3.3. BULGULAR VE YORUM
3.3.2. Oniki Ada Ġle Ġlgili Haberlerin Genel Değerlendirmesi
3.3.2.1. Oniki Ada‟nın Gündeme Gelmesi (1945-1946)
70
Cf. Ibidem, p. 149.
71 Os escritos sobre Dostoievski foram recolhidos na obra póstuma OL, tendo ao centro não o artista,
A breve exposição da cronologia do pensamento pareysoniano justifica a pertinência da escolha do primeiro capítulo, intitulado A Propedêutica Estética de Luigi Pareyson: 1945
– 1953, desenvolvido em três subcapítulos, os quais tratarão de Arte e Pessoa, seguindo-se
com Imitação e Criação na Arte e, por último, discutiremos Vida, Arte e Filosofia, de modo a apresentar não apenas o percurso, mas, principalmente, as intercorrelações ocorridas no desenvolvimento do pensamento do nosso autor. O argumento de Arte e Persona - curso de 1945 - evidencia o distanciamento dos temas propostos anteriormente por Benedetto Croce. O filósofo de Turim articula uma mudança de enfoque, conduzindo-se para uma via distinta, para um novo horizonte que se desenvolve, fazendo florescer o personalismo ontológico. Essa mudança fortalece o tom renovador, a provocação apresentada em Arte e Persona. Esse texto ocupa o lugar que lhe era devido no volume 10 das Obras Completas do nosso autor, prosseguindo com uma ampla e articulada reatualização dos conceitos de iniciação, símile, semelhança, analogia e verossímil, conceitos essenciais para o pensamento estético, tanto no nível teórico quanto no âmbito histórico-filosófico.
A análise prosseguirá no âmbito das principais obras, elencadas na nota (70). Essas obras sao o prenúncio do que se confirmou com a publicação da Teoria da Formatividade em 195472. Seguimos a edição crítica das Obras Completas organizada pelo Centro Studi Filosofico-Religiosi Luigi Pareyson, conforme advertimos em Nota Preliminar. A estética pareysoniana mantém-se em substância ao longo das reflexões voltadas para esse fim. Infere- se a fundamentação existencial da experiência artística, mais especificamente da experiência humana, com a tarefa de problematizar a experiência estética. A polêmica contrária à estética croceana não desconsidera aspectos da filosofia de Croce sobre a essência da arte. No entanto, no texto de 1951, Sui fondamenti dell’estetica, já citado em nota precedente, o conceito de unitotalidade da pessoa humana é antecipado e retomado ao longo da interpretação da experiência humana. Retornamos a 1946, pode-se ver aqui a transferência para segundo plano das fraturas e dos aspectos obscuros e negativos decorrentes da positividade completa e, mais
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Pareyson escreveu em 1947: Vita, arte, filosofia; em 1949 publicaram-se três livros de grande importância para a estética. São eles: a) L’estetica dell’idealismo tedesco I: Kant; b) L’estetica dell’idealismo tedesco II: Schiller; c) Studi sull’estetica del setecento I: La dottrina Vichiana dell’ingegno. Em 1950, Pareyson publicou Il verosimile nella poetica di Aristotele e Arte e
conoscenza. Intuizione e interpretazione. Em 1951, publicou L’estetica di Antonio Aliotta e Appunti di estetica; em 1952, Sui fondamenti dell’estetica. É justo ressaltar que o ano de 1953 é marcado
pela publicação dos sete textos fundamentais, elencados como se segue: 1) Il concetto d´interpretazione nell’estetica crociana; 2) Arte e vita; 3) Formazione dell’opera d’arte; 4) Lettura, interpretazione e critica dell’opera d’arte; 5) La mia prospettiva estetica; 6) Stile, contenuto e materia dell’opera d’arte e 7) Strutura della formatività.
precisamente, do destaque dos aspectos produtivos, operativos e inventivos da experiência humana. Por essa razão, objetivamos explorar a obra de arte no âmbito da execução e interpretação.
Na minha interpretação, diante dos elementos conceituais mantidos desde A Filosofia da Existência, entendo que a Propedêutica Estética de Luigi Pareyson se constitui no arco dos conceitos de Vida, Arte e Interpretação, desde Arte e Pessoa até a publicação de Os Problemas da Estética em 1966. Ao longo desta tese serão enfatizados três pontos fundamentais: 1) a obra como detentora do critério que rege o julgamento do crítico; 2) a inseparabilidade de execução e interpretação, o que faz com que a interpretação se torne uma exigência imprescindível da forma e de qualquer formatividade; e 3) a interpretação representando a condição de identificação de obra e intérprete que a faz reviver.
