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2. Otomasyon Sisteminin Dizayn Kriterleri

O ER enquanto componente obrigatório incluído no conjunto das disciplinas que compõem a base nacional comum da Educação Básica, situa-se no contexto das orientações das Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica (DCNGEB). Diante disso, selecionamos alguns artigos do referido documento que nos parecem sinalizar orientações para a organização da prática pedagógica desse componente curricular.

Art. 6º - Na Educação Básica, é necessário considerar as dimensões do

educar e do cuidar, em sua inseparabilidade, buscando recuperar, para a

função social desse nível da educação, a sua centralidade, que é o educando, pessoa em formação na sua essência humana (BRASIL, 2013. p. 64).

Conforme descreve esse artigo, a Educação Básica em suas várias etapas sinaliza a necessidade do exercício de práticas pedagógicas que ultrapassem a mera transmissão mecânica de conteúdos. A alusão às dimensões do “cuidar” e “educar”, no conjunto das ações educativas, representa uma ampliação da compreensão do processo de desenvolvimento do educando. Nesse sentido, se antes essa atribuição era restrita à educação infantil, agora se estende para as demais etapas da Educação Básica, tendo em vista que este nível da educação abrange a “pessoa em formação na sua essência humana”.

Esse argumento é ressaltado pela proposição de resgatar a função social desse nível da educação, colocando o educando no centro do processo. Nesse aspecto, é perceptível a preocupação com a condição humana ser desenvolvida em seus múltiplos potenciais e não somente no aspecto cognitivo, como tradicionalmente tem ocorrido.

Isso, portanto, revela a ampliação do papel social da escola que, a cada dia, fica mais complexo, pois além de exigir dos profissionais, mais diretamente dos docentes, os conhecimentos específicos da sua área de atuação, exige também conhecimentos relacionados ao desenvolvimento da pessoa em suas múltiplas dimensões. Em decorrência disso, abrange também as necessidades que emergem cotidianamente, bem como a articulação com o meio cultural dos estudantes.

Corroborando com a determinação do art. 6º quanto às dimensões do cuidar e educar, e com a afirmação relacionada à centralidade na Educação Básica do educando enquanto

“pessoa em formação na sua essência humana”, Miele e Possebom (2012) fazem referência ao suprimento de necessidades existenciais inseparáveis: uma de natureza biológica, outra de natureza mental ou psíquica e uma terceira de natureza espiritual. Segundo esses autores, a concepção trina do ser humano – corpo - alma e espírito - foi mantida pelo cristianismo primitivo até Constantino e reconhecida pela maioria das religiões ditas “primitivas” e “orientais” (p. 408-409).

Os autores consideram que a compreensão do indivíduo nessas três necessidades existenciais “ajudará a compreender que a vida social é construída pelo próprio ser humano, coletivamente: sua economia, sua cultura, sua educação, seus sistemas de governo, sua política, seu conhecimento, suas religiões etc” (p. 410). Refletindo acerca dessas “necessidades” implícitas ao ser humano, os autores afirmam:

As necessidades individuais e coletivas não se excluem, elas se complementam, e estas polaridades estão sempre em busca do equilíbrio. Quando não consideradas em sua complementaridade elas geram a exclusão. Um aspecto irrefutável da existência humana é que vivemos em grupos, formamos sociedades, mas antes de tudo somos indivíduos (p. 410).

Essa afirmação demonstra a complexidade da educação escolar que, para cumprir o seu papel, deve transitar pelos polos enfatizados, além dos conhecimentos das áreas específicas. Diante disso, os referidos autores acrescentam:

O coletivo é “construído” pelos indivíduos que compartilham valores éticos, costumes, tradições, crenças, que norteiam a política, a educação e demais aspectos da vida em sociedade. O individual antecede o coletivo, daí a importância da educação para um convívio sadio (p.410).

Essas argumentações justificam a importância de considerar o indivíduo em suas múltiplas dimensões. Desse modo, contemplar, simultaneamente, a dimensão social haja vista que, a mudança no mundo está condicionada a mudanças no homem, no seu interior. É nessa linha de pensamento que os autores justificam a proposição dos cursos de ciências das religiões fundamentados no pressuposto de que “a ignorância é a mãe da intolerância”. Para eles, é somente através da informação e do conhecimento que se possibilita uma convivência pacífica entre as religiões.

Vale salientar, entretanto, que isso ocorre entre os seres humanos de modo geral e, especialmente, no espaço escolar, quando essa informação e esse conhecimento se estendem para o ser humano em suas relações consigo mesmo, com o outro e com a natureza.

Outros artigos das Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica (DCNGEB)3 subsidiam as reflexões e orientações relacionadas ao ER, na Educação Básica. Destacamos alguns voltados mais diretamente para os objetivos deste trabalho, notadamente, no que se refere ao estudante em seu processo de desenvolvimento articulado com a dinâmica social expressa nos currículos escolares.

