Before I moved this building ,I hadn’t been to this city Sen eve gitmeden önce onlar masayı hazırlamışlarmıydı?
OLUMSUZ CÜMLE
A terceira consulta pública digital, no “Governador Pergunta”, sobre “Reforma política”, foi lançada pelo “Gabinete Digital”, em 3 de julho de 2013 com duas perguntas, uma seguida da outra. Com um design diferente das consultas anteriores, na página de abertura do “Gabinete Digital” havia uma chamada à consulta pública sobre “Reforma política” (Figura 16). Nela, o cidadãos clicavam e entravam na página da consulta. Lá, encontravam três abas: “Votar”, “Ver resultados” e “Sobre esta Página”. Na aba “Sobre esta página” havia explicações sobre a metodologia adotada. Já na aba “Votar”, havia duas sequências de participação: a primeira, com a questão “Como deve ser a reforma política no Brasil?”; duas opções de respostas eram dadas pelo governo para ser votada, conforme relatório do governo e tela do site:
a) Pelo Congresso com deputados e senadores escolhidos nas últimas eleições.
b) Através de uma Câmara Constituinte, com representantes eleitos exclusivamente para este fim (GABINETE DIGITAL, 2013c).
O procedimento de participação, com a primeira pergunta publicada é de caráter “reativo”, ou seja, predeterminam a escolha dos cidadãos em duas opções, quando pode haver muitas outras. Foi estabelecida o que Alex Primo (2000) chamou de “interação reativa”. Nesse sentido, quem posta a pergunta e as respostas prontas torna-se o polo hegemônico, impossibilitando ao polo receptor qualquer ação e produção de sentido pela linguagem. Assim, há uma substituição do paradigma de interlocução pelo paradigma emissor-receptor. Isso será observado no momento da escolha do corpus de análise.
Com a segunda pergunta, o procedimento solicitado para participação se altera. Tem-se um processo de enunciação por parte do cidadão, mesmo que frágil, quando ele escreve e posta sua contribuição, e esta disputa o voto da população com outras propostas. Além dele votar, ele também fala (a seguir, ver terceiro quadro da Figura 12).
Figura 12 – Páginas da consulta pública digital sobre “Reforma política”
Fonte: Gabinete Digital (2013c)
Outro aspecto que chama a atenção: diferente das duas primeiras, a consulta pública digital sobre “Reforma política” durou 16 dias, ou seja, teve curta duração. Por que? E, o que motivou a escolha do tema desta consulta?
Em junho de 2013, o Brasil vivenciou uma série de manifestações populares que se espalharam por diversas regiões do país: o movimento “Vem pra rua” (#vemprarua)132. A
132 O movimento “Vem pra rua” foi organizado através das redes sociais digitais, no primeiro momento, em
São Paulo, pelo “Movimento do Passe Livre”, que reivindicava a diminuição da tarifa de transporte público. Pelas redes sociais, o movimento convocou a população para ir à rua e se manifestar sobre o tema. Isso gerou
cidade de Porto Alegre foi um desses cenários, em 17 e 20 de junho de 2013. Através da internet, cidadãos e cidadãs gaúchos, como em todo Brasil, organizaram-se e transformaram ruas e praças (espaços públicos) em espaços de reivindicações, sobre diversas questões de interesse geral, junto às diversas instituições governamentais, chamando a atenção para as políticas públicas estatais mal elaboradas e mal implantadas, às questões de corrupção, do mau uso do dinheiro público, entre outras. Embora não fosse essencialmente sua competência constitucional provocar esse debate, o Governo Gaúcho aproveitou a situação social imediata para realizar uma audiência pública e uma consulta pública sobre o tema “Reforma política”. Um debate surge como consequência das insatisfações manifestadas nos espaços públicos e propagadas pela mídia, no Brasil. Em 3 de julho, 13 dias após as manifestações, o Governo do estado do Rio Grande do Sul fez uma audiência pública, através do espaço “Governo Escuta”, sobre reforma política. Naquele mesmo dia, lançou à sociedade a consulta pública digital sobre “Reforma política”. Durante 16 dias, o espaço “Governador Pergunta” ficou aberto às contribuições e às votações do cidadãos gaúchos.
No relatório do “Gabinete Digital” (ANEXO K) sobre esta consulta pública digital, destaca-se um trecho que explica rapidamente sua metodologia:
Na primeira pergunta, “Como deve ser feita a reforma política no Brasil?”, o participante podia escolher entre duas respostas (grifo nosso): a) Pelo Congresso, com deputados e senadores escolhidos nas últimas eleições; b) Através de uma Câmara Constituinte, com representantes eleitos exclusivamente para este fim.
