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DİL ONTOLOJİSİ VE SANAT ONTOLOJİSİ

ROMAN - MODERNİZM VE VARLIK ŞARTLARI 1.1.ROMAN VE MODERNİZMİN SOSYOLOJİSİ

2.2. DİL ONTOLOJİSİ VE SANAT ONTOLOJİSİ

As expressões, no âmbito educacional, dizem respeito às expressões artísticas (expressão dramática, expressão plástica e expressão musical) e expressão físico-motora. No âmago das suas designações, depreende-se o envolvimento ativo e expressivo das crianças perante as situações de aprendizagem. Desta forma, importa esclarecer o conceito de expressão e de arte, e as suas implicações no desenvolvimento global das crianças, como contributos para a educação. A LBSE refere-se a uma educação pluridimensional, com vista ao desenvolvimento íntegro das crianças, como se denota no artigo 2º: “O sistema educativo responde às necessidades resultantes da realidade social, contribuindo para o desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos indivíduos, incentivando a formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários”. Este objetivo, segundo Sousa (2003), abarca as competências globais que as crianças deverão adquirir ao longo do 1.ºCEB e que são potencializadas pelas expressões. Claro que estas competências são integradas quando o sistema educativo é realizado em harmonia entre os conhecimentos e afetos, para um desenvolvimento global.

Os conceitos de arte e expressão, subjacentes a esta temática, são facilmente descritos como forma de expressão que permite a compreensão da diversidade cultural e primazia pela estética, e a satisfação de competências comunicacionais, respetivamente (Eurydice, 2010).

Pressupõe-se que a interdisciplinaridade é um ponto base para o desenvolvimento artístico e Sousa (2003) acresce que a educação artística não pode ser abordada unicamente a nível do conhecimento, já que as crianças, a partir das expressões artísticas, aprendem de forma holística, no momento em que passam a valorizar a cultura e a ter noções estéticas sobre o mundo em seu redor. Estas atitudes, que resultam de uma educação artística, compreendem valores sociais e morais para uma integração plena e, portanto, saudável, do indivíduo na sociedade:

A Educação pela Arte é uma educação do sensível, tendo em vista a estimulação e enriquecimento do racional, numa interação benéfica entre o pensar, o sentir e o agir, dirigindo-se com especial interesse para os problemas que afetam a criança e o adolescente. (Sousa, 2003, p.82).

Para além das competências técnicas caraterísticas de cada expressão, importa ressaltar todas as outras competências de interação que, a partir de uma educação flexível e que respeita os momentos de jogo, brincadeira e descoberta, são consagradas.

Evidencie-se que, nas OCEPE, a Expressão e Comunicação é a área de desenvolvimento que contempla os domínios das expressões motora, dramática, plástica e musical, que, apesar de específicos, devem ser vistos de forma interligada. Com este destaque, depreende-se que expressar-se significa comunicar – com o outro e com o mundo que rodeia a criança – através de várias formas de linguagem, como nos referem as OCEPE. Assim, as várias formas de linguagem traduzem-se pela progressiva consciencialização de si e manipulação de diversos objetos que estruturam a relação da criança com o meio. Neste sentido, a arte surge como a habilidade de se manifestar e transmitir, ao outro, o que conhece, ou interpreta, relativamente ao mundo, de forma criativa.

Relativamente à OCPEB1C, as expressões artísticas e físico-motora surgem integradas nas áreas curriculares disciplinares de frequência obrigatória, a par da matemática, português e estudo do meio. Este aspeto denota a relevância das expressões no ensino básico, compreendendo competências fundamentais nesta etapa primária e primordial do processo de aprendizagem. Todas as expressões pressupõem momentos para vivenciar, experimentar, manipular, exprimir e comunicar, seja sozinho, com objetos, com o meio ou com o outro. Neste sentido, a OCPEB1C define a implicação das expressões no desenvolvimento das crianças como: facilitadora das passagens do concreto para o abstrato, realização flexível dos ritmos próprios da infância – expressão

físico-motora; otimização da destreza manual, promoção da criatividade – expressão plástica; sensibilização cultural, entendimento do outro e de si próprio, desenvolvimento da imaginação – expressão dramática; enriquecimento auditivo, organização do movimento e exaltação do património regional e nacional – expressão musical.

Cunha (2008) identifica a expressão dramática como a que se dirige mais ao encontro, de forma única, por ser a expressão que respeita os ritmos de desenvolvimento de cada criança ao mesmo tempo que são promovidas a ludicidade e criatividade como meio de expressão. A partir da expressão dramática, as crianças fantasiam, movimentam-se, brincam, experimentam o seu corpo e voz e exteriorizam sentimentos, sendo esta última, uma capacidade essencial para que as mesmas se sintam seguras e confiantes em se relacionar de forma saudável.

Pode-se ainda afirmar que, e de acordo com a perspetiva de Ferraz (2011) aprender significativamente implica que a criança tenha liberdade para criar e, portanto, ser criativa e expressiva. Portanto, importa não esquecer a relevância das expressões para o desenvolvimento destas competências ao longo de toda a vida e, com maior afinco, durante a infância.

Sintetizado, o desenvolvimento das expressões permite, desde cedo, responder não só às necessidades cognitivas das crianças, mas também físicas e relacionais, de forma prazerosa. Atente-se igualmente que, para além de serem um complemento às áreas curriculares da matemática, português e estudo do meio, as expressões artísticas e físico-motora detêm conteúdos e conhecimentos específicos que criam sensibilidade perante o outro e o mundo. Por fim, interessa verificar se a relevância dada às expressões pela legislação enunciada é reportada às escolas, ou se as expressões restam- se por preencher espaços letivos. Sabe-se que o conhecimento é distribuído pelas várias áreas do conhecimento, no entanto, as crianças com aproveitamento nestes campos continuam a não ter reconhecimento académico, pois não existe real interligação de conteúdos e projeção de competências nas áreas restantes.