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6. BULGULAR

6.7. Fay Kinematik Analizleri

6.7.17. Onyedi numaralı İstasyona Ait Kinematik Analiz Sonuçları

A decomposição do Índice de Gini proposta por Dagum (1997) se diferencia das demais analisadas por conter três dimensões, além da desigualdade dentro dos grupos e entre grupos, a transvariação. Esta dimensão permite que sejam captados os efeitos de sobreposição que a desigualdade dentro dos grupos pode causar na desigualdade entre grupos (Lambert e Aronson, 1993). Mishra e Parikh (1992) chamam atenção para o fato de que a soma das dimensões de transvariação e entre grupos são a desigualdade entre grupos dos índices derivados da entropia, o que permite uma análise mais completa da decomposição de grupos.

Os resultados desta decomposição apontam uma média de 19% de participação da desigualdade dentro dos grupos, 53% de participação da desigualdade entre grupos e 28% de participação da transvariação, para o agregado das regiões e anos em estudo. Em relação às regiões, Belo Horizonte, Recife, Salvador e São Paulo obtiveram resultados semelhantes de queda nas desigualdades dentro e entre grupos, e elevação da transvariação, no período analisado. Já Distrito Federal e Porto Alegre obtiveram, também, resultados semelhantes, porém com queda na desigualdade dentro dos grupos e aumento da desigualdade entre grupos e da transvariação, como mostra a Figura 912.

Figura 9 – Porcentagem da Participação das Dimensões da Decomposição do Índice de Gini Fonte: PED, 2008. Elaboração Própria.

Todas as regiões apresentaram redução da desigualdade dentro dos grupos, assim como uma elevação da transvariação, o que permite inferir que a desigualdade de renda entre os indivíduos com o mesmo nível de escolaridade tem sua participação reduzida para explicar a desigualdade de renda da amostra ao longo dos anos estudados. Também é possível afirmar que, com a elevação da participação da transvariação para explicar a desigualdade destas regiões, outros fatores além da escolaridade estão tendo maior participação para explicar a desigualdade neste período.

O Índice de Gini não possui apenas um valor para a desigualdade entre grupos, mas sim, a possibilidade de comparar individualmente cada grupo com os demais. Os resultados entre grupos do Índice de Gini apontam os grupos de ensino Superior Completo, Fundamental

Incompleto e Médio Completo como os grupos formadores desta desigualdade. No geral, a desigualdade entre grupos é maior entre os grupos Fundamental Incompleto e Superior Completo, que como mostra as matrizes dos Apêndices XIX a XXIV, são as mais elevadas entre estes valores, seguido pela desigualdade entre Fundamental Incompleto e Médio Completo, que também se mostrou mais elevada em comparação com outros grupos. Estes resultados mostram que a decomposição do Índice de Gini capta tanto os resultados apontados pelo Índice de Bourguignon, com o Fundamental Incompleto como maior fonte de desigualdade entre grupos, como os resultados dos Índices de Theil e H-H, que apontaram o Superior Completo como maior fonte desta desigualdade. Isto acontece pela análise mais completa permitida pelas matrizes assim como pela propriedade do Índice de Gini de não enfatizar nenhuma ponta da distribuição de renda.

Além das desigualdades entre e dentro dos grupos, o índice de Gini possui uma terceira dimensão, a transvariação. Esta dimensão capta a sobreposição entre grupos e de ranqueamento que pode acontecer na distribuição. Além disto, esta dimensão provém da desigualdade entre grupos, que apenas o Índice de Gini, dentre os índices analisados, consegue captar.

Como mostra as matrizes dos Apêndices XXV a XXX, a transvariação pode ocorrer tanto dentro dos grupos como entre os grupos. Isto acontece, pois a análise de sobreposição pressupõe que as rendas estejam ranqueadas de forma ascendente, podendo assim, observar quais rendas estão fora dos grupos, ou fora de ordenamento. Em todas as regiões metropolitanas e em todos os anos, a principal fonte de transvariação é o Fundamental Incompleto. Isso implica dizer que dentro do grupo de pessoas com Ensino Fundamental Incompleto, há muita sobreposição e rendas fora de ordenamento. Além do Fundamental Incompleto, o Médio Completo se mostrou um grupo com uma elevada sobreposição, tanto dentro do próprio grupo como entre ele e os grupos Fundamental Incompleto, Fundamental Completo e Médio Incompleto. Este resultado mostra que indivíduos com o Ensino Médio Completo têm maior volatilidade de renda, podendo estar com o mesmo nível de renda de indivíduos com Ensino Fundamental Incompleto até com a mesma renda que indivíduos com Ensino Superior Completo. Outro resultado comum entre as regiões ao longo dos anos foi a transvariação dentro do grupo Superior Completo, de indivíduos com este nível de escolaridade, indicando que dentro deste grupo há maior sobreposição das rendas. Além destes resultados comuns entre as regiões, Porto Alegre e São Paulo apresentaram o grupo Fundamental Completo, como fonte de transvariação.

Tabela 5 – Variações das Porcentagens das Dimensões do Índice de Gini entre 1998 e 2008

Região Dimensão Gini

Belo Horizonte dentro -5,38% entre -0,25% transvariação 5,62% Distrito Federal dentro -2,54% entre 2,21% transvariação 0,33% Porto Alegre dentro -3,37% entre 0,29% transvariação 3,08% Recife dentro -0,83% entre -4,70% transvariação 5,54% Salvador dentro -1,58% entre -2,17% transvariação 3,75% São Paulo dentro -2,21% entre -1,95% transvariação 4,15% Fonte: PED 2008. Elaboração Própria.

A Tabela 5 sintetiza a variação das proporções das dimensões da decomposição do índice de Gini. Este resultado mostra que ao longo dos anos estudados a desigualdade dentro dos grupos de escolaridade tem diminuído. O que expõe o fato do nível de escolaridade ser cada vez mais decisivo na definição da renda. Por outro lado, a Tabela 5 também mostra que outros fatores estão contribuindo de forma crescente para explicar a renda dos indivíduos, visto que a transvariação tem aumentado sua participação na explicação da desigualdade de renda. O que se pode concluir é que o índice de Gini apontou uma queda geral da desigualdade de renda para as regiões estudadas. Analisando a composição desta desigualdade percebe-se que indivíduos com o mesmo grau de instrução têm sua desigualdade de renda cada vez menor. Neste mesmo sentido, através da transvariação nota-se que ao passo que diminui a desigualdade dentro dos grupos de mesma escolaridade, cresce o termo residual, responsável por refletir a desigualdade que não é causada pelas diferenças de escolaridade.

Benzer Belgeler