Convém novamente ressaltar que é no campo da estética que o conceito de interpretação pareysoniano revelou toda a sua particular fecundidade. Precisamente nessa esfera consolida-se o conceito de interpretação, ampliando-se às outras atividades humanas. A meu ver, a reflexão sobre os fundamentos da estética constitui uma significativa parcela da meditação filosófica do nosso autor. Diante disso, no segundo capítulo, intitulado
Formatividade e Interpretação: núcleo da filosofia pareysoniana (1954 – 1966), a questão
central da nossa tese, abordamos Estilo, Conteúdo e Matéria da Arte; Formação da Obra de Arte; Exemplaridade do êxito e, por último, Interpretação e Contemplação.
Em consonância com a exigência conceitual, trataremos de dois aspectos imprescindíveis da estética de Pareyson: a teoria generalizada da atividade humana e a teoria específica da arte. Esses dois conceitos são inseparáveis, fundamentalmente porque não é possível estudar a formatividade, inerente a toda atividade humana, sem ao mesmo tempo ter presente a possibilidade de ver confluirem todas às outras expressões humanas. A formatividade, presente na vida espiritual completa e que se encontra também na ação e no pensamento, não é isolada, mas acentuada e distinta de todo o resto, assumindo uma intencionalidade, uma tendência característica da arte. Ela se sustenta por si própria, se torna fim por si mesma. Compartilhamos com Caneva o argumento de que os princípios da estética
de Pareyson trazem os próprios fundamentos para uma gnosiologia de interpretação e de uma metafísica da figuração, e consequentemente para uma filosofia da pessoa73.
O terceiro capítulo apresenta Estética da Forma e Metafísica da Figuração, aborda Uma Fundamentação Existencialista da Experiência Artística; Leitura, Interpretação e Crítica; Completude da Obra de Arte, e concluímos com a discussão acerca da Arte na Vida do homem. Indagaremos as características da formatividade universal inerentes a todas as formas de atividade humana. Demonstraremos que, a partir do exercício da produção artística vista em sua peculiaridade, característica de todas as atividades humanas, a formatividade assume não só um sentido, mas peso e relevância especial. A Estética, para Croce, é concebida como ciência da intuição pura. A concepção teórica sob a qual se fundamenta existencialmente a estética croceana consiste, de acordo com Caneva, na individualização do conhecimento intuitivo como representação imediata, como primeiro grau da atividade cognoscitiva do espírito e, logo, da sua aurora74. Croce apresenta a sua proposta de sistematização da atividade do espírito articulada de acordo com um esquema que prevê a atividade cognoscitiva subdividida em intuição (arte) e conceito (filosofia). A atividade prática, por sua vez subdividida em vontade particular (economia) e vontade geral (ética).
A filosofia de Pareyson deve ser compreendida como pós-croceana. Pareyson realiza uma revisão crítica do pensamento de Croce, o que não significa ser uma filosofia anticroceana. Sua crítica é direcionada à intuição e à expressão como determinantes da experiência artística. Pareyson se posiciona contrário, à perspectiva croceana da concepção de arte como expressão de sentimento. Como já aludimos anteriormente, o nosso autor prioriza a noção de arte como produção e formatividade, acentuando assim o fazer mais do que o contemplar. Pode-se dizer, no entanto, que Pareyson critica, sobretudo, a inspiração hegeliana evidente no pensamento de Croce, uma das razões que o conduzem a direcionar as suas análises a Kant, através de Goethe e Schelling. Nessa crítica Pareyson enfatiza que as belas artes se confundem com as artes úteis e conserva a relação entre arte e natureza, mais precisamente através da referência à existência concreta da pessoa.
73 Cf. CANEVA, Claudia. Belezza e Persona L’esperienza Estetica come Epifania Dell’umano in
Luigi Pareyson. Roma: Armando Editore, 2008, p. 51.
A meu ver, a formatividade ressignificou o fazer-interpretar, alcançando um resultado inovador que nos é lembrado com as palavras de Pareyson sobre Bergson em cuja compreensão a partir do momento em que o músico tem a ideia precisa e completa da sinfonia que fará, a sua sinfonia está feita. A arte é, portanto, um fazer no qual o aspecto realizativo é individualmente intensificado, unido a um aspecto inventivo; pode-se dizer que o aspecto teórico, “inventivo” não precede ao aspecto prático ”realizativo” porque ambos fazem parte de uma unidade indissolúvel de criação. Pareyson não se deteve em mais uma crítica à estética de Croce; propôs, sobretudo, ao invés dos princípios croceanos da intuição e da expressão, conforme já aludimos, uma estética da produção e da formatividade, pondo a ênfase no fazer mais que no contemplar simplesmente.
