não teve suas bases em discussão com os sujeitos, às quais essa proposta se destina, nem com os movimentos sociais.
O que se pode inferir é que esses programas federais, quando de seu planejamento e elaboração, são pouco ou quase nunca debatidos com o público a que se destina. Nesse sentido, não é dada a possibilidade de participação dos movimentos sociais e dos povos do campo no debate sobre como deve ser a formação dos educadores do campo, além da burocracia e da interferência na autonomia, tanto da escola, como do professor, visto que a rotina de trabalho já vem toda determinada nos cadernos de ensino e aprendizagem, homogeneizando para todas as regiões do país, sem, contudo, levar em conta as diferenças e especificidades regionais e locais.
O caráter autoritário também é percebido na forma de organização do material didático e da própria proposta pedagógica do Programa, que é igual para todas as regiões do país, independente de estrutura social, política, econômica e cultural, caminhado em direção oposta às Diretrizes Operacionais para a Educação do Campo (Art. 7º, § 1º) que determina o “respeito às diferenças entre as populações atendidas quanto à sua atividade econômica, seu estilo de vida, sua cultura e suas tradições”. Quanto à formação dos professores é intermediada por técnicos e não por professores das universidades, o que se observa a ausência de uma dimensão científica consistente.
Por isso, faz-se necessária uma avaliação mais aprofundada do PEA e de suas ações norteadoras para a educação do campo, para que, de fato, atenda às necessidades da complexidade das classes multisseriadas. Percebe-se que o PEA, da forma como está posto não responde às expectativas para uma nova concepção didática e metodológica para as classes multisseriadas, pois tanto a formação de professores quanto as metodologias aplicadas encontram-se distanciadas da realidade dos alunos e professores do campo. Portanto, a presente pesquisa pode contribuir para a melhoria das práticas pedagógicas dos professores das escolas do campo no município pesquisado.
2.4 Implantação do programa Escola Ativa em Chapadinha-MA
A implantação do programa Escola Ativa no município de Chapadinha-MA teve uma primeira fase de discussão nos anos de 2001 e 2002. Por causas não conhecidas, não houve avanços com o Programa. Segundo informações da Secretaria Municipal de Educação
(SEMED), coletadas em 2011, o PEA foi retomado no ano de 2008 com a formação da equipe de coordenação do PEA e de duas supervisoras de escolas do campo, na cidade de São Luís, capital do estado do Maranhão.
De acordo com os registros de relatórios das reuniões sobre Educação do Campo (SEMED, 2011), a adesão ao PEA aconteceu em março de 2008, por meio do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), isto é, um conjunto de medidas lançadas em 2007 pelo governo brasileiro, incluindo um diagnóstico detalhado sobre o ensino público e ações com foco na formação de professores e mais 54 programas com o objetivo de diminuir a enorme defasagem educacional que o Brasil apresentava em relação aos países desenvolvidos. (BRASIL. PDE).
Em 2009, iniciou-se a formação com professores de 20 (vinte) escolas do campo no município de Chapadinha-MA que possuíam classes multisseriadas. Em 2011, o PEA foi implantado em todas as escolas do campo que possuíam classes multisseriadas, ou seja, em 113 (cento e treze) escolas da rede municipal.
A formação inicial aconteceu na sede da biblioteca pública municipal em que, na ocasião, a equipe formadora, constituída pela coordenadora geral do PEA no município e por duas supervisoras dos pólos que seria implantado o projeto piloto, convidou a equipe de professores que trabalhava nas escolas definidas para participarem da formação inicial. Em um primeiro momento, deu-se a apresentação do PEA, seus objetivos e suas estratégias metodológicas. Antes da implantação do PEA em Chapadinha-MA, a formação dos professores do campo se resumiu na participação das jornadas pedagógicas, no início dos períodos letivos.
De acordo com a SEMED (2011), a formação continuada pelo PEA, acontecia em encontros semestrais de um dia, em que os professores eram orientados pelo coordenador do Programa no município que trazia instruções de como conduzir os trabalhos em sala de aula. Nos encontros, chamados de microcentros, os professores tinham a oportunidade de trocar experiências e compartilhar materiais confeccionados que serviam de referência para outros professores que ainda não possuíam o material.
Na formação, também eram confeccionados materiais para serem utilizados na dinâmica da sala de aula, como, por exemplo: jogos de xadrez e de palavras, alfabetos animados, cartazes, calendários do bimestre onde marcam os dias e os feriados, cartazes de pregas para trabalhar com figuras de animais, palavras e números, bem como dados com jogos numéricos, figuras de animais e de palavras, dentre outros. (SEMED, 2011).
Com relação ao processo de observação nas escolas, foi constatado o uso dos materiais confeccionados tanto nos microcentros, como também na própria sala de aula, em conjunto com os alunos para o uso didático nas classes multisseriadas.
O PEA implantado em Chapadinha-MA constituiu-se na primeira estratégia, tanto de formação, como de desenvolvimento de atividades voltadas exclusivamente para as classes multisseriadas das escolas do campo.
3 METODOLOGIA
Metodologia etimologicamente significa o estudo dos caminhos, dos instrumentos usados para se fazer ciência (MINAYO, 1994). Neste sentido, o método de pesquisa busca efetivar os caminhos percorridos por uma investigação cientifica, ou seja, [...] “é o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade” para se chegar ao conhecimento sobre o sujeito ou objeto da pesquisa (MINAYO, 1994, p. 16).
Minayo (1994) informa que a criatividade do pesquisador constitui parte importante no desenvolvimento da metodologia, pois “inclui as concepções teóricas de abordagem, o conjunto de técnicas que possibilitam a construção da realidade e o sopro divino do potencial criativo do investigador.” (MINAYO, 1994, p. 16).
Para essa autora, a metodologia "[...] deve dispor de um instrumental claro, coerente, elaborado, capaz de encaminhar os impasses teóricos para o desafio da prática”. Este caminho do pensamento percorrido faz da pesquisa “a atividade básica da ciência na sua indagação e construção da realidade”, ou seja, a "[...] pesquisa alimenta a atividade de ensino e a atualiza frente à realidade do mundo”. (1994, p. 16-17).
Nesta dissertação, dada a sua especificidade, optou-se por uma pesquisa qualitativa, cuja orientação se especificará a seguir.