A estrutura de Governança Corporativa deverá assegurar que os agentes e principais deem tratamento equânime a todos os “stakeholders”, devendo ser pautado por comportamentos éticos e morais.
Chanlat et al. (1996), ao demonstrarem a evolução do pensamento administrativo sobre os conflitos organizacionais, descrevem que, no início da era industrial, a nova aristocracia, representada pelos empresários, considerava os trabalhadores como membros de uma classe social inferior e tratava os conflitos como uma relação de dominação-submissão.
2.4.1 CONFLITOS
Corroborando com a evolução do entendimento de conflito, Shelton e Darling (2004) acrescentam que a noção de conflito movia-se inicialmente pelo antigo paradigma, no qual o conflito era negativo, visto como uma disfunção, destrutivo e irracional, devendo ser eliminado.
Na década de 1950, ocorre o início de uma nova visão, onde o conflito passa a ser um fenômeno natural e inevitável e, portanto, deve ser administrado pelos gestores, surgindo assim à administração do conflito.
Montana e Charnov (2001) apontam que as raízes dos conflitos são tão antigas quanto a Humanidade e definem conflito como divergência entre duas ou mais partes ou entre duas ou mais posições.
Esses autores acrescentam ainda que a administração deveria considerar os conflitos como uma força constante dentro das organizações modernas e gerenciá- los, pois não são necessariamente ruins, visto que podem liberar energias criativas que poderão contribuir para a solução de problemas e levar a inovações úteis para a organização.
Apesar de serem muito antigas, as relações entre proprietários e administradores e, consequentemente, as diferenças de desempenho dos administradores proprietários e dos administradores não proprietários foram abordadas de modo mais intenso em meados dos anos 1970, por Jensen e Meckling (1976), que efetivamente passam a nomear os atores dessas relações como
Principal e Agente, mediante a Teoria da Agência.
Jensen e Meckling (1976) definem o relacionamento de agência como um contrato no qual uma ou mais pessoas (Principal) contratam outra pessoa (Agente)
para realizar alguma atividade em seu nome ou a seu mando, delegando autoridade ao Agente.
Toda vez que alguém — chamado de Agente — é posto para administrar os interesses de outro — chamado de Principal — surge a “Relação de agência”.
O Gestor ou Agente, dotado de interesses individuais, pode não perseguir os objetivos dispostos pelos proprietários, o Principal, ou não empregar todo o esforço necessário para a condução do negócio.
A eventual distância existente entre o que o Principal espera e o que efetivamente é realizado pelo Agente se dão essencialmente porque o Agente tem interesses próprios — sua satisfação pessoal e a maximização de seus benefícios, dentre outros.
Costamarques e Conde (2000) acreditam que os conflitos entre Principal e
Agente são inevitáveis, porque, se inicialmente e em troca de uma remuneração o Agente deveria atuar de acordo com os interesses do Principal, na prática, porém, o Agente tentará maximizar sua função de utilidade.
Ao procurar obter para si vantagens adicionais visando melhorar seu bem- estar, os Agentes estariam buscando maximizar sua função de utilidade em benefício próprio.
Outro ponto destacado por Jensen & Meckling (1976) refere-se ao conflito de interesses entre Principal e Agente, que tem sua origem na denominada fuga do risco.
Como os benefícios obtidos na atividade serão divididos com os demais acionistas, ou repassados totalmente para o Principal, o gerente — Agente — pode deixar de se dedicar a atuar ou a tentar ganhar mercado ou mercados onde exista algum risco ou onde ele tenha de se arriscar mais, pois demandaria mais dedicação, empenho e esforço pessoal do agente.
Ainda, teria de estudar mais os mercados, empenhar-se mais na administração do negócio, e provavelmente teria de aprender novas tecnologias para melhor atuar, exigindo mais dedicação e investimento pessoal, além do risco de o empreendimento não obter o sucesso esperado e, assim, sua posição anterior, mais confortável, poderia estar comprometida.
Na prática, os Agentes se preocupam com a própria riqueza, com os benefícios indiretos e com a segurança no emprego.
Para Gong (2003), o Agente e o Principal têm interesses divergentes e o centro da questão entre eles é a formatação de um mecanismo de controle que faça o Agente se comportar de acordo com os interesses do Principal.
