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KOMPLĠKASYONLAR

1. Osteosentez Yöntemi ile ilgili Komplikasyonlar:

Resgatando novamente o cenário de colonização do século XVI, o espaço amazônico era adentrado em busca de grandes riquezas naturais. Os diversos viajantes que chegaram às terras amazônicas por vias aquáticas se deparavam com diversas intrusões rochosas existentes nos rios pelos quais faziam a travessia, até que chegassem aos seus destinos. Logo, as dificuldades de travessia pelos rios se tornaram grandes devido à existência dos trechos encachoeirados que serviam de obstáculo para a navegação (PINTO, 2003).

Podemos ressaltar o interesse pelo território amazônico pelo surgimento de investimentos e lucros, constituindo uma área amplamente focada para a implantação de grandes projetos. Cabe verificar que as políticas pensadas para o contexto amazônico possuem uma característica comum de desenvolvimento, em diferentes escalas espaço-temporais, o que torna esse território cada vez mais complexo. A área de estudo em questão é alvo de ações voltadas ao crescimento econômico, passando por semelhantes transformações ocorridas na Amazônia de modo mais geral. Procurando compreender isso, em Vallaux (1914, p. 272) podemos verificar que

(...) la circulación terrestre tiene un carácter político, hasta cuando se propone fines puramente económicos. La razón más fuerte es una de las manifestaciones exteriores de la actividad del estado cuando se propone transmitir el pensamiento y la voluntad colectivas sobre todos los puntos de un territorio, y cuando pone en movimiento, para los fines de ataque y de defensa, la riqueza nacional y las fuerzas militares. En una palabra, la circulación política se mezcla sobre la tierra con casi todos los fenómenos

generales de la circulación económica, lo que no impide a la circulación

tener generalmente sus huellas y sus vías particulares (grifo do autor). Em Rondônia existem características de ocupação semelhantes aos processos ocorridos na Amazônia, estando condicionado ao contexto histórico da sociedade local a partir de ações de agentes diversos. Esses projetos em escala local equivalem aos de escala regional, com o surgimento de diversas atividades econômicas principalmente nos setores de agropecuária, comércio e serviços. Sobre a configuração territorial, Santos (1998, p. 110) diz:

No começo da história do homem, a configuração territorial é simplesmente o conjunto dos complexos naturais. À medida que a história se vai fazendo, a configuração territorial é dada pelas obras dos homens: estradas, plantações, casas, depósitos, portos, fábricas, cidades, etc. Cria-se uma configuração territorial que é cada vez mais o resultado de uma produção histórica e tende a uma negação da natureza natural, substituindo-a por uma natureza inteiramente humanizada.

Discutir redes, circulação, fluxos e fixos compete tratar desse conceito importante (configuração territorial). Sendo a configuração territorial uma totalidade, para Santos (2008, p. 83-84),

São diferentes os conceitos de paisagem, de configuração territorial e de espaço. (...) A configuração territorial é o território mais o conjunto de objetos existentes sobre ele; objetos naturais ou objetos artificiais que a definem. (...) Seja qual for o país e o estágio do seu desenvolvimento, há sempre nele uma configuração territorial formada pela constelação de recursos naturais, lagos, rios, planícies, montanhas e florestas e também de

recursos criados: estradas de ferro e de rodagem, condutos de toda ordem, barragens, açudes, cidades, o que for. É nesse conjunto de todas as coisas, arranjadas em sistema, que forma a configuração territorial cuja realidade e extensão se confundem com o próprio território de um país. Tipos de floresta, de solo, de clima, de escoamento são interdependentes, como também o são as coisas que o homem superpõe à natureza. Aliás, a interdependência se complica e completa-se justamente porque ela se dá entre as coisas que chamamos de naturais e as que chamamos de artificiais. Entre as transformações em Rondônia que caracterizam o período destacado em termos de infraestrutura, estão as decorrentes da ampliação da rodovia BR-364 e sua ligação com demais rodovias vicinais, e da materialização da hidrovia do Madeira à jusante de Porto Velho. Essa hidrovia visa o escoamento da produção para o Oceano Atlântico e o fortalecimento do agronegócio, tendo a produção da soja como principal destaque com sua expansão no sul do estado (NUNES, 2004).

