• Sonuç bulunamadı

29/09/2015 tarihli ve 2015/8106 sayılı Bakanlar Kurulu Kararı

YOĞUN BAKIM MEDULA DÜZENLEMELERİ

1.2.1 Ortodonti İşlemleri:

No universo deste estudo, importa destacar que a implantação do PMCMV não mensura em sua tipologia as particularidades de cada beneficiário do programa, melhor dizendo, cada núcleo familiar contemplado pela unidade habitacional, tratando de maneira uniforme questões complexas, conforme abordado no item anterior. Assim como o espaço das cidades é apropriado e demandando de modo diferente pelas pessoas, o mesmo pode-se dizer com relação às unidades habitacionais e as famílias beneficiárias do PMCMV149.

A avaliação do IPEA apontou que, de forma geral, os beneficiários do PMCMV estão satisfeitos com a distribuição dos cômodos das moradias, visto que tanto a

149 Segundo avaliação realizada pelo IPEA (2014, p. 70), 55,1% das famílias beneficiárias pelo PMCMV na capital paraibana possuíam 1 ou 2 filhos e 10,4% possuíam 3 ou mais filhos. Embora na grande maioria das unidades habitacionais (91,3%) residisse apenas uma família, o número médio de moradores por domicílio é de 3,32. Ou seja, tratava-se de famílias relativamente populosas, levando em consideração o espaço médio de cada unidade habitacional.

média nacional (7,88) como as notas médias em cada região foram relativamente altas150 (2014, p. 79). Por outro lado, a média da nota de satisfação com relação à

área de moradia na capital paraibana foi relativamente baixa (3,84), que leva em consideração o adensamento e o tamanho das unidades habitacionais151. Significa dizer que, havendo três ou mais integrantes num mesmo núcleo familiar, por exemplo, as unidades habitacionais entregues serão as mesmas.

Marx, na obra “Crítica del Programa de Gotha”, que apresentou um conjunto de observações às diretrizes do futuro partido operário alemão unificado, trouxe algumas ponderações que nos permitem analisar a forma como a política habitacional foi fundamentada e vem sendo conduzida pelo Estado brasileiro. Tem- se em vista a influência tanto dos partidos de orientações socialistas como os sociais-democratas, na proposição das políticas públicas promovidas pelo Estado capitalista.

As particularidades que envolvem os indivíduos e as classes sociais são tratadas indiscriminadamente na conformação das políticas públicas habitacionais, como foi possível perceber, por exemplo, na forma padronizada que foram entregues os conjuntos habitacionais, especialmente levando-se em consideração o tamanho de cada unidade, como ocorreu na cidade de João Pessoa. Conforme destaca Marx, “el derecho igual” segue sendo aqui, em princípio, “el derecho burguês, aunque ahora el principio y la práctica ya no se tiran de los pelos, mientras que em el régimen de intercambio de mercancías, el intercambio de equivalentes no se da más que como término medio, y no en los casos individuales” (1977, p. 17, grifo do autor).

Apesar do relativo avanço que as políticas sociais representam nas condições de sobrevivência de parte das camadas historicamente subalternizadas, esse “derecho igual” continua sendo conduzido, implicitamente, em face de uma limitação burguesa. Ou seja, “este derecho igual es un derecho desigual para trabajo desigual [...] en el fundo es, por tanto, como todo derecho, el derecho de la desigualdad” (1977, p. 17, grifo do autor). Marx (1977) defendeu que o direito somente poderia

150 De acordo com a pesquisa realizada pelo IPEA, essas notas estão associadas ao perfil dos beneficiários da Faixa 1 do PMCMV, “a grande maioria veio de assentamentos precários e áreas de risco – critérios prioritários para a acomodação das famílias [...] a aparência organizada da casa, ou do apartamento, com separação, cômodos e privacidade parece ter um efeito positivo” (2014, p. 80- 81).

