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3.5 KEMİK MİNERAL DANSİTESİ ÖLÇÜMÜ

C) Osteoporoz prevelansı beyaz ırkta zencilere göre daha fazladır (12) Pineal

ACELERAÇÃO

O Programa Floração é uma parceria constituída, desde o final de 2009, entre a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte e a Fundação Roberto Marinho. Esse programa é destinado a adolescentes entre 15 a 18 anos que

cursaram o ensino fundamental, mas não conseguiram concluí-lo devido às defasagens em sua aprendizagem, especialmente da leitura e da escrita e da matemática. São alunos que se encontram, portanto, fora da faixa etária, havendo a necessidade de se pensar um tipo de atendimento voltado para esse perfil. O Floração atende em média quatro mil alunos por ano.

Para o trabalho com a turma do Programa de Aceleração de Estudos Floração, utiliza-se a Metodologia Telessala da Fundação Roberto Marinho, que foi elaborada para desenvolver o currículo do Telecurso. Sua metodologia prevê que, na sala de aula, os alunos assistam às teleaulas ao mesmo tempo que têm atividades específicas, desenvolvidas para que concluam o ensino fundamental, assim, envolvendo-os em atividades de grupo e procurando dar mais sentido à aprendizagem dos conteúdos.

Nessa metodologia, o professor atua como mediador entre as teleaulas e os alunos, orientando e estimulando-os na aprendizagem de grupo em todas as disciplinas, independentemente de sua área de formação. Propõe-se utilizar estratégias variadas e meios pedagógicos como as Tecnologias de Comunicação e Informação, em especial, o vídeo. Na Rede Municipal de Belo Horizonte, também, foi criado um ambiente virtual para os professores e um para os estudantes do Floração, com isso, estimulando-se a interação entre os professores e os alunos de diferentes turmas e a troca de experiências e atividades pedagógicas entre os professores.

Entre as estratégias e movimentos, a Metodologia Telessala propõe atividades realizadas em círculo e rodas de conversas sobre os conteúdos transmitidos em vídeo e atividades escritas nos livros-textos do aluno. Há também as atividades escritas em memoriais, que são instrumentos de avaliação, aprendizagem e autoconhecimento, onde os alunos escrevem sobre o seu dia a dia em sala, de maneira informal, relatando os acontecimentos significativos para eles na escola e fora dela.

É também previsto o trabalho dos alunos em equipes: de socialização e integração, coordenação, síntese e avaliação, cada uma com suas funções específicas. Ao longo do ano, os alunos vão se redistribuindo para vivenciar os diferentes papéis nessas equipes.

Esse trabalho de equipes, no entanto, é uma das dificuldades apontadas pelos professores, ele nem sempre acontece na sala de aula. Um dos motivos é que o nível de autonomia dos alunos é relativamente baixo e, normalmente, as turmas são compostas por alunos que já têm um histórico de relacionamento difícil com colegas e professores, além de não demonstrarem interesse nos estudos. Também, há um problema recorrente nas turmas que é a infrequência dos alunos. As equipes, comumente, ficam desfalcadas, porque os alunos se alternam nas faltas às aulas, dificultando a sistematização do processo ensino-aprendizagem e a consolidação das equipes.

Outro fator observado é a própria formação do professor, mais tradicional, o que faz com que muitos se sintam inseguros ao serem convidados a uma metodologia que desconhecem.

Nessa dinâmica, as disciplinas são distribuídas e trabalhadas em três módulos, sendo o primeiro com as disciplinas de Português e Ciências, além de Artes e Educação Física, o segundo, com Geografia e Matemática, e o terceiro, com História e Inglês. A conclusão do ensino fundamental é prevista para o final do ano letivo.

O Programa Floração também vem recebendo muitas críticas por parte dos próprios professores envolvidos e por muitos profissionais e especialistas em educação, das escolas, do meio acadêmico e do sindicato dos professores. Citamos, para começar, o fato de o Programa do Telecurso já ser implementado na Rede Municipal sem se considerar o público-alvo, o perfil dos estudantes matriculados, sua realidade, os problemas de aprendizagem, seus interesses, ou seja, não se aprofundou na primeira questão básica norteadora de uma proposta de ensino: “para quem” esse programa é destinado?

Os conteúdos já vêm prontos, com sequências e cenas, diálogos e tempos definidos, os conteúdos e objetivos traçados previamente, dessa forma, deixando pouco espaço para modificações. Organizadas dessa maneira, as teleaulas preveem uma interação diferente com os textos e imagens, com as cenas a serem "lidas" e que nortearão o ensino dos conteúdos das disciplinas.

