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OPUS DEİ’NİN FAALİYETLERİ

Belgede 1. ARAŞTIRMANIN KONUSU (sayfa 69-79)

2. BİR PİSKOPOSLUK OLARAK OPUS DEİ

2.3. OPUS DEİ’NİN FAALİYETLERİ

A primeira lei relativa à reforma italiana, em 1968, segundo Passos (2009), não avançou além da mera intenção em criar alguns mecanismos menos rígidos para o tratamento da loucura, colocando-a como serviço sanitário e mantendo o hospital psiquiátrico. Assim, essa reforma não foi expressivamente relevante para o processo de desinstitucionalização, que começara em 1961. Nesse ano, Franco Basaglia assumiu a direção do Hospital Psiquiátrico de Gorizia. Influenciado por David Cooper e Ronald Laing, introduziu a Comunidade Terapêutica. Destaco que, diferente de outros países, como França e Inglaterra, com uma organização em âmbito nacional para a reforma psiquiátrica, a Itália iniciou seu processo de forma bastante multifacetada, por ter começado como iniciativa de um único diretor de Hospital Psiquiátrico e em uma cidade isolada, ao norte do país. Temos, nesse sentido, “uma realidade psiquiátrica mais arcaica; uma tradição histórica de pluralismo, independência e autoafirmação cultural e política de cada região do país, que inviabilizavam uma política centralista nacional; mas, principalmente, a perspectiva radical das mudanças propostas”. (Passos, 2009, p. 127).

Segundo a mesma autora, Basaglia, em um movimento de prática alternativa ao modelo utilizado na Itália, acompanhado de uma coligação política com as forças sociais (estudantes e operários) em luta pela afirmação de direitos, promove o que mais tarde se denominaria Psiquiatria Democrática, que se insurgia contra o hospitalocentrismo das reformas ocorridas nos países europeus, que mantiveram intocados o poder e o saber psiquiátricos como instituição social. Para Basaglia (2006),

[...] quer se discutam os problemas do poder; quer se fale do conceito de autoridade; quer se recorra aos princípios democráticos sobre os quais se baseia a nova psiquiatria; quer se denomine a instituição como comunidade terapêutica; quer se defina como social o novo rumo psiquiátrico, só porque ele serve de instrumento de controle a favor do sistema, tudo isso significa simplesmente que um novo verniz foi aplicado sobre um velho jogo, cujas manobras e finalidades já são conhecidas (p. 158).

A Psiquiatria Democrática, em sua luta contra a permanência do manicômio e de qualquer forma clínica que pudesse camuflar uma realidade de exclusão e manicomialização, centrava sua ideia na recuperação da cidadania pelos doentes mentais. Destaco que essa forma de pensar, que sustentou o processo denominado “desintitucionalização”, expandiu-se por todo o país, embora tenha encontrado pelo caminho vários pontos de resistência contra o

processo promovido por Basaglia. Segundo Passos (2009), já no inicio do processo, em Gorizia, reuniões com familiares, técnicos e pacientes se organizavam em torno de três eixos voltados para a análise da ligação entre a dependência da psiquiatria e a justiça e a ordem pública; a classe social das pessoas internadas em manicômios; e a não neutralidade da ciência – a autora afirma que esses três eixos ainda se fazem presentes nas discussões atuais. Nesse ínterim, Basaglia propõe, pela primeira vez, o fechamento do hospital e a construção de centros alternativos de atendimento aos pacientes internados.

Em 1968, a equipe de Gorizia solicitou à administração local o fechamento do hospital e a abertura de centros de saúde na comunidade, visto que as pessoas só permaneciam no manicômio em função da ausência de condições econômicas e sociais para se estabelecerem fora dele. Diante das resistências impostas pelas forças políticas e administrativas, a equipe se demitiu em bloco, após fazer uma declaração de cura de todos os pacientes (Amarante, 2003, p. 70).

Assim, na década de 1960, Basaglia tomava frente na proposição de medidas que culminariam com o convite para que se transferisse para o Hospital Psiquiátrico de Trieste, em 1971, assumindo sua direção. Dentre os eventos relevantes nesse processo, destaca-se a aprovação de um regulamento para a instituição de “pensões” para anciões hospitalizados na psiquiatria e a criação da primeira Cooperativa de Trabalhadores Unidos - CLU (Passos, 2009). Em 1973, foi reconhecido o estatuto de hóspede para pessoas com alta hospitalar, mas que ainda precisavam ser assistidas e albergadas até sua reinserção social completa. Ademais, outro acontecimento relevante ocorreu quando, nesse mesmo ano, por documento formal, constituiu-se a Psiquiatria Democrática, em Bolonha, a partir de um grupo de profissionais saídos da cidade de Gorizia que havia, em grande parte, migrado para Trieste. Tais eventos culminaram no reconhecimento de Trieste como zona-piloto, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para a pesquisa em psiquiatria. Com o fechamento definitivo do Hospital Psiquiátrico local, no ano de 1977, e a abertura do conjunto hospitalar para ocupação por outras instituições, tais como universidades, escolas primárias, cooperativas, parques públicos etc., Trieste modificou sensivelmente o paradigma do tratamento dispensado à loucura. Em 13 de maio de 1978, o Parlamento italiano aprovou a Lei 180, marco fundamental para a Reforma Psiquiátrica italiana e instigadora da Reforma Psiquiátrica brasileira.

