TANITMA ELEŞTİRİ
MULTI-DIMENSIONAL CONTENT ANALYSIS OF FEYZULLAH ÇINAR SONGS
3.1. Ozan Feyzullah Çınar’ın Türkülerinin Sözel Yapısının Çözümlenmes
Por coordenação entende-se o ato ou a ação de coordenar; reunir ou dispor com coordenação; arranjar, organizar. A visão tradicional de gerência tem um sentido muito parecido: planejamento sistemático, coordenação e supervisão eficiente das atividades organizacionais (Motta, 1994). No entanto, este mesmo autor afirma que no cotidiano a gerência atua de forma fragmentada, imediatista e pouco planejada, devido principalmente à realidade caótica da maioria das organizações.
Neste estudo, o termo coordenação será utilizado com o mesmo sentido de gerência, tendo em vista que nos serviços de saúde da região (campo deste estudo) o cargo que gerencia a unidade básica de saúde recebe a denominação de “Coordenadoria de Unidade de Saúde”.
Entre as funções exercidas pelos coordenadores de unidades de saúde destacam-se:
[...] colaborar com a atuação dos Assessores Técnico- Administrativos nas áreas de medicina, enfermagem, odontologia e saúde mental, visando a resolutividade da assistência das Unidades de Saúde; coordenar o processo de educação permanente na unidade de saúde; providenciar os suprimentos e serviços necessários ao perfeito funcionamento da unidade de saúde [...]; prover e controlar o material utilizado na unidade de saúde, [...]; promover integração entre a unidade de saúde e a comunidade local, objetivando o melhor conhecimento da realidade; coordenar a elaboração da escala de trabalho dos profissionais da unidade de saúde; [...] supervisionar as atividades desenvolvidas na unidade de saúde (Londrina, decreto 275 de 30 de abril de 2007, p.17 e 18).
De maneira geral, nos serviços de saúde é atribuída à gerência a responsabilidade pela condução, no sentido de acompanhar e orientar os processos de trabalho, de todos os trabalhadores da equipe; de conferir direcionalidade às ações
desenvolvidas pela unidade/serviço e também de responder pela tomada de decisão.
Claus (2005) desenvolveu em sua tese de doutorado um estudo sobre as competências para o gerenciamento de processos de trabalho na atenção básica e propôs um conjunto de competências, organizadas em quatro núcleos, que se referem: ao planejamento local de saúde; à condução do trabalho gerencial; ao trabalho com coletivos organizados; e, ainda, ao trabalho educativo em saúde.
Quanto ao trabalho gerencial na saúde, Mishima (1995) afirma que o mesmo é uma atividade meio, cuja ação principal se refere à articulação e à integração, e que, ao mesmo tempo em que possibilita a transformação do processo de trabalho, é também passível de transformação, mediante as determinações que estejam presentes no cotidiano das organizações de saúde.
Para Campos, Merhy, Nunes (1989), a gerência é um importante instrumento para a efetivação das políticas, sendo simultaneamente condicionante e condicionada pelo modo como se organiza a produção de serviços.
Onocko Campos (2003) afirma que a gerência apresenta duas funções essenciais: gerir e gerar. Compreende o gerir como a ação sobre a ação dos outros, fortemente ligada ao poder. Por esta função, cabem à gerência o controle, a garantia da produção e da produtividade, ou seja, constitui-se num espaço de reprodução de “status quo”. Em um polo oposto, cabe à gerência a função de gerar. Gerar a criação e a instituição de espaços nos quais se possa experimentar a tomada de decisões coletivas, de formular projetos comuns, de constituírem-se espaços que possam virar instâncias de decisão compartilhada.
Para desempenhar estas funções, o coordenador deve ter clareza que sua atuação pressupõe assegurar tanto o cumprimento das deliberações, de preferência as definidas pelo coletivo, quanto tomar decisões que os espaços colegiados não trabalharam, visando assegurar que a finalidade da organização – o atendimento às necessidades de saúde dos usuários – seja cumprida.
