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2. FİNANSAL PERFORMANS

4.3. ARAŞTIRMANIN VERİ SETİ VE YÖNTEMİ

4.3.1. PANEL VERİ ANALİZİ

Os processos de automação começaram com a introdução de sistemas de controle local e passaram, progressivamente, para o nível de coordenação de todos os subsistemas. Os sistemas de comando foram dotados de sistemas de vigilância, centralizando as informações dos automatismos em uma sala de controle ou em um posto de vigilância (ZAMBERLAN et al, 2000; SANTOS; ZAMBERLAN, 1992). De acordo com Ferreira (1996, p. 25),“A Sala de Controle é o coração da unidade”.

Na Figura 4, consta um esquema de Carvalho e Vidal (2000), que representa o trabalho do operador de Sala de Controle.

Fonte: Carvalho e Vidal (2000, p. 3).

As salas de controle monitoram, a distância, todo o processo produtivo ou de serviço, tais como a produção de petróleo, foco de interesse desta pesquisa, o monitoramento do metrô ou os serviços de atendimento de urgência e remoção pré-hospitalar. É fruto da introdução, no meio industrial, de técnicas de transmissão a distância e de ordens de comando que permitam agrupar a maioria de comandos e medidas em um único local, centralizando a maior parte das

53 informações necessárias para se controlar o processo. Nessas salas estão os painéis de controle e os sistemas computadorizados, além de uma série de outras ferramentas necessárias para que tudo ocorra bem: quadro sinóptico, com o esquema do processo; documentos técnicos e operacionais; dispositivos de informação, com os valores dos principais parâmetros do processo; sistemas de alarme; sistemas de telemetria, que permitem visualizar partes do processo; sistemas de comunicação; telefones; rádios; formulários; equipamentos de escritório; máquinas de calcular; terminais de texto; equipamentos de registro etc (FERREIRA 1996).

A Figura 5 apresenta um esquema de interface entre o operador e o sistema de processo (LORENZO, 2001).

Figura 5 - Interface entre operador e o sistema técnico

Fonte: Lorenzo (2001, p.16).

A interface entre o operador e o sistema técnico, igualmente ao processo operacional, é contínuo, com os trabalhadores atuando em turnos diurnos e noturnos.

O termo supervisório tende a fazer com que se imagine um papel hierarquicamente mais elevado para operador, o que, entretanto, não é o que ocorre na maioria dos casos. O operador humano é visto como um agente que monitora a automação, devendo agir em caso de falha de

algum sistema automático. A atividade do operador no controle do sistema supervisório depende do grau e da forma de automação e dos sistemas de intertravamento. Quando os automatismos funcionam, a intervenção humana não é necessária. Contudo, em situações de irregularidade, os operadores são indispensáveis para assegurar as tarefas de tomada de decisão. Essa ação do operador pode ser comprometida, se ele não tiver o treinamento adequado ou se o sistema for opaco, não dando suficientes informações para que atue quando requerido (CARVALHO; VIDAL, 2000).

Maurice Montmollin descreve detalhadamente a atividade do operador de uma sala de controle:

vamos imaginar um trabalhador diante do painel de uma Sala integrado de controle numa refinaria de petróleo. Seu trabalho consiste em monitorar por meio do sistema de instrumentação, o andamento do processo de refino e, se necessário, fazer as regulações necessárias, ou seja, acionar os dispositivos adequados através do sistema de controle. Como uma refinaria não pode parar, ela funciona em turnos de trabalho e, não esqueçamos, ali são processados materiais combustíveis de alto risco. O terminal em foco permite monitorar pela tela de vídeo o processo e agir através de comandos do teclado do terminal. (...) Este trabalhador não está sentado ali, sem fazer nada: ele exerce uma atividade. Ele percebe e interpreta as informações que aparecem no monitor e tenta resolver os problemas que aparecem. Por vezes ele comete erros, frequentemente se comunica com outros colegas da sala e de campo (MONTMOLLIN apud VIDAL; CARVALHO, 2008, p. 16).

A vigilância do processo é a busca intensa dessas informações, que duram toda a jornada diária do operador, e necessita da observação de dados oriundos do processo, enviados pelo supervisório. Para agir, os operadores precisam construir mentalmente um quadro referencial de como está o sistema. É a representação do sistema; a partir dessa representação é que eles avaliam as possibilidades de como o sistema vai evoluir (WISNER, 1987).