A Teoria da Agência tem sido de grande valia no entendimento das diversas relações entre Principal e Agente, em diversos setores no ambiente organizacional, e busca estabelecer e identificar os incentivos que levam o Agente a, de uma maneira geral, executar o que dele se espera, de forma a atender aos interesses do
Principal.
Na tentativa de encontrar uma solução otimizada para eliminar, ou pelo menos reduzir uma eventual distância existente entre o que o Principal espera e o efetivamente realizado pelo Agente, ocorrem alguns custos, chamados de custos de agência.
Jensen e Meckling (1976) classificam tais custos em custos de controle (“monitoring costs”), custos de obrigação (“bonding costs”) e custos residuais (“residual loss”).
Custos de controle ou de vigilância — são as despesas suportadas pelo
Principal com o objetivo de verificar e acompanhar se o Agente atua para defender
os seus interesses.
Custos de obrigação ou de justificação — são os encargos que o Principal assume perante o Agente para justificar que suas decisões foram do interesse desse.
Custos residuais — derivam dos dois tipos anteriores e correspondem à noção de custos de oportunidade.
Esse tipo de custo decorre do fato de o Principal não exagerar no controle, ou seja, o custo do controle não pode ser superior ao ganho gerado pelo controle; desse modo, pode ocorrer certo abandono do controle, dando origem aos custos residuais.
Segundo Berk e DeMarzo (2009), a princípio pode-se pensar que existe solução simples para o problema do conflito de interesses: monitorar os executivos
de perto. O problema desta linha de raciocínio é que ela ignora os custos de monitoramento. Quando a propriedade é detida por muitos participantes, nenhum acionista possui incentivo para arcar com este custo (pois arcaria com este custo, mas o benefício seria divido entre todos os acionistas). Em vez disso, os acionistas, como um grupo, elegem um Conselho de Administração para monitorar a gerência.
2.5 A
TIVOI
NTANGÍVELMartins (1972) teve um papel importante na parte conceitual de ativo intangível, desenvolve afirmações quanto ao papel acessório da contabilidade, utilizada como “instrumento da administração colaborando no Planejamento, Execução, Controle e Avaliação na prospecção do futuro”. Constata também a dificuldade de melhoria dos relatórios contábeis (Balanço e Demonstração de Resultados) para responder sobre as diferenças encontradas entre os valores apresentados nesses documentos e a sua valoração do ponto de vista econômico. Faz ainda uma reflexão no sentido de que o conhecimento contábil se desenvolva a partir de uma ótica crítica e subjetiva, capaz de fornecer informações efetivamente relevantes do ponto de vista do valor econômico dos ativos tangíveis e intangíveis, estabelecendo uma profunda discussão na teoria da contabilidade.
O entendimento do conceito de “Ativo Intangível” é fundamental para o processo de avaliação das características de sustentabilidade e perenidade de uma empresa. Eccles (2011, p.88) pondera:
“Motivação comum aos que se dedicam ao estudo dos ativos intangíveis é a lacuna existente entre o valor de mercado de uma companhia e seu valor contábil”. Desde 1998, ao menos cinco estudos demonstram que o valor contábil é cerca de 30% a 35% do valor de mercado da empresa. “A diferença é atribuída a ativos intangíveis que, diferentemente dos tangíveis, não aparecem no balanço patrimonial”.
Segundo Iudicibus (2004, p.238), “Pesquisas bem recentes deixam patente que os intangíveis são os vetores de valor mais importantes para a empresa. Por isso, deverão ser cada vez mais, estudados por nós. Um Balanço Patrimonial no
qual não tenhamos nos esforçado em fazer, no limite de nossos conhecimentos, um retrato adequado dos Intangíveis com apenas uma parte da realidade empresarial e, portanto é enganoso para os usuários”.
Iudicibus (2006, p.225) conceitua:
O termo tangível significa literalmente, perceptível ao toque, ou seja capaz de ser possuído ou realizado, real. Kohler definiu os intangíveis como “um ativo de capital que não tem existência física, cujo valor é limitado pelos direitos e benefícios que antecipadamente sua posse confere ao proprietário. ”.
