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3. MATERYAL VE YÖNTEM

3.4. ORAL SÜSPANSİYONUN ÖZELLİKLERİ, KORUYUCU İÇERİĞİ VE

E, nesse passo, parafraseando Bourdieu ao analisar as interferências do social sobre a produção científica, pode-se indagar sobre quais os mecanismos de que o direito dispõe, no microcosmo da disciplina jurídica da família, para refrear ou incorporar os avanços das ciências biológicas e resguardar sua autonomia, utilizando-se das “próprias determinações internas”. Quer dizer, qual o grau de autonomia e heteronomia do direito e suas normas que disciplinam a reprodução humana ao estabelecer os critérios da paternidade e maternidade com maior ou menor “politização” com relação às interferências da biomedicina?130.

As intervenções da ciência na construção da parentalidade, no âmbito do Direito de família, dão-se em espaços delimitados enquanto campos distintos que guardam um certo grau de autonomia, como sistemas dotados de leis próprias.

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E, por sua vez, a ciência biotecnológica não é isenta de pressões externas, instrumentalizando-se para o desenvolvimento de técnicas que atendam à logica do mercado e aos interesses de determinados grupos sociais que irão deter, pela reserva de mercado e patentes, o controle e distribuição desses produtos científicos. Parte integrante da política global neoliberal da saúde131, tem por contraponto a alta vulnerabilidade e pobreza de mulheres e

crianças que avolumam as taxas de mortalidade materna e neonatal, sem acesso aos direitos mínimos de cidadania e sobrevivência com dignidade.

No campo das disputas pelo conhecimento científico, marcadas pelo ineditismo das publicação em revistas especializadas, as tecnologias reprodutivas e investigações correlatas como o DNA, a clonagem terapêutica, a manipulação da vida, as biotecnologias, o genoma humano, a criopreservação de embriões, as pesquisas em células-tronco embrionárias, os tratamentos de infertilidade, os diagnósticos pré-implantatórios de embriões, com projetos em nível trans-nacional – a exemplo: o Projeto Genoma –, a gerir políticas públicas voltadas para a saúde pelo setor público e em investimentos privados; somam- se às já consagradas políticas que perpassam a rede familiar, especialmente no que se refere aos métodos de controle da concepção e a medicalização da gravidez até o parto.

A medicina e a biologia transformam-se em ciências que se apropriam de um novo discurso pautado nas investigações biotecnológicas com poder de instrumentalização da vida e da morte, construindo uma nova forma de política

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ontológica de interação entre natureza e tecnologia132 e acaba por invadir a

ciência jurídica que passa a adotar terminologia biomédica, especialmente no que se refere à filiação: paternidade biológica, exame de DNA, embriões, inseminação artificial homóloga e heteróloga, embriões excedentários, doador e receptor de gametas, clonagem humana.

A compreensão da tecnologia traduzida à consciência prática das pessoas, assinala Habermas, configura-se, num mundo industrializado e mercadológico do progresso das ciências, na transformação dos conhecimentos biológicos em “saber tecnológico” se suas “conseqüências práticas” que subvertem a “consciência prática do mundo social da vida”, ou seja, ao distanciamento entre o mundo científico e “mundo vital” intermedia-se a tecnologia133.

Fato notável que bem exemplifica o quanto a ciência permeia as práticas sociais, tem-se a forte influência da perícia do exame de DNA, nas ações que versam sobre a verificação judicial da paternidade. Tornado gratuito este exame desde o ano 2000, o Estado de São Paulo tem enfrentado um aumento em progressão geométrica desses exames realizados pelo Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (IMESC), demonstrando a D= A3 .3 . ! 9 8 / 8 M 3 3 DDE A\ & 3 - & @ 7 4 ; 3 * " E F3 6 / : J = 3 0K) 3 - &8 3 F %) L % 7 3 . % +& 3 ( ; 5 > a 7 ? > - . - , & 32 1 3 F / 4 4 * _ Y ( ' = H 3 =D D 3 . 3 7 7 3 & / $ 3 7 7 > 4 ; 3 ) % 6 / Y - & 00J 3 ==0)=KK3

flexibilidade do direito diante da tecnologia e a credibilidade da verdade científica no campo das presunções e incertezas jurídicas para a determinação da paternidade134.

A racionalização desse saber/poder técnico pela ciência do direito, dá-se sob a forma de controle dos consumidores dessas tecnologias, no caso, as reprodutivas, que objetivamente podem escolher – ato de vontade – entre a reprodução sexuada e reprodução assexuada, a fertilização in vivo, corpórea, como a inseminação artificial (gametas masculinos selecionados e implantados no útero) e transferência intra-tubária de gametas – GIFT (gametas masculino e feminino colocados nas tubas interinas, mediante laparoscopia), ou fertilização in vitro (FIV), extracorpórea, mediante a transferência intra-uterina de embriões no útero (“Bebê de Proveta”), inseminação homóloga ou heteróloga, dentre outros métodos, como a transferência embrionária – TE e transferência Intratubária de zigoto – ZIFT.

A possibilidade de uso das tecnologias reprodutivas faz-se pelo acesso dos usuários aos centros de reprodução humana, os quais, segundo a Rede Latino-Americano de Reprodução Assistida135 (Anexo I), são, em 2004,

representados em mais de 40% pelo Brasil (60 centros) – seguido por México (20 centros), Argentina (19 centros), Chile (8 centros), Colômbia (8 centros), D1 * 3 Y7:4* ! K Z ' . / /<<CCC3 3 3& 3 < U U 00KU= H3 DK : F 6 ). F . ,F:':6.F.2 00K ! & 0 Z ! % . 6 3 Y / /<<CCC3 3 < 3 b=0< D<= Hc

Venezuela (6 centros), Equador (3 centros), Uruguai (2 centros), Peru (2 centros), Guatemala (1 centro), Bolívia (1 centro) e República Dominicana (1 centro).

Significativamente superiores, embora ainda não conclusivos, são os dados fornecidos pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) com cerca de 140 médicos associados136 e indica 117 centros que utilizam as biotecnologias reprodutivas no Brasil, sendo que a grande maioria deles concentra-se em estados mais ricos, como São Paulo (47)137.

A incompletude destes cadastros não espelha a totalidade dos centros de reprodução humana no Brasil, mas permite uma amostragem da extensão do uso da ciência biotecnológica no âmbito das relações privadas e a clivagem de recursos biotecnológicos na linha dos ricos e dos pobres: Mais de 90% dos centros indicados na REDLARA somente realizam os tratamentos de infertilidade a particulares, do que se deduz, pelos altos custos, que excluem a grande maioria da população brasileira potencialmente interessada nesses serviços. O projeto parental biotecnologizado reproduz exclusões sociais derivadas da mercantilização das novas tecnologias reprodutivas inacessíveis às classes mais pobres.

Ramirez-Gálvez mostra esse fator de mercantilização ínsito às tecnologias reprodutivas, mesmo sendo proibidas no Brasil práticas de

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comercialização destes materiais genéticos, especialmente nas denominadas doação compartilhada de óvulos entre clínicas de reprodução assistida de serviço público nas quais mulheres sem recursos econômicos doam óvulos para usuárias de serviço privado ou, ainda, diante do vazio legal, da prática transnacional de importação de gametas para as mulheres mais ricas, denunciando a diferença no acesso ao mercado biotecnológico138.

A seguir será tratado como esses usos sociais encontram-se representados no campo da produção legislativa brasileira.

Benzer Belgeler