Defendo que a recorrência ao conceito de interpretação-execução legitima tanto a unicidade da obra quanto a multiplicidade de suas execuções-interpretações. Compartilho com Pareyson o pressuposto de que a interpretação contém em si a pessoalidade do intérprete. O princípio da fidelidade e o princípio da liberdade, por sua vez, são assegurados e legitimados pela própria interpretação. “Fazer da pessoa o único meio de aprofundamento da obra não significa afirmação de subjetivismo, mas legitimidade para escolher a obra pela própria consciência”75
. Na interpretação existe um saldo no critério de verdade e uma norma que é a própria obra que solicita a compreensão. O mesmo conceito de congenialidade implica uma discriminação, ao supor que a pessoalidade do intérprete, mesmo enquanto é condição de interpretação, pode ser também o limite. Isso está de acordo com a natureza da interpretação, isto é, com um tipo de conhecimento não único, mas inexorável no qual a compreensão é obtida só quando se admite a superação do risco da incompreensão possível.
Para interpretar Pareyson e colocar em evidência as questões essenciais e os nexos fundamentais que interpelam a nossa reflexão, tentamos fazer falar os próprios textos de Pareyson. Nas palavras de um de seus intérpretes, Luca Ghisleri, é preciso fazer nossa a lição hermenêutica de Pareyson, interpretando-o pareysoneanamente76. Dito de outro modo, não só fazendo falar os seus textos, mas procurando escutá-los, para recompô-los através de uma análise dos seus aspectos constitutivos. A avaliação de uma obra não é possível sem uma
75 PAREYSON, Luigi. L’interpretazione dell’opera d’arte, p. 165. 76
Cf. GHISLERI, Luca. Inizio e Scelta. Il problema della libertà nel pensiero di Luigi Pareyson. Turim, Trauben, 2003, p. 11.
apreciação estética; vê-la como obra significa vê-la como forma; tudo é forma, afirma Pareyson, forma vivente e definida, e tudo no homem é interpretação.
Caneva bem interpreta a passagem pareysoniana que diz: “a interpretação é a única forma de conhecimento dirigida a formas; a interpretação mesma é originária no sentido de que qualifica a relação com o ser na qual situa o ser mesmo do homem”77. Um dos aspectos importantes da estética é justamente ser teoria geral da atividade humana78. Diante disso, pode-se dizer que a experiência estética é experiência formativo-interpretativa e é manifestação do caráter do agir humano, da estrutura do seu operar e, também, poder-se-ia dizer, da condição humana em geral.
A questão do fundamento da multiplicidade das interpretações não se refere ao aspecto quantitativo (quer dizer, não se trata de uma questão apenas numérica), mas também qualitativo. Se as interpretações são múltiplas, explica Pareyson, não é simplesmente porque são incontáveis os intérpretes ao longo da história, mas, fundamentalmente, porque os dois pólos da relação interpretativa, pessoa e obra, são inexauríveis, inesgotáveis em seus spectos, perspectivas e possibilidades. Analisamos com Abdo o fundamento da infinidade da relação interpretativa, compartilhamos a sua interpretação no sentido de que é a própria infinidade e dialeticidade dos dois termos que constituem essa relação: o intérprete e a obram estes revelam-se em toda a sua inteireza em cada ato de interpretação, sem que se esgotem as infinitas possibilidades que ambos apresentam79.
Assim entendida, a multiplicidade das execuções-interpretações convive perfeitamente com a noção de “unidade da obra”, e mesmo a confirma e consolida. Personalidade e multiplicidade das interpretações deixam de ser elementos negativos, indicativos de insuficiência, arbitrariedade, subjetivismo ou critério interpretativo, para, ao contrário, mostrar-se como indicador de fortuna. Nesse sentido, conclui Pareyson: a interpretação da arte é uma “posse”, que, se por um lado não é definitiva, por outro, é plena e verdadeira. E se não é definitiva, não é por ser estilhaçada, inacabada, mas, sobretudo por ser inexaurível. No
77
Cf. CANEVA, Claudia. Belezza e Persona L’esperienza Estetica come Epifania Dell’umano in
Luigi Pareyson, 2008, p. 131.
78 PAREYSON, Luigi. EP, 2002, p. 209.
79 Cf. ABDO, Sandra Neves. Execução/Interpretação musical: uma abordagem filosófica. Per Musi.
Belo Horizonte, vol.1, 2000. p. 19. (Acessado em 31.07.2013). http://musica.ufmg.br/permusi/port/numeros/01/num01_cap_02.pdf
interior desse processo está à própria suficiência da arte e sua funcionalidade: na arte, no próprio ato que a especifica, derrama-se a vida inteira, com todos os seus valores e todas as suas atividades, cada uma delas mantém intacta a própria natureza, estas, por sua vez, mantém
vivas as próprias pretensões e os próprios significados80. .
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