2.2. Okunabilirliğin Belirlenmesi
2.2.2. Okunabilirliği Belirleyen Formüller
A Região Met ropolit ana de Belo Horizont e - RMBH é form ada por 34 m unicípios23, com um a população de m ais de cinco m ilhões de habit ant es. A dist ribuição de riqueza ent re esses m unicípios é ex t rem am ent e desigual: Belo Horizont e, Bet im e Cont agem r espondem por 84% do PI B de cerca de 62 m ilhões de Reais, enquant o Ribeir ão das Neves e I bir it é são cidades- dor m it ór io, com elev ado cont ingent e populacional e baix os nív eis de at iv idades produt iv as. Ao m esm o t em po, o crescim ent o dem ográfico do m unicípio de Belo Horizont e t em sido inferior ao dos m unicípios periféricos: nos anos 1990, a RMBH cresceu 3,9% ao ano, enquant o a capit al cresceu apenas 1, 1% . A região é caract erizada, port ant o, por um fenôm eno observ ado em m uit as m et rópoles: “ um gigant esco m ov im ent o de const rução da [ periferia] , necessário para o assent am ent o r esidencial dessa população” . ( MARI CATO, 2002, p.16)
Porém , a polít ica habit acional m ais consolidada na RMBH é a do m unicípio de Belo Horizont e. O Sist em a Municipal de Habit ação, const it uído em 1993 pela Prefeit ura Municipal, é form ado pela Secret aria Municipal Adj unt a de Habit ação – SMAHAB e pela Com panhia Urbanizadora de Belo Horizont e – URBEL, am bos órgão ex ecut ores, além do Fundo Municipal de Habit ação Popular – FMHP e do Conselho Municipal de Habit ação – CMH. O Sist em a Municipal de Habit ação t em com o obj et ivo priorit ário debat er , planej ar e v iabilizar as polít icas públicas de prov isão de m oradia. Em t erm os gerais, se div ide duas linhas de at uação que
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Baldim , Belo Hor izont e, Bet im , Br um adinho, Caet é, Capim Branco, Confins, Cont agem , Esm er aldas, Flor est al, I bir it é, I gar apé, I t aguar a, I t at iaiuçu, Jabot icat ubas, Juat uba, Lagoa Sant a, Mário Cam pos, Mat eus Lem e, Mat ozinhos, Nova Lim a, Nov a União, Pedro Leopoldo, Raposos, Ribeirão das Nev es, Rio Acim a, Rio Manso, Sabar á, Sant a Luzia, São Joaquim de Bicas, São José da Lapa, Sar zedo, Taquar açu de Minas e Vespasiano.
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v isam com bat er o déficit habit acional qualit at ivo e quant it at iv o: int erv enções em assent am ent os ex ist ent es e produção de nov as unidades. A produção habit acional at ende fam ílias organizadas em associações ou m ov im ent os populares, além daquelas r em ov idas de áreas de risco. Ent ret ant o, apesar dos av anços em relação ao início da década de 1990, a produção ainda é insuficient e para at ender as dem andas apresent adas pelas associações de sem casa.
É nesse cenár io que se inser e a Cooper at iva Met r opolit ana de Habit ação Popular de Belo Horizont e Lim it ada – COOHABEL, a única cooperat iv a no Est ado de Minas Gerais que desenv olv e em preendim ent os para população de baix a renda, sem inger ência gov ernam ent al.24 Tr at a- se de um a iniciat iv a colet iv a de prov isão de m oradia, que sur giu de m aneira dem ocr át ica e v olunt ária com o respost a à ineficácia das polít icas públicas habit acionais: as 21 fam ílias que fundaram a COOHABEL em 14 de set em bro de 2001 part icipav am do m ov im ent o popular por m oradia m as t eriam que esperar em m édia seis anos par a ser em at endidas pelas polít icas públicas m unicipais.