Apenas um voto por pessoa era permitido. Após esta primeira etapa, o participante era convidado a responder à segunda questão: “Na sua opinião, quais devem ser as prioridades da reforma política?”. Era possível optar por uma das propostas já existentes ou sugerir novas ideias a serem incorporadas na consulta pública. Mantivemos a limitação de 140 caracteres para cada proposta. Cabe então interpretá-las como ideias concisas, esboços de políticas maiores que devem ser elaboradas a partir destas provocações (GABINETE DIGITAL, 2013b, grifo nosso).
a presença de milhares de pessoas em determinada rua de São Paulo. Nessa massificação física, a situação saiu de controle. A ela misturaram-se vândalos e a multidão foi exposta à força policial (militar) do Estado de São Paulo. A partir daí, foram convocadas novas manifestações, não só em São Paulo, mas em todas as capitais e cidades de médio e grande porte no Brasil. O protesto que lutava contra o poder econômico passou a lutar contra a deficiência das políticas públicas de Saúde, Educação e Segurança Pública dos estados. À medida que novos protestos iam acontecendo, novas reivindicações entravam na pauta – umas legítimas e outras de ocasião - até que o movimento #vemprarua reivindicava tudo e nada, ao mesmo tempo.
Os grifos acima ressaltam uma mudança metodológica. A primeira pergunta oferece respostas pré-estabelecidas pelo governo e, na segunda pergunta, apesar de utilizar o mesmo procedimento de wiki-survey das duas primeiras consultas, as “propostas existentes” não são de autoria do cidadãos. Deles, apenas existiram as “novas ideias a serem incorporadas”. Por trás desse procedimento, existe a pretensão de verdade do discurso de quem se encontra no poder, que reivindica para si o ideal da Razão. Dito de outra maneira, o governo determinou a racionalidade do que foi decidido, que se encarnou, por outro lado, na tecnologia. Isso permite pensar a quem serviu esta consulta pública digital.
Neste caso particular, as estratégias de divulgação foram mantidas, mas as estratégias de acesso e participação foram alteradas. Segundo o próprio relatório,
para oportunizar uma maior participação da população gaúcha, foi disponibilizada uma van equipada com tablets e promotores de participação que visitaram locais de grande circulação em Porto Alegre e Região Metropolitana. Cerca de 40% dos votos coletados foram oriundos da ação de divulgação de rua através desta iniciativa. Em circulação desde o dia 8 de julho, a Van da Participação passou pelos seguintes locais: Rodoviária, Gasômetro, Parque Redenção, Largo Glênio Peres e Esquina Democrática, em Porto Alegre, e, na Região Metropolitana em Viamão (Praça da Santa Isabel) e Canoas (Centro) (GABINETE DIGITAL, 2013b, grifo nosso).
Esta consulta pública digital, até pelo curto tempo em que ficou aberta, caracterizou-se pela grande participação individual on-line, já que não foram montadas estruturas para votação digital em espaços físicos, nas cidades interioranas. Os votos e, quiça, as “novas ideias” incorporadas para votação vieram, em sua maioria, através da internet. Neste caso, a inclusão digital dos gaúchos parece ter sido um fator determinante à participação popular. Considerar-se-ão todas essas questões no momento de interpretação das informações.
Os resultados quantitativos das três consultas públicas digitais podem ser visualizados no quadro, a seguir.
Quadro 14 – Resumo dos resultados quantitativos das consultas públicas digitais no “Governador Pergunta” CONSULTAS PÚBLICAS ON-LINE DURAÇÃO PROPOSTAS PRIORIZADAS PROPOSTAS ENVIADAS PESSOAS ENVOLVIDAS VOTOS “Atendimento na saúde pública”
31 dias 50 1.338 60 mil 122 mil
“Segurança no
trânsito” 37 dias 10 2 mil 10 mil 240 mil
“Reforma
política” 16 dias 10 2.840, sendo
242 escolhidas para votação
Não informado 180 mil
Fonte: Gabinete Digital (2014)
O quadro ajuda a visualizar a relação entre o esforço do governo e os resultados obtidos no momento de interpretação do material empírico. Precisa-se, agora, entender a relação dialógica entre governo e cidadãos nas situações empíricas descritas, partindo-se da compreensão do tipo de interação verbal que efetivou, de fato, tal relação.
Considerando o que se apresentou até agora, precisa-se elaborar uma proposta conceitual de interação, com todos os seus elementos, que possa dar conta do contexto empírico.