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4. BİRİNCİ MERTEBEDEN ÖLÜ ZAMANLI SİSTEMLER İÇİN PID

4.3 PID Kontrolör Tasarım Yöntemleri

4.3.3 Optimizasyon tabanlı yöntemler

Diante do trânsito religioso, em processo contínuo na Igreja católica rondoniense, a sua eclesiologia pode ser pensada a partir da configuração de diversos cenários. Ao se configurar por meio da união de diferentes povos, é inevitável que a Igreja não viva um imenso choque cultural, o que traz grandes conflitos.

Cada pessoa ou grupo traz consigo o seu jeito de ser, a sua cultura, o que desencadeia um processo que passa por dois momentos: primeiramente o confronto cultural, e depois, uma “síntese” religiosa que define a cultura do lugar. Tal processo tende a ser demorado e, às vezes, muito doloroso, pois as pessoas demoram a se definir nas identidades religiosas que escolhem.

O Estado de Rondônia tem uma população constituída por quatro fluxos migratórios variados, sendo que o primeiro é formada pelos indígenas. Conforme o historiador local PERDIGÃO (1992), a história registra verdadeira destruição dos índios, uma vez que a invasão de suas terras tirou-lhes as suas reais condições de vida, além do favorecimento de muitas baixas resultantes dos conflitos de terra.

O Estado de Rondônia tem levado as nações indígenas locais a pagarem um preço altíssimo por conta da política de retalhamento do solo, dos projetos de colonização oficiais e não oficiais, do aumento bastante significativo da população que, em 1950, contava com 36.935 habitantes, para em 1980, ter chagado a 888.430 habitantes.

O segundo fluxo migratório constitutivo da população da Igreja de Rondônia se mostra em meio aos seringueiros.

Historicamente, a atividade seringueira em Rondônia, como em toda a região da Amazônia, se deu por ocasião do desbravamento da floresta, na segunda metade do século XIX, quando a cobiça internacional atraiu os nordestinos para os seringais da região, via Porto de Belém. Eles eram atraídos por um cartaz que mostrava a figura de um grande vaso cheio de leite, simbolizando o látex em abundância na região.

A partir da queda da borracha os sonhos de dignidade de vida deram lugar à luta pela sobrevivência. “Essa atividade sucumbiu ao processo de modernização por que passou o Estado de Rondônia...”. As pessoas atraídas para a atividade seringueira foram se adaptando à região e nela permanecendo, enquanto buscavam, por meio da organização, defender os seus direitos: “Em agosto de 1985, na cidade de Ariquemes, houve o I Encontro Nacional dos Seringueiros...”

O terceiro se constituiu por ocasião da construção da Estrada de Ferro Madeira- Mamoré que promoveu uma grande mistura de gente no Estado, como mostra HUGO: “Gente

de todo mundo não acabava de chegar... Brasileiros vindos de quase todos os pontos do País, ingleses em quantidade, italianos buliçosos, espanhóis, bolivianos, peruanos, gregos, alemães, judeus, barbadianos e chineses.” Embora muitos não tenham resistido às doenças da região, e outros tenham voltado à sua terra de origem, considerável número desses trabalhadores se fixaram no Estado tornando-se um elemento da constituição da população rondoniense.

O quarto fluxo migratório é formado pelos migrantes da segunda metade do século XX. Num curto espaço de tempo se dá um crescimento espantoso da população do Estado, como mostra CEPPI: “O fluxo migratório, até o fim da década de 80, garantiu índices de crescimento do estado em até mais de 20% ao ano. Na década de 80, principalmente a partir da sua segunda metade, diminuiu o fluxo migratório. Nesta época, perto de 70% da população vivia na área rural”.

Assim, o projeto de colonização de Rondônia foi favorecido pelo contexto de exclusão das famílias mais pobres e pela situação em que viviam nos estados de origem, empurrados pelos latifúndios.

“Terra sem homens para homens sem terra” foi moto propagandístico que visava, por sua vez, a aliviar as pressões e tensões sociais, motivadoras de conflitos, a partir do avanço do latifúndio no Sul, conhecido como modernização da agricultura pelo fenômeno da mecanização. Um modelo agro exportador não combinava com uma agricultura familiar rudimentar. Por sua vez, tais pressões sociais cobravam a tardia Reforma Agrária, engavetada desde a última tentativa com João Goulart, em 1963-1964.

