4. TARİHSEL PERSPEKTİFTE BURSA KENTİNİN MEKANSAL OLUŞUMU Bursa kentin tarihsel perspektifte nasıl bir gelişim çizgisine sahip olduğunun
4.2. OSMANLI DEVLETİ DÖNEMİNDE BURSA’DA KENTSEL GELİŞME Bursa’nın, 6 Nisan 1326 yılında Osmanlıların eline geçmesinden sonra kale yani
Conforme evidenciado anteriormente, a tradição científica esteve ligada para além da necessidade teoricamente pura de explicitar o real e os objetos submetidos à causalidade e conhecidos através da experimentação do método indutivo, assim como também foi fortemente fomentada por interesses históricos e classistas, de acordo com o que já nos alertara Karl Marx, acerca do seu materialismo histórico114.
A partir da necessidade de romper com as justificações do antigo mundo, mesmo valendo-se, inicialmente, do racionalismo para implementar uma revolução no modo restrito de vida político-jurídica do feudalismo com fins de fortalecimento e ampliação do comércio, através da unificação territorial e a criação do Estado Moderno sob a fortaleza da monarquia absolutista, a burguesia, quando percebeu a perda da utilidade do monarca, tratou de quebrar suas fundamentações etéreas e instaurar, após o alcance do poder pelas revoluções burguesas (revolução americana e revolução francesa), uma cristalização do seu novo objeto de poder, a Lei.
Nesse sentido, para além da ciência ser considerada, à época, uma linguagem mais precisa para a tradução dos fenômenos do mundo, cingia-se, também, um projeto de dominação da natureza e, principalmente, um projeto de hegemonia política, social e jurídica, estabelecendo-se uma nova regulamentação social.
De imediato, a preocupação dessa nova ciência, sob os auspícios do positivismo filosófico fortalecido no século XIX por Augusto Comte, foi criar uma teoria social científica, supostamente capaz de solucionar os problemas de uma sociedade industrial alquebrada, identificando suas patologias (em termos durkeimianos) e preconizando soluções a partir da segurança dos métodos das ciências naturais.
Ato contínuo, a evolução social européia, afirmada pelos avanços da ciência, pugnou pela supremacia da humanidade “civilizada”, para então propagar tais conquistas, segundo essa concepção, há um mundo ainda estagnado em uma fase de infantilidade, ou mesmo de ingenuidade, expressões presentes ainda cartas de direitos humanos, como a convenção de Bruxelas de 1890.
O evolucionismo antropológico, assim, pautado no poder explicativo da ciência, tinha a missão de compreender como o ser humano europeu havia chegado ao estágio de racionalidade suprema, tentando revisitar o seu passado “primitivo” que eventualmente a maioria dos povos ainda compartilhava.
Para tanto, a biologia e a teoria evolucionista das espécies foram devidamente deturpadas para se conceber o chamado Darwinismo Social de Galton Darwin, juntamente com os projetos eugênicos decorrentes desse pensamento. Muito se escreveu sobre a história da humanidade, colocando-se, contudo, a sociedade européia no ápice dessa cadeia social evolutiva. Muitos dos chamados evolucionistas empreenderam missões para estudar os chamados “povos primitivos” na busca desse passado misterioso a ser desvendado.
Desse modo, a justificação do processo civilizatório dos “povos ignorantes”, somente pode ser possível pela suposta debilidade das antigas linguagens explicativas do mundo real, legitimando-se, assim, em nome da ciência, o extermínio da tradição própria de cada povo, o aviltamento dos recursos naturais necessários ao desenvolvimento e, inclusive, a instrumentalização de outros enquanto mão-de-obra escrava.
Essas justificações cientificistas que caracterizavam a debilidade do novo mundo foram utilizadas até o momento em que era necessário empreender-se uma guerra para a conquista do restante do mundo para fins mercantilistas. Fincado na exploração direta de riquezas e conquistas de novas fronteiras, o novo mundo se tornou necessário sob outra perspectiva.
A passagem para o período industrial, sempre em virtude dos avanços da ciência e a necessidade de se desconstruir um modelo arcaico que se sustentava a antiga nobreza, exigiu uma mudança na estratégia de dominação, a qual se tornou muito mais simbólica e indireta, do que efetivamente sob o julgo do poderio militar europeu.
