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Olası/Kesin COVID-19 Tanısında Morg ve Defin Hizmetleri

MORG VE DEFĠN HĠZMETLERĠ

A. Olası/Kesin COVID-19 Tanısında Morg ve Defin Hizmetleri

Ao longo do século XIX, a profissionalização da carreira policial e o incentivo à política de humanização social sinalizaram para mudanças acerca da concepção tradicional de polícia. O problema, entretanto, é que, no decorrer desse processo, práticas violentas no exercício policial sugerem que os avanços deparam-se com retrocessos. Neste capítulo, tomo por referência o que Fausto (1997) chamou de mudança conservadora19, ou seja, que as rupturas e continuidades na produção da ordem social não implicam, necessariamente, a transição entre “velho” e “novo” na administração dos conflitos sociais, porém um processo contínuo de forças a favor e contrário à consolidação de novos modelos de policiamento.

Neste capítulo, discuto a importância dos programas e projetos implantados em algumas polícias brasileiras e a contribuição destes para o atendimento das novas demandas de cidadania por acesso à justiça e aos aparelhos policiais. Apresento como este processo contribuiu para o surgimento de uma polícia cidadã, ou seja, uma “nova polícia” sintonizada com as demandas de cidadania da população, e, ao mesmo tempo, faço referência às velhas práticas, ao descrever o continuísmo presente nas práticas policiais.

Discuto a gênese das experiências de policiamento comunitário como experiência de junção do novo e do velho em um mesmo modelo de controle social. A hipótese de continuísmo nas práticas modernas de ação policial, a exemplo do favor no campo político, como discutido por Schwarz (2000), sugere a este estudo investigar a existência de costumes arraigados nas relações sociais entre polícia e comunidade, sem, contudo, cair no reducionismo da distinção atrasado e moderno.

A análise sobre a junção entre o “velho e o novo fazer policial” constitui o cerne da discussão deste capítulo. Em tais circunstâncias, pontuo as semelhanças e 19

CARVALHO (2006 p.159) define por modernização conservadora um compromisso ao estilo das elites políticas tradicionais em superar os conflitos, com base em acordos políticos. É isto que chama de homogeneidade ideológica dos interesses “antagônicos” que, no caso do Brasil, sofreu influência portuguesa no processo de burocratização, que se iniciou na unidade e estabilidades das ex-colônias. A ausência de conflitos sociais violentos possibilitou, ao mesmo tempo, uma redução na participação popular e, conseqüentemente, a imobilidade social. Através da intervenção das forças da ordem, a exemplo da Guarda Nacional e dos juízes de paz o “governo trazia para a esfera pública a administração do conflito privado, mas ao preço de manter privado o conteúdo do poder”. A administração imperial não se constituía desta forma, um estamento e muito menos uma máquina moderna, baseada na racionalidade administrativa, como descrita por Weber.

diferenças entre as duas concepções de “polícia tradicional” e “polícia comunitária”. Em um primeiro momento, as práticas tradicionais se distinguem das práticas comunitárias e cidadãs, pelo fato de não abdicar da violência em situações de conflitos. Em um segundo momento, ambas as práticas aproximam-se quando a questão é o cumprimento da lei e da ordem. O problema é que, de acordo com a filosofia de polícia comunitária, o uso da força não pode prescindir do respeito aos direitos humanos.

A transição do velho para o novo, pela superação de antigas práticas de policiamento, sugere a supressão da violência, como parte do processo de “ruptura” entre tradicional e comunitário. Na primeira, se os vícios do poder se manifestavam, independentemente, das vontades coletivas, com o surgimento da polícia comunitária, ao contrário, uma ação, que não tenha por finalidade o uso comedido da força física, permite que os abusos sejam definidos como regra, e, não como exceção. Portanto para a “nova polícia comunitária”, diferentemente das coisas como eram antes, alega-se que é possível estabelecer parâmetros delimitadores entre proibido e permitido no exercício de policiamento.

É dentro desta perspectiva de mudanças que discuto, neste capítulo, se, com o surgimento de “novos modelos” de polícia, as práticas sinalizaram, de fato, uma ruptura com relação ao atraso no exercício da violência. Ao longo da exposição sobre as novas práticas de policiamento, como um avanço no campo da segurança pública, pensamos que, quando se fala da configuração do poder de polícia, na sociedade brasileira, as mudanças que permitiram a construção de uma nova concepção de segurança pública guardam traços de um passado arraigado em velhas práticas tradicionais do poder sobre o uso da violência20.

Por outro lado, não são poucas as iniciativas de desconstrução destas práticas truculentas, a exemplo das experiências de junção entre profissionalismo e uma política de humanização nas delegacias e nas abordagens policiais. Essas experiências resultam das exigências presentes na passagem do estado de exceção para o estado de direito. A partir destas mudanças, exige-se que o policial em serviço seja, não só um 20 Os estudos realizados no Brasil sobre as formas tradicionais de poder e dominação social possibilitaram

uma descrição sobre os códigos tradicionais no estabelecimento da parceria nas áreas rurais. No sistema de parceria, os compromissos eram firmados através de relações informais de acordo coma a lógica da amizade, lealdade e confiança entre os parceiros. Este pacto exigia, de ambas as partes, laços de reciprocidade e cordialidade, que descumpridos, podiam gerar conflitos violentos, resultantes do rompimento dos códigos tradicionais de conduta. No que se refere à questão da segurança, os conhecidos “jagunços”, braços fortes dos donos de terra, eram os homens de confiança para o estabelecimento da ordem social. (BARREIRA, 1992; FRANCO, 1997; LEAL, 1997).

representante legítimo do Estado, na aplicação da força física, bem como um agente defensor da lei e do direito.

