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OSMANLI - SIRP SAVAŞLARI

Belgede XIX. YÜZYILDA NİŞ SANCAĞI (sayfa 76-79)

A região da Ponta da Vargem, já bastante habitada, não oferecia condições de todas as famílias desenvolverem suas atividades de agricultura nas proximidades. Os Frazão, por exemplo, mencionam que faziam seus plantios em Salgadinho, terreno próximo a Mina Grande, mas também relatam que colocaram roça ao norte do Riacho do Catimbau, chamado genericamente “das caatingas”, mas conhecido profundamente por todos eles, que distinguem vários lugares, dando-lhes nomes específicos, e assim incorporando esses lugares em seu universo total de vida. Seu Pipiu relata: “botava roça na Serra Verde, botou roça lá, quando a gente botou roça ali num lugarzinho que a gente chamou Pau d’alho eu era menino, já grande já, ajudando a trabalhar, pai botou uma roça de quatro quadra”. Também Dona Lia menciona o Salgadinho, os trabalhos na Serra Verde e a produção diversa entre as quais o milho, feijão, melancia, mamona, algodão.

Mas não era apenas uma questão de disponibilidade de terras aráveis, também o tipo de solo varia, algumas terras eram boas para um tipo de plantio, e outras para outro. Além disso, outras duas atividades que eram fundamentais para manter a famílias eram realizadas nesta região era caça e coleta.

Assim, as famílias, geralmente organizadas por duas gerações (pais e filhos), desenvolviam algumas atividades ao longo do Riacho do Catimbau, e outras ao norte, nas caatingas, vasta área àquela época coberta pela vegetação natural, e que começara a ser ocupada por ocasião destas atividades.

As casas fixas, de moradia permanente, eram de taipa, ficavam localizadas em Ponta da Vargem e em Caldeirão. Nas caatingas eram feitas as chamadas “casas de roça”, construídas com palha para abrigar as pessoas pelo período que se passasse no trato da plantação; este período podia chegar a mais de uma semana. Além disso, era nesta região que algumas famílias de Ponta da Vargem e de Caldeirão produziam a mamona e o algodão, para vender na Vila do Catimbau ou em Buíque. Seu Zé Firmino, 70 anos, nasceu no Caldeirão, pois sua mãe Maria Vitalina, conhecida como Da Firma, filha de Manoel Amâncio, casou com Firmino Carlos, do Caldeirão65. Ele descreve o período que eles “colocavam roça” nas caatingas, aspecto a que irei me ater com mais atenção no capítulo seguinte.

65 Nesta época, ao lado do Caldeirão, ficava um aglomerado de casas, habitado pela família dos Raimundo, que por volta da década de 1970, em virtude dos conflitos fundiários que irei tratar ao fim do capítulo, saem e vão conformar o que hoje é a aldeia Colorau, numa localidade bem próxima. Dona Marieta, 67 anos, uma de minhas interlocutoras também narra as plantações que os Raimundo tinham nas caatingas, entre o Malhador, Batinga e

Figura 21 – Seu Zé Firmino, aldeia Caldeirão, maio de 2013

Com o tempo as famílias que caçavam e plantavam nas caatinga começaram a fixar moradia é assim que vai se conformando o Malhador, como mencionam Dona Helena e Audálio, 56 anos, neto de Manoel Amanso:

A vinda desse povo para cá se deu por causa do trabalho né, porque não tinha onde trabalhar, e com o interesse na caça, porque antigamente o pessoal vivia mesmo era da caça, não dependia da cidade, vivia das coisas da natureza, foi o que fez ele [Manoel Amanso] se aproximar do Malhador e deixar a Ponta da Vargem, e vem pra cá com toda família, é uma família grande (Audálio, Aldeia Malhador, dia 30 de abril de 2013).

