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2.2. Büyükşehirlerde Belediyelerin Yabancılara Sunduğu Hizmetlerin

2.2.5. Gaziantep Büyükşehir Belediyesi

Os “UNIDROIT Principles of International Contracts” (chamados aqui simplesmente de Princípios UNIDROIT) consistem em normas e princípios codificados que visam a regular o comércio internacional de um modo geral. Ou seja, os Princípios UNIDROIT possuem um escopo de aplicação diverso do da

89 FELEMEGAS, John. An international approach to the United Nations Convention on Contracts for the international sale of goods (1980) as uniform sales law. Cambridge: Cambridge University Press, 2007. P. 25-26.

90 VISCASILLAS, Maria del Pilar Perales. “Capítulo III. Disposiciones Generales”. Op. cit.

91 “Thus, a generous response to the invitation of Article 7(2) to develop the Convention through the "general principles on which it is based" is necessary to achieve the mandate of Article 7(1) to interpret the Convention with regard to "the need to promote uniformity in its application.”. HONNOLD, John. Uniform Law for International Sales under the 1980 United Nations Convention. Haia: 3. ed., 1999. p. 110. Em tradução livre: “Assim, a utilização do art. 7º(2) da CISG, que prevê a aplicação dos ‘princípios gerais que a inspiram’, é necessária para se atingir o disposto no art. 7º(1), de acordo com o qual a interpretação da CISG deve ser fundada no seu caráter internacional e dever de promover uniformidade”.

CISG, visto que se aplicam a contratos comerciais internacionais92 de um modo

geral, e não apenas aos contratos de compra e venda.

Contudo, ao contrário da CISG, os Princípios UNIDROIT não possuem caráter mandatório e não são, dessa forma, aplicados automaticamente em qualquer hipótese93. Trata-se de verdadeiro instrumento de soft law, que não

vincula as partes de um contrato, mas, em razão de possuir estrutura consistente e adaptada ao comércio internacional moderno, é amplamente adotado pela comunidade jurídica internacional94.

92 Os UNIDROIT não trazem uma definição do que seriam “contratos comerciais internacionais”. No entanto, de acordo com muitos autores, tal definição não teria relevância, uma vez que os UNIDROIT Principles, em face do princípio da autonomia das vontades, podem ser aplicados a qualquer contrato internacional, quando for adotado pelas partes. Franco Ferrari é um dos autores que compartilha desse entendimento no seu artigo “Defining the Sphere Application of the 1994 UNIDROIT Principles of International Contracts”.

93 Nesse sentido, vale destacar trecho do trabalho do jurista alemão Joachim Froelhich: “Contrary to the CISG, they [UNIDROIT Principles do not directly constitute a substantive uniform law. They do also not create an international model law for e.g. domestic legislators, having the possibility to adopt or reject them. According to the Preamble of the UNIDROIT Principles, they pursue three following intentions: First of all, they shall serve as an aid for parties to international commercial contracts. Secondly, they shall be used to help interpret and fill gaps in international uniform law instruments or when applicable law can’t be determined. And finally, they may serve as a model to national and international legislators” (sem grifos no original). FROEHLICH, Joachim. Gap-filling within the CISG: the importance of a uniform approach. Saarbrücken: VDM, Verlag Dr. Müller, 2011. ..p. 28. Em tradução livre: “Ao contrário da CISG, eles [UNIDROIT Principles] não consistem em uma norma substantiva uniforme. Eles também não vinculam os legisladores nacionais, os quais têm a possibilidade de os adotaram ou rejeitarem. De acordo com o Preâmbulo dos UNIDROIT Principles, eles possuem três principais objetivos: Primeiramente, eles servem como um auxílio a partes contratantes no comércio internacional. Em segundo lugar, eles devem ser utilizados na interpretação e preenchimento de lacunas de outros instrumentos do direito uniforme, ou quando não é possível definir a lei aplicável. Por fim, eles podem também servir como modelos aos legisladores nacionais.”