O fetiche do capital e da lei era capaz de permitir a dominação de classe, sem que a mesma precisasse se indispor diretamente com a manutenção do poder. A criação de um Estado despersonalizado, sob o “império da lei” e não mais dos homens, evidenciando o início do que nós conhecemos por Estado de Direito, escamoteava ideologicamente os interesses e preservava os novos dominadores que não possuíam mais rostos. A fórmula política criada por essa classe econômica, de certo modo, exigiria que a teoria política de Maquiavel fosse revista, já que não existia mais um monarca, nem tampouco seus familiares a serem assassinados para a dominação de um principado.
Nesse sentido, a neutralização do conhecimento, sobremaneira jurídico, com a lógica positivista e a exegese napoleônica foram fundamentais para manter o poder recentemente conquistado pela burguesia através da formação da função legislativa do
poder115, uma vez que os mesmos, ainda que não estando de modo ostensivo no comando, poderiam instaurar uma regulamentação em consonância com seus interesses. Sob a perspectiva da neutralidade do pesquisador, mediante a compreensão de objetos empíricos e sob a lógica da causalidade e do método indutivo, o juiz (pesquisador do direito) deve realizar o seu metier de modo a supervalorizar o seu único objeto possível de pesquisa, a Lei; justamente pelo fato da mesma, em teoria, permitir uma avaliação empírica (o que os valores universais e abstratos do jusnaturalismo não possibilitam), de modo que o julgador não deve, sob o epíteto da neutralidade científica, participar do processo de subsunção (causalidade) da lei ao caso concreto.
A essa metodologia jurídica evitava-se a interpretação da lei por parte do aplicador do direito, que deveria concretizar a norma abstrata de modo direto, sem a intervenção do seu gênio ou de suas sensações acerca da realidade. Por óbvio que o interesse, para além de preconizar a chamada segurança jurídica, evitando as decisões subjetivistas do julgador, era de que o juiz, antes ligado ao mundo antigo enquanto porta-voz do monarca (o amicus curiae), pudesse implementar qualquer tipo de alteração ao novo fetiche de poder criado pela burguesia e, eventualmente, sob a justificativa de aplicar a justiça, deturpar o verdadeiro significado, no caso, fruto de uma avaliação gramatical, da norma.
Em verdade, a inspiração no modelo cientificista para a aplicabilidade do direito, perpetrado pelo positivismo jurídico, o qual se preocupara com os desmandos da subjetividade do julgador, talvez evidenciando um verdadeiro império do sujeito, fortalecia, contudo, a própria discricionariedade e o subjetivismo no julgamento.
Quando o único objeto de estudo do “cientista do direito” passa a ser exclusivamente a norma escrita, sob a sua ótica meramente gráfica ou literal, despreza- se, para o bom desenvolvimento dessa nova ciência jurídica, as demais avaliações de cunho filosófico ou mesmo valorativo, próprios da necessária interdisciplinaridade do conhecimento e da pesquisa jurídica.
Todavia, valendo-se das sínteses da ontologia fenomenológica, sabe-se bem que o significado do objeto não pode ser compreendido, por um próprio primado
115 É oportuno dizer que a criação da função legislativa do poder, vinculada a um conselho de pessoas
capazes de inovar o direito com a criação das leis, as quais sobremaneira limitavam o antigo poder do monarca, historicamente esteve ligado à classe econômica dos burgueses. Exemplo remoto disso foi a imposição de um conjunto de artigos ao rei João “sem terra” em 1215 pelos barões e burgueses ingleses, quando tomaram de assalto Londres, obrigando-o a se submeter ao poder reformador e revisor do Conselho dos Barões, formado por 25 pessoas (artigo 61 da Magna Charta Libertatum), o que seria a gênesis do parlamento.
filosófico antigo, em sua totalidade, isto é, o ente não se revela ao sujeito cognoscente, justamente por se encontrar em outra “sintonia” em relação ao próprio gênio humano. O que, em verdade, pode ser efetivamente conhecido é o ser dos entes, os quais se apresentam sempre dentro de uma tradição e eivados da força simbólica da vida. Importa ao jurista, antes, interpretar os textos bem como a própria realidade valorativa dos casos conflituosos a partir de uma interação entre o valor enraizado ao fenômeno com o tempo e as perspectivas atuais acerca do objeto.