Nesse sentido, os trabalhos de Franco Basaglia se destacam no que diz respeito à necessidade de criar alternativas para os cuidados em Saúde Mental para além da existência

de uma instituição fechada, compreendendo esses lugares como “Instituições de violência”. Na crítica ao modelo de diagnóstico psiquiátrico, a violência do manicômio impera, tornando necessária a negação da instituição psiquiátrica como meio de atuar diante da questão socioeconômica, além daquelas de saúde:

Nossa ação só pode prosseguir no sentido de uma dimensão negativa que é, em si, destruição e ao mesmo tempo superação. Destruição e superação que vão além do sistema coercitivo- carcerário das instituições psiquiátricas e do sistema ideológico da psiquiatria enquanto ciência para entrar no terreno da violência e da exclusão do sistema sócio-político, negando-se a se deixar instrumentalizar por aquilo exatamente que quer negar (Basaglia, 1985, p. 131).

Nesse sentido, para Merleau-Ponty (1999), as ações revolucionárias, como no caso da Reforma Psiquiátrica, precisam se relacionar com as ações e o engajamento dos atores envolvidos num processo de mudança das classes sociais, especialmente na maneira de nos situarmos no mundo e de coexistir com os outros – proposta que será melhor retomada posteriormente, na discussão acerca do lugar da Residência Terapêutica na cidade, no capítulo 4. A liberdade e a motivação para tanto se tornam indispensáveis para uma nova concepção que apague a distinção entre intelectual e operário, entre “normal” e “louco”.

O idealismo e o pensamento objetivo deixam igualmente escapar a tomada de consciência de classe, um porque deduz a existência efetiva da consciência, outro porque infere a consciência da existência de fato, ambos porque ignoram a relação de motivação (Merleau-Ponty, 1999, p. 600).

De acordo com o pensamento de Basaglia, precisamos atentar à lógica manicomial e ao quanto o manicômio vai sendo refeito pela cultura, que o mantém vivo no imaginário de um cuidado em saúde mental, ou ainda, como única possibilidade para pessoas que sofrem de transtornos mentais. Nesse sentido, temos o movimento de luta antimanicomial como imagem de luta contra os manicômios. No que concerne à Itália, os atores da reforma psiquiátrica questionavam toda uma estrutura manicomial incapaz de qualquer cuidado para com as pessoas que ali eram postas:

Dessa forma, a perda de identidade da instituição, simultânea à inutilização dos seus símbolos mais explícitos, resultava em perda de identidade de todos os que a instituição continha – tanto pacientes quanto operadores – sem que, nesse processo, pudessem estabilizar-se as novas

regras às quais se moldar, os códigos da ação concreta, a identidade positiva do novo transformador (Basaglia, 2005, p. 239).

Da Reforma Psiquiátrica iniciada na Europa, mais especificamente na Itália, surgiram novas formas de cuidado oferecidas aos usuários dos serviços de saúde mental, esta entendida como um encadeamento político e social complexo, composto de atores, instituições e forças de diferentes procedências, e que incide em territórios diversos, nos governos federal, estadual e municipal, nas universidades, no mercado dos serviços de saúde, nos conselhos profissionais, nas associações de pessoas com transtornos mentais e de seus familiares, nos movimentos sociais, e nos territórios do imaginário social e da opinião pública.

Compreendida como um conjunto de transformações de práticas, saberes, valores culturais e sociais, é no cotidiano das instituições, dos serviços e das relações interpessoais que a Reforma Psiquiátrica avança, marcada por impasses, tensões, conflitos e desafios. Segundo Passos (2009), a reforma italiana, desde o início, considerou central a mudança da condição legal e civil do doente mental, sem a qual seria inviável a efetiva desconstrução da prática de internação. A autora continua, ponderando que, na Itália,

[...] a lei 180 será efetivamente integrada ao corpo da lei da reforma sanitária nacional, aprovada em seguida, no final do mesmo ano. Ao ser assim integrado na legislação sanitária, o caráter especial atribuído à doença mental perde o sentido, na interpretação da militância. Não mais se atribui a ela uma periculosidade particular. A necessidade do tratamento obrigatório em psiquiatria deve ser demonstrada pelo poder público administrativo, com direito a recurso pela parte interessada, como em qualquer outro caso, pois a lei geral garante o princípio de que todo tratamento sanitário deve ser voluntário. O segundo aspecto da nova lei é que ela regulamenta o tratamento obrigatório, e não a internação ou hospitalização compulsória. A tendência, na prática, é a realizá-lo em serviços territoriais, segundo os mesmos procedimentos éticos e técnicos do tratamento voluntário (Passos, 2009, p. 133).

Podemos perceber que a referida lei prevê a desativação dos hospitais psiquiátricos, mas não de forma imediata. O caminho progressivo, por meio da interdição da construção de novos hospitais, com sua substituição por serviços territoriais, possibilita uma transformação também no que chamaríamos de ideologia no tratamento da loucura, restituindo à pessoa com enfermidade mental seus direitos como cidadão. Exemplo disso pode ser dado pela medida italiana de garantia do direito de voto a essas pessoas. Uma característica fundamental da experiência naquele país foi sua construção e expanção a partir de uma desmontagem interna

da instituição. Nas palavras de Passos (2009), “a mudança deve ser antes de tudo cultural, isto é, das práticas cotidianas das pessoas” (p. 135).

Belgede 1. ARAŞTIRMANIN KONUSU (sayfa 69-79)