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7. Opsiyon Sözle mesinin Sona Ermes
Diante dos investimentos sociais, diante da capacitação em Cooperativismo e Associativismo (Economia Solidária), dos projetos de inserção social, diante de propagandas veiculadas na Mídia – como se efetiva a gestão destas associações? Será realmente uma alternativa econômica solidária? Como vivem os membros destas associações? Quanto ganham? Será que realmente estão inseridos social e economicamente? Será que conquistaram sua cidadania? Foram questionamentos como estes que me levaram à presente pesquisa.
Inicialmente, ao longo de nossa participação no processo de implementação da ABRESOL, composta na época por antigos catadores do lixão de Cidade Nova, observamos o quanto eles são resistentes à mudança, apesar das diversas capacitações que passaram e das oportunidades de ocupação e renda que o projeto de inserção social de catadores lhes oferecia. De acordo com dados da URBANA, dos já citados 547 catadores cadastrados pela Fundação Zerbini em outubro de 2003, apenas 223 encontravam-se trabalhando nas Associações da Coleta Seletiva e na Usina de Triagem no segundo semestre de 2005, ou seja, apenas 41% deles.
Os outros 59% se encontravam desempenhando atividades distintas. Parte deles inseridos no Projeto das Hortas Comunitárias, parte trabalhando no beneficiamento do PETI para fabricação de vassouras, porém a maioria deles se encontrava trabalhando informalmente e individualmente, catando material reciclável nas ruas de Natal, em carroças, o que demonstra a dificuldade que têm em trabalhar de forma coletiva e organizada.
Segundo dados fornecidos pela URBANA, resultado de um cadastramento realizado pela mesma no início do segundo semestre de 2005, junto às quatro associações que integram a Coleta Seletiva do Município, elas eram compostas, na época, por um total de 223 catadores, sendo a sua maioria egressos do aterro de lixo de Cidade Nova. O perfil socioeconômico destes catadores assim se constituía na época:
• Deste universo de 223 Catadores, 125 (56%) são do sexo masculino e 98 (44%)
bairro de Cidade Nova, 25 (11%) no Planalto, 4 (2%) no Guarapes, e apenas 5 (2%) catadores residem em outras áreas.
• Há 37 (17%) catadores com uma faixa etária que varia de 16 a 20 anos, 96
(43%) com uma faixa etária que varia de 21 a 30 anos, 51(23%) com uma faixa etária que varia de 31 a 40 anos, 22 (10%) com uma faixa etária que varia de 41 a 50 anos, e apenas 12 (5%) Catadores com 51 anos ou mais, 5 (2%) não informaram a idade.
• No que se refere à saúde, apenas 3 Catadores são portadores de necessidades
especiais, porém o cadastro não especifica o tipo de deficiência.
• Do total de catadores do sexo masculino, 103 (82%) são chefes de família e 22
(18%) não o são. Já do universo das catadoras, 73 (74%) são chefes de família e 25 (26%) não.
• No que se refere à renda, 209 (94%) recebem até um Salário Mínimo por
mês, 8 (3%) recebem de um a dois Salários Mínimos, 2 (1%) recebem de dois a três Salários Mínimos. 4 (2%) não informaram sua renda mensal.
• Quanto ao grau de escolaridade: 32 (14%) são analfabetos, 57 (26%) apenas
alfabetizados, 44 (18%) cursaram até a 4ª série, 8 (4%) possuem a 4ª Série completa, 64 (29%) cursaram entre a 5ª e 8ª Série do Ensino Fundamental, 12 (5%) Catadores estão cursando o 2º grau e apenas 8 (4%) possuem o Segundo Grau Completo.
• Quanto à atividade que exercem nas respectivas Associações, 152 (68%)
trabalham coletando resíduos sólidos, 50 (22%) trabalham fazendo a triagem do material coletado, 21 não especificaram a atividade que exercem.
De acordo com os dados fornecidos pela URBANA, resultado do mencionado cadastramento, o perfil socioeconômico dos catadores por Associação é o seguinte:
ASCAMAR (86 catadores):
• Deste universo, 53 (62%) são do sexo masculino e 33 (38%) do sexo feminino;
68 (79%) residem no bairro de Felipe Camarão, 9 (11%) residem no bairro de Cidade Nova, 5 (06%) no Planalto, 2 (2%) no Guarapes, e apenas 2 (02%) Catadores residem em outras áreas.
