Para Iasbeck (2009, p. 10) “[...] a identidade de uma organização está associada a tudo o que é inerente ao seu modo de ser, sua conformação, sua razão de existir [...]”. Para Andrade (1997), a identidade pode ser corporativa, ou seja, a utilização de processo midiático e formal (televisão, jornal, revista) com características representativas do todo da organização e lhe dão especificidade, estabilidade, coerência ao mesmo tempo em que a torna identificável, ou organizacional, isto é, concebida por meio de um processo de comunicação interpessoal entre os membros da organização, resultado das experiências diárias, construída pelo comportamento e pela linguagem.
Os indivíduos tendem a classificar a si próprios e aos outros em categorias sociais e o indivíduo constrói a identidade, seja da organização, do grupo de trabalho, do departamento, ou de um pequeno grupo com características próprias. Esse conhecimento é importante para as pequenas empresas, pois são organizações que muitas vezes dependem diretamente dessa identificação com os públicos de interesse.
Para Kunsch (2003, p. 170), “[...] identidade é o que a organização é, faz e diz [...]” e
“[...] a identidade corporativa consiste no que a organização efetivamente é: sua estrutura institucional fundadora, seu estatuto legal, o histórico do seu desenvolvimento ou de sua trajetória, seus diretores, seu local, o organograma de atividades, suas filiais, seu capital e seu patrimônio. E, também, no que ela faz: todas as atividades que movem o sistema relacional e produtivo, compreendendo técnicas e métodos usados, linhas de produtos ou serviços, estruturas de preços e características de distribuição, num conjunto que está sancionado em forma de resultados comerciais e financeiros” (KUNSCH, 2003, p. 172).
A identidade é a “[...] manifestação tangível da personalidade da organização” (KUNSCH, 2003, p. 173). Vemos novamente que a pequena empresa deve utilizar essas estratégias para que seja criada, posteriormente, uma imagem organizacional memorável e positiva.
Já Torquato (2004) afirma que identidade é a soma das características físicas fundamentais do produto, da amálgama de ingredientes que formam sua personalidade e sua composição manufaturada, enquanto Pinho (1996) alega que
identidade é a embalagem e marca de toda uma companhia, possibilitando sua comunicação para os mercados e públicos-alvo, diferencia a empresa de modo positivo e memorável, projetando uma personalidade única e posicionando adequadamente a companhia no mercado. A identidade da marca mantém uma relação próxima com os produtos e serviços fabricados ou fornecidos, o ambiente onde são produzidos ou oferecidos, a comunicação da empresa de seus produtos e serviços e o comportamento das pessoas no interior e no exterior da organização. A criação e utilização de uma marca como parte da identidade organizacional é um dos pontos de distinção em relação aos concorrentes de mercado, não só da pequena empresa.
Nesse sentido, Andrade (1997) afirma que identidade é aquilo que uma organização é e como deseja ser percebida, imagem como a organização é percebida por seus públicos de interesse, marca é um conjunto de valores, um pacto entre a empresa e o consumidor, pois o produto é uma coisa, mas a marca é uma promessa, que a pequena empresa deve cumprir, pois “[...] um cliente insatisfeito forma a opinião negativa sobre um produto ou serviço de outras onze pessoas. Já um cliente satisfeito fala bem do seu negócio para outras cinco pessoas [...]” (GOMES e NASSAR, 2001, p. 89). Esse dado é assustador para um pequeno empresário, que muitas vezes necessita do boca a boca positivo para divulgação do seu negócio.
Para Riel (1995), a identidade é constituída pelos símbolos, comunicação e comportamento. Através destes itens a personalidade se manifesta, com os objetivos de aumentar motivação entre funcionários, inspirar confiança entre os públicos alvos da organização, reconhecer o papel vital dos consumidores e dos financiadores. As principais preocupações concernentes à identidade corporativa são a imagem pública, a projeção externa, a apresentação visual ou logomarca, a propaganda, o comportamento dos funcionários, a expressão da cultura, valores e filosofia e, finalmente, o produto e a marca. Todas essas preocupações devem ocupar lugar de destaque na pequena empresa, visando o seu crescimento e manutenção, além de serem importantes para a comunicação organizacional.
