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Para a geração dos mapas temáticos de Uso e Cobertura da Terra do Parque Estadual da Ilha Anchieta, foi utilizada uma série de dados multi-temporais com 35 anos de diferença, três aerofotografias tomadas nos anos de 1973, 2001 e 2008. Todas as

fotografias aéreas foram fornecidas pela Viviane Buchianeri, administradora do Parque até então, em formato digital e algumas em projeção UTM datum SAD-69 outras sem informação espacial. Cada uma das fotografias tem origens diferentes e foram tomadas para objetivos e com tecnologias diferentes, apresentando características distintas quanto à resolução espacial, número de bandas, escala, referência espacial e sistema de projeção, cobertura e ângulo de tomada. Todas essas variações dificultam o trabalho e podem prejudicar a qualidade dos resultados sendo determinante para os mesmos. Mas, a última variação foi determinante nesse caso, pois em razão do relevo muito acentuado da Ilha Anchieta, diferentes ângulos de visada (tomada da fotografia) resultam em enormes distorções, principalmente de área, impossibilitando o registro e uso de alguns dos dados históricos disponíveis.

Esse é um grande complicador de se trabalhar com séries temporais de imagens de aerofotogrametria no Brasil, a falta de padrão na tomada dos dados e de informação sobre as imagens e os métodos e tecnologias da época, bem como a enorme variedade de referências espaciais e escalas dos levantamentos. O pesquisador ou usuário que não possuir um bom conhecimento sobre sensoriamento remoto e principalmente aerofotogrametria e cartografia não consegue lidar com essas discrepâncias de forma coerente, e pode gerar produtos de baixa qualidade. Esse foi uma das grandes dificuldades enfrentadas nesse trabalho.

As principais empresas de aerolevantamentos de São Paulo eram a Terrafoto e Aeromapa, que fecharam em meados da década de 1970. Hoje em dia, seu acervo fotogramétrico de filmes está sob domínio da BASE Aerofotogrametria S.A. O que é outro grande problema a se enfrentar e transcender no Brasil, a detenção desses dados históricos nas mãos de poucas empresas e o alto valor cobrado pelos dados e informações.

Sendo assim, todas as imagens fotogramétricas precisaram de pré-processamento para padronizar os dados e garantir uma boa qualidade no mapeamento. A principal padronização necessária foi a reamostragem das imagens para uma mesma resolução espacial para padronizar a escala de mapeamento. Está foi definida usando como base a pior resolução dentre as três fotografias (maior tamanho de pixel), que foi a de 2008 (1m x 1m). O método de reamostragem foi o do vizinho mais próximo (Nearest

neighbor). As vantagens desse método são seu rápido processamento e fácil implementação. Além disso, esta reamostragem não altera os valores radiométricos da imagem original (NOVO, 1989).

A fotografia aérea de 1973 (SP-02-43 225) foi tomada em sobrevoo em 09 de janeiro de 1973 pela empresa Terrafoto atendendo ao pedido da Secretaria da Agricultura. A escala é 1:25.000, em preto e branco (1 banda de 8 bits) com resolução espacial 0,84m x 0,84m (tamanho do pixel), e estava sem referências espaciais. No entanto a Ilha Anchieta não foi totalmente coberta por essa fotografia, ficando parte do extremo sul da ilha sem imagem (Figura 5).

Figura 5 - Aerofotografia de 1973 (SP-02-43 225, em escala 1:25.000) Fonte: BASE Aerofotogrametria S.A. (fornecida pela Viviane Buchianeri).

A fotografia aérea de 2001 é uma ortofoto (Mapa Índice IBGE: Folha nº 2796-22, Código: SF.23-Y-D-VI-2-NE) foi tomada em sobrevoo abril de 2001 pelo consórcio AEROCARTA/BASE/ENGEFOTO atendendo ao Projeto de Preservação da Mata Atlântica SMA – KFW 1995-2002, da Secretaria do Meio Ambiente em cooperação

financeira com o governo da Alemanha. A escala é 1:25.000, colorida (3 bandas RGB de 8 bits) com resolução espacial 0,98m x 0,98m (tamanho do pixel). O levantamento aerofotogramétrico foi realizado em projeção UTM datum horizontal SAD-69 (Chuá, MG) e datum vertical Marégrafo de Imbituba (Figura 6).

Figura 6 - Ortofoto Folha nº 2796-22, Código: SF.23-Y-D-VI-2-NE de 2001. Projeto de Preservação da Mata Atlântica SMA – KFW 1995-2002

Fonte: Secretaria do Meio Ambiente – SMA, 2001. (fornecida pela Viviane Buchianeri).

A última aerofotografia utilizada foi tomada em 2008 por um amigo da Viviane Buchianeri, Sr. Olavo Simões. A escala é 1:30.000, colorida (3 bandas RGB de 8 bits) com resolução espacial de 1m x 1m. A fotografia foi fornecida em meio digital sem referência espacial e maiores informações (Figura 7).

Uma quarta imagem aerofotogramétrica da Ilha Anchieta foi encontrada em acervos históricos, para o ano de 1977. Essa fotografia foi tomada durante o Levantamento Aerofotogramétrico do Litoral Norte executado pela Terrafoto atendendo à demanda da Secretaria de Economia e Planejamento, no ano de 1977 em escala 1:8.000 e sistema de projeção UTM datum Córrego Alegre. Esse levantamento foi

utilizada pelo Instituto Geográfico e Cartográfico do Estado de São Paulo (IGC) para a confecção das Cartas Base do Macro-Eixo Litoral Norte em escala 1:10.000 de 1977/1978.

Mas, em razão da grande distorção de área ocasionada pelo relevo acentuado da Ilha Anchieta e pelo diferente ângulo de planejamento do voo e de tomada da fotografia, foi impossível utilizá-la nesse trabalho, o que foi uma pena, pois foi no mesmo ano em que se decretou a Unidade de Conservação do PEIA, podendo ser considerado marco zero para a análise da paisagem (Figura 8). No entanto, ela foi utilizada para análises preliminares do estado da vegetação e do uso/cobertura da terra no extremo sul da ilha, região não contemplada pela fotografia de 1973.

Além da tomada de dados primários, também foram utilizados dados secundários, como o mapa de cobertura vegetal produzido em 1989 pelo Plano de Manejo. Este possui uma escala pouco detalhada, mas foi útil para identificar que as Gleicheniaceae já haviam colonizado as áreas intensamente utilizadas e formado aglomerados quase puros apenas 12 anos depois da criação da UC, além de ser o primeiro registro cartográfico moderno como mapa temático de cobertura vegetal da ilha. Através do mesmo foi possível perceber que as grandes manchas de gleichenial não regrediram até o ano de 2001 (primeiro ano mapeado após 1989), ou seja, após 12 anos mantiveram- se praticamente as mesmas.

Figura 7 - Aerofotografia da Ilha Anchieta de 2008, escala 1:30.000 (fornecida pela Viviane Buchianeri)

Figura 8 - Parte da fotografia aérea da Ilha Anchieta do Levantamento Aerofotogramétrico do Macro-Eixo Litoral Norte, 1977