• Há 18 (21%) com uma faixa etária que varia de 16 a 20 anos, 44 (51%) com uma
faixa etária que varia de 21 a 30 anos, 16 (19%) com uma faixa etária que varia de 31 a 40 anos, 5 (06%) com uma faixa etária que varia de de 41 a 50 anos, e apenas 3 (03%) com 51 anos ou mais.
• Do total de do sexo masculino, 47 (89%) são chefes de família e 06 (11%) não o
são. Já do universo das catadoras, 23 (70%) são chefes de família e 10 (30%) não.
• No que se refere à renda, 85 (99%) recebem até um Salário Mínimo por
mês, e apenas um (1%) não informou sua renda mensal
• Quanto ao grau de escolaridade: 6 (07%) são analfabetos, 22 (26%) apenas
alfabetizados, 11 (13%) cursaram até a 4ª Série, 3 (3%) possuem a 4ª Série completa, 34 (40%) cursaram entre a 5ª e 8ª Série do Ensino Fundamental, 7 (8%) estão cursando o 2º Grau e apenas 3 (3%) possuem o Segundo Grau completo.
• Quanto à atividade que exercem na Associação, 37 (43%) trabalham coletando
resíduos sólidos, 49 (57%) trabalham fazendo a triagem do material coletado.
ASTRAS (54 catadores)
• Deste universo, 26 (48%) são do sexo masculino e 28 (52%) do sexo feminino;
31 (57%) residem no bairro de Felipe Camarão, 15 (28%) residem no bairro de Cidade Nova, 4 (7%) no Planalto, um (2%) no Guarapes, e apenas 3 (6%) Catadores residem em outras áreas.
• Há 6 (11%) com uma faixa etária que varia de 16 a 20 anos, 22 (41%) com uma
faixa etária que varia de 21 a 30 anos, 11 (21%) com uma faixa etária que varia de 31 a 40 anos, 5 (9%) com uma faixa etária que varia de 41 a 50 anos, 5 (9%) com 51 anos ou mais e apenas 5 (9%) não informaram a idade.
• Não há casos de portadores de necessidades especiais.
• Do total do sexo masculino, 25 (96%) são chefes de família e um (4%) não é. Já
do universo das catadoras, 22 (79%) são chefes de família e 06 (21%) não.
• No que se refere à renda, 51 (94%) recebem até um Salário Mínimo por
mês, e apenas 4(6%) não informaram sua renda mensal
• Quanto ao grau de escolaridade: 14 (26%) são analfabetos, 21 (39%) apenas
alfabetizados, 6 (11%) cursaram até a 4ª série, um (2%) possui a 4ª Série completa, 10 (18%) cursaram entre a 5ª e 8ª Série do Ensino Fundamental, um (2%) está cursando o 2º Grau e apenas um (2%) possui o Segundo Grau completo.
• Quanto à atividade que exercem na Associação, 32 (59%) trabalham coletando
resíduos sólidos, um (2%) trabalha fazendo a triagem do material coletado, e 21 (39%) exercem outras atividades.
ACSRN (55 Catadores)
• Deste universo, 25 (45%) são do sexo masculino e 30 (55%) do sexo feminino;
42 (78%) residem no bairro de Felipe Camarão, 05 (09%) residem no bairro de Cidade Nova, 7 (12%) no Planalto, um (1%) no Guarapes.
• Há 9 (15%) com uma faixa etária que varia de 16 a 20 anos, 18 (33%) com uma
faixa etária que varia de 21 a 30 anos, 18 (33%) com uma faixa etária que varia de 31 a 40 anos, 8 (15%) com uma faixa etária que varia de 41 a 50 anos, 2 (04%) com 51 anos ou mais.
• Há 2 que são portadores de necessidades especiais.
• Do total do sexo masculino, 18 (72%) são chefes de família e 7 (28%) não o são.
Já do universo das catadoras, 24 (80%) são chefes de família e (20%) não.
• No que se refere à renda, 51 (93%) recebem até um Salário Mínimo por
mês, e apenas 04 (7%) recebem de 01 a 02 Salários Mínimos.
• Quanto ao grau de escolaridade: 8 (15%) são analfabetos, 3 (6%) apenas
alfabetizados, 19 (35%) cursaram até a 4ª Série, 04 (7%) possuem a 4ª série completa, 14 (25%) cursaram entre a 5ª e 8ª Série do Ensino Fundamental, 04 (7%) estão cursando o 2º Grau e apenas 3 (5%) possuem o Segundo Grau completo.
