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Otomasyon Petri Ağı Modelinin Basamak Diyagramına Dönüştürülmesi

3. PETRĐ AĞLARINA GENEL BAKIŞ

3.9 Otomasyon Petri Ağı Modelinin Basamak Diyagramına Dönüştürülmesi

A pesquisa buscou suporte teórico no pensamento de Pierre Bourdieu, principalmente em suas reflexões encontradas na obra A Dominação Masculina. 35 Nessa obra, Bourdieu se propôs a atualizar sua análise dos mecanismos que eternizam a ordem sexual de natureza patriarcal estabelecida em nosso mundo. Em outras palavras, ele se perguntou: o que precisamente mantém essa presente ordem, caracteristicamente androcêntrica e notavelmente sem significativas mudanças ou revoluções? Esse fenômeno pode ser observado tanto em sociedades primitivas (Bourdieu pesquisou a sociedade cabila) quanto naquelas mais desenvolvidas. Que mecanismos históricos são responsáveis pela des-historicização, pela naturalização e, portanto, pela eternização dessa ordem sexual? Sabe-se que tais mecanismos são acionados pelas principais instituições sociais (família, igreja, escola, Estado), cujas tradicionais funções têm re-produzido, de forma orquestrada, as condições que reforçam as estruturas da divisão sexual. Essa ordem reforçada pelas instituições retira a relação entre os sexos da história e acaba confirmando que a divisão é construção social – daí o seu caráter arbitrário – e não natural como querem as visões essencialistas (biologizantes e psicanalíticas). Para deter esses mecanismos reforçadores, a proposta apresentada por Bourdieu é a da mobilização política – a revolução simbólica – que organiza a luta das mulheres, para oferecer uma ação coletiva de resistênc ia na direção de reformas jurídicas e políticas.

Na análise da eternização da ordem sexual, surge o primeiro paradoxo: como essa ordem do mundo, com suas injustiças sociais (desigualdade, intolerância,

34 BORDO, Susan R. O corpo e a reprodução da feminidade: uma apropriação feminista de Foucault.

In: JAGGAR, Alison M. BORDO, Susan R. (ed.). Gênero, corpo, conhecimento. Trad. Britta Lemos

de Freitas. Rio de Janeiro: Record/Rosa dos Tempos, 1997. (Coleção Gênero; 1), p. 21-22.

35 BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Trad. Maria Helena Kuhner. 3ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

racismo, sexismo), continua a ser “grosso modo” tão facilmente aceita, respeitada e até mesmo tida como natural? Essa submissão, submissão paradoxal, tem na dominação masculina o seu exemplo por excelência. A dominação é resultante da violência simbólica que, por sua vez, não é facilmente percebida pelas próprias vítimas e é exercida através das vias simbólicas da comunicação e do conhecimento (também do desconhecimento e do reconhecimento) ou do sentimento. Eis a lógica da dominação: dominante e dominado se relacionam através de um princípio simbólico (língua, estilo de vida, estigma) conhecido e reconhecido por ambos, o que perpetua o sistema de dominação.

Bourdieu afirmou que “é característico dos dominantes estarem prontos a fazer reconhecer sua maneira de ser particular como universal” 36. A dominação sugere uma espécie de nobreza da masculinidade. Os homens, desde sua infância e no contexto de seu ambiente familiar, são ensinados e condicionados a aceitar as diferenças entre o universo masculino, público e o mundo feminino, privado. Os lugares de poder e não-poder do homem e da mulher já estão determinados pelas instituições sociais. Crianças são preparadas para profissões “adequadas” aos seus respectivos sexos. Se um homem assumir uma profissão considerada feminina (como a arte culinária ou a moda), sua atuação tende a ser mais respeitada e mais valorizada. Por isso, Bourdieu comparou a masculinidade com a nobreza: o valor do masculino é exaltado desde o próprio berço do homem.

O uso da etnografia, enquanto ferramenta para a abordagem e análise dessas questões, contribui para a desnaturalização, historicizando o eternizado na ordem sexual, mas pode, no entanto, produzir um novo paradoxo: as constantes e invariáveis que indiscutivelmente se mantêm, apesar de todas as mudanças da condição feminina, não privilegiam os mesmos mecanismos e as mesmas instituições históricas que não cessam, ainda, de tirar da história as constantes e invariáveis que objetivam a combatida divisão entre os sexos?

A tarefa proposta por Bourdieu, como forma de responder às questões levantadas é composta de quatro ações:

1. Reinserir a relação entre os sexos na história – o processo de historicização para revelar a dominação;

2. Devolver à dóxa o seu caráter paradoxal – o processo de conscientização coletiva;

3. Denunciar os mecanismos históricos responsáveis pela eternização do arbitrário – o processo de identificação;

4. Concentrar o olhar e o discurso feministas no espaço público, nos lugares de elaboração de poder, da violência e da dominação – a mobilização política. O processo de historicização é importante porque demonstra a construção arbitrária do biológico, que faz a dominação masculina ser incorporada na ordem social. Com base nessa construção social, nascem fortes esquemas de pensamento que acabam legitimando e naturalizando a divisão entre os sexos. Na verdade, a aceitação natural e relativamente fácil dessa divisão se dá porque há uma “adesão dóxica” por parte das dominadas. Elas acabam reconhecendo as estruturas da relação da dominação, ou seja, acabam se conformando com os esquemas que são produtos da mesma dominação – “as mulheres são seus piores inimigos”. 37

A divisão entre os sexos está presente, ao mesmo tempo e estado objetivado: 1. Nas coisas – as partes da casa são todas “sexuadas” (por exemplo, a cozinha

pertence à mulher);

2. Em todo o mundo social – esse mundo “constrói o corpo como realidade sexuada e como depositário de princípios de visão e de divisão sexualizantes”

38;

3. Em estado incorporado nos corpos e nos habitus (disposições) dos agentes – a diferença biológica entre homem e mulher, ou mais especificamente, a diferença anatômica entre os órgãos sexuais justifica naturalmente a divisão social do trabalho.

A relação de dominação se legitima, portanto, pela força das diferenças de natureza biológica – homem x mulher – e essa natureza é, por sua vez, uma construção social naturalizada.

A dominação masculina não significa poder, mas violência simbólica. Essa violência não é simplesmente “espiritual”, que não tem efeitos reais, mas, pelo contrário, a experiência sofrida em relações de dominação e submissão é histórica e objetivada.

37 BOURDIEU, Pierre. Op. cit. p. 52. 38 Id. p. 18.

A violência simbólica não pode ser vencida apenas “convertendo” a consciência e a vontade dos participantes de relações de dominação e submissão. Isso é ilusório, pois o seu poder está profundamente inscrito “no mais íntimo dos corpos sob a forma de predisposições (aptidões, inclinações)”. 39 Bourdieu propõe “uma transformação

radical das condições sociais de produção das tendências”. 40

Mas essa violência pode também se voltar contra o próprio homem. Sua virilidade, que é “entendida como capacidade reprodutiva, sexual e social, mas também como aptidão ao combate e ao exercício da violência (sobretudo em caso de vingança)” 41, torna-se um peso para o homem, porque a própria sociedade impõe sobre ele pressões e cobranças para que ele sempre aja como homem viril.

Benzer Belgeler