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53onun düşüncesinde, “güce dayalı, salt bir istila” olarak değil, “üm-

0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000 6.000 7.000 8.000 1711 1719 1729 1735 1745 1753 1761 1768 1794 1812 1822 1834 Anos N ú m e ro d e H a b it a n te s

Gráfico 01: Habitantes de São Miguel das Missões (1711-1734)

Os 271 habitantes apontados em junho de 1827 eram discriminados da seguinte maneira pelo Cel. Manuel da Silva Pereira Lago: homens úteis, 16; menores, 28; inválidos, 39; mulheres úteis, 58; menores, 38; e inválidas 92. No mesmo relato, os edifícios mencionados são 01 capela, 03 colégios, 08 quadras, 01 curral, 01 casa de roça, 01 casa de tear, 01 hospital, 01 quintal, 02 pomares e 01 cemitério. Em seu relato, Pereira Lago lamenta o estado a que chegou a redução (HANSEL, 1988, p. 38). Já não

havia mais o quê relatar sobre a igreja. Ela estava destruída.

Com apoio de alguns brasileiros (que ganhariam parte do assalto), o financiamento de políticos uruguaios (sócios nesta incursão armada) e, prometendo aos índios uma vida melhor do outro lado do Rio Uruguai, o general uruguaio Frutuoso Rivera invade e saqueia a região missioneira no Rio Grande do Sul, em 21 de abril de 1828. Foram mais de 60 carretas de peças valiosas, segundo o Cônego Gay, um dos historiadores da região29. Afora as manufaturas, os alimentos e o gado. Tudo que tivesse

29 Há quem discorde desta versão e aponte Rivera como um amigo dos índios Guarani, solicitado por eles

para intervir na situação caótica que vivenciavam. Esta é uma questão a ser aprofundada em uma futura pesquisa nas fontes uruguaias sobre as Reduções. Interessante notar como os movimentos de afirmação

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valor e pudesse ser carregado foi levado para o outro lado do rio. Rivera promove um saque avassalador, durando até o mês de dezembro. Despovoou-se de vez a região dos Sete Povos. Era mais um capítulo melancólico na história do índio missioneiro. Aqueles que seguiram Rivera, não viram suas promessas cumpridas. Três anos depois de sua instalação no Uruguai, os índios foram perseguidos. Morreram inúmeros na região de Salsípuedes. E os 300 que sobraram foram distribuídos como escravos na região.

Imagem 15: Desenho do viajante francês Demersay

“Já não havia mais o quê relatar sobre a igreja. Ela estava destruída”, p. 50.

dos Estados Nacionais se apoderaram da história das Reduções e realizaram uma tábula rasa do passado, criando heróis e até mesmo enfatizando fatos fictícios na busca da ratificação do nacionalismo nascente.

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5. A C

IDADE DE

S

ÃO

M

IGUEL

A câmara da cidade de Cruz Alta anexou os povoados de São João, São Miguel e São Lourenço em 1850, e usou materiais das Reduções na construção de sua matriz. Também utilizou alguns altares e imagens missioneiras que sobraram do saque. Pouquíssimos habitantes ainda insistiam em viver nestas ruínas em meados do século XIX. O quadro era desolador, a igreja se tornou local de moradia de morcegos e de três ou quatro famílias Guarani paupérrimas que ali habitavam. As edificações estavam em péssimas condições de conservação, com colunas tortas que ameaçavam desabar a qualquer instante. Havia mato por todos os lados, dentro e fora da igreja.

Os viajantes deixaram registradas notícias que mostram como as vigorosas Reduções Jesuíticas dos Guarani, situadas em solo rio-grandense, se transformaram nas atuais ruínas. Em 1855, o viajante francês Martin de Moussy não registrou a presença de ninguém nas ruínas de São Miguel. Hemetério J. V. Silveira, pernambucano, esteve em São Miguel em 1858 e, como os demais viajantes, descreveu com lamento a situação de abandono do povoado que contabilizava 111 pessoas. Segundo Silveira, a igreja ainda parecia a mesma da época do desenho de Demersay, feito em 1849.

