• Sonuç bulunamadı

ORTADOĞU GÜNDEMİ

Belgede ORTADOĞU GÜNDEMİ Ocak 2021 (sayfa 21-25)

Na bibliografia pesquisada, existem muitos autores que utilizam diferentes denominações para o trabalho com projetos, com variadas significações. Antes de adentrar o desenvolvimento do conceito de trabalho com projetos, é importante apresentar essa variedade.

Jean-Pierre Boutinet, por exemplo, diferencia quatro níveis de projetos com suas especificidades diferenciadas, porém, com uma característica comum, que é a

valorização do esforço de implicar o educando na aprendizagem, de trazer o mundo para dentro da escola, ou de sair dela para aprender. Os quatro níveis são: projeto educacional, projeto pedagógico, projeto da escola e projeto de formação (2002).

O projeto educacional, segundo esse autor, é mais vago e privilegia finalidades, restringindo-se mais ao discurso do que à ação; orienta-se no sentido de permitir a inserção social, cultural e profissional do educando; ultrapassa amplamente o âmbito escolar para definir uma intenção educativa, inspirada por valores a serem defendidos ou promovidos; envolve outros parceiros, como família, escola, meio profissional, político; estabelece que os educandos, primeiros envolvidos, têm o papel secundário na sua elaboração; e corre o risco de ficar em formulações muito gerais e imprecisas. O projeto pedagógico diferencia-se pelo número de envolvidos: o professor e o educando; traduz em ações as intenções do projeto educacional; não implica diretamente a participação da família como autora; e possui quatro premissas: a negociação pedagógica; a articulação e interferência entre os projetos individuais e o projeto pedagógico; a determinação de objetivos pertinentes e realizáveis e o horizonte do projeto e sua avaliação. O projeto de escola dá coerência às políticas pedagógicas localmente implantadas; suscita o dinamismo de equipes pedagógicas; diz respeito à revitalização da escola; tem no Conselho Escolar seu motor central; e integra de modo pragmático a política educacional e pedagógica que a escola escolhe. Por último, o projeto de formação, que possui três distinções: projeto individual de formação, cuja intenção é o aperfeiçoamento; projeto organizacional de formação, ligado à estratégia da empresa para a expansão; e o projeto de uma ação de formação, o projeto-método preocupado em desenvolver inovações.

Outros autores utilizam denominações diferentes e significações para fazer referência ao trabalho com projetos. Guiomar Namo de Mello utiliza duas denominações com significados diferentes: projeto relacionado à “proposta pedagógica,” que significa um projeto a ser desenvolvido de forma contínua referente aos objetivos da escola e ao modo como são concretizados, e projeto, como alternativa de ensino-aprendizagem, atividade privilegiada para se trabalhar a interdisciplinaridade e a contextualização.

Josette Jolibert aponta três tipos de projetos: “projetos referentes à vida cotidiana,” que envolvem as decisões tomadas em relação à escola; os “projetos- empreendimentos,” que são projetos de atividades mais complexas, como organização

do pátio ou da biblioteca, uma excursão, por exemplo; e, finalmente, o “projeto de aprendizagem,” relativo aos conteúdos oficiais.

Fernando Hernandèz emprega a expressão “projetos de trabalho”, que enfatiza não ser uma metodologia ou uma técnica de ensino, mas uma forma de refletir sobre a escola e sua função, uma concepção de ensino, uma posição pedagógica.

Eduardo O. C. Chaves aplica a denominação “trabalho com projetos” e identifica três tipos: “projeto político-pedagógico,” que possui uma orientação legal e orienta o trabalho na escola; os “projetos de ensino”, uma forma de o professor encarar as disciplinas (planejamento, execução e ministração pelos alunos) e a avaliação; e os “projetos de aprendizagem”, definidos pela ação do aluno na elaboração de um projeto.

Nilbo Nogueira denomina “projeto temático,” que diz ser uma ferramenta propiciadora de uma melhor forma de trabalhar velhos conteúdos de maneira mais atraente e interessante.

José Augusto Pacheco utiliza a denominação “trabalho por projetos”, que define como um trabalho coletivo, elaborado com base nas contribuições e envolvimento de todos.

Lúcia Helena Alvarez Leite cunha a expressão “pedagogia de projetos” e a define como a ressignificação do espaço escolar em espaço vivo de interações.

Julia Oliveira-Formosinho refere-se a “aprendizagem da abordagem de projeto”, desenvolvida com base num referencial teórico construtivista, que apoia e orienta as escolhas do professor.

Por último, Maria Carmem Silveira Barbosa e Maria da Graça Souza Horn denominam “projetos pedagógicos” que são definidos como um dentre muitos modos de organizar a prática pedagógica.

Neste trabalho de pesquisa, a denominação escolhida foi “trabalho com projetos” e sua definição espelha-se nas significações dadas por Fernando Hernandèz (1998), Pacheco (2002), por Julia Oliveira-Formosinho (2002) e Barbosa e Horn (2008).

Hernandèz (1998) conceitua o trabalho com projetos como uma concepção de ensino, uma forma de refletir a escola, repensar a prática pedagógica pela procura de soluções de problemas reais mediante a investigação, na busca de dar respostas às mudanças sociais e às mudanças experimentadas pelas crianças. O trabalho com projetos “reflete uma perspectiva globalizadora que trata de ensinar o aluno a aprender, a encontrar o nexo, a estrutura, o problema que vincula a informação e que permite aprender.” (P. 66). Para ele, o trabalho com projetos não pode ser desenvolvido de

forma generalizada e improvisada, para não se cair no que ele chamou de “inércia didática,” que transforma em rotineiro o que é para ser um processo criativo e de formação do professor.