Hendriksen e Van Breda (2011, p.389) classifica: INTANGÍVEIS
Intangíveis Tradicionais Despesas Diferidas Nomes de produtos Propaganda e promoção Direitos de autoria Adiantamento a autores
Compromissos de não concorrer Custos de desenvolvimento de software Franquias Custos de emissão de títulos de dívida Interesses futuros Custos judiciais
Goodwill Pesquisas de marketing Licenças Custos de organização Direitos de operação Custos pré operacionais Patentes Custos de mudança Matrizes de gravação Reparos
Processos secretos, P&D Custos de pesquisa e desenvolvimento Marcas de comércio Custos de instalação
Marcas de produtos Custos de treinamento
Fonte: Hendriksen e Van Breda (2011, p.389)
Os ativos intangíveis surgem com a aquisição de direitos e serviços e a contrapartida., é tipicamente tratado como despesa ou capitalizados depende da perspectiva do item. O ativo intangível e goodwill são tratados respectivamente nos CPC 04 e CPC 15.
O principal ativo intangível é identificável e o goodwill, que é, segundo Hendriksen e Van Breda (2011, p.402) “reconhecido automaticamente, pela diferença entre o valor pago por uma empresa e o valor justo de seus ativos líquidos. Os ativos intangíveis são amortizados assim como os ativos tangíveis são depreciados”.
Recursos Tecnológicos 1.Pesquisa e desenvolvimento e correspondente propriedade intelectual Recursos Humanos 2. Capital Humano
Recursos Produtivos 3.Publicidade, marcas e correspondente propriedade intelectual 4. Fidelidade do Consumidor
5. Vantagem Competitiva 6. Reputação
Fonte: Estrutura conceitual de Wyat para ativos intangíveis
Anne Wyat observou que:
Conforme quadro ela sugeriu uma estrutura conceitual para intangíveis, com base em três tipos gerais de recursos, que contém um total de seis categorias de intangíveis como mostra o quadro. Estes ativos são medidos tanto pela métrica financeira como pela não financeira, tanto pela métrica de insumos como pela de produtos. O conceito de materialidade no processo de identificação de ativos intangíveis também tem um papel importante que é discutido à luz da definição dada pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC-00):
“Uma informação é material se a sua omissão ou sua divulgação distorcida (misstating) puder influenciar decisões que os usuários tomam com base na informação contábil-financeira acerca de uma entidade específica que reporta a informação. Em outras palavras, a materialidade é um aspecto de relevância específico da entidade baseado na natureza ou na magnitude, ou em ambos, dos itens para os quais a informação está relacionada no contexto do relatório contábil-financeiro de uma entidade em particular”.
Esta dissertação trabalhará este conceito na analise do balanço das empresas a serem analisadas, porém sem a pretensão de buscar uma classificação contábil, e por este motivo este tópico é importante ao contexto.
2.6 É
TICAIudícibus (2004, p. 26) trata da abordagem ética na contabilidade afirmando o seguinte: “a contabilidade deveria apresentar-se como justa e não enviesada para todos os interessados”.
Fábio Konder Comparato, em sua recente obra, pergunta: “... o que pode existir de mais valioso na vida, quer dos indivíduos, quer dos povos, senão alcançar a plena felicidade? Pois é disto exatamente que se trata quando falamos em ética”. A Felicidade a que é tratada diz respeito ao trabalho reconhecido pela remuneração e com dignidade que não afeta o meio ambiente e não compromete a sobrevivência das próximas gerações.
A empresa se rege pela racionalidade estratégica, enquanto que a ética se atém à comunicativa (...). Algumas dificuldades são apontadas e impedem o exercício da ética empresarial por falsos paradoxos:
1. Para fazer negócio é preciso esquecer-se da ética comum e corrente, porque os negócios têm suas regras próprias de jogo, regidas por uma ética própria.
2. A missão da empresa consiste em maximizar benefícios, em termos de dinheiro, prestígio e poder, ou seja, qualquer meio se justifica, se conduz a um fim. Não existe valor superior neste mundo do que a conta dos resultados, já que “negócio é negócio”.
