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A partir das análises de documentos, mediante entrevistas realizadas, pode- se destacar como contribuições do programa, por meio das Atividades de Enriquecimento Curricular, as AECs, a oferta a nível nacional desse programa, que consegue atender todas as famílias em suas necessidades, principalmente garantindo aos seus filhos, um lugar que eles possam ficar enquanto seus pais estão em atividade laboral e a confiança dos pais depositadas no programa.

Uma maior interação e socialização entre os alunos e entre as escolas, a garantia de maior oportunidade para que as crianças possam frequentar atividades como o inglês e a música, que, antes, só seriam possíveis em outros estabelecimentos de ensino também é uma importante contribuição do programa.

A criação de várias parcerias efetivas, como escolas de músicas, instituições recreativas, dentre outros e a transferência de recursos financeiros para a administração local da escola e do agrupamento, induzindo assim uma perspectiva de maior autonomia de gestão administrativa e financeira é um ponto forte de contribuição.

Observa-se, ainda, que as AECs trouxeram benefícios às escolas e aos alunos participantes das atividades; pesquisas como as de Cosme e Trindade (2007) demonstram que algumas crianças entrevistadas, gostam de ficar na escola, não se sentem hiperescolarizadas, pois na escola estão em companhia de outras crianças e em casa ficariam sozinhas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os debates atuais sobre a ampliação do tempo de permanência dos estudantes nas instituições escolares trazem novamente em cena os questionamentos sobre a formação integral desses estudantes e às definições controversas do que seja realmente uma “educação integral”.

As atividades realizadas no contraturno das escolas estão se tornando experiências esvaziadas pedagogicamente e acontecendo com o único intuito de preencher o tempo, tirando as crianças e os jovens das ruas, deixando-os longe das mazelas da sociedade e procurando atender às famílias que não tem onde deixar seus filhos durante suas jornadas de trabalho, como é o caso de Portugal.

Previstas no Programa Mais Educação, essas atividades não fazem parte das propostas de aprendizagem e não estão totalmente contidas nos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas, não incorporam seu currículo e não estão relacionadas com as atividades que são desenvolvidas no turno regular, o mesmo acontece com as Atividades de Enriquecimento Curricular, que mesmo presentes no Projeto Curricular do Agrupamento e no plano Anual de Atividades, também não estão relacionadas em seu currículo formal.

Mesmo assim, os programas Mais Educação e Escola a Tempo Inteiro possibilitaram o desenvolvimento de ações importantes nas escolas pesquisadas, oportunizando essas crianças e jovens, à participação em outras atividades que não as do currículo formal.

As atividades selecionadas a partir dos macrocampos estabelecidas nos planos de atendimento das escolas e na Proposta Curricular do Agrupamento de Escolas pesquisado podem confinar-se a algumas atividades da educação não formal, mas oferecem oportunidades relevantes para alcançar outro patamar de educação escolar.

A escola na concepção de educação integral não executa sozinha todo o programa, mas articula com outros atores sociais na ampliação de tempos, espaços e oportunidades oferecidos aos(as) alunos(as) nela matriculados. Os Programas Mais Educação e Escola a Tempo Inteiro, por intermédio das Atividades de Enriquecimento Curricular, precisam ser vistos como um laboratório de experiências

culturais, sociais e históricas em que a realidade e o conhecimento adquirem novas formas.

No que concerne às propostas de educação integral, o que ocorreu com as experiências de ampliação da jornada escolar, estudadas através dos Programas Mais Educação e Escola a Tempo Inteiro, é que elas não atingiram o patamar dessa proposta de educação, foram apenas experiências de Escola de Tempo Integral, visto que em Portugal, ao contrário do Brasil, todas as escolas do país contemplam as Atividades de Enriquecimento Curricular.

O despreparo das diretoras e coordenadoras para receber o programa Mais Educação e, consequentemente, o despreparo dos monitores para desenvolverem suas atividades, a falta de diálogo entre eles e os professores e o descrédito atribuído a este foram fatores relevantes para que o programa não se efetivasse como previsto nos termos legais e não cumprisse com seu papel, no dia a dia das escolas.