Neste processo, é necessário que o coordenador atue na produção de intersubjetividades e de processos nos quais se possa experimentar a tomada de decisões coletivas, que seja trabalhada a grupalidade (para que as equipes se constituam enquanto grupos e não agrupamentos); que se atente para a necessidade de qualificação dos espaços de gestão, destinando-lhes um lugar e tempo; suporte e manejo. Essa atuação implica que o gerente se qualifique para compreender, suportar e interagir com os dramas intersubjetivos do grupo (conflitos), reconhecendo-se como integrante da equipe de trabalho, porém não como mais um ou qualquer um, mas como aquele que desempenha uma função diferenciada (Onocko Campos, 2003).
Outro aspecto a destacar são as dimensões do trabalho gerencial. Para Mishima et al. (1997), são inerentes à gerência as dimensões técnica, política, comunicativa e a de desenvolvimento da cidadania. A primeira refere-se aos aspectos mais gerais e instrumentais do trabalho, como planejamento, coordenação, supervisão, controle e avaliação, visando atingir os objetivos propostos pela organização. Está também incluído nesta dimensão um conjunto de saberes, como epidemiologia, sociologia, geografia humana, antropologia e planejamento.
A dimensão política refere-se à articulação entre o trabalho gerencial e o projeto político a ser desenvolvido. Nesta dimensão estão presentes as determinações de caráter político-ideológico e econômico, bem como as tensões provocadas pelas corporações
dos trabalhadores e também pelos distintos grupos de usuários. A dimensão comunicativa “diz respeito ao caráter de negociação presente no lidar com as relações de trabalho na equipe, e nas relações da unidade com a comunidade”; e a última dimensão, a de desenvolvimento da cidadania, busca a emancipação dos sujeitos, sejam eles os trabalhadores ou os usuários do serviço de saúde (Mishima et al., 1997, p.289).
Ermel e Fracolli (2003) propõem outra classificação para as dimensões afetas ao trabalho gerencial, que são: dimensão política, dimensão organizacional e dimensão do processo de trabalho. A dimensão política justifica-se pelo fato que, de alguma forma, o trabalho gerencial visa implementar uma “dada” política pública de saúde ou um modelo tecnoassistencial; a dimensão organizacional é aquela que revela as “normas”, os “contratos” (explícitos ou não) que regem as relações entre os agentes do trabalho e entre estes e a instituição, ou seja, refere-se às técnicas de gerenciamento utilizadas pelos gerentes. Com relação à dimensão do processo de trabalho de gerência, esta é definida como o lugar que representa a produção dos “atos” e “ações” de saúde.
Independente de qual tipologia se utilize para análise das dimensões da prática gerencial nos serviços, cabe ressaltar que estas são sustentadas por racionalidades distintas (instrumental e comunicativa), mas que não podem ser consideradas excludentes e nem separadas, pois devem estar em permanente articulação na atuação gerencial, principalmente nos processos de tomada de decisão (Mishima et al., 1997).
No entanto, em pesquisa bibliográfica sobre a temática da gerência que buscou analisar a produção científica sobre as dimensões adotadas pelos gerentes, publicada no período de 1989 a 1999, Ermel e Fracolli (2003) verificaram que a grande maioria dos trabalhos encontrados (81%) abordava a temática da gerência a
partir de uma única dimensão, e apenas 19% abordavam o trabalho de gerência através da articulação de duas ou mais das dimensões. Verificaram também que a dimensão mais relatada foi a organizacional, abordando principalmente as técnicas de gerenciamento, com base nas teorias administrativas, e que o controle é o conceito fundamental da maioria destas teorias.
Diferentes opções teóricas são adotadas para análise e compreensão da gerência de serviços de saúde, com marcante presença das teorias administrativas. O modelo estrutural funcionalista tem sido hegemônico na produção teórica sobre a gestão das organizações de saúde (Merhy, Cecílio, 2003). A teoria estruturalista faz uma síntese da escola clássica e das relações humanas, e vê a organização como uma unidade social grande e complexa, onde interagem muitos grupos sociais (Etzione, 1989).
Esta teoria compreende a organização como um sistema, constituído por partes, que na área da saúde seriam as unidades ou setores de um serviço. O trabalhador é tido como “recurso” humano e tratado como peça dentro da organização, devendo cumprir normativamente seu papel para que sejam atingidos os objetivos organizacionais (Cecílio, 2007).
