4. ARAŞTIRMA BULGULARI VE TARTIŞMA
4.4. Verim ve Verim Unsurlarına İlişkin Sonuçlar
4.4.2. Ortalama pazarlanabilir baş ağırlığı
Ao final da obra Vida de Pitágoras, uma biografia de Pitágoras escrita por Jâmblico no século IV d.C., encontramos um catálogo constituído pelos nomes de prováveis 235 pitagóricos, dos quais 218 são homens, agrupados pelas cidades de origem, e 17 são mulheres. Essa lista reflete o grande impacto desse movimento nos séculos V e IV a.C.
Segundo Huffman (2010), desse total de 235 pitagóricos, 145 não aparecem em nenhum lugar na tradição antiga e, nesse catálogo “Only a relatively small number of the names (...) can certainly be identified as mathêmatici and most of the others, particularly the 145 individuals whose names are only known from the catalogue, are likely to be acusmatici” (HUFFMAN, 2010). Sendo assim, segundo o autor, ficamos impossibilitados de saber sobre os acusmáticos, pois, como já vimos, eles não eram considerados verdadeiros filósofos, não se dedicavam integralmente à escola pitagórica, procurando apenas preservar os ensinos orais transmitidos pelo mestre. Portanto, essa classe de pitagóricos provavelmente não deve ter atraído a atenção e, consequentemente, não nos legou informações sobre suas atividades.
Segundo a opinião de muitos estudiosos, há muita possibilidade desse catálogo de pitagóricos não ter sido obra do próprio Jâmblico, isso porque, no decorrer de sua obra Vida
de Pitágoras, é possível encontrar, no mínimo, outros 18 nomes de pitagóricos aos quais Jâmblico faz referência, mas que não aparecem no catálogo. “While it is unlikely that Iamblichus composed the catalogue from scratch, it is perfectly possible that he edited it in a number of ways, while not feeling compelled to make it consistent with everything he says elsewhere in the text”. (HUFFMAN, 2010).
A origem desse catálogo provavelmente remonta, segundo Diels (apud ZHMUD, 1989), ao peripatético e pitagórico Aristóxeno que, por ter tido contato e aprendido com os últimos pitagóricos, pode nos fornecer valiosas informações acerca do pitagorismo. Uma considerável quantidade de estudiosos, dentre os quais podem ser destacados Rohde, Diels, Timpamanaro- Cardine, Burkert, tem defendido que o catálogo de Jâmblico realmente retorna a Aristóxeno no século IV a.C. Pelo fato de Aristoxéno ter nascido e vivido em Tarento e por ter iniciado sua carreira filosófica como um pitagórico, acreditamos ser essa lista muito mais uma reflexão do antigo pitagorismo do que uma criação da posterior tradição neopitagórica: “This is up to a point a reasonable conclusion, since it is hard to see who would have been better placed than Aristoxenus to have such detailed information”. (HUFFMAN, 2010)
Ao atribuir a autoria do catálogo a Aristóxeno, Burkert (1972) usa os seguintes argumentos em defesa de seu ponto de vista: (i) a maneira de acordo com a qual os nomes se encontram listados, qual seja, classificados conforme a geografia, é compatível com a tradição documentária encontrada em inscrições; (ii) parece haver material genuinamente italiano entre os nomes; (iii) a lista nos leva de volta à primeira metade do século IV.
Outros argumentos podem ser utlizados para justificar a conexão desse catálogo com Aristóxeno, apontando-o como seu provável autor:
1. Dos nomes que compõem a lista, é impossível associar qualquer um deles a uma data posterior a Aristóxeno. Todos os pitagóricos, homens e mulheres, cujas cronologias são possíveis de serem estabelecidas, pertencem ao período anterior a Aristóxeno, qual seja, do século VI a.C. à metade do século IV a.C.
2. Tanto Filolau quanto Eurito são nomeados como pitagóricos de Tarento. Da mesma maneira são tratados em um dos fragmentos de Aristóxeno.
3. Não é possível distinguir, no catálogo, os nomes dos aproximadamente vinte possíveis escritores pitagóricos que são encontrados na coleção de Thelesff. Como consequência, esse catálogo, na obra de Jâmblico, é independente da pseudoliteratura pitagórica.