3. A ética empresarial deve limitar-se ao mínimo: cumprimento da legalidade e sujeição às leis de mercado.
Os ideais vêm primeiro enquanto que, na verdade, é a eficácia da empresa que tenta lograr-se através da motivação e da adesão das pessoas. A presumida transparência e comunicação, o trato com os trabalhadores e consumidores, como interlocutores válidos, faz parte do cálculo estratégico.
A ética empresarial é uma autêntica necessidade para as empresas e para a Sociedade. M. Weber, explica a diferença entre “ética da convicção ou da intenção” e “ética da responsabilidade”, por ele fixadas: “a primeira descreve ou proíbe determinadas ações incondicionalmente como boas ou más em si, sem levar em conta as condições em que devem realizar-se ou omitir-se nem as consequências
que se seguirão à sua realização ou omissão; a ética da responsabilidade, por sua vez, leva em conta as consequências previsíveis das próprias decisões e as circunstâncias nas quais se tomam.”
Para que a ética possa ocorrer no âmbito empresarial, na hora de atuar é preciso mediar à racionalidade comunicativa com a estratégica. Vale dizer, que é preciso considerar quem intervém na atividade empresarial (diretores, trabalhadores, consumidores, provedores) como interlocutores válidos com os quais é preciso relacionar-se comunicativamente, de sorte que se respeitem seus direitos e interesses, porém é necessário recorrer a estratégias para tratar de alcançar o fim da empresa, que é a satisfação de necessidades sociais através da obtenção do benefício.
Sabendo-se da dificuldade da definição de ética empresarial, e tendo em vista a importância de sua realização para o bem comum e de cada indivíduo, em particular, é que se buscam “razões” para o nascimento da ética empresarial, podendo-se citar as seguintes:
(a) Urgência em recuperar a confiança na empresa; (b) Necessidade de tomar decisões em longo prazo; (c) Responsabilidade social das empresas;
(d) Necessidade de uma ética das organizações; (e) O papel fundamental do diretor e
(f) Meio para recuperar a comunidade frente ao individualismo.
Para alicerçar a necessidade da ética nas empresas, surge a formalização dos chamados “Códigos de ética empresarial”, que têm as seguintes vantagens:
(a) Ajudar a difundir os elementos da cultura organizacional, servindo de guia para as situações ambíguas;
(b) Melhorar a reputação da empresa;
(c) Oferecer proteção e defesa contra os processos judiciais; (d) Melhorar a performance da empresa;
(f) Permitir criar um clima de trabalho integral e de excelência; (g) Regulamentar estratégias para evitar erros em matéria de ética; (h) Catalisar as mudanças da organização;
(i) Incitar comportamentos positivos;
(j) Ajudar a satisfazer a necessidade dos investidores que querem realizar negócios éticos e
(k) Ajudar a proteger os dirigentes de seus subordinados e vice-versa. A passagem da ética à responsabilidade social se traduz num deslizamento em direção à maneira pela qual as empresas devem encontrar as expectativas sociais de seus acionistas e encaminhar mais precisamente a um questionamento sobre o papel da empresa. A empresa deve assumir as responsabilidades que vão além de suas obrigações puramente legais e econômicas.
Desde a visão exclusiva do afã de lucro à visão de uma instituição socioeconômica que tem uma séria responsabilidade moral com a sociedade, vale dizer, com os consumidores, acionistas, e empregados. Portanto, a empresa tem de cumprir funções e assumir responsabilidades sociais. “Isto não quer dizer que a responsabilidade dos indivíduos se dilua no conjunto da empresa, mas que a ética não é somente individual, senão também corporativa e comunitária”.
Da reflexão sobre este tópico, e tendo em vista que a empresa passa a assumir cada vez mais o papel do Estado, extrai-se que, em assim agindo, as companhias, quer públicas ou privadas, exercem o papel de Empresas Cidadã.
A ética empresarial é o que dá tranquilidade a seus funcionários, às famílias destes, à vida em comunidade, aos acionistas, aos consumidores, aos clientes, aos fornecedores, graças ao papel que as empresas têm de cumprir tanto com a função social (no âmbito interno da empresa) quanto com a responsabilidade social (no âmbito externo da empresa) que lhes cabe.