As fam ílias cooperadas na COOHABEL são, em sua m aioria, dissident es do Núcleo dos Sem Casa da Associação de Moradores Sem Casa do Padr e Eust áquio – ASCAPE. Apesar de um núm ero ex pressiv o de cooperados residirem em Belo Horizont e, a área de ação da cooperat iv a não se lim it a ao m unicípio, pois os cooperados com preenderam desde o início que a aquisição de t er renos para im plant ação dos em preendim ent os só seria econom icam ent e v iáv el em áreas periféricas, fora do m unicípio de Belo Horizont e. Por isso, a cooperat iv a t em com o lim it es de sua área de ação, inclusive para fins de adm issão de cooper ados, t oda a RMBH. Seu obj et iv o é v iabilizar um a alt ernat iv a que possa resolv er o problem a da m oradia num prazo inferior ao est abelecido na pr odução habit acional pelo Sist em a Municipal de Habit ação.
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Ex ist em em Minas Gerais apenas 5 cooperat iv as regist radas na OCEMG: COOHABEL, COI ND – Cooperat iv a I nt egral de Desenvolv im ent o do Planalt o de Araxá Lt da, COHESA – Cooper at iva Habit acional dos Em pregados da Sam arco Lt da, COOPALASKA – Cooperat iva Alaska Em preendim ent os Habit acionais Lt da, MI NAS METAL COOP – Cooper at iva Habit acional dos Met alúr gicos de Minas Ger ais Lt da.
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As prát icas gerenciais da COOHABEL seguem os v alores e princípios do cooperat iv ism o est abelecidos pela Aliança Cooperat iv a I nt ernacional. Seus obj et ivos sociais, segundo o Est at ut o, são:
- propor cionar aos seus cooper ant es a con st r u çã o e
a qu isiçã o da ca sa pr ópr ia a pr e ço de cu st o, e a
int egr ação sócio- com unit ár ia deles;
- r ealizar em preendim ent os habit acionais com recur sos própr ios ou obt idos em inst it uições do Sist em a Financeir o de Habit ação;
- escolher e cont rat ar a aquisição e t er renos, benfeit orias e
equipam ent os indispensáveis à execução de seu
em pr eendim ent o habit acional e ao pleno alcance de seus obj et ivos;
- obt er do Sist em a Financeir o de Habit ação r ecur sos t ot ais
ou par ciais necessár ios à execução dos seus
em pr eendim ent os;
- con t r a t a r a con st r u çã o ou a qu isiçã o de u n ida de s
r e side n cia is com fir m a s idôn e a s, obser vadas as norm as
adot adas pela Caixa Econôm ica Feder al e seus agent es financeir os;
- prom over a r ealização de segur os, de acor do com a legislação vigent e e nor m as apr ovadas pela Caixa Econôm ica Feder al, quando em convênio com ela;
- or ganizar, cont rat ar e m ant er t odos os serviços adm inist rat ivos, t écnicos e sociais, visando alcançar seus obj et ivos e pr opor cionar t ot al t r anspar ência;
- criar e inst alar depar t am ent o de com pr as de m at er iais de const r ução e out r os serviços afins ao pr ogr am a habit acional, de acor do com o int eresse e apr ovação da Assem bléia de cooper ant es. ( ESTATUTO SOCI AL DA COOHABEL, 2001, p.1)
Com a fundação da COOHABEL, os associados passam de um a posição m eram ent e reiv indicat ória para um a posição proposit iva. O sucesso da produção habit acional nesse caso depende sobret udo da m obilização e da capacidade de organização do grupo. Nos prim eiros anos da cooperat iv a, as at iv idades se rest ringem à realização de reuniões para cum prir ex igências legais e à busca por t errenos adequados para im plant ação das m oradias. São visit ados 15 t er r enos nos m unicípios da RMBH, m as t odos são descar t ados, sej a em razão de preços ou condições de pagam ent o incom pat ív eis com a realidade financeira dos cooperados, sej a pela falt a de docum ent ação dos im óv eis. Apenas no final de 2002 e início de 2003, a COOHABEL consegue v iabilizar a aquisição de seus t err enos. Em am bos os casos, é adot ada um a est rat égia sem elhant e à ut ilizada por lot eadores em em preendim ent os periféricos,
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baseada na m odificação do uso do solo, com o dem onst ra a abordagem do pr óxim o capít ulo. Desde ent ão a COOHABEL v em desenvolv endo est udos e proj et os com int uit o de v iabilizar os conj unt os “ Jardim Liberdade” e “ Jar dim Bela Vist a” nos m unicípios de Cont agem e Vespasiano, r espect ivam ent e.