Iludidos pela esperança de uma fortuna fácil, inúmeras pessoas cavaram buracos dentro e fora do núcleo urbano de São Miguel, em busca de riquezas em ouro que nunca existiram. Sobre estas escavações clandestinas, Ave-Lallemant descreveu uma cena que viu na cidade, em uma sexta-feira santa, 02 de abril de 1858:

A princípio, nenhum vestígio humano se via. Mas pouco depois descobri duas figuras estranhas: uma índia velha, que habitava um resto das ruínas e um português velho, de cabelos grisalhos, mas bem educado, que desde algumas semanas se encontrava entre as ruínas para desenterrar os “tesouros ocultos dos jesuítas”. Já fizeram grandes escavações, soergueram pedras, rolaram colunas, sempre na expectativa febril de tesouros, sempre em amargas desilusões. Assim cava e cava o velho, que com a nossa chegada ficou visivelmente com medo de que também quiséssemos cavar tesouros, e nada mais cava do que a própria sepultura. Talvez acabe rolando para uma

53 catacumba oculta, para lá morrer de fome, mas sempre na convicção de que

acharia o ouro dos jesuítas, se não se precipitaria na catacumba – horrível imagem da cobiça humana numa sexta-feira da Semana Santa! (AVE- LALLEMANT, 1980, p. 239).

O cônego Jean Pierre Gay, pároco de São Borja, entre 1850 e 1875, registrou que, se excluíssem “... o frontispício do templo e alguns pedaços de paredes, nada mais sobra atualmente do dito povo” e que “a torre, bem que inclinada, ela se acha ainda em pé” (1863, pp. 495-6). Além da ação humana, outro fator atuante na destruição das ruínas missioneiras foi a vegetação. Ave-Lallemant (1980, pp. 236-7) comparou as ruínas da igreja de São Miguel com um jardim:

(...) no chão da casa de Deus viçava um pequeno bosque, através do qual havia veredas de arco a arco, de pilar a pilar. A torre estava rachada e as colunas e pilastras angulares estão cobertas de fetos [sic], no solo, ao passo que sobre as cornijas, nas fendas das pedras e nas volutas crescem viçosamente, cactos gigantescos, uma floresta de criptógamos e até árvores.

Em 1863, quando a antiga redução de Santo Ângelo foi elevada à categoria de vila e se separou da jurisdição da cidade de Cruz Alta, São Miguel passou a fazer parte daquele território como 3º distrito. Foi no ano de 1926 que se iniciou a promoção do crescimento do distrito, com a delimitação do perímetro urbano, a legalização e a venda de terrenos e chácaras. A área foi dividida em 58 quadras com 10.000 m2, em média, e 96 chácaras com 17.000 m2. Visionários, os organizadores do loteamento preservaram a área em torno da redução (3,7% de área no perímetro urbano). Há que se comemorar o fato de este loteamento ter fracassado quase que em sua totalidade. Em caso de sucesso, hoje existiriam menos vestígios para testemunhar a história da Redução de São Miguel.

Os poucos habitantes do loteamento e alguns moradores dos municípios e distritos vizinhos buscavam pedras nas ruínas para alicerçar novas construções. Fato que ocorreu também em Trinidad, São Inácio Mini e entre tantas outras Reduções. A história destas ruínas parece ser muito mais semelhante do que imaginamos. A venda das pedras das Reduções localizadas no Rio Grande do Sul foi uma prática comum e

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oficial. Está registrada até nas Leis Orçamentárias do Município de Santo Ângelo, no artigo 19, DIVERSOS, § 12. Entre 1921 e 1932, os prefeitos da cidade de Santo Ângelo vendiam as pedras retiradas das ruínas das Reduções de São João Batista e São Miguel.

De fato, não é surpresa para ninguém em Santo Ângelo, como nos demais remanescentes dos Sete Povos, que ao demolir prédios antigos se encontrem os alicerces de pura pedra grés, algumas trabalhadas. Ou então, são comuns fustes, bases, capitéis e cimalhas, encontradas ainda nos pátios das casas. Mais ainda, conheci recentemente uma casa, de grandes dimensões, toda de pedra grés, algumas com lavores. Situa-se no interior do município. Lá encontrei no pátio um belíssimo capitel ornado com flores e folhas trabalhadas na própria pedra. O capitel possuía um pequeno orifício onde serviam água para as galinhas. Quis trazê-la comigo, mas a esposa do proprietário não permitiu. Como esta casa, outras há que detêm relíquias da arquitetura do Povo de São Miguel ou de São João (SIMON, 1993, p. 54).