Um diálogo objetivo, que permite uma releitura da tradição sob os olhos do futuro. Tal perspectiva é, de fato, a única capaz de exaltar o próprio processo de compreensão o qual não se restringe a uma linguagem formal que o limita ou neutraliza. Na própria observação acerca da discussão entre a existência dos nomes perfeitos às coisas ou mesmo a sua definição pelo mero convencionalismo, Sócrates atenta para a necessidade de se entender a linguagem enquanto único meio de cognoscibilidade do real, o qual não se confunde com a coisa em si.
Contudo, as pretensões positivistas insistiam em uma ontologia há muito superada ao prescrever a necessidade do conhecimento do ente, mediante um processo de anulação do sujeito que conhece o que efetivamente é impossível. Primeiro porque esse objetivo já nasce impossível. Segundo porque a reconstrução de qualquer significado original, típico do historicismo alemão é também factualmente impossível como axiologicamente inadequado, já que o processo de compreensão se perfaz pelo necessário entrelace entre o significado contido no objeto, com as pretensões do mundo presente. Finalmente porque, conforme bem observam alguns positivistas, dentre os quais J. H. Hart (S/D), a gramaticidade da lei invariavelmente produzirá ambigüidades ou vaguezas de expressão, as quais impedem a aplicação de per si dessa espécie de norma.
Por esse motivo, a aplicabilidade da Lei necessariamente contará com a capacidade compreensiva do seu intérprete, no intuito que este seja capaz de concretizá- la de modo a satisfazer as necessidades simbólicas cristalizadas no objeto em diálogo com as necessidades do presente, o que constitui propriamente o ser. Todavia, quando a necessidade de intervenção do jurista plenamente formado pela tradição e pela contemplação filosófica e espiritual se fizer presente para esse processo de aplicabilidade da norma, o mesmo estará inerme uma vez que fora neutralizado pelo processo asséptico da ciência e do apego à Lei. Nesse momento, de modo trágico, o jurista de posse de vários caminhos possíveis, em virtude da imprecisão do texto
abstrato da Lei, seguirá qualquer um, porque nenhum desses que ele agora visualiza e que a Lei não aponta como mais ou menos adequado, parece-lhe mais ou menos válido.
Então para aqueles que desconhecem o final das estradas ou mesmo não sabem onde querem chegar, qualquer opção é válida e as possibilidades de significado da Lei serão escolhidas aleatoriamente pelo deformado aplicador/pesquisador da “ciência do direito”. Em verdade, será escolhido o caminho no qual o poder oferece mais vantagens, ou mesmo aquele em que o julgador for “melhor convencido”, já que o mesmo é desprovido da força dos valores, como a justiça, os quais deveriam ser utilizados em observância com a realidade fenomenológica e em empreitadas filosóficas das mais diversas. Esse operador da máquina jurídica será, tão somente, um ser discricionário.
Seria então esse julgador orientado pelo melhor argumentador ou debatedor e sabemos que, no Brasil, por exemplo, aqueles que acessam a justiça e são providos dos melhores retóricos são os mesmos que possuem poder aquisitivo para o pagamento dos seus caríssimos honorários.
Assim, a tradição positivista e cientificista quando neutraliza o aplicador/pesquisador do direito, sob a justificativa de apreender o verdadeiro significado da lei, sem a discricionariedade ou a insegurança das avaliações subjetivistas tenta manter o poder daqueles que criaram esse novo fetiche chamado lei, sem que o mesmo possa ser alterado sob qualquer hipótese a quando da sua aplicação, debilitando o responsável pelo processo compreensivo de aplicar a norma abstrata e imprecisa ao caso concreto, fomentando, finalmente, a discricionariedade supostamente combatida, fazendo-o fraco frente aos interesses envolvidos no conflito, tendendo, via de regra, para o mais forte ou o mais vantajoso.