Casei com 22. Conheci ele [João Amâncio] aqui, uma irmã minha casou com um irmão dele. E nós era pequeno e começemo a namorar, novo. Ai minha irmã casou, e aqui era ermo, as casinha ficava na Ponta da Vargem, ainda tá lá a prova: o pezinho de pau ferro e o pezinho de ubaia, onde ele morava. Ai eu transitando por ai, pela casa dela, ai nós se engracemo um com o outro, apaixonado um pelo outro, nove anos. Quando nós casemo tava com nove anos de noivo a namorado. Nem nunca terminando, nós peguemo seguro. Ficamo do Riachinho pra Ponta da Vargem, quando eu casei, vim pra cá, aqui pra cima já, aqui pro Malhador. Aqui chamava as Queimadas, a Ponta da Vargem era a Ponta da Vargem e aqui chamava as Queimadas, ai foi chegando mais gente, chegando mais gente, ai botaram o nome de Malhador [...] Tinha ninguém aqui não. Aqui morava meu sogro, o primeiro morador daqui foi o índio Manoel Amâncio, quando ele morreu eu já tinha meus filhos tudinho. Ai ele morava ali, eu alcancei aqui quase ninguém, depois foram chegando. Aqui tinha ele, o véio Mêma que veio dos Caldeirão (Dona Helena, Aldeia Malhador, julho de 2013 ).

Dor de Dente. As duas últimas localidades mencionadas são pouco trabalhadas na dissertação, mas a referência da Dona Marieta as mesmas dá a dimensão do arco de circulação por aquele território.

Figura 22 – Audálio, confeccionando um aió de caroá, aldeia Malhador, julho de 2013

Além de Manoel Amâncio, com seus filhos, também Mêma, que era de Caldeirão se estabelece em Malhador. Outra família que faz esse movimento de sair de Ponta da Vargem e estabelecer moradia em Malhador é a Antônio Macário, ele também vai para a Ponta da Vargem no referido movimento das fugas do Brejo São José, antes do Brejo São José eles teriam vindo da região de Garanhuns. Audálio relata que sua mãe Juvita, já nasce no Malhador, o que nos informa que o estabelecimento de moradia permanente já se dá a pelo menos 76 anos.

É desta forma que se desenhou a ocupação territorial, inicialmente com as atividades de caça, coleta, plantações e casas de roça, depois com as moradias fixas. Completando nosso esboço da expansão do Terreno de Macaco, como pode ser visto no mapa a seguir (Mapa 10 - trajetos II).

Faço algumas considerações para deixar o mapa mais inteligível: (1) As áreas circundadas em azul são os aglomerados mais homogêneos; ao sul a área mais antiga de povoamento, que corresponde à área do antigo aldeamento de Macaco – Maniçoba, Maçaranduba, Julião, Palmeira e Macaco; ao norte o círculo corresponde à área que menciono como chamada genericamente de Ponta da Vargem – Tabuleiro, Pau Ferro Grosso, Carnaúba, Cajueiro, Ponta da Vargem. (2) Como já indiquei ao longo do texto, Sampaio (2011, 1995) afirma que as famílias que habitavam a região do antigo aldeamento de Macaco se expandiram inicialmente para a Santa Rosa, Mina Grande e Ponta da Vargem. Esse movimento não está registrado nos vetores de expansão do mapa pois optei por focar minha descrição na área imediatamente chamada de Área Nova – como dito –, e assim por não

alongar ainda mais o texto com histórias de vida que montem esse quadro, mas cabe destacar que tenho dados registrados de diversas famílias, todas de moradores da Mina Grande, que narram como seus antepassados vieram da região do Julião, Macaco e Maçaranduba. (3) Por fim, observo que há algumas áreas de que não tenho os dados etnográficos para traçar os vetores com precisão, como é o caso da Baixa da Palmeira e Coqueiro, que possivelmente são conformados por famílias que vieram da Mina Grande; e Dor de Dente, que se inseriu no processo de organização étnica muito recentemente, de modo que particularmente não tenho inserção nessa área.

Mapa 10 - trajetos II

A partir de todas as trajetórias que foram narradas é interessante perceber que estas áreas situadas ao norte, que não tinham cercas e donos, permitiram a reprodução das famílias na realização de suas atividades para obtenção de recursos na agricultura, caça e coleta. Mas, para além disso, de modo muito importante, percebe-se a realização de rituais, ajuntamento de gente, reciprocidade, estreitamento de laços: uma comunidade política nos termos de Weber (1999). Sobre estes aspectos irei me deter ainda neste capítulo, e ao longo do próximo.

Belgede XIX. YÜZYILDA NİŞ SANCAĞI (sayfa 76-79)