mesmo assim, alguns estavam avessos a tirar fotografias. Tanto que, já no Mercado Municipal de São Mateus, primeiro lugar em que realizei entrevistas, só foi possível fotografar em plano aberto (APÊNDICE E – Fotografia 1), pois os entrevistados foram incisivos em negar o registro fotográfico.

Em São Cristóvão, a reação não foi diferente. Foi preciso muita conversa para se conseguir registrar, em apenas uma fotografia, a família de Seu Sebastião (APÊNDICE F - Fotografia 4).

No trabalho de campo, busquei traçar um paralelo entre a realidade de algumas comunidades quilombolas e sua percepção sobre o Decreto nº4.887/2003, principal objeto desta dissertação.

Ainda que não seja o foco desta pesquisa, além desses fatores jurídicos e políticos, discorrerei brevemente acerca da tradição das comunidades visitadas, ressaltando as contradições e variações entre elas, mostrando as conseqüências das

transformações que uma cultura pode sofrer por causa de influências externas e internas, adaptando-se, assim, a um novo contexto, caso necessário.

Nos próximos tópicos, apresentarei as conclusões das análises feitas com base no material coletado nas entrevistas, fotografias e registros em vídeo, buscando traçar o perfil dessas comunidades, sua visão em relação aos requisitos do decreto, bem como seus aspectos políticos fortalecidos com a luta de movimentos negros pelo reconhecimento das terras quilombolas posteriores à Constituição Federal renovada em 1988.

Para tanto, não se pode perder o foco: existe uma tradição “quilombola” em todas essas comunidades negras do Vale do Cricaré? Ou se está diante de uma ressignificação de um conceito juridicamente construído?

Essas serão as principais questões discutidas ao longo dos próximos tópicos.