Segundo Maximiano (2011, p. 430), existem “alguns aspectos da administração das organizações que envolvem questões éticas”:
(a) Quais são as obrigações das empresas no que tange à necessidade de informar sobre os riscos de seus produtos para o consumidor (álcool, tabaco, por exemplo)?
(b) Como se devem pautar as relações dos funcionários com os usuários, especialmente no caso dos funcionários públicos, em suas relações com os contribuintes?
(c) Quais são as obrigações da empresa com relação ao impacto da operação e desativação de fábricas sobre a comunidade, os fornecedores e distribuidores?
Ainda para Maximiano (2011, p. 430):
No âmbito da política interna, a discussão sobre a ética focaliza especialmente as relações da empresa com seus empregados. Algumas questões relevantes são as seguintes:
(a) Quais são as obrigações da empresa com seus funcionário? (b) Que tipos de compromissos a empresa pode exigir de seus funcionários?
(c) Qual o impacto sobre a força de trabalho das decisões sobre redução de produção ou desativação de operações?
(d) Que participação os funcionários devem ter nas decisões que afetam a empresa?
2.7 S
USTENTABILIDADEO quadro de referência no questionamento sobre as discussões do tema de sustentabilidade aborda os seguintes livros e eventos:
• 1962 – Raquel Carson publica o livro Silent Spring que impulsiona o debate ambiental;
• No final da década de 1960, as discussões no Clube de Roma sobre os temas ambientais e desenvolvimento sustentável;
• A realização da I Conferência Mundial sobre o crescimento do mundo e meio ambiente em 1972, o qual originou o livro Limits to Growth de Donella Meadows;
• Desastres ocorridos: Seveso, na Itália, em 1976; Bhopal, na Índia, em 1984; Chernobyl, na Ucrânia, em 1986; Basileia, na Suíça em 1986; e o vazamento do petroleiro Exxon Valdez, no Alasca em 1989;
• Relatório Brundtland – Our Common Future em 1987;
• Em 1992, a Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro no Brasil;
• Protocolo de Kyoto em 1997 com foco na redução da emissão de gases;
• Conferência Rio+10 em 2002 em Johanesburgo, África do Sul, que retoma as propostas do Rio em 1992
• IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Changes, em 2007, que alertou sobre o aumento da temperatura do planeta;
• Rio+20 em 2012, no Rio de Janeiro, Brasil
O cronograma acima mostra que “em meados da década de 1980, tendo como pano de fundo a crise ambiental e social que desde o início dos anos 1960 já começava a ser percebida como uma crise de dimensão planetária” (BARBIERI, 2007 p.92).
Warhust (2002) critica a atuação da sustentabilidade como uma licença para operação por parte da organização empresarial e defende que este cumprimento vá além da legislação e que haja mecanismos independentes de desempenhos atendendo às necessidades dos stakeholders, principalmente aos mais afetados diretamente.
A definição mais utilizada é a proposta pelo Relatório de Brundtland – “Desenvolvimento sustentável deve satisfazer as necessidades da geração atual, sem que se comprometam as necessidades das gerações futuras” (WCED, 1987). O desenvolvimento sustentável é um compromisso sincrônico – atender as
necessidades da população atual é uma visão diacrônica, pois envolve o pensar das gerações futuras (MONTBELLER FILHO; 2004 , p.27).
A definição da OCDE – Organização da Cooperação e Desenvolvimento Econômico – é “desenvolvimento sustentável significa a rota de desenvolvimento ao longo da qual a maximização do bem estar do ser humano na geração atual não leve ao declínio do bem estar futuro”, e à do World Business Council for Sustainable
Development – WBCSD, “a forma de progresso que atende às necessidades do
presente, sem comprometer a habilidade das gerações futuras de atenderem suas necessidades” (FURTADO, 2005, p.16).
Na visão de Viederman (1994), a sustentabilidade pode ser definida como um “processo participativo que cria e busca uma visão da comunidade que respeita e faz uso prudente de todos os seus recursos – naturais, humanos, criados pelos humanos, sociais, culturais, científicos e outros”. Sachs (1993) aponta que poderia ser categorizada em cinco diferentes dimensões com componentes e objetivos, como representado abaixo: