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4. NESNELERİN İNTERNETİ VE BULUT BİLİŞİM

4.5 Endüstriyel Nesnelerin İnterneti ve Bulut Bilişim

4.5.5 OPC Standartı

Uma questão muito interessante aconteceu com o segundo grupo do Colégio Beatíssima: embora todos tenham dito que gostam de ir ao museu durante o jogo de perguntas, na hora da roda de conversas, o grupo se dividiu. Uma das meninas, em uma das perguntas extras, havia descrito o museu como grande e chato. Eu pedi que explicasse melhor porque o museu é chato e ela respondeu:

“E eu acho chato porque a gente só fica andando e vendo coisas, assim, a gente não pode falar alto e conversar, nem tocar nas coisas para ver como é que é. Entendeu?” (B34)

Ao tentar continuar questionando o grupo sobre o assunto uma parcela das crianças começou uma verdadeira manifestação coletiva em que as crianças gritavam em coro: “Museu é chato! Museu é chato! Museu é chato!”

Isso não tinha acontecido em nenhum outro grupo, e não aconteceu novamente em nenhum outro. Procurei, inclusive, reforçar a pergunta para que não houvesse dúvidas, mas foi um fato isolado com essa turma, dentro dessa escola, apenas.

A partir daí, pedi que levantassem a mão as crianças que achavam o museu chato. 8 crianças, entre as 18 presentes, levantaram a mão, quase metade do grupo. Pedi a elas depoimentos de por que o museu é chato. A seguir algumas respostas:

B19 – Porque não pode falar, não pode fazer nada!

B33 – O museu é brega, feio, e não tem nada pra fazer e não pode

conversar!

B36 – O museu é muito chato! Sabe por quê? Porque ele é muito chato

(risada) não tem nada pra fazer. Ele é chato, brega e feio e não tem nada pra fazer.

B24 – Não há nada pra fazer.

Diferente da resposta da primeira menina, nota-se certo teor emocional em algumas das respostas desse grupo, talvez fruto de uma intenção de enfatizar o valor negativo da resposta a qualquer custo, já que as mesmas crianças que disseram que “o museu é chato, brega e feio” responderam depois que ele é bonito. Além disso, a palavra brega fica um pouco fora de contexto nessa pergunta, como se fosse apenas uma forma de agressão.

Quando perguntei por que, se elas achavam o museu chato, gostavam de visitá-los, alguns dos reais motivos que levam a criança a classificar o museu como “chato” ou “legal” apareceram. Abaixo algumas das respostas que ilustram essa relação, assim como a indecisão das crianças quanto ao uso do termo “feio”.

B36 – Eu falei que ele era legal porque ele era bonito, mas ele é chato,

brega e chato!

B33 – Ele é bonito, mas é muito quieto, e não tem muita coisa pra fazer.

Percebemos finalmente que, para estas crianças, o museu é chato principalmente porque não se sentem a vontade dentro dele, o vêem como um lugar no qual não podem falar, não podem fazer nada. Até que ponto, então, os museus estão aproximando ou afastando seu público infantil? Será o museu o (único) responsável por esse afastamento? Que parcela de responsabilidade têm a escola, o professor e a família? Quais são as

orientações que essas crianças recebem antes de visitar um museu? E recebem de quem? E dentro do museu? Que orientações recebem, antes de mais nada?

Já tive contato com professores e educadores de grupos que prepararam seus alunos para visitar uma exposição dizendo “Vocês não me abram a boca, hein?”, “Prestem atenção em tudo e não mexam em nada!” Um simples “Se comportem!” se não for bem explicado, e dependendo da bagagem anterior do grupo, pode ser silenciador, comprometendo uma fruição mais completa e uma relação mais prazerosa com o museu.

Essa fala das crianças nos remete também à enorme quantidade de proibições que encontramos ao chegar a muitas exposições: Não fume, não coma, não fotografe, não entre com animais... E quantas vezes não chegamos a ponto do “Não fale!”? Pesquisando os sites dos museus mais citados pelas crianças durante a pesquisa, encontrei por acaso a figura abaixo nas normas de visitação do Museu Paulista. Um cartaz como este também se encontra na porta e no interior desse museu que, como veremos, foi o mais citado pelas crianças. Olhando para ele podemos compreender bem do que estas crianças se queixam:

Figura 14

A questão principal não é o conteúdo das normas que, sabemos, servem para manter as coleções seguras e criar as condições necessárias para as visitas. O que coloco em destaque ao mencionar a figura e as falas das crianças é a forma como as normas são apresentadas pelos professores, profissionais de museus e sua comunicação visual. Quantos “não pode” temos de ouvir antes do “pode”? É claro que existem formas de manter a ordem e segurança no museu de uma maneira positiva, de forma que as restrições não ofusquem as possibilidades.

Depois, ao pedir que os alunos que achavam o museu legal deixassem seus depoimentos, o primeiro grupo não se conteve e continuou o coro com o “Museu é chato!”. Tivemos de acalmar as crianças e explicar que, da mesma forma como elas puderam dar sua opinião, os outros também tinham esse direito. Depois disso conseguimos os seguintes depoimentos sobre por que o museu é legal:

B22 – Museu é legal porque ele mostra coisas interessantes e que a gente

nunca tinha visto

B32 – Museu é legal porque a gente pode aprender as coisas e tem muitos

objetos legais que a gente nunca viu

B26 – Eu acho legal porque a gente aprende um monte de coisas

B25 – O museu é legal porque mostra várias coisas antigas que

aconteceram no passado

Foi a partir dessas falas dos colegas que uma das primeiras crianças ponderou que “às vezes o museu é legal” e eu comecei a perguntar-lhes novamente por que gostavam de ir ao museu, se era chato. Outra resposta contraditória, mas muito significativa, foi: “O museu é interessante, mas é chato” que se repetiu com outra criança que acrescentou que o museu também é bonito. Várias dessas crianças que diziam que o museu era chato na roda de conversa o haviam descrito como legal, ou interessante, ou um lugar onde se pode divertir-se, etc. Isso também demonstra a influência dos colegas que as lembraram de algo (positivo ou negativo) que elas não haviam lembrado sozinhas ou sobre o qual não haviam pensado, mas que concordaram durante a troca.

O que é realmente relevante nisso tudo é que, a partir das colocações dessas 8 crianças, podemos perceber que, para elas, ser chato significa não ter nada para fazer, não poder falar, não poder fazer nada. Essas crianças se sentem cerceadas dentro do museu, e é isso que o torna chato. Ainda assim admitem que é um lugar bonito, cheio de coisas interessantes e no qual podem aprender.

Ainda sobre esse assunto, quando perguntei a uma dessas 8 crianças se era igual visitar com a família ou a escola, ela respondeu:

P – E é chato dos dois jeitos, com a família e com a escola?

B35 – Acho que com a escola é pior porque a gente está com os amigos e

não pode conversar.

As crianças são seres sociais, nessa faixa etária suas relações com o outro já estão bem desenvolvidas. Assim, sentem necessidade de trocar impressões com o outro, interagir. Além da família, o grupo social mais forte na vida de uma criança de nove anos é a escola, onde elas passam grande parte do tempo e podem encontrar os seus iguais. É natural, portanto, que nesse meio queiram conversar. Eliminar qualquer tipo de interação entre as crianças é isolá-las, e não contribui para seu aprendizado, cidadania e sociabilidade.

Benzer Belgeler