Nesse sentido, a questão central das organizações está em como controlar os participantes a fim de reduzir ao mínimo a sua infelicidade decorrente das medidas de controle utilizadas, o que pode ser atingido com a adoção do enfoque da burocracia de Max Weber. Este contempla estruturas estáveis que utilizam regras para regular as condutas dos seus agentes, a divisão sistemática de trabalho para o controle do desempenho das funções e o princípio da hierarquia para a distribuição de cargos e da autoridade. Nesta abordagem administrativa, o papel da gerência é instituído formalmente e objetiva manter o controle de seus participantes utilizando-se da autoridade e do poder (Etzione, 1989).
No entanto, esta teoria mostra-se insuficiente para a análise das organizações de saúde em todas as dimensões referidas anteriormente. Permite uma análise do macro, já que estas organizações têm muitos componentes do funcionamento burocrático, mas elas não se configuram como uma burocracia tradicional (Carapinheiro, 1997). Desta forma, este modelo é precário para análise dos processos que ocorrem cotidianamente nos serviços de saúde e dos mecanismos que a coordenação utiliza para gerenciar estas organizações (Merhy, Cecílio, 2003).
Além disso, as teorias administrativas são embasadas estritamente na racionalidade instrumental, com grande ênfase na disciplina e no controle dos trabalhadores, cujo objetivo principal tem sido a busca da eficácia e da eficiência, com pouca importância para os meios destinados à obtenção destes resultados (Mishima, 1995). A autora afirma que a análise da prática gerencial somente por esta dimensão é insuficiente, visto que os princípios que a norteiam não são estáticos, neutros, racionais ou eminentemente técnicos para se adequarem ou se moldarem à resolução dos problemas que se apresentem no cotidiano do trabalho, pois “como atividade humana, a ação gerencial não prescinde do homem em suas relações com outros homens e de toda subjetividade presente neste processo, bem como de suas determinações” (Mishima, 1995, p.19).
Tendo clareza que em sua atuação o gerente articula-se a outros trabalhadores com os quais mantém relações de interdependência, tomo para delimitação e melhor compreensão do objeto deste estudo alguns pressupostos elaborados com base no quadro teórico, apresentado em maior profundidade a seguir, e na vivência com coordenadores de unidades de saúde:
A gerência/coordenação da unidade básica de saúde é uma atividade meio que estabelece relações em seu cotidiano com o
gestor, trabalhadores e usuários (população) – porém sua maior atuação é junto aos trabalhadores;
As necessidades de saúde dos usuários são orientadoras do trabalho da gerência/coordenação local;
A AB é a ordenadora do cuidado na rede SUS e, portanto, cabe à coordenação:
fazer a tradução e a intermediação das políticas emanadas do gestor junto aos trabalhadores, usuários e população do território;
identificar/diagnosticar as necessidades/problemas dos usuários e população e planejar/programar ações para o enfrentamento destes (juntamente com demais trabalhadores da unidade e comunidade);
promover a articulação e a integração dos trabalhadores da unidade (coordenar o processo de trabalho);
promover a articulação da unidade básica aos outros serviços da rede, necessários à integralidade da atenção.
A gerência se utiliza de ações comunicativas, instrumentais e estratégicas no desempenho de sua função;
As tensões e os conflitos permeiam o trabalho do gerente/coordenador;
À medida que a interação entre a coordenação e os trabalhadores busca constituir-se como prática comunicativa em que os envolvidos se ponham de acordo para coordenar seus planos de ação, há maior possibilidade de enfrentamento e solução dos conflitos no nível local.
Partindo desses pressupostos, a investigação sobre a interação que se processa entre os coordenadores e os trabalhadores das
unidades básicas de saúde, com destaque para as tensões e conflitos presentes nesta interação, visa responder as seguintes questões: Em que espaços e como se dá a interação da coordenação/gerência com os trabalhadores? Quais são os principais conflitos/tensões que a coordenação local enfrenta no seu cotidiano de trabalho e que recursos utiliza na lida com eles? Como as lógicas comunicativa, instrumental e estratégica são articuladas na gestão do trabalho e dos conflitos?
Para responder a estas perguntas o trabalho apoia-se em pesquisa empírica desenvolvida em unidades básicas de saúde na área da 17ª Regional de Saúde do Paraná, além de uma construção teórico-conceitual, apresentada a seguir.