Nesse período a COOHABEL passa a apr esent ar caract eríst icas peculiares, com prát icas que a configuram t ant o com o um a “ Cooperat iv a Mat riz” quant o com o um a “ Unidade Cooper at iv a” . A COOHABEL passa a t er suas at iv idades div idias em núcleos dist int os, em função dos em preendim ent os em desenv olv im ent o, m as or ganizada a par t ir de um a única pessoa j ur ídica.
A COOHABEL não cont a com nenhum t ipo de incent iv o ou apoio do poder público, ou sej a, apresent a as m esm as caract eríst icas das cooperat ivas aut ofinanciadas abor dadas ant eriorm ent e, pois sua produção habit acional depende da ant ecipação de recursos dos próprios cooperados. Sendo im port ant e dest acar que os r ecursos invest idos na com pra dos t er renos, assim com o na cont rat ação da equipe t écnica – arquit et o, engenheiro, adv ogado – foram t odos auferidos j unt o aos próprios associados. A COOHABEL est abelece, em assem bléia, um v alor m ensal que cada cooperado dev e pagar at é que as despesas sej am quit adas. As parcelas são fix adas dent ro de um lim it e que não com prom et a as despesas com consum o básico, com o alim ent ação, v est uário e t r anspor t e, de seus cooper ados.
A part ir desse período o quadro de associados da cooperat iv a cr esce ex pressiv am ent e, chegando a 597 cooperados em m arço de 2004. Com o cr escim ent o do quadr o de associados, a cooper at iva dever ia se consolidar com o um a alt ernat iv a m ais econôm ica e desburocrat izada frent e às iniciat iv as do m ercado ou do Est ado, pois t em com o obj et iv o proporcionar aos seus cooperados a const r ução e aquisição da casa própria a preço de cust o. Ent r et ant o, o núm ero de cooperados t em dim inuído ano após ano em razão da m orosidade do processo de pr odução habit acional da cooperat iv a e do aum ent o na pr odução pelo Sist em a Municipal de Habit ação.
65 TABELA1 Núm er o de cooper ados ANO COOPERADOS 2004 597 2005 306 2006 383 2007 322 2008 309
Font e: At as de r euniões da COOHABEL.
Mais relev ant e que a própria redução do núm ero de cooperados é a desm obilização que a ent idade v em sofr endo. A COOHABEL adot a um pr ocesso gerencial em basado nos princípios da aut ogest ão, não apresent ando nenhum a int erv enção ou est im ulo est at al, e t am pouco aut orit arism o das lideranças. Ent r et ant o, com o a aut ogest ão configura- se pela part icipação efet iv a de t odos no processo de t om ada de decisão, não se pode afirm ar que a aut ogest ão foi efet ivam ent e im plant ada na COOHABEL, em função do baix o nível de par t icipação dos cooper ados em r euniões e assem bléias.
TABELA2
Relação ent r e cooper ados filiados e par t icipat ivos25
ANO COOPERADOS Pr esent es nas Assem bléias %
2004 597 121 20,27
2005 306 110 35,95
2006 383 69 18,02
2007 322 64 19,88
2008 309 75 24,27
Font e: At as de r euniões da COOHABEL.
O desint er esse dos cooperados dem onst r a um a fissura nos princípios ali pr opost os. sej a em conseqüência da m orosidade do processo ou do própr io crescim ent o exagerado da ent idade. A relação ent re o núm ero t ot al de cooperados e os env olvidos nas decisões dem onst r a um a desm obilização gradat iv a em função da m orosidade do processo. Cabe ressalt ar, que a m aior part icipação relat iv a ocor reu em 2005, logo após os t er renos adquiridos t er em
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sido quit ados. Para que a aut ogest ão ocorra de fat o na COOHABEL é necessário que as inform ações sej am analisadas por t odos, com int uit o de ident ificar os problem as ex ist ent es, bem com o para buscar as m elhores alt ernat iv as a cada caso.
O perigo de degener ação da pr át ica aut ogest ionár ia vem , em gr ande part e, da insuficient e for m ação dem ocr át ica dos sócios. A aut ogest ão t em com o m ér it o principal não a eficiência econôm ica ( necessária em si) , m as o desenvolv im ent o hum ano que pr opor ciona aos pr at icant es. ( SI NGER, 2002, p. ) .