94 Nesse sentido, vale destacar trecho do trabalho do jurista alemão Joachim Froelhich: “Contrary to the CISG, they [UNIDROIT Principles do not directly constitute a substantive uniform law. They do also not create nan international model law for e.g. domestic legislators, having the possibility to adopt or reject them. According to the Preamble of the UNIDROIT Principles, they pursue three following intentions: First of all, they shall serve as an aid for parties to international commercial contracts. Secondly, they shall be used to help interpret and fill gaps in international uniform law instruments or when applicable law can’t be determined. And finally, they may serve as a model to national and international legislators” (sem grifos no original). FROEHLICH, Joachim. Gap-filling within the CISG: the importance of a uniform approach. 1. ed. Saarbrücken: VDM, Verlag Dr. Müller, 2011. .p. 28. Em tradução livre: “ Ao contrário da CISG, eles [UNIDROIT Principles] não consistem em uma norma substantiva uniforme. Eles também não vinculam os legisladores nacionais, os quais têm a possibilidade de os adotaram ou rejeitarem. De acordo com o Preâmbulo dos UNIDROIT Principles, eles possuem três principais objetivos: Primeiramente, eles servem como um auxílio a partes contratantes no comércio internacional. Em segundo lugar, eles devem ser utilizados na interpretação e preenchimento de lacunas de outros instrumentos do direito uniforme, ou quando não é possível definir a lei aplicável. Por fim, eles podem também servir como modelos aos legisladores nacionais.”

Muito embora o preâmbulo dos Princípios UNIDROIT determine que estes possam ser utilizados para preencher lacunas em outras normas uniformes de Direito Internacional, não há um consenso a respeito desse uso para o preenchimento de lacunas na CISG. Entretanto, diversas disposições contidas no texto dos Princípios UNIDROIT podem ser úteis para estabelecer princípios gerais da Convenção95.

O principal argumento daqueles que defendem a não possibilidade de utilização dos Princípios UNIDROIT na CISG é de que os primeiros foram criados posteriormente à Convenção, de modo que não faria sentido determinar que a CISG poderia ter suas lacunas supridas por normas que sequer existiam à época96.

Por outro lado, a corrente que defende a utilização dos Princípios UNIDROIT alega que a mera questão temporal não é suficiente para impedir a adoção dos princípios como meio de preenchimento de lacunas, tendo em vista a grande semelhança entre os dois instrumentos97.

Importante notar, todavia, que há um limite para a aplicação dos Princípios UNIDROIT no âmbito do art. 7º(2) da CISG. De acordo com Bonell, esses podem ser utilizados apenas no que se referem aos seus princípios gerais e respectivos reflexos:

95 KRITZER, Albert H. General observations on use of the UNIDROIT Principles to help interpret the CISG. Disponível em: <http://www.cisg.law.pace.edu/cisg/text/matchup/general-observations.html>. Acesso em: 24 jan. 2016.

96 SABOURIN, Frédérique. In. BONELL, Michael Joachim. A New Approach to International Commercial Contracts: the UNIDROIT Principles of International Commercial Contracts. Haia, Kluwer Law International, 1999, p. 245.

97 Felemegas, por exemplo, defende a utilização dos UNIDROIT Principles como meio de preenchimento de lacunas: “The present writer refuted this argument (earlier in the current chapter) by offering a substantive and thematic, rather than a formalistic and literal approach to the issue and concluding that the temporal discordance of the two instruments cannot be used to hide their similarities in origin and substance, or to impede their common purpose, which is the unification of international commercial law” FELEMEGAS, John. The United Nations Convention on Contracts for the International Sale of Goods: Article 7 and Uniform Interpretation. Review of the Convention on Contracts for the International Sale of Goods (CISG). Kluwer Law International, 2000-2001. Disponível em: < http://www.cisg.law.pace.edu/cisg/ biblio/felemegas.html#N_638>. Acesso em: 23 jan. 2016. Em tradução livre: “O autor refuta o argumento (no capítulo anterior) oferecendo uma intepretação substantiva e temática, ao invés de uma interpretação literal e formal, concluindo que uma questão temporal não pode ser utilizada para negar as semelhanças dos dois instrumentos em sua origem e substância e para impedir que ambos sejam utilizados com um objeto comum, que é a promoção da uniformização do direito comercial internacional.”

"The correct solution would appear to lie between these two extreme positions. In other words, there can be little doubt that in general the UNIDROIT Principles may well be used to interpret or supplement even pre-existing international instruments such as CISG; on the other hand in order for individual provisions to be used to fill gaps in CISG, they must be the expression of general principles underlying also CISG.”98

Diante disso, pode-se concluir que os Princípios UNIDROIT99 podem

ser utilizados para preencher lacunas praeter legem da CISG, desde que as disposições utilizadas para tanto reflitam princípios gerais aceitáveis pela própria Convenção.