No entanto, desde o início, observamos que muitos alunos não se atêm às cenas das aulas passadas em vídeo, já que vários dos contextos e situações mostrados não condizem com sua realidade nem têm relação com assuntos ou

temas de seu interesse. Diversas das cenas já são exibidas pela internet e pela TV há mais de uma década, sendo que professores de diferentes disciplinas comentam que alguns conteúdos estão muito defasados em relação ao contexto cultural, político e socioeconômico atual e, também, em relação às próprias informações e conceitos científicos que sofrem transformações e, por isso, precisam ser atualizados.

Outra crítica recorrente é o fato de o Telecurso ter sido pensado para adultos com interesses muito diferentes dos adolescentes atendidos e um maior grau de autonomia e de autogestão do conhecimento, implicados nesse tipo de metodologia de ensino. São adultos típicos da modalidade de educação de jovens e adultos (EJA), trabalhadores que não conseguiram terminar o ensino básico. Ou seja, os conteúdos, a linguagem e as situações cotidianas apresentados nas teleaulas não foram pensados para o público-alvo, os adolescentes do Floração.

Assim, as mediações, por mais que tenham sido pensadas do ponto de vista do trabalho em equipes e com um professor apenas para cada turma, tornam-se dificultadas por uma linguagem e um conteúdo que não consideram previamente o sujeito adolescente.

Outro aspecto polêmico observado é o fato de o Programa Floração prever apenas um professor por turma, mediando os conteúdos das teleaulas de todas as disciplinas. Há, por um lado, muitas críticas, principalmente por parte de professores e pedagogos, que questionam o fato de os professores não terem conhecimento suficiente dos conteúdos nem a didática para o ensino de cada disciplina. Por outro lado, apenas um professor em sala, dependendo de como ele conduz o trabalho com a turma, é um dos aspectos citados por Zimmermann (2007) como positivo.

Segundo a autora, para os adolescentes que apresentam dificuldades de aprendizagem e adaptação à organização curricular tradicional, as trocas de professores e de conteúdos podem se constituir como causas de dispersão e desinteresse. Isso porque, para a maioria desses alunos que não desenvolveu a autonomia no ato de estudar, no trabalho que exige o exercício do pensamento e das operações lógicas, é importante ter um acompanhamento mais individualizado, maior direcionamento de seus estudos pelo professor, que acaba ocupando o papel de adulto de referência, ajudando-os a organizar seu processo de aprendizagem. O número de alunos em torno de 20 a 25, no máximo, por turma também pode

contribuir para que ele possa assistir mais de perto aos alunos com maiores dificuldades.

Entre as observações coincidentes, podemos citar também o fato de muitos sujeitos em seu percurso escolar terem apresentado dificuldades para se alfabetizar, mesmo podendo se mostrar socialmente adaptados. Muitos ainda demonstram tantas dificuldades em organizar sua escrita e quanto à compreensão do texto lido. Outros não se adaptaram à rotina imposta pela escola, recusando-se, por exemplo, à repetição de exercícios e determinada ordem imposta na instituição escolar, obrigando a escola a criar projetos pedagógicos alternativos na tentativa de estimulá-los em sua aprendizagem. Alguns alunos que cursam o Floração já passaram por outros projetos de intervenção pedagógica na escola, nos ciclos anteriores. Ou seja, muitos desses alunos sempre necessitaram, por parte dos profissionais da escola, que lhes ofertassem atividades diferenciadas, fora de sala de aula, para que conseguissem conter os níveis acentuados de agitação ou desatenção e de desinteresse pelos estudos.

Outros, ainda, apresentam dificuldades nas relações com o grupo de pertinência e com suas regras de convivência. E muitos deles passaram a revelar precocemente condutas de rejeição e desinteresse pela escola e alguns com acentuado grau de agitação e desatenção, bem como dificuldades sociais de relacionamento. Observamos que, nestes casos, há um número considerável de alunos que já se encontra envolvido no mundo do tráfico e utiliza a escola para circular livremente e vender suas drogas aos colegas.

Temos observado que, quando o professor ou professora estabelece uma relação de respeito e de maior proximidade com os alunos, exercendo sua autoridade de maneira dialogada e consensual, os resultados, principalmente do ponto de vista do clima em sala de aula, melhoram significativamente. Os alunos passam a ter maior interesse nas atividades, a frequentar mais as aulas e interagem mais positivamente, o que acaba gerando resultados melhores também em sua aprendizagem.