• Quanto à atividade que exercem na Associação, todos os 55 (100%) membros da
Associação trabalham na coleta e triagem de resíduos sólidos.
ABRESOL (28 Catadores)
• Deste universo, 21 (75%) são do sexo masculino e 07 (25%) do sexo feminino;
06 (21%) residem no bairro de Felipe Camarão, 13 (47%) residem no bairro de Cidade Nova e 9 (32%) no Planalto.
• Há 4 (15%) com uma faixa etária que varia de 16 a 20 anos, 12 (43%) com uma
faixa etária que varia de 21 a 30 anos, 6 (21%) com uma faixa etária que varia de 31 a 40 anos, 4 (14%) com uma faixa etária que varia de 41 a 50 anos, 2 (07%) com 51 anos ou mais.
• Há um que é portador de necessidades especiais.
• Do total do sexo masculino, 13 (62%) são chefes de família e 08 (38%) não o
são. Já do universo das catadoras, 4 (57%) são chefes de família e 03 (43%) não.
• No que se refere à renda, 22 (79%) recebem até um Salário Mínimo por
mês, apenas 4 (14%) recebem de um a dois Salários Mínimos e apenas 2 (7%) recebem de dois a três Salários Mínimos.
• Quanto ao grau de escolaridade: 4 (14%) são analfabetos, 11 (39%) apenas
alfabetizados, 8 (29%) cursaram até a 4ª série, 04 (14%) cursaram entre a 5ª e 8ª Série do Ensino Fundamental e apenas um (4%) possui o Segundo Grau completo.
• Quanto a atividade que exercem na Associação, todos os 28 (100%) membros da
Associação trabalham exclusivamente na coleta e triagem de resíduos sólidos.
Nesta longa exposição, sobre as especificidades das associações, grifamos o item referente à renda, que indica, salvo exceções, que os catadores recebem em torno de um (01) salário mínimo.
Neste capítulo, historiamos como ocorreu o processo de fechamento do lixão de Cidade Nova e foram formadas as assossiações, com dados relativos a todo este processo que abrangeu o período de 1999 até 2007, e que situam as distintas intervenções sociais e econômicas na área, suas múltiplas determinações, desde os interesses políticos e econômicos, aos interesses sociais.
Este referencial de dados concernente à caracterização das associações nos deu suporte para a análise, para que venhamos desvelar o nível de inserção social e econômica que vem sendo proporcionado por essas associações aos seus associados, o processo de conquista de sua cidadania, bem como verificar os avanços, no que se refere a sua representatividade como empreendimento econômico solidária.
Sempre teremos como fito apreender até que ponto a economia solidária vem se constituindo uma alternativa econômica, no sistema capitalista, para essas associações.
4 AS ASSOCIAÇÕES DE CATADORES NA SUA COTIDIANIDADE
No primeiro item deste capítulo, relataremos como ocorreu a constituição das três associações que foram implementadas a partir da execução do projeto Interministerial Lixo e Cidadania: Combate à Fome Associado à Inclusão Social de Catadores e a Erradicação de Lixões, com base nas nossas observações e nas entrevistas, especialmente dos atores institucionais que contribuíram no processo de implementação dessas associações. Incluímos a ASCAMAR, que já existia desde 1999, mas que foi inserida no projeto por ter sido a primeira associação de catadores de Cidade Nova e que vinha desde a sua fundação operando a Usina de Triagem através de um contrato de comodato (ver ANEXO C). Enfatizamos as características dessas associações na sua cotidianidade, suas particularidades e forma de funcionamento.
Não identificaremos nominalmente os atores institucionais por nós entrevistados, colocaremos a sua fala e apenas iremos identificá-los pela função que exerceram no processo. O mesmo processo utilizaremos em relação aos catadores, colocaremos suas falas e os identificaremos pela letra inicial dos seus nomes, ocasionalmente, o nome de algum poderá vir tona, a depender da relevância do assunto tratado.
No segundo item aprofundamos o nosso estudo com base nas dimensões analíticas: associativismo, trabalho, exclusão social e cidadania, e nos depoimentos apreendidos na pesquisa de campo junto às associações e junto aos atores institucionais, verificando efetivamente a consolidação dessas associações enquanto empreendimentos econômicos solidários, constatando quais foram seus avanços nesta perspectiva, bem como verificando a inserção social e econômica desses catadores e o processo de conquista de sua cidadania.
4.1 Constituição e Perfil das Associações de Catadores na sua Cotidianidade: as