O controle do operador nos processos é feito de modo indireto, por meio de indicadores que caracterizam essas transformações.

Basicamente, o que ocorre é o seguinte: acoplados aos equipamentos em que estão ocorrendo as transformações (e a circulação) dos produtos existem sensores, isto é, instrumentos de medição, cada um deles, registrando uma determinada característica: termômetros para a temperatura, manômetros para a pressão, medidores de níveo, de fluxo, etc. O número de indicadores pode ser muito grande, chegando a centenas ou milhares. Para facilitar seu controle, muitos destes instrumentos de medição enviam sinais, à distancia, a outros instrumentos, centralizados em um único local que é o painel de controle (na sala de Controle). Além, do mais, em vários equipamentos de campo há outros tipos de instrumentos, os atuadores, para agir sobre os equipamentos e válvulas. Estes instrumentos também enviam sinais a outros

55 instrumentos centralizados no painel de controle: os controladores. Assim os painéis de controle agrupam instrumentos com indicações de medidas instantâneas de vários parâmetros, registradores que permitem acompanhar a evolução destes parâmetros, controle e também dispositivos de telecomando, que permitem intervenções em determinadas partes do processo à distância (FERREIRA, 1996, p. 24).

A complexidade dessa articulação e a regulação, de forma integrada, do operador com sistema técnico pode ser bem exemplificada na obra Drawing Hands (1948), de Maurits Cornelis Escher (LOCHER, 2013), que retrata, sobre uma folha de papel, duas mãos que se sobressaem desenhando os punhos da camisa (Figura 6). Essa gravura reflete um trabalho dinâmico, compartilhado, simultâneo, em que um elemento atua sobre o outro e vice-versa, não sendo possível identificar como nem qual imagem surgiu primeiramente.

Figura 6 - Drawing Hands

Fonte: All M.C. Escher works © 2014 The M.C. Escher Company - the Netherlands. All rights reserved. Used by permission. www.mcescher.com

A obra remete metaforicamente às diversas questões da complexidade, do trabalho em equipe e do trabalho em salas de controles; não se é possível separar homem do seu sistema sociotécnico, pois o homem interage sobre o sistema e o sistema age sobre o homem (HOLLNAGEL, 1997; ZARIFIAN, 1993; VIDAL; CARVALHO, 2008; LEPLAT, 1968; LEPLAT e TERSSAC, 1990 apud FIGUEIREDO et al, 2002; DUARTE, 1994; CUKIERMAN et al, 2007).

Sobre a automação, Bainbridge (1983, p. 775, tradução nossa) afirma que:

Tirando as tarefas mais simples do operador, a automação tende a tornar as tarefas mais complexas ainda mais difíceis. (...) Nos sistemas com elevado grau de automação, a tarefa do operador é monitorar o sistema para garantir o funcionamento adequado da automação. Mas é sabido que mesmo as

pessoas mais motivadas para o trabalho têm dificuldade em manter um estado de vigilância por longos períodos de tempo. Sendo assim elas ficam mais propensas a não perceber de imediato as raras falhas da automação.

A incerteza sobre o contexto enfrentado, pode aumentar a partir de falta de confiança do operador nos dados, revertendo-se na falha em detectar o estado verdadeiro e a evolução do sistema. Alternativamente, isso pode ocorrer devido a deficiências da representação das ferramentas, as quais são baseadas nessa informação, resultando em leituras equivocadas, e a percepção da significância do estado e da evolução dos sistemas (HOC et al, 1995).

A transformação do trabalho dessa natureza “passa a exigir cada vez mais a comunicação entre os diferentes níveis hierárquicos, a cooperação entre os pares e os diferentes setores da estrutura organizacional e a resolução de problemas, cuja complexidade solicita esta articulação de forma integrada” (ABRAHÃO; PINHO, 1999).

Outra característica da atividade de diagnóstico num ambiente complexo e dinâmico é a possibilidade do aumento de informação, com o tempo. Informações sobre um mau funcionamento do sistema vão sendo acumuladas, sendo que há, relativamente, pouca informação disponível no início e quantidades maiores mais tarde (HOC et al, 1995).

Benzer Belgeler