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Ortak Çalışma Alanlarının Dünyadaki Durumu

2. ORTAK ÇALIŞMA ALANLARININ GELİŞİMİ, DÜNYADAKİ DURUMU VE TÜRKİYE’DEKİ ÖRNEKLERİ

2.2 Ortak Çalışma Alanlarının Dünyadaki Durumu

As lutas, sobretudo aquelas relativas ao cumprimento da “Lei da Renda”, generalizam-se. Por outro lado, intensiica-se o processo de expulsão de moradores ou, quando isto não se dá, observam-se mudanças signiicativas nas relações de trabalho. A propósito dessas mudanças, convém trazermos aqui o exemplo da substituição do al- godão arbóreo ou mocó pelo algodão herbáceo e as suas consequên- cias sobre as relações de trabalho.

O algodão mocó caracteriza-se como uma cultura permanente que, a exemplo de outras, como as árvores frutíferas, constitui-se num “bem de raiz” para os moradores-parceiros. De acordo com o Estatuto da Terra, as culturas permanentes constituem benfeitorias cujo valor, maior do que o das culturas temporárias, deve ser reivindicado a título de indenização quando da saída do morador. Quando do surgimento dos direitos dos trabalhadores rurais, uma das primeiras providências dos grandes proprietários do sertão foi a erradicação do algodão mocó e a sua substituição pelo algodão herbáceo, sob o argumento de que a sua produtividade é muito baixa e, por isso, incapaz de atender à demanda.

Segundo esse argumento, cujo porta-voz por excelência era o próprio Estado, enquanto a média de produtividade do mocó é de 255 quilos por hectare, o herbáceo atinge mil quilos, ou seja, quase cinco vezes mais. Em contrapartida, eles não esclareciam, o herbáceo requer o uso de herbicidas e inseticidas que o outro dispensa, além de terras especiais, os baixios. Antes de um problema de produtividade, era um problema também político. Quer dizer, a substituição do algodão mocó pelo herbáceo não se constituía em algo tão simples como o Estado advogava. Muito mais do que uma produtividade 5 vezes maior, a subs- tituição signiicava a adoção de um pacote tecnológico que impunha

55 Essa interpretação sobre o algodão mocó e a sua importância na reprodução da pequena produção do semiárido me foi apresentada em conversas com Tereza Helena de Paula Joca, Eduardo Martins Barbosa, Pedro Jorge F. Lima e Elzira Saraiva, a quem agradeço a generosidade de compartilhá-la comigo. Ver também Paula Joca (1991).

mudanças tanto na forma de produzir quanto nas relações de trabalho. A primeira decorrência da substituição era a perda, por parte dos mora- dores-parceiros, do “bem de raiz” e, consequentemente, a transfor- mação da relação tradicional de trabalho baseada na morada em outra relação cuja base, em geral, é o assalariamento.

Em segundo lugar, como não são somente os grandes proprietá- rios, por meio de seus moradores, que produzem algodão, os pequenos proprietários teriam que incorporar aos seus custos o preço de herbi- cidas e inseticidas, uma vez que a “alta produtividade” do herbáceo está vinculada à dependência desses insumos, mas também à dependência das melhores terras. Em resumo, o algodão herbáceo jamais foi uma cultura adaptada ao semiárido, como é o caso do mocó.

Embora a substituição de tipos de algodão promova mudanças nas relações de trabalho, continua a requerer índices razoáveis de mão de obra, ao contrário do processo de pecuarização, que, dado a de- mandas mínimas de trabalho, promove predominantemente o êxodo rural. Mas a história do algodão em sua versão moderna não termina nessa substituição de tipos. A partir da década de 1980, é a vez de a praga do bicudo acometer algodoais sejam de mocó ou herbáceo, com um agravante, para detonar o tiro de misericórdia sobre o mocó: o argu- mento “cientíico” de que ele era o hospedeiro do bicudo. Aí sim, se a produtividade menor do mocó ainda contrabalançava com sua capaci- dade de adaptação ao semiárido e às suas características particulares de um algodão de ibra longa, especialmente adequado para a fabricação de tecidos inos, com esse humilhante destino de hospedeiro do bicudo, não sobrava mais nenhum argumento para defender a continuidade do seu cultivo. Mesmo porque, de outro lado, e isso é fundamental, os pro- gressos da indústria têxtil já permitem prescindir de tipos especiais de algodão para o fabrico de determinados tecidos.

Todas as evidências, pois, demonstram que não se tratou de uma questão de racionalidade econômica, mas política, que envolve, em de- trimento dos interesses dos pequenos produtores, os interesses dos grandes proprietários de se livrar de problemas com os moradores-par- ceiros, receber inanciamentos do Estado e, inalmente, interesses das indústrias produtoras de herbicidas e inseticidas.

A introdução do cultivo do herbáceo no sertão, portanto, não apenas provocará mudanças nas relações tradicionais de trabalho como inviabilizará o cultivo do algodão nas pequenas propriedades. Sem uma cultura comercial que supra as necessidades da família dos bens de mercado, observa-se um evidente processo de empobreci- mento dos pequenos proprietários, processo cujo limite é a venda da terra e o êxodo, de um lado; e, de outro lado, a concentração cada vez maior de terras.

Ao contrário do que os românticos urbanos supõem, também o sertão é atingido em cheio pelo processo de modernização da agricul- tura brasileira. Se, num primeiro momento, a expulsão será uma conse- quência das repercussões da regulamentação do trabalho no campo e a principal característica de uma modernização cujo preço será principal- mente pago pelos trabalhadores; num segundo momento, e também por força dessa mesma dinâmica, os senhores de terras do sertão encon- trarão suas formas de adaptar as relações de trabalho às suas necessi- dades. Sem dúvida, a substituição do algodão mocó pelo herbáceo é uma delas e favorecerá tanto os senhores de terras quanto as indústrias de insumos agrícolas, além disso, relativamente ao trabalho, promoverá a transformação da mão de obra permanente (representada por mora- dores, parceiros, rendeiros etc.) em mão de obra temporária, embora ainda sem os ônus do cumprimento das leis trabalhistas, haja vista que, a despeito do Estatuto do Trabalhador Rural e do Estatuto da Terra, os trabalhadores rurais ainda estão por conquistar o direito da iscalização pelo Ministério do Trabalho dos contratos vigentes no campo.