O trabalho com projetos propicia condições para o desenvolvimento e aprendizagem da criança, pois a envolve como uma totalidade, tanto no desenvolvimento da sensibilidade emocional, moral e ética como na construção de conhecimentos. Pressupõe o “protagonismo” da criança, seu poder de escolha e negociação. Admite a flexibilidade de ação do professor e da criança; permite o acolhimento da diversidade e a compreensão, pela criança, de sua realidade pessoal e cultural.

Para Oliveira-Formosinho (2002), o trabalho com projetos favorece aprendizagens de saberes, já que a criança aprende nova informação sobre objetos e pessoas, alargando seus horizontes; de competências, porque ela aprende a cooperar, a trabalhar em grupos, a descobrir as potencialidades do seu valor pessoal; a utilizar instrumentos científicos de observação e coleta; de disposições, porque desenvolve a capacidade de imaginar, de prever, de explicar, de pesquisar e questionar; aprende a gostar de aprender e de sentimentos, pois aprende a aceitar-se de forma positiva e, aos outros, a lidar com sucesso e insucesso, com suporte em erros e dúvidas. Ainda para essa autora, o trabalho com projetos projeta a criança para além do seu desenvolvimento.

O trabalho com projetos, consoante Pacheco (2002), é a descoberta de sentido para os conhecimentos e se diferencia de uma atividade qualquer. Assinala esse autor que a diferenciação ocorre

[...] pela intencionalidade, sentido que possui, pela organização que pressupõe, pelo tempo de realização e pelos efeitos que produz [...] são vários os verbos que estão relacionados com o trabalho com projetos: perguntar, investigar, duvidar, fazer, realizar, avaliar, decidir, produzir e construir (P. 24, 35).

Respaldada pela minha experiência com o desenvolvimento de trabalhos com projetos, arriscaria incluir nessa lista os verbos motivar, assumir, negociar, cooperar e partilhar, como representação de ações importantes que devem ser realizadas de forma conjunta e interativa por todos os envolvidos, professor e crianças, na realização de projetos. Na compreensão de Pacheco (IDEM), o trabalho com projetos é uma atividade que demanda tempo, porque envolve ações de negociação, elaboração do plano,

elaboração de instrumentos de coleta de dados, escolha dos recursos, coleta e análise dos dados, reflexão sobre os percursos do projeto, acerca dos efeitos por eles gerados e organização e divulgação dos conhecimentos constituídos. Pressupõe a implicação de todos, a não-rejeição das diferentes subjetividades e a produção de conhecimentos que serão integrados à experiência de cada um.

Por meio do trabalho com projetos, conquistam-se níveis mais elevados de motivação, participação e coprodução vivenciados entre as crianças, seus pares e professores (LEITE, 1996). Além disso, também pelo trabalho com projetos, organizam-se as atividades pedagógicas de forma significativa para crianças e professores, porque ambos se tornam sujeitos de sua prática quando são capazes, de em conjunto, pensar, executar e avaliar todas as etapas do ensino e aprendizagem.

Barbosa e Horn (2008) trazem uma contribuição muito atual para o trabalho com projetos. Reafirmam que as aprendizagens ocorrem com origem em problema real, significativo, identificado nas interações nos grupos. O trabalho com projetos, como concepção de ensino e aprendizagem, pressupõe um professor que escuta e considera os interesses das crianças, organiza as estratégias e materiais e que pesquisa com elas.

De forma inovadora, essas autoras também sugerem que os projetos são uma importante forma de organização da prática pedagógica a ser desenvolvida com as crianças de creche, precisando, para isso, que o professor observe atentamente as ações das crianças e os significados dados por elas. Sobre isso elas assinalam:

Nessa faixa etária, é fundamental considerar as coisas importantes da vida a serem descobertas e conhecidas são a procura do olhar, o ser correspondido, o sorriso, a conversa (seja ela qualquer tipo de relação vocal, o tocar (contato motor), o contato físico, a retenção de um objeto (dar, oferecer), o imitar, o esconder, os jogos de linguagem, os jogos de manipulação, as músicas, as saídas para o espaço externo, as festas, a vida em grupo. (P.80).

Ainda segundo as autoras, “o trabalho com projetos estimula a aprendizagem do diálogo, da argumentação, do aprender a ouvir os outros, da construção coletiva da cooperação e da democracia” (IDEM, p. 87).

É importante que, no desenvolvimento do trabalho com projetos, se garanta, em especial, o envolvimento e o protagonismo da criança durante todo o processo; a escolha de assuntos contextualizados; o tratamento interdisciplinar; o trabalho em equipe, onde todos têm lugar e papel e onde se aprende a conviver de forma solidária e a ênfase na avaliação como instrumento de reconstrução e tomada de consciência do aprendido. No desenvolvimento de trabalhos com projetos, a criança sugere e discute os

aspectos a serem abordados no projeto; busca informações, assume como próprio o tema do projeto e aprende a tratar e situar-se perante as informações; participa da elaboração e decisão de ação; aprende a negociar sua participação; é corresponsável pelo trabalho, aprende a ouvir sim e não e a decidir com fim determinado; e é incluído na análise e na decisão de questões que lhe dizem respeito.

Cabe ao professor, neste processo, orientar as crianças ao exercício da observação, percepção, análise e criatividade; realizar uma previsão dos conteúdos (conceituais e procedimentais) e das atividades; estudar e atualizar as informações em torno do tema; criar um clima de envolvimento e de interesse no grupo; planejar e avaliar a ação da criança; reunir-se com a equipe da escola para analisar, discutir e avaliar o desenvolvimento do projeto; e propiciar momentos de debate em grande e pequeno grupo, ajudando a manter o diálogo e estimulando a participação de todos.

Belgede ORTADOĞU GÜNDEMİ Ocak 2021 (sayfa 21-25)

Benzer Belgeler