Em 1944, ocorreu a elevação de São Miguel da categoria de Freguesia para Vila. Seu nome passou a ser Vila de São Miguel das Missões. Este foi um passo decisivo rumo à emancipação política. Tal emancipação parecia evidente quando foram realizadas as Diretrizes para o desenvolvimento físico de São Miguel das Missões, em 1979.

Elaboradas em 1979, as Diretrizes visavam fornecer as instruções básicas para o desenvolvimento físico da então Vila de São Miguel das Missões, o trabalho foi realizado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, através de diversos órgãos. Trata-se de um planejamento estratégico que já previa o desenvolvimento urbano provocado por incentivos na área de Turismo. E o objetivo era: preservar o patrimônio

cultural das ruínas de São Miguel e das áreas adjacentes dentro de uma perspectiva

histórica e com condições de perenidade, promovendo sua integração junto à

população local, a fim de possibilitar seu melhor desenvolvimento (GOVERNO DO

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, 1979, p. 69).

Através da lei 80.584, no dia 29 de abril de 1988 foi criado o município de São Miguel das Missões, com uma área total de 1.391 km2. Ali se localiza o Patrimônio Cultural da Humanidade de nº 63, tombado pela UNESCO: as ruínas da Redução Jesuítica dos Guarani de São Miguel Arcanjo. O IPHAN é o órgão responsável pela

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administração do principal museu de arte missioneira – o Museu das Missões – e da consolidação, preservação e valorização das ruínas da igreja do Ir. Primoli e dos resquícios do antigo povoado de São Miguel Arcanjo. Além de todos os outros patrimônios observados por este escritório regional, tais como as ruínas de São Lourenço, São Nicolau e São João Batista, por exemplo.

Imagem 16: Vista aérea da cidade de São Miguel das Missões

“Através da lei 80.584, no dia 29 de abril de 1988 foi criado o município de São Miguel das Missões, com uma área total de 1.391 km2. Ali se localiza o Patrimônio Cultural da Humanidade de nº 63, tombado pela UNESCO: as ruínas da Redução Jesuítica dos Guarani de São Miguel Arcanjo”, p. 504.

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6. T

URISMO NA

R

EGIÃO

M

ISSIONEIRA

Como os visitantes chegam a este sítio histórico-arqueológico? Quais os motivos? Seria devido à propaganda turística? Por razões místicas? Devido ao passado indígena? Devido à história dos jesuítas? Por causa do espírito gauchesco? Enfim, quais são os envolvimentos que os movem para realizar esta visitação? Será que os turistas percebem que se trata de um Patrimônio da Humanidade? Sabem o que isto significa?

Dois trabalhos de pós-graduação realizados sobre o turismo na região missioneira serão de grande valia para estruturar este subcapítulo. Um trabalho de dissertação foi realizado em 2000, no curso de Administração da PUC/RS, por Nery Alberto Dominguez Franco. O autor abordou especificamente o turista e o seu trabalho se chama Potencialização das Ruínas Jesuíticas da Região das Missões. O outro trabalho aborda planejamento turístico e é da professora de Turismo da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - URI, Carmen Regina Dorneles

Nogueira. Defendida no departamento de Geografia da USP, sua tese é de 1999 e se chama Turismo no Mercosul: o Circuito Internacional das Missões.

Na medida em que as informações contidas nestes dois trabalhos forem possíveis neste estudo, será realizada a comparação. Embora abordem de maneiras distintas a mesma região e o mesmo assunto, tanto quanto este trabalho, notório se faz dizer que se tratam de visões privilegiadas. Os dois autores são da região missioneira e podem oferecer um olhar “de dentro”, próximo ao objeto de pesquisa. Ao passo que o olhar desta pesquisa seria o olhar “de fora” – o olhar distante, mas não menos interessado.