Para evitar a formação dos direitos, ou melhor, de um ethos legitimamente mundial, o positivismo e o cientificismo primeiro se incumbiram de invalidar as demais linguagens espontâneas do mundo, classificando-as enquanto deturpações da compreensão, tipicamente relacionadas às fases primitivas da evolução, adequando a diversidade cultural dos povos aos esquemas epistemológicos e formais da razão.
Então, sob o objetivo de se instaurar uma racionalidade que efetivamente revele o real, sem as alucinações de um racionalismo desvairado, seja ele teológico ou metafísico, devem os povos do mundo se submeterem a uma regulamentação que visa
exaltar a dignidade da pessoa humana racional e permitir a adequada civilização do mundo para que o mesmo possa viver sob auspícios da justiça e da paz eterna116.
A ciência então cria uma linguagem mundial que não respeita fronteiras, nem tampou se intimida com qualquer resistência, mas que tradicionalmente foi utilizada por um projeto hegemônico, o que efetivamente marcou a convivência dos povos no mundo sem colocar em pauta a necessidade de emancipação do ser humano, enquanto primado para a sua dignidade, manifesta no espírito objetivo de cada nação.
Além disso, a tradição filosófica se incumbiu de fortalecer a subjetividade racional ordenadora do mundo, juízos orientados por um legislador universal, contudo solipsista, chamado Immanuel Kant.
O pensamento Kantiano foi responsável por propriamente revolucionar as bases da especulação filosófica, ora imersa em uma ontologia ingênua, ora intensamente relativizada por um ceticismo estremo. Foi Kant quem conseguiu harmonizar os anseios racionalistas universalizantes às críticas oriundas do empirismo, permitindo que sentassem à mesa do debate seus principais representantes: René Descartes e David Hume.
Esse filósofo consegue perceber que para a formação dos juízos sobre a natureza impossível é se considerar a existência de uma compreensão da totalidade dos fenômenos, mesmo porque esses somente existem na relação epistêmica entre sujeito cognoscente e objeto conhecido.
Basicamente toda a experiência do mundo estaria enquadrada em intuições para, então, poderem se revelar ao sujeito, sempre através da linguagem da razão pura, isto é, os juízos e suas categorias. Todo conceito elaborado pelo ser humano antes seria devidamente enquadrado pelas intuições tempo e espaço, tal qual o conhecimento matemático ao desenvolver suas principais disciplinas, a geometria e a aritimética (álgebra). Desse modo, o mundo não seria capaz de espontaneamente revelar qualquer valor ou significado cognoscível, sem antes se submeter à crítica da razão pura, a qual desprezaria a metafísica enquanto ramos do conhecimento tendente a produzir idéias – conceitos totalitários acerca do mundo, por ocasião da necessária lei causal que domina os juízos de realidade.
Todavia, o ser humano seria possuidor de um outro aspecto, ligado às valorações do comportamento e das coisas mesmas do mundo. A tarefa de alcançar as
prescrições normativas sobre os juízos de dever ser, essa sim, necessita da metafísica, capaz de impulsionar a humanidade para o bem e para o belo, o que evidencia a supremacia dos juízos morais que conduzem o homem no mundo sobre os juízos explicativos de realidade.
Impende-se dizer, contudo, que as diretrizes à conduta humana também não poderiam se submeter às vicissitudes e inclinações do mundo, sob pena de reificar o comportamento moral deturpado pela prática social. Deve agora a metafísica se assenhorar dos juízos morais e propriamente constituir uma razão prática que conduza o ser humano à universalidade de idéias sublimes. Para tanto, desapegado de uma experiência ética, Kant prescreve três juízos inarredáveis, importantes para a construção da principal categoria que hoje fundamenta os direitos humanos, a dignidade da pessoa humana.
Sua construção é perfeita ao perceber que é condição para a própria existência humana a noção de alteridade, a qual permite que o ser humano fuja de si, do seu egoísmo para, finalmente, alcançar um sentido universal, o que consubstancia a sua noção de liberdade, autonomia da vontade e propriamente confere dignidade ao ser humano, diferentemente das coisas que possuem um preço. Por óbvio que o respeito e a alteridade são considerados elementos ligados à formação do indivíduo, estando presente essa premissa de forma uníssona em várias escolas do pensamento filosófico.