Um dos objetivos do Programa é a correção do fluxo de alunos nos ciclos, ou seja, certificar os alunos que estão fora da faixa etária no final do segundo e no terceiro ciclos. No entanto, ano a ano, mais alunos chegam a esses ciclos fora da faixa etária e novamente são candidatos a entrar no Programa Floração, se

desenvolveram habilidades básicas (ou até rudimentares) de leitura e escrita e de matemática, ou da EJA, caso não as tenham desenvolvido durante todo seu percurso escolar até ali.

O fato de o programa ter sido proposto sem considerar previamente quem são os sujeitos adolescentes, quais são suas dificuldades e seus interesses, provoca um visível desinteresse por parte do público-alvo em relação ao que é ensinado e uma postura de desafio em relação aos seus professores e à sua palavra.

É muito comum, por exemplo, observar que quando descobrem as respostas das atividades, ao final dos livros dos alunos, muitos preferem copiá-las. Esse fato é relatado frequentemente pelos professores das turmas que acompanhamos. Parece que o ato de pensar e de raciocinar para chegarem autonomamente a uma resposta é uma tarefa mesmo muito complicada para eles. Isso também pode estar ligado às dificuldades de assimilação de conteúdos mais complexos e que exigem maior elaboração conceitual e simbólica, algo conquistado por meio da linguagem escrita, conforme vimos ao longo desta investigação.

Além do desinteresse e da apatia em relação ao que lhes é ensinado, muitos adolescentes apresentam um comportamento dissocial um pouco mais acentuado e um nível de dificuldade de assimilação dos conteúdos um pouco mais marcado que nos processos considerados normais da adolescência.

A grande maioria dos alunos é do sexo masculino e apresenta históricos de indisciplina e agressões relatados por muitos professores, ao longo do seu percurso escolar. Muitos deles não conseguem permanecer nas turmas e evadem, reaparecendo no ano seguinte e tentando novamente uma vaga no próprio programa ou no Ensino de Jovens e Adultos. A média de evasão é em torno de 20% e até 30% dos alunos. Há casos em que a evasão passa dos 50% dos alunos.

São observados frequentes embates com os professores de maneira geral. Seus interesses e questões também são outros, diferentes daqueles do cotidiano de sala de aula. Tais interesses passam principalmente pela relação com o outro sexo, as curiosidades relacionadas com sua sexualidade, questões sobre namoro e amizade, as questões relativas à própria adolescência, os bate-papos e as músicas ouvidas e compartilhadas pelos fones dos seus celulares. Enfim, questões que normalmente não são tratadas ou aprofundadas pelos educadores ou pela escola

em seu currículo. E também não são aprofundadas durante o ano no Programa Floração, dados os limites impostos por um cronograma bastante apertado.

Ao interrogá-los sobre seus projetos de vida, sobre o que pensam ou o que desejam em sua vida futura, normalmente, desconversam e começam a fazer brincadeiras e gozações, fugindo do assunto. Parecem fugir das implicações dessas dificuldades escolares em suas vidas, não conseguindo unir as experiências em um todo que possa dar algum sentido para eles. Mesmo apresentando determinadas aptidões e essas serem confirmadas muitas vezes por seus professores, eles não demonstram motivação em realizar as atividades em que tais aptidões possam ser desenvolvidas e não tiram proveito dessas a seu favor. Essa questão nos remete a uma fala registrada em uma de nossas reuniões pedagógicas, em que uma professora faz o seguinte comentário: “o aluno do Floração tem objetivo quase zero; ele pensa para hoje, ele não pensa no futuro; ele parece que não tem objetivo de vida; tem uns que parece que não sentem nada em relação à vida” (Professora, 24/04/2014).

Um exemplo disso é observado quando são ofertadas vagas diversas em cursos profissionalizantes e são pouquíssimos os alunos que manifestam interesse em participar.

Em algumas escolas, as turmas do Programa Floração são estigmatizadas, como se fossem alunos estranhos a essas, embora a grande maioria tenha passado anos de seu percurso escolar nessas instituições. Podemos pensar que esses alunos parecem apontar para um mal-estar, uma espécie de sintoma com o qual a instituição não quer se defrontar: “os alunos do Floração é de sua responsabilidade!”. É o que ouvimos constantemente, tanto por parte de alguns gestores e coordenadores das escolas quanto por parte dos demais professores em relação ao professor ou professora que assume essas turmas. Em algumas escolas, os alunos do Floração não são convidados a participar de eventos escolares organizadospara os demais alunos, ou não podem participar com os demais nos horários de recreio.

