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Retornando à pergunta inicial do trabalho, que questiona se (i) os gastos realizados com o Programa Bolsa Família sofreram variações significativas nos meses anteriores às eleições presidenciais e (ii) se nas eleições para governadores e prefeitos o mesmo também ocorre, faço as seguintes considerações.

Para a primeira pergunta, a partir dos resultados, tem-se que os gastos com o PBF sofrem variações positivas nos períodos pré-eleições presidenciais, no sentido de se adiantar e incrementar os gastos para o trimestre que antecede a campanha eleitoral. Isso, muito provavelmente, porque a transferência das bolsas do PBF é limitada pelo orçamento anual do governo federal, que tem um efeito limitador e anticíclico sobre o programa. Porém, havendo as variações positivas nos períodos eleitorais, não se rejeita a hipótese de oportunismo político sobre os gastos do PBF.

No entanto, quando passo a testar os dados do número de famílias beneficiárias do PBF como variável dependente, encontro resultados significativos para os meses pré- eleitorais, onde cerca de 230mil famílias entram por mês no PBF no trimestre que antecede a campanha, ou seja, quase 700 mil famílias a mais passam a ser beneficiárias do PBF em período de campanha eleitoral.

Esses resultados significam que existe um ciclo eleitoral, não só nos gastos com PBF como se previa na literatura, mas também no momento de inscrição das famílias no programa. Esse resultado indica que há uma antecipação na inscrição das famílias no PBF, já que nos 3 meses de campanha o efeito positivo não aparece assim como nos dois trimestres anteriores a eles. Após as eleições as famílias continuam no programa e não há decréscimo dos gastos realizados, o que se difere da teoria tradicional dos ciclos eleitorais que preveem uma expansão pré-eleições e uma retração no período posterior.

Já para a segunda pergunta, a resposta é mais simples, ou seja, não há quaisquer padrões nas variações nos gastos com o PBF, nem mesmo para as variações no número de famílias beneficiárias, que possam ser relacionadas ao calendário eleitoral para municípios e estados.

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 Usando como variável dependente o número de famílias, quando são criadas

dummies de 9, 6 e 3 meses anteriores ao período de campanha (3 meses antes das eleições), temos que todas elas são positivas e significantes;

 O efeito se concentra nos 3 meses anteriores à campanha, onde cerca de

230mil entram em média por mês no PBF;

 Nesses mesmo período há uma aceleração dos gastos realizados com o

repasses das bolsas à essas novas famílias, somando cerca de R$ 60mi pagos em bolsa no período de campanha;

 Não há crescimento no número de famílias nos 3 meses que antecedem as

eleições;

 Não há redução no número de famílias inscritas após as eleições;  Não há efeito no período das eleições estaduais e municipais.

Importante ressaltar que mesmo havendo restrições ao longo do ano eleitoral em algumas ações dos governantes, especialmente nos três meses antes do pleito, a continuidade das ações de gestão e das transferências das bolsas do PBF estão garantidas devido ao caráter do programa e sua previsão legal. Portanto, as variações constatadas não podem ser explicadas pela existência de uma determinação legal. Isso sugere que existem elementos subjetivos para a ocorrência dos ciclos eleitorais no PBF, o que não pode ser captado nesse estudo. Nesse aspecto, uma motivação para o governo adiantar inclusão de famílias para o trimestre anterior ao período de campanha, estaria relacionada ao fato de que nesse período, ou seja, nos três meses que antecedem às eleições, é vedada a emissão de cartões com a marca e o slogan do governo federal.

Por se tratar de um trabalho empírico, a pesquisa se limita a observar e caracterizar a ocorrência dos ciclos eleitorais no PBF, abrindo espaço para que trabalhos de caráter qualitativo possam investigar as reais causas das variações que ocorrem no programa quando em período eleitoral, sejam elas por oportunismo político ou por uma interpretação excessivamente cautelosa dos gestores quanto à legislação eleitoral ou, ainda, qualquer outra possível razão.

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Benzer Belgeler