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Dentre os materiais de construção, o concreto é o mais utilizado pelo homem, principalmente em conjunto com o aço, formando o concreto armado. Este material é conhecido e bem empregado, tanto por projetistas, construtores e operários da construção civil. No entanto, cada vez mais tem se exigido dessa importante opção para as estruturas. Os constantes aprimoramentos do cálculo estrutural, principalmente aqueles auxiliados por programas computacionais, aliados ao maior conhecimento do comportamento mecânico do aço e do concreto, permitem que engenheiros calculistas projetem estruturas cada vez mais arrojadas e complexas. Nessas aplicações, muitas vezes, o Concreto Convencional (CC) não atende aos requisitos de projeto, havendo atualmente alternativas que apresentam uma relação técnica e econômica mais favorável.

Diante desta situação e com o avanço de novas metodologias de dosagem de componentes, domínio dos aditivos e adições, e a progressiva associação de minerais ultrafinos (pós-reativos), e fibras metálicas e/ou poliméricas, alcançou-se uma geração de concretos com comportamentos mecânicos diferenciados, com resistência mecânica e durabilidade elevadas,

adquirindo propriedades superiores aos CC.

Fundamentado nestes conceitos, surgiu o Concreto Autoadensável com Baixo Consumo de Cimento (CAABCC), oriundo da combinação de materiais comuns, somados ao emprego de aditivos e adições, possibilitando sua aplicação em peças esbeltas com formas complexas, curvaturas e estruturas altamente personalizadas, ou seja, aplicações que são difíceis de se alcançar com elementos de concreto armado tradicional (BARBOZA, 2016). Além disso, é possível aumentar a velocidade de execução das edificações; por ser autoadensável, torna desnecessário o uso de equipamento de vibração, podendo também reduzir a carga permanente da estrutura nas fundações por apresentar resistência elevada, reduzindo, assim, as seções dos elementos estruturais; e, quando otimizado, reduz a utilização de sistemas de fôrmas e, aumenta a durabilidade da peça.

Por possuir uma microestrutura muito compacta após a cura, mediante à presença de minerais ultrafinos, torna-se pouco poroso e pouco permeável à umidade, aos gases e substâncias agressivas do meio ambiente (ALMEIDA FILHO, 2006).

No entanto, o CAABCC pode oferecer vantagens únicas e os níveis de desempenho mais elevados que justificam o aumento do "custo inicial". Tais fatores incluem maior resistência à compressão (quando comparado ao concreto convencional)2, resistência ao impacto, estabilidade dimensional, maior durabilidade, aumento de vida útil, baixa permeabilidade, resistência à corrosão, resistência à abrasão e resistência ao meio ambiente agressivo (BARBOZA, 2016).

Silva (2000) afirma que, apesar de todos os benefícios, passar de uma resistência usual (cotidiano nos edifícios) de 16 MPa em 1940 para 25 MPa em 1990 e, além disso, atingir pelo menos 45 MPa no ano 2000 não era tarefa fácil no Brasil. Para isso há necessidade de vários fatores contribuírem para que seja possível a produção dessa nova tecnologia, tais como: viabilidade econômica de estruturas mais esbeltas, solicitações mais elevadas, treinamento e especialização de mão-de-obra, uniformidade no controle e garantia de qualidade dos materiais e componentes, equipamentos de mistura, transporte e adensamento mais eficientes, refinamento dos métodos de introdução da segurança no projeto estrutural e nos correspondentes modelos de comportamento dos materiais atualmente adotados etc.

Outro aspecto importante é a falta de conhecimento e informações sobre o CAABCC. Essa ausência de informação fica evidenciada quando se verifica um grande relacionamento do CAABCC apenas com a alta capacidade de fluir entre obstáculos e seu baixo consumo de

2 Alta resistência: apenas se dosado para esse objetivo; caso contrário, pode ser obtida resistência convencional (moderada).

cimento, não levando em conta todos os outros parâmetros e atributos, principalmente os de durabilidade que, associados com as propriedades mecânicas, caracterizam o CAABCC como um todo (PEREIRA, 2010).

Diversos são, enfim, os benefícios proporcionados pela utilização do CAABCC. Pode- se considerar que o CAABCC é referenciado como uma evolução tecnológica dos concretos tradicionais, oriundo da pesquisa aplicada e resultado do emprego de misturas e de matérias- primas básicas dos concretos (PEREIRA, 2010).

Comumente a obtenção de um concreto de alta resistência e durável, é associada a um alto consumo de cimento Portland, no qual, este procedimento pode gerar alguns inconvenientes no desempenho de uma estrutura, como uma maior tendência de desenvolver fissuras decorrentes da retração térmica e química (REBMANN, 2011).

De acordo com Mehta e Monteiro (2014), entre os materiais que compõem o concreto, o cimento Portland é o que demanda maior custo e consumo energético para ser produzido, podendo emitir em torno de 1 t de CO2 para cada 1 t de clínquer produzido, o que representa cerca de 90% da emissão de CO2 da indústria do concreto.

Com um consumo crescente ao longo dos anos, tem sido considerado como um dos principais contribuintes na emissão de CO2 na atmosfera (REBMANN, 2011).

O desafio hoje na construção civil é tornar o CAABCC uma opção viável para obras do cotidiano, fazendo com que o desenvolvimento em laboratório atravesse a barreira do mercado, tornando-se, assim, uma opção para as construções. Em resumo, o CAABCC tem um forte potencial para revitalizar a infraestrutura das nossas edificações, e das novas infraestruturas, tornando-as resistente e de longa duração.

A tecnologia dos concretos estruturais, apoiada em princípios científicos, tem dado sua contribuição para este desafio. O desenvolvimento de concretos de alta resistência, com o uso intensivo de superplastificantes, uso de adições de minerais provenientes de resíduos industriais e o empacotamento de partículas, permitindo a redução do consumo de aglomerantes, sem prejuízo na durabilidade, são alguns exemplos desta evolução. Vale mencionar que os recursos tecnológicos já existem, cabendo apenas à indústria da construção a sua popularização e aplicação (REBMANN, 2011).

É importante ressaltar que para o bom uso desta tecnologia é necessário o conhecimento da interação dos materiais constituintes do concreto.

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