Para Costa (2001), a identidade corporativa pode ser analisada através de vetores, a saber: quem é (a empresa), ou seja, sua identidade; o que faz; o que comunica; o que a empresa significa para o público, sua imagem; e o vetor central, que cruza todos os anteriores, a ação propriamente dita. Dada a complexidade do
seu conceito, pode ser mais complicado para o pequeno empresário aplicar seu pensamento sem a consultoria de profissionais especializados, o que pode ser um impeditivo por conta da situação financeira delicada de grande parte dos pequenos empresários.
O autor apresenta um histórico em que a identidade surge primeiramente como marca, com uso inicial para identificar os comerciantes e evitar pirataria. Na Idade Média, a marca garantia maior controle por parte das corporações de ofício e no século XVII, a marca defende as empresas contra fraudes, imitações e falsificações. Hoje, a marca é tida como símbolo de status, além de garantia de qualidade e até de responsabilidade social.
Klein (2004, p. 174) também desenvolve o histórico do surgimento da marca, que “[...] tornou-se importante com a industrialização e com o transporte de massa [...]”, de modo que a marca foi inicialmente uma maneira de substituir a relação de confiança entre o consumidor e o produtor local, fundamental ainda hoje, como afirma Zanini (2007), especialmente para o pequeno empresário, como frisamos nesse capítulo. Para a autora,
“[...] a marca alimenta-se de significado, é um gigantesco aspirador de significado. É também um aspirador de espaço, porque não basta ter uma nova ideia, você tem de expressá-la em algum lugar do mundo real e tem de contar sua história, sua narrativa, a narrativa da sua marca, do seu mito [...]” (KLEIN, 2004, p. 177)
Toni (2009, p. 239) afirma que a identidade organizacional é um modelo mental criado através de associações racionais, sensoriais, emocionais e simbólicas, correspondendo a uma imagem diferenciada para todo e qualquer indivíduo singular, no que é corroborado por Iasbeck (2007, p. 89), ao afirmar que os discursos organizacionais tendem a revelar “[...] emoções, humores, sensações, qualidades estéticas e afetivas [...]”. Para Freitas (2008, p. 151) “a identidade de uma organização não se constrói no imediatismo e na impessoalidade [...]”, ou seja, o discurso e a proximidade são fundamentais para a consolidação de uma identidade organizacional.
O conceito de identidade organizacional pode ser resumido da seguinte maneira:
“A identidade de uma empresa é a manifestação visual de sua realidade, conforme transmitida através do nome, logomarca, lema, produtos, serviços, instalações, folheteria, uniformes e todas as outras peças que possam ser exibidas, criadas pela organização e comunicadas a uma grande variedade de públicos” (ARGENTI, 2006, p. 80-1)
Argenti (2006) também apresenta algumas indicações para moldar a identidade: visão corporativa inspiradora, marca cuidadosamente elaborada e auto- apresentação coerente; e também como gerenciar a identidade: fazer auditoria de identidade, definir objetivos para a identidade, desenvolver projetos e nomes, lançar, comunicar e implementar o programa. É importante salientar que a marca é um símbolo, e por esse motivo pode apresentar significados distintos aos diversos públicos, motivo pelo qual a contratação de um profissional da área pelo pequeno empresário é importante, embora nem sempre seja possível, conforme afirmamos anteriormente.
Uma identidade organizacional bem construída é fundamental para uma organização de pequeno porte uma vez que
“A pequena empresa necessita desesperadamente de uma clara identidade e de um conceito dominante de organização para separar os assuntos administrativos vitais dos desejáveis, os importantes dos triviais, e o músculo da gordura. Ele deve explorar suas opiniões e potenciais em margens competitivas que a distingam de suas rivais.” (RESNIK, 1990, p. 31)
A identidade organizacional origina o reconhecimento da marca, que pode ser entendido como “[...] um sistema complexo e intricado de informações e ações no qual se cruzam disciplinas diversas e muitos desafios de difícil controle [...]” (MARTINS, 2007, p. 117). Para facilitar a integração destes fatores, o branding, ou seja,
“[...] o conjunto de recursos e ações ligados à administração das marcas e que, se tomados com conhecimento e competência, levam-nas para além de sua natureza de marketing, integrando-as à cultura e permitindo que influenciem a sociedade, enriquecendo as vidas das pessoas, num mundo cada vez mais confuso e complexo” (MARTINS, 2007, p. 118).
O branding tem como missão garantir que a marca seja percebida, ou seja, sua imagem, pelos públicos de interesse de maneira amistosa, com o objetivo de facilitar a vida das pessoas e, obviamente, contribuir para o crescimento da organização.