Art. 9º A escola de qualidade social adota como centralidade o estudante e

a aprendizagem, o que pressupõe atendimento aos seguintes requisitos:

II - consideração sobre a inclusão, a valorização das diferenças e o

atendimento à pluralidade e à diversidade cultural, resgatando e

respeitando as várias manifestações de cada comunidade (BRASIL, 2013. p. 65);

Art. 11 A escola de Educação Básica é o espaço em que se ressignifica e se

recria a cultura herdada, reconstruindo-se as identidades culturais, em que

se aprende a valorizar as raízes próprias das diferentes regiões do País. Parágrafo Único- Essa concepção de escola exige a superação do rito escolar, desde a construção do currículo até os critérios que orientam a organização do trabalho escolar em sua multidimensionalidade, privilegia trocas, acolhimento e aconchego, para garantir o bem-estar de crianças, adolescentes, jovens e adultos, no relacionamento entre todas as pessoas (BRASIL, 2013, p. 66).

Art. 13 O currículo, assumindo como referência os princípios educacionais garantidos à educação, assegurados no artigo 4º desta Resolução, configura- se como o conjunto de valores e práticas que proporcionam a produção, a socialização de significados no espaço social e contribuem intensamente para a construção de identidades socioculturais dos educandos.

§ 2º Na organização da proposta curricular, deve-se assegurar o entendimento de currículo como experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimento, permeadas pelas relações sociais, articulando vivências e saberes dos estudantes com os conhecimentos historicamente acumulados e contribuindo para construir as identidades dos educandos. § 3º A organização do percurso formativo, aberto e contextualizado, deve ser construída em função das peculiaridades do meio e das características, interesses e necessidades dos estudantes, incluindo não só os componentes curriculares centrais obrigatórios, previstos na legislação e nas normas educacionais, mas outros, também, de modo flexível e variável, conforme cada projeto escolar [...](BRASIL, 2013, p. 66)

Art. 14 A base nacional comum na Educação Básica constitui-se de conhecimentos, saberes e valores produzidos culturalmente, expressos nas políticas públicas e gerados nas instituições produtoras do conhecimento científico e tecnológico; no mundo do trabalho; no desenvolvimento das

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Resolução CNE/CEB nº 4, de 13 de julho de 2010. Disponível em:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&id=12992:diretrizes-para-a-educacao-basica (Acesso: 11/06/2014).

linguagens; nas atividades desportivas e corporais; na produção artística; nas formas diversas de exercício da cidadania; e nos movimentos sociais.

§ 1º Integram a base nacional comum: a) a Língua Portuguesa;

b) a Matemática;

c) o conhecimento do mundo físico, natural, da realidade social e política, especialmente do Brasil, incluindo-se o estudo da História e das Culturas Afro-Brasileira e Indígena,

d) a Arte, em suas diferentes formas de expressão, incluindo-se a música; e) a Educação Física;

f) o Ensino Religioso.

§ 2º Tais componentes curriculares são organizados pelos sistemas educativos, em forma de áreas de conhecimento, disciplinas, eixos temáticos, preservando-se a especificidade dos diferentes campos do conhecimento, por meio dos quais se desenvolvem as habilidades indispensáveis ao exercício da cidadania, em ritmo compatível com as etapas do desenvolvimento integral do cidadão (BRASIL, 2013, p.67-68).

Com base nestes artigos e parágrafos das DCNGEB, evidenciamos claramente a ênfase no educando, “pessoa em formação na sua essência humana”. Tratar o educando na perspectiva da formação em “sua essência humana” exige uma compreensão ampliada do que significa essa “essência” humana. Esse assunto será abordado no capítulo seguinte, no qual refletimos as relações e inter-relações que se processam no/do indivíduo consigo, com o outro e com o meio.

Salientamos que, colocar o educando no centro do processo educativo na Educação Básica, representa um aspecto importante por se tratar de uma atenção especial a alguém que está se formando humano. Nessa perspectiva, é que o Artigo 6º propõe unir “as dimensões do

educar e do cuidar, em sua inseparabilidade”.

Outrossim, destacamos que isso envolve a superação de práticas educativas centradas na transmissão de conteúdos prontos, distantes da realidade vivida pelos estudantes. Conteúdos determinados de forma arbitrária, os quais os estudantes não possuem abertura para questionar, discutir e, muitos menos, expor os seus próprios saberes.

Ressaltamos que as orientações dos artigos e seus respectivos parágrafos acima destacados, uma vez direcionados ao conjunto das disciplinas da base nacional comum, certamente abrange o ER. Assim, os princípios apontados em relação à articulação da Educação Básica dos indivíduos matriculados neste nível, serão contemplados no aporte teórico-metodológico, ou seja, no capítulo 3.

Por enquanto, escolhemos frisar, neste ponto do trabalho, as formas de organização dos componentes curriculares definidas no parágrafo segundo do artigo 14. Este artigo

declara: “Tais componentes curriculares são organizados pelos sistemas educativos, em forma de áreas de conhecimento, disciplinas, eixos temáticos, [...]”.

Essa orientação é direcionada a todos os componentes curriculares da base nacional comum, dentre eles o ER, que de acordo com o que preconiza os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso, precisa ser trabalhado como área de conhecimento para se distanciar da catequese, da tendência proselitista.

Nesse sentido, dada a complexidade de articular no âmbito do ER temas abrangentes como educação e religião, focando o fenômeno religioso sem proselitismo, apresenta-se como um desafio, sobretudo, pela perspectiva restrita do “ensino” como uma prática transmissiva que descaracteriza área de conhecimento por um lado e, por outro lado, sem enfatizar uma religião em particular.

2.4 Ensino Religioso como área do conhecimento: para além do

Benzer Belgeler