Apesar da m or osidade, o baix o índice de part icipação dos cooperados da COOHABEL se dev e pr incipalm ent e a ex ist ência de dois grupos com caract eríst icas dist int as: o prim eiro com post os por associados oriundos de m ov im ent os sociais, env olv idos nas decisões da cooperat iv a e o segundo form ado por sócios consum idores, int eressados apenas na aquisição da casa própria. Essas caract eríst icas at reladas à um processo de desm obilização gradat iv o fort alece a acom odação dos cooperados, dem onst r ado pela ausência nas reuniões e pela recorrência dos nom es eleit os por unanim idade par a as diret orias e os conselhos. Os próprios m em bros de diret orias e conselhos não são assíduos nas r euniões da cooper at iva.
A diret oria é com post a por quat ro m em br os, cooper ant es no gozo de seus direit os sociais, eleit os pela Assem bléia Geral por um m andat o de t rês anos, sendo obrigat ória, ao t érm ino de cada m andat o, a renov ação de no m ínim o um t er ço de seus com ponent es. A dir et or ia r ege- se pelas seguint es nor m as:
- r eune- se ordinar iam ent e um a vez por m ês e
ext r aor dinar iam ent e sem pr e que necessár io, por
convocação do President e, da m aior ia da pr ópria Diret oria ou , ainda, por solicit ação do Conselho Fiscal;
- deliber a v alidam ent e com a pr esença da m aior ia dos seus m em bros, pr oibida a repr esent ação, sendo as decisões t om adas pela m aior ia sim ples de vot os present es, r eser vado ao Pr esident e o vot o de desem pat e;
- as deliber ações ser ão consignadas em At as
cir cunst anciadas lavr adas em livr o pr ópr io, lidas, apr ovadas e assinadas no fim dos t r abalhos pelos m em br os do conselho pr esent es. ( ESTATUTO SOCI AL DA COOHABEL, 2001, p.12)
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At ualm ent e, a COOHABEL é com post a por 328 fam ílias, sendo que apenas oit o pert encem ao grupo original das 21 fam ílias fundadoras da cooperat iv a. O grupo at ual se div ide ent re t rês em preendim ent os: o Jardim Bela Vist a, com 61 cooperados; o Liberdade I , com 248 fam ílias; e o Liberdade I I com 19 fam ílias cooperadas ( a área para im plant ação desse últ im o em preendim ent o ainda est á em negociação) .
Quant o ao per fil das fam ílias associadas, 54% são chefiadas por hom ens e 46% por m ulheres, a grande m aior ia t em renda fam iliar m ensal inferior a t rês salár ios m ínim os, e 75% t em at é dois dependent es.
TABELA 3
Relação ent r e cooper ados e r enda m ensal
Renda m ensal ( salár ios m ínim os) Núm er o de fam ílias Por cent agem
abaixo de 1 62 19%
de 1 a 2 174 53%
de 2 a 3 82 25%
acim a de 3 10 3%
Font e: Cadast r o de cooper ados da COOHABEL.
A COOHABEL apresent a ainda algum as peculiaridades que precisam ser super adas, pois a apr oxim a de iniciat ivas de pr ovisão de m or adia capit alist as. A adm issão do cooperado não é r ealizada por fam ília, perm it indo assim que a m esm a fam ília t enha m ais de um cooperado. Ex ist em casos ainda onde o m esm o cooperado possui m ais de um a cot a, ou sej a, est a adquirindo m ais de um a m or adia. Port ant o, a iniciat iv a da COOHABEL não se lim it a apenas a solucionar o problem a de falt a de m or adia digna dessa população, m as cont ribuir para form ação de pat r im ônio ( ent esouram ent o) de alguns. A relação ent re cooperados e dependent es cont r ibui para a com pr eensão dessas dist orções, na m edida que os cooperados sem dependent es são parent es dir et os de out r os cooper ados.
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TABELA 4
Relação ent r e cooper ados e dependent es
Núm er o de dependent es Núm er o de fam ílias Por cent agem
Nenhum 141 43% 1 56 17% 2 59 18% 3 42 13% 4 20 6% Mais de 4 10 3%
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