A BR-364 é a principal via de ligação entre Rondônia e os demais estados do país, e, estando ligada à hidrovia do Madeira, torna-se um eixo fundamental para o escoamento da produção e a integração intercontinental no Norte do Brasil e na América do Sul (com a BR- 319 e a saída para a Venezuela e Caribe).

Já na primeira década do séc. XXI, há uma intensificação dessa dinâmica territorial pela perspectiva das hidrelétricas do Madeira, período em que esses empreendimentos começam a se materializar de fato. Essas políticas são pensadas em âmbito nacional por uma demanda econômica global em decorrência, também, do avanço tecnológico, do aumento do nível de consumo da população, e principalmente das exportações, ao mesmo tempo em que são implementadas em nível local. Essa demanda implica no aumento da instalação de hidrelétricas, conforme o próprio discurso governamental, devido a um consumo de energia exigido principalmente pelo crescimento do setor da indústria e aumento da população urbana. Sabemos que existem outras fontes energéticas, porém existem diversos interesses de empreiteiras, construtoras, bancos, ONGs, e do próprio Governo na construção de grandes hidrelétricas. Logo, podemos unir a suposta demanda a interesses capitalistas dos mais diversificados.

Com o estabelecimento de novos sistemas de engenharia, sob obras de infraestruturas, inseridas no território, as transformações espaciais se tornam nítidas à medida que se nota o aumento do PIB, das exportações, da população migrante e economicamente ativa, assim

como o surgimento de novas corporações do ramo da construção civil, segundo dados da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Social de Rondônia (SEDES-RO)22.

Dessa forma, nossa discussão caminha para a reflexão, de acordo com os processos históricos de ocupação, sobre como se constroi a relação da sociedade com o surgimento destas redes técnicas inseridas no território, criando uma configuração territorial com a existência de agentes diversos. Focando a análise no estabelecimento de redes técnicas sob a forma de infraestruturas, podemos explorar algumas definições já estabelecidas, que nos permitem compreender sua dialética.

Para um melhor entendimento, as redes são compostas de “toda infraestrutura, permitindo o transporte de matéria, de energia ou de informação, e que se inscreve sobre um território (...), seus arcos de transmissão, seus nós de bifurcação ou de comunicação” (CURIEN, N. apud SANTOS, 2009, p. 262). Num outro aspecto, “(...) as redes são formadas por troços, instalados em diversos momentos, diferentemente datados, muitos dos quais já não estão presentes na configuração atual (...)” (SANTOS, 2009, p. 263).

Encontramos em Costa (2000, p. 75) outra percepção das redes, estas relacionadas diretamente às políticas governamentais brasileiras:

(...) Ocorre que o resultado dessa combinação [entre determinações econômico-sociais e políticas territoriais], a nível da estrutura territorial, expressa-se através de objetos fixos e redes hierarquizadas, que podem ser consideradas, para fins de análise, como redes especificamente produtivas (produção, circulação e consumo) e redes institucionais geografizadas, criadas ou fomentadas pelo Estado.

Nesse mesmo sentido, Costa (2000) traz à discussão a hierarquização das redes, transformando-as em especificidades, as quais nos ajudam a compreender de outra forma como essas redes se estabelecem e reconfiguram o território, em vista de ações governamentais estruturantes:

22 Rondônia (2008).

Quadro 2: Hierarquização e denominação de redes

Redes institucionais geografizadas* Redes produtivas23

Hierarquizadas Institucionais objetivas

Redes hierarquizadas sob a forma de infraestrutura em geral, destinadas aos investimentos passados, presentes e futuros. Tais são os casos do Sistema Viário Nacional com suas malhas fortemente hierarquizadas e “amarra- das” às dinâmicas nacional e regional; o Sistema Energético Nacional, princi- palmente os complexos petroquímicos e hidroelétricos estatais (neste último caso com malhas de interligação a nível nacional em fase de implantação) e o Sistema Nacional de Telecomu- nicações.

