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OPTİK KUPLÖRLERDE GÜÇ KAYBI ANALİZİ

Para Poulantzas uma característica marcante dos marxistas é reduzir o Estado à dominação política, fundamentando esta tese nas relações de circulação do capital e nas trocas mercantis generalizadas e na separação relativa do Estado e da sociedade civil. Assim, as pesquisas sobre Estado se tornam empobrecidas, pois não consideram as relações de produção como determinantes no ciclo de reprodução do capital. Para Poulantzas, 1980, p. 55,

Colocar o Estado em relação com as relações de produção e a divisão social do trabalho nada mais é que o primeiro momento, certamente diferenciado, de um único e mesmo processo: o de relacionar o Estado com o conjunto do campo das lutas.

As classes sociais têm seu fundamento nas relações de produção. As transformações do Estado estão vinculadas às transformações das relações de produção que levam à transformação da separação relativa do Estado das funções econômicas, levando à luta de classes, que também transforma o Estado, em seu papel e atividades econômicas (POULANTZAS, 1980).

O Estado burguês se materializa enquanto aparelho especializado, centralizado e de característica política, que distribui competências, formula e faz cumprir regras e leis, desenvolvendo funções anônimas, impessoais e formalmente distantes do poder econômico e através desta organização, espolia o trabalhador nas relações de produção capitalistas, na reorganização da divisão social do trabalho e na separação entre o trabalho intelectual e o trabalho manual.

A separação do trabalho manual e do trabalho intelectual como uma divisão entre os que trabalham com as mãos e os que trabalham com o intelecto, é um aspecto decisivo da divisão social do trabalho, mas principalmente esta segmentação refere-se às relações político-ideológicas. Essa separação não pode ser vista de forma simplista. O Estado, no conjunto de seus aparelhos, tanto ideológicos quanto repressivo ou econômico, afasta o trabalho intelectual do trabalho manual, pois estabelece uma relação orgânica entre trabalho intelectual e dominação política, entre saber e poder. Assim, afastado das relações de produção, aproxima-se do trabalho intelectual e torna-se produto e reprodutor desta divisão. Apresenta Poulantzas (1980, p. 63),

Esses aparelhos, em sua forma capitalista (exército, justiça, administração, polícia, etc.), para não citar os aparelhos ideológicos, implicam exatamente a

efetivação e o domínio de um saber e de um discurso (diretamente investidos na ideologia dominante ou constituídos a partir de formações ideológicas dominantes) em que as massas populares estão excluídas. Aparelhos baseados em sua ossatura numa exclusão específica e permanente das massas populares situadas ao lado do trabalho manual, que aí são subjugadas indiretamente pelo Estado.

Tanto nos Aparelhos Ideológicos quanto nos Aparelhos Repressivos de Estado esta distinção ocorre e é no Estado capitalista que a relação orgânica se aprimora entre o trabalho intelectual e a dominação política: o saber e poder. É na especialização, cristalização do trabalho intelectual que os Aparelhos de Estado se separam dos processos de produção, no domínio do saber e do discurso aplicado na ideologia da classe dominante em que os indivíduos da classe dominada estão excluídos (POULANTZAS, 1980). Atílio Borón (1999, p. 45-46) apresenta,

Os interesses do grande capital são adequadamente protegidos e defendidos por uma série de atores estratégicos da economia mundial. Em primeiro lugar, por uma densa rede de organismos financeiros internacionais entre os quais sobressaem o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e os grandes bancos comerciais, com seu séquito de think tanks, comunicadores sociais, publicistas e acadêmicos entregues ardorosamente à difusão das idéias neoliberais. Em segundo lugar, pelos governos dos países centrais e suas autoridades monetárias e financeiras, incluindo naturalmente os presidentes dos bancos centrais. Terceiro, pelos economistas, esses substitutos modernos dos teólogos medievais e que, salvo honrosas e esporádicas exceções, dispuseram todo vestígio de pensamento crítico dobrando-se irremediavelmente ao paradigma dominante em sua profissão. Quarto, pela loquacidade e pelo ativismo de organizações empresariais, partidos ‘reconvertidos’ e movimentos sociais de tipo diverso que respaldam a ‘sensatez’ dos ‘talibãs’ de mercado. (grifos do autor)

A relação saber e poder não tem apenas um caráter ideológico, tanto o Estado como a classe dominante precisam se apropriar da ciência. O primeiro para se reproduzir enquanto poder, não só gerando esse saber, mas também definindo como utilizar esse saber, ou seja, legitimando ou não esse saber, através do sistema público educacional, por exemplo. Para isso, Carnoy (2011, p. 152) aponta:

O Estado ajuda a definir essa condição financiando e empregando intelectuais e, em seguida, a usa, de um modo específico, para reforçar a exclusão das massas do processo de tomada de decisões, enquanto, ao mesmo tempo, legitima o seu papel como o centro do poder e de tomada de decisões.

Já a classe dominante necessita se apropriar da ciência para empregá-la nos meios de produção, para manter a extração da mais valia.

Conforme Poulantzas, não é possível conceber o saber, as tecnologias, dissociados do poder. Para ele, a classe dominante é a primeira classe da história que necessita de intelectuais orgânicos para se firmar como tal e o Estado enquanto representante do poder da classe dominante, arregimenta estes intelectuais que cumprem um papel de organização dessa hegemonia, porém aparentando um certo distanciamento, uma neutralidade. Carnoy (1984, p. 49 assevera que,

[...] o próprio aparelho educacional é importante fonte de emprego para grupos especiais da sociedade. [...] No capitalismo monopolista avançado, os professores e administradores do sistema escolar fazem parte dos ‘novos subordinados da burguesia’ [...] extraídos de setores da classe trabalhadora.

O processo para a construção de uma contra-hegemonia se dá na luta de classes, na luta dentro dos Aparelhos de Estado, sendo o Estado objeto de luta pelo poder.