Normalmente, mesmo havendo salas disponíveis no diurno, as turmas são formadas em horário noturno e, em algumas instituições, esse horário é aberto somente para atender às turmas do programa. Eles ficam, dessa forma, isolados na escola e, assim, não "incomodam" os demais alunos do ensino regular.

Já ouvimos, por parte de alguns diretores de escola, que, ao tirar esses alunos do ensino regular e colocá-los em horário noturno, todos em uma só turma, eles estavam "limpando" a escola. Com relação a essa questão, recentemente em uma reunião de pais, em que a direção de uma escola os convocou para que pudessem deliberar sobre mudanças do horário da turma para o noturno, visto que estavam acontecendo muitos problemas disciplinares no diurno, uma mãe reclamou veementemente que, na verdade, a escola não estava dando conta de seus filhos e essa era uma maneira de "expulsá-los", com isso, deixando-os "longe" dos outros professores que não os suportavam.

Mas, a despeito de tudo isso, alguns dos professores que assumiram as turmas do Floração, por motivos variados, avocaram o desafio de tentar ajudar esses “estrangeiros e extraterrestres” a sair de sua condição de exclusão, pelo fracasso escolar, e a retomar de alguma maneira seu percurso.

Apesar de o Programa Floração, por sua organização já descrita anteriormente, estar previamente organizado e prever um cronograma definido para o trabalho com as disciplinas nos três módulos previstos, com o tempo, diversos professores e coordenadores foram percebendo que muitos dos objetivos inicialmente propostos não estavam sendo alcançados. Então, de acordo com seu grau de autonomia e de experiência em sala de aula, alguns professores e coordenadores começaram a aproveitar algumas “brechas” dentro da organização curricular para trabalhar atividades diferenciadas, tentando alcançar os alunos em seus interesses ou intervir em suas dificuldades.

Nos encontros de formação de professores, o que eles mais valorizam são as trocas de experiências e, assim, eles se sentem mais seguros em realizar atividades diferenciadas e subvertendo, de certa maneira, a ordem estabelecida. Muitas das teleaulas consideradas por eles desinteressantes ou desatualizadas foram sendo contextualizadas ou mesmo substituídas e dando lugar a atividades mais relacionadas com o perfil do adolescente.

Foram sendo introduzidas propostas de trabalho com textos, filmes, produções textuais, escrita e reescrita na tentativa de que pudessem favorecer o desenvolvimento dos conhecimentos linguísticos até então defasados entre os adolescentes. A proposta de escrita dos alunos nos chamados "memoriais" ofereceu também uma oportunidade de observarmos como estes alunos escrevem e sobre o

que escrevem. Nos memoriais, os alunos têm um pouco mais de liberdade para escrever assuntos sem a preocupação de serem cerceados em sua escrita. São os cadernos onde eles registram suas impressões e sentimentos sobre o cotidiano escolar. Onde podem escrever, em linguagem informal, sobre assuntos que algumas vezes lhes interessam. Nesses cadernos, não há uma preocupação em corrigir os erros ortográficos e gramaticais. Embora não sejam todos os professores que adotem essa prática em sala de aula, consideramos que os memoriais são uma das poucas atividades de escrita oferecidas a esses alunos.

Ao longo de quatro anos, a partir dos resultados sombrios das avaliações institucionais em leitura e em matemática (sempre um número considerável de alunos permanece em nível abaixo do básico ao final do ano letivo), a proposta curricular foi sendo paulatinamente modificada, tentando atender às especificidades dos adolescentes matriculados nessas turmas. Propostas de atividades de intervenção em Língua Portuguesa e em Matemática foram sendo construídas entre os gestores e os coordenadores envolvidos no programa. Mas, ainda assim, em muitos casos, não são percebidos grandes avanços na questão da aprendizagem.

Este é o problema mais sério relatado por muitos professores e coordenadores que acompanham as turmas: o fato de um grande número de alunos chegar ao final do ano recebendo certificado de conclusão do ensino fundamental sem ter qualquer avanço significativo do ponto de vista do desenvolvimento das habilidades discursivas e de cálculos matemáticos para dar prosseguimento ao percurso escolar no ensino médio. Por conseguinte, a situação de analfabetismo funcional prossegue com eles ao longo de suas vidas.

5.3 CONSIDERAÇÕES ACERCA DA PESQUISA-INTERVENÇÃO COM

Benzer Belgeler