3.1. Da polícia tradicional à polícia comunitária - soluções novas e velhos problemas

A “ruptura” com as práticas tradicionais de policiamento surge como um dado no processo de mudanças para a implantação da polícia comunitária. Com base na premissa de que “a polícia deve estar ao lado dos problemas do povo”, busca-se romper com velhas práticas repressivas na solução dos crimes. Nos Estados Unidos e Canadá, por exemplo, a ruptura surge associada à distinção estabelecida entre “polícia tradicional” e “polícia moderna” e, no Brasil, o aspecto diferenciador é compreendido por meio da “ruptura” entre “polícia tradicional” e “polícia comunitária”. O que tais compreensões buscam classificar, no entanto, é que o conceito de tradicional é superado à medida que a polícia busca legitimar-se pelo reconhecimento em assegurar o monopólio da violência.

De acordo com Kanh (2002), o descrédito da polícia como instituição detentora da violência legitima está relacionado à dificuldade de consolidação da democracia. Por esta razão, considera que as propostas de implantação da polícia comunitária surgiram como uma algo inovador no que diz respeito ao problema do emprego legítimo da violência no exercício do policiamento e que esta “nova concepção de polícia” vem se alastrando, principalmente na América Latina, cujas polícias sofrem com o problema de reconhecimento social, devido à repressão vigente ao longo dos regimes autoritários.

No Brasil, com o objetivo de sinalizar para mudanças nas práticas tradicionais de policiamento, o governo aprovou, em 2000, o Plano Nacional de Segurança Pública, e, em 2007, o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania – PRONASCI. O objetivo principal destes programas partiu das experiências adotadas de outros países que passaram por dificuldades similares ao Brasil no que diz respeito à necessidade de minimizar os casos de violência policial e à possibilidade de construção de canais de comunicação da polícia com a sociedade.

Nos respectivos textos, o governo sugere que a população seja “parceira” no estabelecimento de um programa de segurança pública, e, em troca, o Poder Público

compromete-se ao atendimento das demandas da população brasileira por segurança pública de qualidade. Para isto, propôs aos estados que seja implantado um modelo de policiamento conhecido internacionalmente como “policiamento comunitário ou policiamento de proximidade”. Como destacou o comandante de policiamento da Área Operacional VIII:

Posso dizer o que seria ideal, essa aproximação do homem com a comunidade, mas que a comunidade veja o policial como uma autoridade constituída, que respeite o policial como pessoa, que sinta a segurança do policial, sabendo que o policial possa resolver os problemas, não só os problemas de ocorrências policiais, de furto, de roubo, de homicídio, mas também que ele seja um mediador junto destes outros segmentos sociais, mas, estes segmentos, têm que estar ali, próximo, tem que funcionar, porque o policial recebendo a demanda olha: está faltando escola, está faltando trabalho, ele tem como tentar amenizar estes problemas. Se isto acontecer, posso dizer que é polícia comunitária, se isto não acontecer, ele só vai ser um ouvidor dos problemas destas pessoas, ele não vai poder dar um retorno, aí fica difícil. (Entrevista concedida pelo comandante de policiamento da área operacional VIII em 28/12/2006)

A definição de que a polícia é, antes de tudo, construída por meio da valorização do público que atende, e, não simplesmente uma agência estatal responsável pelo cumprimento da lei; aponta para diferenças entre “Polícia Tradicional” e “Polícia Comunitária”. As diferenças entre uma e outra estão no relacionamento entre polícia e as demais instituições, sendo definida pela primeira como conflitantes, e, pela segunda, como parceiros na produção da qualidade de vida da população. No que diz respeito ao uso da força empregada pela polícia comunitária, pressupõe energia e eficiência, ao contrário da polícia tradicional, cuja força é simplesmente uma técnica de resolução de conflitos.

No quadro abaixo, é possível identificar os principais pontos entre estes dois modelos distintos de polícia. Na concepção tradicional, o povo é objeto de intervenção policial, enquanto que na concepção de “polícia comunitária”, o povo é agente ativo, cuja participação permite avaliar o grau de interação e mudanças nos padrões tradicionais de policiamento.

POLÍCIA TRADICIONAL POLÍCIA COMUNITÁRIA

A polícia é uma agência governamental, responsável,

principalmente, pelo cumprimento da lei;

A polícia é o público e o público é a polícia: os policiais são aqueles membros da população que são

pagos para dar atenção em tempo integral às obrigações dos cidadãos;

Na relação entre a polícia e as demais instituições de

serviço público, as prioridades são, muitas

vezes, conflitantes;

Nas relações entre as demais instituições de serviço público, a polícia é apenas uma das instituições governamentais responsável pela qualidade de vida

da comunidade; O papel da polícia é

preocupar-se com a resolução do crime;

O papel da polícia é dar um enfoque mais amplo, visando à resolução de problemas, principalmente

por meio da prevenção; As prioridades são, por

exemplo, roubo a banco, homicídios e todos aqueles

envolvendo violência;

A eficácia da polícia é medida pela ausência de crime e de desordem;

A polícia se preocupa mais com os incidentes;

As prioridades são quaisquer problemas que estejam afligindo a comunidade;

O que determina a eficácia da polícia é o tempo de

resposta;

O que determina a eficácia da polícia é o apoio e a cooperação do público;

O profissionalismo policial se caracteriza pelas respostas rápidas aos crimes

sérios;

O profissionalismo policial se caracteriza pelo estreito relacionamento com a comunidade;

O policial é o do serviço; O policial é o da área;

Emprego da força como técnica de resolução de

conflitos.

O policial emprega a energia e eficiência dentro da lei.

Benzer Belgeler