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Para estruturar o olhar “de fora”, a pesquisa de campo realizada nesta investigação (questionários e entrevistas), ocorreu em um momento de grande visitação às ruínas de São Miguel das Missões. Período de férias escolares e de parte dos trabalhadores, tanto no Brasil, quanto no Paraguai, Argentina e Uruguai – países missioneiros, onde as ruínas do que outrora foram as Reduções Jesuíticas dos Guarani são o seu elo cultural único – (época do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, onde o slogan de “um outro mundo é possível” também pode ser aproveitado como eixo de explicação para o que ocorreu nessa região).

Turistas de vários países visitam estas ruínas. Não era o objetivo deste trabalho e dos outros dois anteriormente citados fazerem a mensuração da visitação. Porém, um Trabalho de Conclusão de Curso de Geografia da URI, em Santo Ângelo, de Maria

Elisabeth Reis Farias possui dados interessantes. No seu trabalho sobre a Origem do

turista/visitante do município de Santo Ângelo no período de 1999 a 2003, a autora

pesquisou a lista de visitantes encontrada na portaria de um dos atrativos turísticos, objeto de sua pesquisa: o Museu Municipal Dr. José Olavo Machado.

Foram 2611 visitantes estrangeiros do Museu Municipal de Santo Ângelo, cidade que oferece melhor infra-estrutura para os turistas que desejam pernoitar na região missioneira. A autora teve acesso a dados instigantes, porém não soube utilizá- los. Concluiu sem nenhuma dúvida que estes turistas, assim como os turistas nacionais (que oferecem uma média de 45 mil visitantes/ano) foram até ali exclusivamente para visitar os pontos turísticos de Santo Ângelo. A questão que se propõe é quantos destes visitantes foram para Santo Ângelo por causa destes atrativos? Eles são tão envolventes ao ponto de merecer 45 mil visitantes/ano? Eles não estariam a caminho de São Miguel e aproveitariam para ver o que a cidade podia oferecer para a prática do Turismo

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Cultural? A última hipótese parece uma proposta mais plausível do que a apontada pela autora em suas conclusões.

Turistas Internacionais 417 604 604 506 424 0 100 200 300 400 500 600 700 1999 2000 2001 2002 2003 Ano N ú m e ro d e T u ri s ta s

Gráfico 02: Turistas Internacionais que visitaram o Museu Municipal Dr. José Olavo Machado

Ainda mais quando um dos principais atrativos da cidade é uma construção imaginada do que teria sido a igreja original de São Miguel. Conforme os estudos de Lucas Mayerhoffer, a igreja deveria ter duas torres e uma cúpula. Estava equivocado e a descoberta do desenho de Cabrer demonstrou tal fato. Ocorre que a igreja de Santo Ângelo foi realizada como uma réplica da igreja em ruínas de São Miguel. Nada mais falso. Porém, isto continua a ser ensinado nas escolas da região e tem se propagado nos jornais. É visível que as duas igrejas sejam semelhantes, mas não são idênticas. O mundo real parece sempre perder para a capacidade do imaginário.

Não se sabe como, mas o Escritório Regional do IPHAN, situado em São Miguel,

informa que o maior número de visitantes já registrado foi de 80 mil pessoas, em 1987. Época da comemoração dos 300 anos de fundação das reduções em território rio- grandense, quando diversas atividades realizadas proporcionaram uma efetiva divulgação do patrimônio cultural missioneiro. Desde julho de 1994 existe a

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mensuração de visitantes na guarita de São Miguel e os números registrados nos últimos 10 anos são os seguintes:

VISITAÇÃO – 1994 – 2004

Anos Total de visitantes Total R$

1995 42.289 1996 34.402 1997 53.597 26.123,00 1998 50.906 35.089,00 1999 55.534 49.450,00 2000 57.672 50.371,50 2001 40.724 59.683,50 2002 47.618 62.759,00 2003 48.574 72.545,00 2004 41.251 87.822,50 Total 472.567

Tabela 02: Número de visitantes nas ruínas de São Miguel (1994-2004)

Benzer Belgeler