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OSMANCIK ve TARIK BUĞRA

Belgede bursa’da zaman (sayfa 91-94)

4.1.7.1 Identificação do problema/percepção

A minha menina nos primeiros dias de vida, depois que trouxe ela pra cá, ela teve problema de cansaço. Aí a doutora do Arlinda Marques (Hospital) medicou a menina e perguntou se aqui por perto tinha algum problema assim de temperatura [...] de umidade de ar [...] essas coisas. Eu pensei que fosse por causa das árvores. Aí ela disse que árvore não tinha nada a ver, que era por causa de alguma coisa que tinha. Aí eu perguntei se era por causa de uma vala que tinha na porta de casa [...] que coloca produto químico! Aí ela perguntou se era mesmo produto químico e aí disse que devia ser isso mesmo. Porque de madrugada se você vir aqui, você vai sentir! Às vezes eu sinto dentro de casa. Como se fosse aquela [...] é pior do que uma fossa aberta! Pior! Às vezes a mulher se acorda, ela tem problema de cansaço, ela acorda e fica sentada porque não aguenta a falta de ar [...] da água que passa. Isso aqui é direto, não pára, não pára! Eles seguram a água o dia todo porque aqui já foi denunciado [...] eles liberam mais à noite, quando todo mundo vai dormir! Lá pelas 10, 11 horas da noite. O mau cheiro da água é o “calo” da comunidade aqui. Já foi denunciado a vários canais de televisão aqui (RIO MUMBABA, 2011).

Afora os problemas de saneamento, de pavimentação, da falta de equipamentos públicos como creche e uma escola mais estruturada fisicamente, da falta de médicos no PSF do bairro, podemos enxergar a situação por meio dos DSS- Determinantes Sociais da Saúde (Buss e Filho, 2007) que são as condições de vida, em todas as suas esferas, que podem estimular aparecimento de fatores de risco como também problemas de saúde39 em uma população. Foi o que pudemos

39 Os recursos hídricos poluídos por descargas de resíduos humanos e de animais transportam

grande variedade de patógenos, entre eles, bactérias, vírus, protozoários ou organismos multicelulares, que pode causar doenças gastrintestinais. Outros organismos podem infectar os seres

observar em Mumbaba, por meio de alguns depoimentos: “[...] aqui tem muito problema alérgico, eu [...] essa menina minha! Eu acho que é dessa água.” (Rio Gramame, 2011).

Os problemas aqui sempre permanecem! Desde quando eu vim morar aqui [...] que é sobre esse esgoto, [...]! Mas sobre o esgoto aí é [...] desde quando eu vim morar aqui [...] faz uns dez anos que eu vim morar aqui e continua do mesmo jeito [...] é [...] muita gente adoecendo [...] Os empresários, a gente entra em contato com eles, eles não fazem nada [...] e o pessoal adoecendo por causa do mau cheiro (RIACHO MUSSURÉ, 2011).

O pessoal que mora na redondeza aqui, mais próximo ao esgoto, a maioria é tudo doente! Problemas respiratórios. Inclusive até aqui mesmo na minha família, tem três pessoas que tem problema respiratório por causa do mau cheiro do esgoto [...] problema alérgico. Aí pronto! A gente entrou em contato com os empresários todos, o Ministério Público, mas até agora nada [...] providência nenhuma tomaram. E aí a gente está esperando alguma providência quando eles bem quiserem! (RIO GRAMAME, 2011).

Sobre esse esgoto aí, faz anos e anos que a gente luta, pelo problema desse esgoto. Esse esgoto é um problema muito sério. Passa por dentro do quintal do pessoal, prejudica a saúde das crianças. Tem muito muruim e tem criança que tem alergia, que tem falta de ar [...] e às vezes desce um cheiro forte! É soda cáustica, é cloro [...] tudo que você imaginar eles soltam aqui dentro desse esgoto. Inclusive minha sogra morreu aqui. Minha sogra morreu, agora pelo São João, no dia 16, fez 11 anos que ela morreu, que aconteceu isso com ela. E há 11 anos que a gente luta com isso aqui! (RIO VERMELHO, 2011).

