Participar na rede social para existir. Quando se fala atualmente em participação no Facebook, remete-se aos formatos de produção de conteúdo textual e audiovisual, através de atualizações de status (sentindo, assistindo, lendo, escutando, celebrando, procurando, jogando, viajando, bebendo, exercitando, comendo), convites de eventos, eventos de vida relacionados ao trabalho, educação, família, relacionamentos, casa, aquisição, saúde, bem- estar, viagens, experiências e mais. Todas essas formas de participação no Facebook têm como ponto de partida o usuário e suas informações para toda a sua rede, grupos ou usuários específicos definidos pelo próprio. Outra forma de participação no Facebook se dá através de compartilhamentos e outras interações. Já falado no capítulo 1 item 1.3, todas as participações que alcançam o limiar de decisão do algoritmo se tornam histórias entre o usuário remetente e os usuários que receberam o conteúdo. De acordo com Shirky (2011), os compartilhamentos de informações que estão envolvidos na difusão de informações nas redes sociais abrangem quatro tipos: pessoal (troca de informações pessoais entre indivíduos na rede), comum (informações de interesse comum formadas em determinados grupos), público (ativação de um recurso público de forma colaborativa, como um desenvolvimento de um software) e cívico (quando um grupo está tentando ativamente transformar a sociedade). De acordo com Shirky (2011), o espectro que vai do pessoal ao comum e do público ao cívico descreve o degrau de valor criado para participantes versus não participantes. Com o compartilhamento pessoal, a maior parte ou a totalidade do valor vai para os participantes, enquanto do outro lado do espectro, tentativas de compartilhamento cívico são especificamente construídas para gerar mudança real na sociedade a que pertencem os participantes. De modo que toda a publicação de conteúdo no Facebook por parte do usuário, seja ela formada por informações pessoais ou por informações de terceiros, tornam-se compartilhamentos para a sua rede. Para Shirky (2011), compartilhar uma foto na rede social on-line constitui um compartilhamento, mesmo que ninguém jamais a veja. A participação na rede social é ponto de partida para a difusão de informação e percepção de existência por parte do indivíduo conectado. A informação do usuário passa por duas fases no trânsito de difusão: limiar do algoritmo
EdgeRank do Facebook e a interação do usuário que recebe a mensagem. Se a participação do
usuário não for relevante para os membros de sua rede seguindo as variáveis de afinidade, peso e deterioração do tempo, a sua mensagem não chegará ao destino, parando no meio do caminho. Portanto, pode haver participação – envio de conteúdo para a rede, mas, dependendo
da relevância, não haver entrega. Havendo entrega por parte do algoritmo do Facebook, a mensagem chega à timeline do destinatário gerando uma história entre os dois usuários. Com a interação por parte do usuário que recebeu a mensagem, o usuário remetente é avisado de forma quantitativa de que seu conteúdo recebeu feedback. Esse é o momento em que o usuário percebe que existe na rede. Sua existência é percebida e quantificada através de números de comentários, curtidas e grau de influência. Para a percepção de existência do
usuário, sua mensagem passou pelos seguintes pontos: 1)
produção/compartilhamento/publicação, 2) processamento do EdgeRank, 3) entrega, 4) visualização da mensagem e 5) interação. Com a interação do usuário no passo 5, a sua ação é direcionada para o EdgeRank novamente para analisar se é relevante para a sua rede visualizar a história entre ele e o usuário remetente. O processo é contínuo e assim o Facebook equilibra a distribuição de informação entre os membros da rede.
Outro aspecto importante analisado além dos limiares do algoritmo na difusão das informações e existência dos usuários é a importância dos laços fortes. Os laços fracos são responsáveis e importantes por trazer novidades para o grupo e difundir informações entre grupos na rede, mas os laços fortes são fundamentais para a percepção de existência e propagação de informações.
Percepção de existência porque a afinidade entre os usuários com laços fortes é alta, pois há mais proximidade e densidade na troca de informações, gerando mais interações com maior intensidade. Quanto mais conexões de laços fortes o usuário tiver em sua rede, mais haverá possibilidade de interação, pois existirá mais compartilhamento de informação dos usuários de laços fortes nas informações do usuário remetente, como, por exemplo, um álbum de fotos contendo usuários da rede, um evento em que parte dos usuários estavam presentes, um conteúdo pessoal compartilhado pelos usuários em que os seus pares de laços fortes conhecem do cotidiano.
Propagação de informações, pois a informação só é difundida após ultrapassar o limiar de decisão do algoritmo do Facebook. Todas as variáveis do EdgeRank (afinidade, peso da ação e deterioração do tempo) favorecem a troca de informações entre conexões de laços fortes. A afinidade é maior entre pessoas com muitos fatores em comum, como o número de amigos e informações pessoais. O peso da ação tende a ser maior entre indivíduos mais próximos, pois a abertura de interação é maior, mais íntima. A deterioração do tempo é menor entre pessoas mais próximas, visto que a velocidade de troca de informações é maior. Um problema nesta possível priorização das conexões dos laços fortes é a falta de novidades na
rede, a falta de serendipidade – o encontro casual ou fortuito com o que não se espera. É possível perceber, mas sem afirmar, que o Facebook periodicamente recomenda conteúdos e conexões aos usuários, influenciando-os na relação com as conexões de laços fracos dentro da rede. Quando o Facebook recomenda na timeline do usuário um conteúdo de um amigo de conexão de laço fraco e o usuário compartilha, a tendência novamente é que essa propagação se inicie através das conexões de laços fortes. Assim, pode-se perceber, ainda sem afirmar (pois o Facebook não abre mais informações sobre o algoritmo), que a propagação se inicia sempre pelas conexões de laços fortes, independentemente se chegou para um usuário através de uma conexão de laço fraco com outro indivíduo. O algoritmo deve receber uma série de atualizações periódicas para manter o equilíbrio na rede, promovendo encontros aparentemente casuais entre os usuários e moderando as trocas de informações entre os seus membros.
As formas de interações vêm se alterando de acordo com as redes sociais que vêm surgindo. A tendência que se percebe é que as redes estarão cada vez mais transparentes nas relações entre os seus membros. Eles consumirão conteúdo, trocarão informações de maneira ubíqua, sem necessariamente passar ou perceber que estão passando por um determinado local ou dispositivo. O encontro tenderá a ser mais natural e a distinção do que é usuário e estar numa rede social será menos perceptível. O próprio termo usuário pode ser redefinido de acordo com a forma como se participa na rede. A percepção de existência dos usuários pode envolver outras variáveis além do feedback e influência quantificada na rede a partir deste movimento transitório de formas de participação nas redes sociais.