151 O número médio de moradores em João Pessoa, conforme apontou pesquisa do IPEA, foi acima de três pessoas por unidade, cujas metragens estão entre 42,03 m2, 43 m2 e 41,44 m2 de área privativa, respectivamente, no Residencial Irmã Dulce, Manacá e Anayde Beiriz.

consistir, por natureza, na aplicação de uma medida igual quando levar em consideração que os indivíduos são desiguais, no contrário, não seriam indivíduos distintos, se não fossem desiguais. Deve-se levar em conta, deste modo, “el caso concreto, sólo en cuanto obreros, y no se vea en ellos ninguna otra cosa, es decir,

se prescinda de todo lo demás [...] uns tienen más hijos que otros” (1977, p. 18, grifo

nosso). Para evitar todos estes inconvenientes, o direito não teria que ser igual, e sim desigual, isto é, “de cada, según su capacidad; a cada cual, según sus

necessidades!” (1977, p. 18).

Embora a Constituição brasileira expresse entre seus dispositivos, por exemplo, a necessidade de erradicação da pobreza e da marginalidade, assim como a redução as desigualdades sociais, concordamos com Marx (1977) quando reconheceu que o direito não pode ser nunca superior à estrutura econômica nem ao desenvolvimento cultural da sociedade por ela condicionado. Ocorre que o Brasil está inserido no modo de produção capitalista, que repousa no fato de “que las condiciones materiales de producción les son adjudicadas a los que no trabajan bajo a la forma de propiedad del capital y propiedad del suelo, mientras la masa sólo es propietaria de la condición personal de producción, la fuerza de trabajo” (MARX, 1977, p. 17).

Marx (1977) destacou ainda que se as condições materiais de produção fossem de propriedade coletiva dos próprios trabalhadores, diferentemente do que está estabelecido tanto na Constituição brasileira como nas relações sociais concretas, isto determinaria, por si só, uma distribuição dos meios de consumo distinta da atual. Da mesma forma, as políticas públicas de inclusão social, de lógica distributiva e seletiva, como ocorre com o PMCMV, que atua com base no ideário de que o provimento estatal da moradia pode resolver o problema habitacional.

De acordo com Inês Magalhães, secretaria nacional de habitação do Ministério das Cidades, “reconhecem-se os papéis do Estado, das políticas públicas e do planejamento como ingredientes fundamentais no processo de busca de maior igualdade social – objetivo de universalização do acesso à moradia digna” (IPEA, 2014, p. 17). Por outro lado, Regina de Cássia Assunção, integrante da SEMHAB, define o PMCMV como “um marco nacional por viabilizar às pessoas de baixa renda o acesso ao seu próprio teto de forma digna”, reconhece não ser possível “acabar com o déficit habitacional no município”, ainda que haja “uma meta de serem contratadas 13 mil moradias até o final de 2016” (Entrevista concedida em 30 de

abril de 2014).

Acontece que as políticas habitacionais são promovidas por um Estado comprometido com o incremento do capitalismo, logo, dificilmente a problemática habitacional estaria resolvida tendo em vista que esse modo de produção depende também da insolubilidade desse problema para se reproduzir e permanecer hegemônico, conforme Engels (1988) afirmou na obra “A questão da moradia”152. É

possível dizer ainda que, no caso do PMCMV, não se “reconoce ninguna distinción de clase, porque aquí cada indivíduo no es más que un obrero como los demás” (1977, p. 17), ou seja, a política habitacional no Brasil atua segundo critérios meramente distributivos e quantitativos objetivando imprimir uma imagem aparentemente humanizada e social do Estado capitalista.

Os Estados são mediadores dos conflitos de classes e, no caso do Brasil, são geridos por um conjunto de forças políticas que, estando ou não orientados diretamente por teorias socialistas ou sociais-democratas, incluem, expressamente, mecanismos que sugerem a distribuição das riquezas ou o combate às desigualdades. Ocorre que é impossível tratar a distribuição como algo independente do modo de produção, e, portanto, apropriar-se das contribuições das teorias socialistas como doutrinas que giram em torno apenas da distribuição, ou seja, deixando de lado “o cerne do problema, a transformação do modo de produção” (ENGELS, KAUTSKY, 2012, p. 20). Neste ponto, concordamos com os autores ao combaterem a ideia de que o socialismo e, consequentemente, a universalização do acesso à moradia pode ser vivenciada por meio do direito sem a transformação do modo de produção capitalista. Nesse sentido, descartamos a possibilidade da problemática habitacional ser resolvida em face de políticas públicas pautadas em critérios quantitativos, distributivos e voltadas para produção e reprodução do capital.

3.2.5 O Estado capitalista e a previsão da discriminação positiva em face das