Em Hegel, para o qual a alteridade é responsável pela formação do indivíduo, desde que em respeito permanente ao espírito objetivo manifesto na comunidade e principalmente no Estado, passando por Marx para o qual a instrumentalização alheia retira a dignidade e aliena o indivíduo, ta qual o projeto burguês pautado na mais-valia e no lucro faziam com o proletariado ao lhe roubar parcela da sua vida e do seu espírito, embutidos no trabalho; até se chegar na hermenêutica ontológica de Gadamer para o qual a formação está intimamente ligada à perspectiva de sair de si e ir ao encontro do outro enquanto um primado necessário à construção do significado verossímil e diretamente ligado às necessidades práticas, condição para uma ética propriamente universal.
Contudo, a teoria kantiana não consegue se libertar do seu tempo e acaba por se prostrar perante a linguagem científica que definitivamente alçou seu grande vôo com esse filósofo. Apesar de empreender uma importante crítica à ontologia ingênua e ao niilismo empiricista e cético, Kant, na perspectiva de limitar a espontaneidade do mundo e a dignidade de seus significados objetivos, resume à tarefa científica o poder
de emitir juízos de realidade e de valor, no último caso, delegando-se à metafísica solipsista a possibilidade de legislar universalmente ao mundo.
Os arquétipos metodológicos construídos por Dilthey já eram, também, bem evidentes em Kant, o qual já fazia a diferença entre o reino dos fenômenos, ou das ciências da natureza e o reino dos fins, ou das ciências do espírito, dando, inclusive, primazia a essa última conforme fez Dilthey, apesar desse último filósofo incorporar de modo inovador as influências da história e do mundo sobre a razão pura.
Nesse ponto Dilthey realiza, conforme mencionamos mais acima com Ortega y Gasset, uma reforma coopernicana ao fazer da história hipótese para os juízos de realidade e para as ciências naturais. É justamente nesse ponto que as críticas tanto da hermenêutica filosófica, como veremos mais adiante, como da própria tradição neokantiana irão ganhar sentido, já que a racionalidade humana, assim como todos os seus valores e juízos, independentemente das gavetas criadas por Kant para separar o conhecimento da natureza do conhecimento ético (em dois reinos que não se comunicam), ou mesmo ao se esforçar para colocar sob a orientação da subjetividade racional a organização mundo; são formados pelo eu-no-mundo, pelo Dasein (ser-aí) nas palavras de Heidegger e não de modo a encaixar a força eurística dos fatos na mente humana.
Para tanto, nos valemos novamente das contribuições de Jean Piaget, responsável pela reprodução da teoria kantiana, com uma releitura acerca dos seus apriorismo, o que serviu de base para o procedimentalismo de Jürgen Habermas. Significa, assim, fomentar a existência de rodas de discussão e reflexão para a resolutividade de conflitos de valores, desconstruindo e reconstruindo as estruturas de julgamento a partir do exercício perene de assunção de papéis (a superação da lógica própria para a alheia), como único instrumento para o desenvolvimento moral rumo à autonomia, às expensas da tradição monológica ou solipsista de Kant.
O suíço Jean Piaget (com formação em biologia), apesar do mesmo declarar guerra à filosofia e as suas especulações etéreas, foi responsável por estudos relacionados à ontogênese da moral, ao avaliar o comportamento das crianças e, supostamente, as suas fases que vão da heteronomia a uma autonomia da individualidade e não do indivíduo117.
117 Piaget evidencia a diferença entre o individualismo que mantém o indivíduo em uma situação de
É importante o que esse filósofo da educação moral irá realizar com um paralelismo entre alguns conceitos aristotélicos de forma e matéria. Em Aristóteles fica clara a distinção entre a forma que é sublime, anterior e suprema em relação à matéria ou os esquemas próprios da condução moral, oriundos da orientação prática. Para Piaget, não existe primazia entre essas duas categorias porque ambas se influenciam mutuamente, sendo que, em verdade, as categorias formais são antes construídas pela experiência do ser humano, estando a forma suscetível à mutação, por ocasião da própria evolução da espécie humana.
Em Aristóteles verifica-se um processamento para a formação da ontogênese da razão, estabelecendo-se uma trajetória em direção à “ciência verdadeira”, caminho