Cheias de esperança na chegada a Porto Velho, as famílias católicas enfrentavam com garra as primeiras dificuldades nos desagradáveis alojamentos, amontoando-se em barracões de igrejas. Mas a aparente estabilidade da chegada para a maioria foi passageira e desencadearam movimentações para novas conquistas de terras.

Há grande mobilidade populacional, principalmente em direção às novas fronteiras agrícolas, lugar de terra fácil, de grilagens, sem fiscalização e sem planejamento. (...) A princíp io, tal movimentação era para o interior do próprio estado, em áreas assumidas pelo zoneamento como áreas de proteção ou de extrativismo e depois para novas fronteiras no norte do Mato Grosso (Coniza e Nova União) e Amazonas (Apuí).

Tal mobilidade não ocorre sem sérias conseqüências, continua CEPPI: “A agressão ao meio ambiente pelo desmatamento ilegal, a degradação do solo e as invasões de terra indígenas completam o quadro desolador do que deveria ser, em teoria, o desenvolvimento sustentável no Estado”. Vale considerar que tal mobilidade não se dá apenas na busca de novas terras. O êxodo rural despontou-se rapidamente, causando significativa mudança no Estado, mostra CEPPI: “Se vai invertendo aceleradamente a situação populacional, a ponto de

hoje termos cerca de 70% da população nas cidades”. Como conseqüência, os problemas urbanos se multiplicam:

O inchaço das pequenas e médias cidades, sem qualquer planejamento ou proposta de desenvolvimento, criou um ambiente propício à violência e marginalização, em que a proposta do narcotráfico é uma eficaz resposta ao desemprego, alimentando o círculo vicioso da violência em todos os sentidos.

O sonho de prosperidade de tantas famílias deu lugar à desilusão. A pobreza, fruto da desigualdade social tem marcado a vida de grande parte da população, enquanto poucos acumulam riqueza.

Em Rondônia, segundo o IBGE, 45% das riquezas do estado estão nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto os 60% mais pobres agregam um montante de apenas 17,65% da renda. Um estado rico e um estado miserável. É esta a primeira conclusão, cenário não diferente do restante do País, infelizmente.

Diante dessa realidade, a Igreja sente-se desafiada a defender a vida do povo através da conscientização e da denúncia social das injustiças. Contra o latifúndio já instalado e às injustiças sociais, diversos movimentos organizados lutam pela terra e pela dignidade de vida, em alguns casos obtendo sucesso, e em outros, sendo reprimidos até mesmo a peso de perseguição e mandados de morte, como mostra CEPPI (2005):

Há resistências, tantas vezes barradas a ferro e fogo (caso Corumbiara; sucessões de despejos que obstruem a Reforma Agrária nas primeiras instâncias, ora por reintegrações velozes, ora pela força da pistolagem). Há também embates conflituosos no seio dos interesses que quase sempre terminam em composições, pelas quais todos saem satisfeitos (caso da crise de governabilidade no início de 2003 entre o governador e a mesa diretora da Assembléia Legislativa a partir da nomeação do conselheiro Natanael Silva para o Tribunal de Contas).

Uma vez que cada povo carrega consigo seus costumes para onde se instala, a Igreja de Rondônia tornou-se um canteiro cultural, onde se manifesta a miscigenação de elementos culturais, e a Igreja Católica deve saber inovar as ações pastorais para poder conduzir, com eficácia, a evangelização, podendo assim exercer a sua missão profética em meio ao povo.

Pode-se concluir que, dentre as quatro matrizes acima apresentadas, a última fez aumentar a pluralidade cultural do povo rondoniense e ao mesmo tempo em que intensificou a complexidade dos problemas da região, destruiu a natureza e favoreceu a ambição pessoal e familiar, instaurando uma cultura de ganância generalizada, lugar cuja Igreja deve se organizar para poder atuar eficazmente, como veremos no próximo item.

Benzer Belgeler