Redes institucionais objetivas, órgãos da política e burocracia estatais que se destinam a reproduzir, no todo terri- torial, a operação do aparelho estatal central. Disseminadas nas escalas regionais, estadual e local, essas redes têm viabilizado a combinação cen-

tral-local em cada lugar do território

nacional. São os casos mais conhe- cidos: o Sistema Nacional de Saúde (com suas redes de hospitais, centros e postos de saúde, convênios, etc.); Sistema Nacional Fazendário e Finan- ceiro; Sistema Nacional de Educação (em algumas regiões quase que to- talmente federalizado); Sistema Na- cional de Planejamento Regional e Urbano (SUDENE, SUDAM, SUDECO, SUDESUL e demais órgãos do setor).

Produção Circulação

Consumo

* Texto compilado e grifos do próprio autor. Fonte: Costa (2000, p. 75-76).

Organizado por Luciana Riça Mourão Borges.

Assim, as redes são elementos que podem estar fixos no espaço ou mesmo ser invisíveis como no caso da comunicação, em que se permite a circulação tanto da produção como de pessoas e coisas, criando um território dinâmico. Esses fluxos representam a circulação. Sobre isso, Santos (2008, p. 86) continua dizendo que

Os fixos nos dão o processo imediato do trabalho. (...) Não é por outra razão que os diversos lugares, criados para exercitar o trabalho, não são idênticos e o rendimento por eles obtido está em relação com a adequação dos objetivos ao processo imediato de trabalho. Os fluxos são o movimento, a circulação e assim eles nos dão também a explicação dos fenômenos da distribuição e do

23 Sobre isso, Costa (2000, p. 76) explica que “A superposição das redes nacionais (produtivas e institucionais) tem definido ou redefinido as regiões do país, dando-lhes novas identidades no conjunto territorial nacional. Num país como o Brasil, com tais dimensões e de formação colonial e periférica, essas redes, ao formarem estruturas mais ou menos duráveis, têm sido capazes de criar laços de coesão entre as partes do território, mas também forças de fragmentação. Quanto mais cristalizados forem esses laços a nível regional, por exemplo,

menor a possibilidade de políticas territoriais novas conseguirem alterar substantivamente as estruturas

preexistentes (casos típicos do Sudeste e do Nordeste). (...) Inversamente, quanto mais frágeis os laços de coesão, maior a capacidade do Estado e dos empreendimentos privados de grande porte que, juntos, tendem a projetar mais imediatamente as redes de seu interesse. O resultado será uma diferenciação regional interna menor e a dificuldade relativa de definição de identidades regionais e locais (casos da Amazônia, Centro-Oeste e algumas subáreas do Nordeste)” (grifos do autor).

consumo. Desse modo, as categorias clássicas – isto é, a produção propriamente dita, a circulação, a distribuição e o consumo – podem ser estudadas através desses dois elementos: fixos e fluxos.

Da mesma forma como é percebido em Rondônia, verificamos na explicação de Santos (2009, p. 274) que são criados objetos, e, somados aos lugares, têm como função a viabilização da fluidez. Daí a existência de infraestruturas de transporte, comunicações e energia, a partir dos quais são criados polos empresariais e industriais urbanos, onde “(...) Esses objetos transmitem valor às atividades que deles se utilizam. Nesse caso, podemos dizer que eles ‘circulam’. É como se, também, fossem fluxos”.

Assim, podemos entender que em conjunto com esses fluxos e objetos fixos no território, são criadas redes de forma sucessiva para que se possa produzir cada vez mais, gerando desse modo novas configurações territoriais, como veremos no item a seguir.

Benzer Belgeler