Apesar de estar numa posição não muito favorável, entre os países europeus avaliados pelo Pisa, Portugal está bem à frente do Brasil no que diz respeito às propostas de ampliação da jornada escolar, lembrando que os dois países iniciaram seus programas de ampliação da jornada escolar praticamente juntos, ou seja, Portugal no ano de 2006 e Brasil em meados do ano de 2007.

As atividades de Enriquecimento Curricular são desenvolvidas de maneira organizada, participativa — embora facultativas — com o conhecimento e apoio e aprovação dos pais, e, apesar da frequência, não se observa evasão no decorrer do ano letivo; essas atividades podem contribuir para a melhora no desempenho dos alunos nas avaliações externas e de larga escala, criando também oportunidades para que os alunos frequentem outras atividades.

A pesquisa evidenciou que os programas Mais Educação e Escola a Tempo Inteiro, analisados nos dois países, demonstram também uma perspectiva de política assistencialista e de proteção integral à criança e ao adolescente, incorporando à escola novas funções, além das que lhe são pertinentes. No caso brasileiro, observa-se que mesmo através de atividades diversificadas, tem-se oferecido mais do mesmo em algumas escolas e ainda não se obtêm respostas para a questão de que ampliar o tempo melhora a qualidade da educação, uma vez que essa melhora, indutora na qualidade do ensino e na elevação da proficiência no

Ideb, é um dos objetivos principais do Mais Educação, e foi o motivo que levou as escolas pesquisadas a serem inseridas no mesmo.

A pesquisa evidenciou também que o programa Mais Educação não cumpriu o papel que estava previsto nos documentos de sua implantação, nas quatro escolas e no período pesquisado, ou seja, de induzir a educação integral nas escolas inseridas no programa.

No entanto, as realidades investigadas atestam que a ampliação do tempo permite à escola, enquanto espaço social de apropriação, elaboração e reelaboração de conhecimento, incorporar em seu currículo atividades para o desenvolvimento de competências cognitivas e atitudinais necessárias para uma formação cidadã.

As concepções presentes nas experiências pesquisadas configuram-se às de escola de tempo integral, onde os alunos cumprem um currículo formal e obrigatório num turno escolar e retornam em outro para participar de atividades diversificadas e desconectadas com o turno regular, mas as atividades desenvolvidas nas quatro escolas analisadas, ainda que não atendam todas as expectativas de educação integral, propostas nos documentos do Programa Mais Educação e da Escola a Tempo Inteiro, vêm revelando um esforço significativo na elevação da qualidade da educação para muitos(as) alunos(as).

O programa Mais Educação foi nos últimos tempos o maior investimento do governo federal para impulsionar a educação integral nas escolas públicas do país, mas, nas escolas pesquisadas, esse objetivo não foi cumprido. Em meados do ano de 2014 e início de 2015, várias escolas espalhadas pelo Brasil estão desativando o Mais Educação porque o governo federal cortou o repasse de verbas para continuidade do programa, contrariando muitas propostas voltadas a escola de tempo integral, presentes em diversos discursos nas campanhas políticas.

Ressaltando as dificuldades, os momentos e as experiências bem-sucedidas dos programas nos dois países, pode-se destacar como ponto comum, um contexto geral, é que ambos caminham cada vez mais para a estardartização dos resultados em detrimento aos processos, isso pode ser atribuído à cobrança desencadeada aos países em decorrência das avaliações de larga escala a que são submetidos, influenciados em grande parte pela globalização educacional.

Outro fator interessante que pode ser observado no decorrer dessa pesquisa, é que no Brasil a ampliação da jornada escolar, ao contrário de Portugal, ainda não

foi estabelecida enquanto política pública educacional, e as ações estabelecidas para esse fim, se tornam propostas de governo e com a descontinuidade dos mesmos tendem a desaparecer.

Assim, esta pesquisa conclui-se, mas permanece o compromisso de continuar o meu olhar para a realidade educacional brasileira, para a educação integral e para o interior das escolas, de modo a trazer contribuições significativas para as mudanças que se pretendem nas escolas estudadas e para estudos vindouros.

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Benzer Belgeler