4. A origem de um determinado número de pitagóricos nomeados no catálogo difere dos dados que encontramos sobre eles em outras fontes, mas coincide com certas informações encontradas em Aristóxeno.
5. Um grande número de pitagóricos, 43, é classificado como originário de Tarento, coincidência ou não, cidade natal de Aristóxeno. Já para outros renomados centros do pitagorismo, como Crotona e Metaponto, contamos, no catálogo, respectivamente, com 29 e 38 nomes.
6. O considerável número de nomes catalogados, além da maneira de compilar nomes segundo a procedência geográfica, pode indicar que foram utilizadas outras fontes, além da tradição oral. Assim, Aristóxeno pode ter se valido, ao confeccionar a lista, de algumas outras fontes documentárias.
Uma análise bem mais acurada do catálogo, feita por alguns estudiosos, também nos revela que:
1) Aproximadamente três quartos dos nomes listados são apenas lá encontrados.
2) Os critérios adotados para compilá-lo não tiveram como pressupostos nenhuma doutrina.
3) Muito provavelmente o catálogo nos fornece nomes de pessoas ligadas entre si como mestres e discípulos, o que, segundo Huffman (2010), “Implies perception and development of ideas advanced by early Pythagoreans, along with adherence to the way of life initiated, but does not make all this compulsory”.
4) Apesar das evidências apontarem para uma autoria única do catálogo, ou seja, Aristóxeno, é muito provável que essa lista tenha sido alterada durante a transmissão de pessoa para pessoa. Assim, esse catálogo atual não pode ser aceito como o testemunho original proposto por Aristóxeno, haja vista ser provável que “Additions, omissions, and various changes have been made to the original document and hence it is impossible to be sure, in most cases, whether a given name has the authority of Aristoxenus behind it or not”. (HUFFMAN, 2010).
5) Alguns aspectos do catálogo não se harmonizam com aquilo que sabemos sobre Aristóxeno. Por exemplo, nos fragmentos de Aristóxeno é atribuída, para Xenófilo, professor de Aristóxeno, uma cidade natal diferente daquela que encontramos no catálogo de Jâmblico. Ábaris, a famosa figura lendária, é listado no catálogo de Jâmblico como procedente de uma cidade mítica, algo que jamais seria feito por Aristóxeno, já que é possível vê-lo como firmemente racionalizando a tradição pitagórica.
6) O catálogo está longe de ser completo. Segundo M. Timpanaro Cardini, “the catalogue is valuable evidence about the people included in it, but not sufficient to disprove the Pythagoreanism of those whose names it is silent, if there is other (let me add – reliable) evidence on that score”. (apud HUFFMAN, 2010). Assim, não podemos conjecturar que aqueles pitagóricos e pitagóricas então listados são autênticos e que nenhum dos representantes do movimento pitagórico tenha sido deixado fora do catálogo. Aliás, alguns deles foram realmente excluídos. Segundo estudiosos do pitagorismo, não se encontram listados, por exemplo, nomes como Democedes, Califon, Ameinias e Cercops. Aristóxeno considera Amiclas e seu amigo Cleinias ambos pitagóricos, mas na lista só consta o nome do último. Os pitagóricos discípulos de Filolau, Cebes e Símias, personagens do Fédon de Platão, não aparecem na lista. Temos a presença de Ecfanto, mas há a ausência de seu conterrâneo e contemporâneo Hicetas, o último mencionado como pitagórico por Teofrasto. Segundo Burkert (1972), a ausência mais notável na lista é o nome do pitagórico Timaeus, de Locri. 7) Encontramos incluídos no catálogo alguns nomes que, segundo estudiosos, podem ser
considerados problemáticos: Alcmeon, pois Aristóteles claramente o diferencia dos pitagóricos; Parmênides, que está no catálogo porque, segundo a tradição, seu suposto professor Ameinias foi um pitagórico, e Melissos, incluído na lista porque Parmênides foi considerado seu professor.
Após essa breve exposição sobre o catálogo de Jâmblico, passemos agora a avaliar informações obtidas sobre determinados nomes encontrados na lista. Tomando como base o resultado dessas análises, e comparando esse resultado com as características associadas a um pitagórico discutidas anteriormente, vamos avaliar se tal ou qual indivíduo pode ser considerado pitagórico, e, em caso afirmativo, em que categoria de membro ele deveria ser agrupado.