Em meio aos depoimentos, um deles chamou um pouco mais de atenção porque foi além do córrego, citando outros riscos que nos fez lembrar a fala do técnico do MPPB, quando afirmou que os comunitários estavam ali em situação irregular:

Eu acho assim, que só morar no meio das fábricas já é um problema. Eu mesma moro aqui porque é o jeito. Se eu pudesse escolher eu não queria morar no meio das fábricas! Não moraria porque soltam fumaça daqui, soltam fumaça dacolá, passam esses produtos químicos aí que você vê! Quer dizer, isso no futuro a pessoa vai ficar cheia de doenças! Ficar uma pessoa doente. Então só morar aqui no meio das fábricas eu acho que já é um problema. Para mim já é um problema. Porque é poluição na certa! Isso é um erro. Agora se for consertado um dia quanta gente não já foi prejudicada! Teve um tempo que teve um incêndio em uma fábrica que foi tanta da fumaça aqui dentro da comunidade! Eu tive uma crise de rinite [...] olhe, eu tenho rinite, tenho sinusite, eu tenho asma. Um bocado de problema [...] tudo respiratório! Tudo depois que eu tô aqui. Então assim: nessa época que houve esse incêndio, aqui era uma fumaça tão grande! Eu tive uma crise grande. Minhas vias respiratórias ficaram todas inflamadas.

humanos por intermédio do contato com a pele ou pela inalação por dispersão no ar, a partir de aerossóis contaminados. TUNDISI, José Galizia; MATSUMURA-TUNDISI. Recursos Hídricos no século XXI. São Paulo: Oficina de Textos, 2011.

Quase que eu baixo no hospital mesmo! Então, pra você ver como é poluído né! (RIO JACOCA, 2011).

Inquietos com os quadros de enfermidade relatados pelos comunitários, fomos então ao PSF40, Unidade de Saúde da Família – Indústrias IV, em busca de

informações sobre a saúde da comunidade. Constatamos que não há médico na unidade e então fomos gentilmente atendidos pela enfermeira. Segundo a profissional, são atendidas 40 pessoas por dia. Há problemas de diabetes (41 casos), hipertensão (71 casos), anemia causada por verminoses (veiculação hídrica), escabiose (segundo a enfermeira pode ser proveniente da água ou da falta de higiene), e muitos casos de IRA – Insuficiência respiratória aguda (otites, amidalites etc). Só naquele dia em que estive na unidade de saúde, de 15 pacientes até então atendidos, 9 estavam com algum tipo de IRA. Foi perguntado, então, qual ou quais as possíveis causas para tantos quadros e obtive como resposta a confirmação daquilo que os comunitários relataram: estas pessoas moram em ambiente de indústrias (PSF, 2011).

4.1.7.2 Mobilização/organização/articulação interna

O monitoramento ocorrido nas comunidades de Gramame, Engenho Velho e Mituaçu tornou-se fato porque a comunidade em parceria com as ONGs levaram a situação à frente, de forma organizada e conjunta. Pensando nisso, resolvemos perguntar aos comunitários se os problemas do local despertam interesse de todos, sobretudo o problema do córrego. “Olha, sobre esse problema do esgoto, eu vou colocar assim, 80% é [...] é preocupada. Porque aqui acarreta muitos problemas.” (Mumbaba, 2011).

Olha, a comunidade muito antes de eu vir morar aqui já existia o pessoal lutando aqui contra esse esgoto. E até agora nada feito. Eu vim morar aqui, desde que eu vim morar aqui que eu luto, corro atrás [...] tivemos reunião com os empresários e nada foi resolvido. Faz mais ou menos uns 3 a 4 anos que tivemos reunião com os empresários mesmo [...] os donos das empresas. E até agora nada foi resolvido. Só promessa, promessa e nada! Inclusive, faz muitos anos, morreu uma senhora né! Morreu uma senhora

40 O Posto de Saúde da Família atende aos moradores das comunidades Padre Ibiapina e Mumbaba,

dentro desse esgoto aí. O pessoal foi lutando, lutando, mas [...] sabe como é que é né! A coisa para o humilde é difícil (RIO JAGUAREMA, 2011).

Tivemos acesso às vias de documentos enviados às instituições, em 2009, onde os moradores ainda quando tinham como líder o diretor da escola, convocaram as representações da SUDEMA, CAGEPA e outros para reuniões na escola.

Consideramos uma iniciativa válida, interessante e que demonstra o interesse de alguns da comunidade para a resolução do problema. No entanto, esta força e vontade política de participação vêm diminuindo desde então.

Foto 17: Exemplar de documento convocatório.

Belgede bursa’da zaman (sayfa 91-94)

Benzer Belgeler