• Sonuç bulunamadı

2.5 Anatolit-Torit Platformuna ait Metamorfik Birimler

3.2.3 Oligo-Miyosen yapıları

No que se refere aos povos da Mesopotâmia, como visto anteriormente, seus costumes funerários apontam que eles mantiveram uma visão de pós-vida nos moldes daquelas encontradas na maioria das culturas mais antigas, ou seja, os mortos ainda têm as mesmas necessidades que tinham em vida e carecem de cuidados para a sua “sobrevivência”. Brandon ainda dirá que, mais que isso, é possível supor uma crença de que as experiências de uma pessoa poderiam ser continuadas no outro mundo, ao menos aquelas pessoas de linhagem nobre, pois aparentemente os príncipes eram acompanhados por seus atendentes e criados, todos executados no momento funeral com os equipamentos e ornamentos de seus ofícios, para continuarem no serviço ao nobre depois das suas mortes.11

A crença numa existência continuada após a morte nos moldes daquela experimentada durante a vida representa a contrapartida da idéia de um julgamento póstumo determinado por predicados morais. Aliás, um bom exemplo disto encontra-se do Épico de Gilgamesh, numa passagem que já citamos num outro momento:

Gilgamesh, para onde corres? A vida que persegues, não a encontrarás. Quando os deuses criaram a humanidade, foi a morte que lhe reservaram; a vida, retiveram-na para si, entre as próprias mãos. Tu Gilgamesh, que teu ventre seja saciado, dia e noite; regozija-te, todo dia, faz a festa, dia e noite, dança e toca música; que as tuas roupas estejam imaculadas, a cabeça bem lavada, banha-te com muita água; contempla a criança que te

10 De acordo com Cohn, o objetivo do julgamento era eliminar do mundo ordenado tudo aquilo que pudesse

prejudicá-lo. Aliás, o mundo dos mortos justos existia em paralelo com o mundo ordenado dos vivos sendo, na realidade, a plenitude deste. Enquanto o mundo ordenado dos vivos estava sempre sujeito às perturbações, isso não acontecia ao mundo ordenado dos mortos. Por este motivo, aqueles falecidos achados em falta com Maat eram banidos de ambos para o caos que sempre existiu e que sempre existirá (pp. 49-50).

dá a mão, que a bem-amada se regozije em teu seio! É essa a ocupação da humanidade (Epopéia de Gilgamesh, tabuleta X).12

Estas palavras foram dirigidas a Gilgamesh por Siduri, enquanto ele buscava por Utnapshtin. O discurso de Siduri dá mostras de que nada está reservado à humanidade após sua morte, isto é, nenhum tipo de julgamento está previsto como forma de melhorar o estado de uma pessoa depois de morta. Assim, não importa quão piedoso ou extremo foi o seu comportamento em vida, pois nenhuma condenação existe após a morte. Segundo Brandon, Siduri fala a Gilgamesh nos termos de um hedonismo absoluto. Mas não é apenas isso. Ela também protagoniza uma filosofia do carpe diem, que estava firmemente baseada na avaliação mesopotâmica de homem – a razão de existir do gênero humano era servir aos deuses, executar o trabalho em seu lugar, construir templos para eles e alimentá-los com sacrifícios, de maneira que a estimativa correspondente do seu destino estava atrelada a esta concepção do seu propósito:

Enquanto os deuses desejavam seus serviços, o indivíduo vivia, e se ele era zeloso e cuidadoso em seus serviços, seus senhores divinos o recompensariam com prosperidade. Este era seu destino, em outras palavras, participar na ordem divina das coisas neste mundo. Uma vez que os deuses deixassem de precisar dele, sua raison d'etre terminava, e ele morria. 13

Nada é dito sobre alguma determinância do comportamento moral em vida para se alcançar bem-aventurança após a morte.14 A vida e a morte do ser humano dependiam do quão ele era

necessário aos deuses, nada mais. Mas esta explicação bastante simples não foi suficiente para desviar os povos mesopotâmicos da crença em alguma forma de existência pós-vida. Ao não aceitar a conclusão lógica sobre o destino final implícito na sua própria concepção de homem,

12 DELUMEAU & MELCHIOR-BONNET, p. 22. 13 BRANDON, p. 50.

14 Ainda que existam referências a juízes no Mundo Inferior dos mesopotâmios, nenhuma crença em julgamento é

atestada como acontece no Egito. Em um texto que descreve a chegada ao Mundo Inferior de Ur-Nammu, príncipe de Ur que regeu pelos fins de 3.000 aEC, estes juizes parecem mais as autoridades que designam para os mortos os seus lugares naquele reino, ou pelo menos para os mais notáveis entre eles. Nada há neste contexto que se indique julgamento ou alguma avaliação da qualidade moral da vida que levaram os que ali se encontram (BRANDON, p. 52).

ou seja, a morte como extinção total, os antigos mesopotâmios se atormentavam com uma escatologia horrenda, na qual a pessoa morta se tornava um etimmu, um ser sombrio e de partida para um submundo que, significativamente, era chamando kur-nu-gi-a, “lugar do não-retorno”, onde existiria de uma maneira miserável. Aqui nos lembramos daqueles espíritos de pessoas falecidas que, tornando-se fantasmas vingativos ou demônios, quando exorcizados podiam deixar de existir para sempre. Entretanto, isto não é um julgamento e não tem a ver com exigências morais, mas com os requisitos consoantes às cerimônias de aplacamento dos mortos, nada além disto. Em outras palavras, a necessidade da destruição de certos espíritos de mortos estava ligada à falhas rituais e não a algum julgamento pelo qual tivessem passado, e cuja conseqüência pudesse ser o desaparecimento.

A lógica da escatologia aceita é conflitante, não restam dúvidas. Assim, mesmo que estivessem salvos da extinção completa com a idéia de um mundo habitado por aquilo que restava da pessoa morta, se vida e morte tinham mesmo a ver com a serventia do homem aos deuses, de fato um julgamento no pós-morte perde o seu sentido, pois a recompensa dada pelos deuses era experimentada em vida, enquanto o ser humano tinha condições para servir às divindades da maneira que elas requeriam. Talvez a própria existência neste mundo de sombras já fosse em si algum tipo de recompensa, isto é, o não-desaparecimento completo.

1.3. Castigo e esperança no Antigo Israel – o “grande e terrível dia de Yahweh”

Benzer Belgeler