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4. Bölüm

4.1. Okuma Kültürünün Edindirilmesinde Okulun Fiziki Şartlarının Rolü

Para melhor compreensão da dinâmica que permeia a complexa rede de produtores de carvão vegetal, procurou-se fazer indicações acerca das estruturas de produção que abasteceram a COSIPAR80

Uma análise crítica dos dados indica alguns problemas que findam por proporcionar algum nível de distorção, mas que não comprometem as conclusões gerais. O primeiro problema decorre do fato de algumas das carvoarias instaladas em serrarias serem listadas duplamente, como é o caso da serraria de propriedade do senhor Romeu, localizada no município de Jacundá (Tabela 8), uma vez que entre ele e o fornecedor estabeleceu-se um acordo por meio do qual a metade do carvão produzido caberia ao proprietário da serraria e a outra ao fornecedor do carvão. Pelo pactuado, a cada duas cargas de carvão entregues a siderúrgicas, uma seria faturada em nome do dono da serraria e a outra em nome do fornecedor, o que implica o registro de dois fornecedores de carvão, quando, na verdade, trata-se apenas de uma carvoaria. O mesmo procedimento foi observado na Madeireira

, realizadas tendo por base listagens completas de todos os fornecedores de carvão vegetal da empresa e o volume por eles entregues nos anos de 1989, 1990 e 1990. Ressalva-se que: o carvão produzido no sudeste paraense não abastece somente a COSIPAR, mas também as guseiras instaladas no oeste maranhense; as indicações apresentadas não dão conta, evidentemente, da diversidade de estruturas que surgiram em outras áreas, em especial do leste maranhense, bem como daquelas que utilizaram outros tipos de resíduos.

80

O perfil dos fornecedores e as dinâmicas aqui expostas em relação à COSIPAR correspondem aos apresentados em

JANJAN Ltda., na qual o fornecedor/carvoeiro, senhor Antônio, entregava à COSIPAR, em seu nome, uma de cada duas cargas e a outra entregava em nome do proprietário da serraria. Como estes, há vários outros casos.

Outra distorção decorre do fato de constarem nas listagens de fornecedores nomes como dos senhores João Caldas e Adão Pereira de Oliveira, que não eram fornecedores, mas caminhoneiros, que, algumas vezes, compravam o carvão diretamente dos produtores para, posteriormente, revendê-lo à COSIPAR.

Por fim, outro problema decorre do fato de que vários fornecedores entregam o carvão por eles produzido em nome de terceiros, como uma estratégia para que, dessa forma, pudessem fugir dos descontos decorrentes das dívidas contraídas com a empresa como financiamento destinado à montagem da sua carvoaria.

Feitas essas ressalvas, deve-se considerar que a construção do perfil dos fornecedores de carvão vegetal pode abarcar vários aspectos, um certamente relevante é a origem dos resíduos carbonizados. Dos 756 fornecedores que venderam carvão vegetal, em 1991, para a COSIPAR, 341 utilizavam, para produzi-lo, resíduos de serrarias, e os 415 restantes, resíduos de fazendas. Os fornecedores de carvão à base de resíduos de serraria correspondiam a 45% do número de fornecedores e participavam com 53.136,96 toneladas de carvão, correspondentes a 57,6% da demanda da empresa. Em 1990, os fornecedores de carvão de serraria correspondiam a 44,8% e produziam 67,7% do carvão consumido pela COSIPAR. Como se indica no Gráfico 4, em 1989, dos 832 fornecedores, 332 produziam carvão de serraria, o que equivalia a 39,9%, e produziram 62,9% do carvão.

A maioria desses fornecedores são indivíduos que coordenam o processo de produção do carvão vegetal, algumas vezes, do ponto de vista jurídico, assumem a condição de pessoas jurídicas e, nesse caso, geralmente são serrarias ou madeireiras que chamam para si o controle do processo de produção de carvão dos resíduos da madeira serrada.

A impossibilidade de acessar listagens tão detalhadas em relação à origem do carvão vegetal para períodos mais recentes dificulta a ratificação do discurso dos diretores das diversas empresas sídero-metalúrgicas de que há uma tendência crescente para que o carvão consumido seja predominantemente originário de resíduos de serrarias.

Gráfico 4 - Fornecedores de carvão vegetal para a COSIPAR, segundo origem dos resíduos. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% FAZENDAS SERRARIAS 341 415 391 332 482 500 53.136 toneladas 39.152 toneladas 86.513 toneladas 41.317 toneladas 26.124 toneladas 44.287 toneladas 19 91 A N O 19 90 19 89 nº forneced. volume volume volume nº forneced. nº forneced. Fonte: Monteiro (1995, p. 77).

Entrementes, as evidências captadas a partir de viagens à região, realizadas em março de 1994 e julho de 1995, parecem indicar que realmente há uma redução na produção de carvão vegetal produzido a partir de lenha proveniente de fazendas. A redução parece estar relacionada aos custos de produção elevados em relação aos que utilizam os resíduos da madeira processada em serrarias, mas principalmente à ampliação da demanda do carvão em ritmos superiores à formação de grandes áreas de pastagens como forma de garantir a propriedade da terra; prática que aparentemente perde o ímpeto, tanto pela constante redução no preço da terra nos últimos quatro anos na região como pela estabilização monetária e pela ameaça de ocupações de propriedades fundiárias, fragilizando o seu papel enquanto reserva de valor, ou mesmo pela baixa rentabilidade da pecuária regional.

No que tange ao perfil dos fornecedores, pode-se observar, com clareza, que os que utilizam resíduos de serraria, apesar de serem em menor número, têm uma participação maior na produção do carvão em relação aos fornecedores de fazenda. A produção nas fazendas é temporária, e tem dupla utilidade porque resulta na produção do carvão e na limpeza do terreno para o plantio de pastos; no caso das serrarias, trata-se da utilização do refugo que é subproduto decorrente das técnicas regionalmente utilizadas na indústria madeireira, possibilitando que alcancem volumes mais elevados de produção. Assim, as carvoarias de serraria produzem individualmente um volume maior de carvão que as de fazenda, pelo fato de contarem com a regularidade no fornecimento de resíduos para carbonização, uma vez que o ritmo de produção das serrarias geralmente é regular.

A proporcionalidade inversa vincula-se, também, em alguma medida, ao fato de as unidades produtoras de carvão de serraria serem construídas próximas aos pátios onde é serrada a madeira. Invariavelmente, as serrarias localizam-se em áreas servidas por estradas de relativa qualidade, o que permite que durante todo o ano, inclusive no chamado inverno – expressão usualmente utilizada para designar o período de maior quantidade de chuva na região –, a produção possa ser transportada.

As carvoarias de fazenda (Fotografia 16), em sua maioria, encontram-se em locais precariamente servidos de estradas, o que dificulta o transporte do carvão para a empresa durante o ano todo, por vezes impossibilitando o carvoejamento durante o período do inverno. Além disso, não se pode contar com a regularidade, pois o fornecimento da lenha é determinado pela dinâmica da derrubada para a formação do pasto ou do roçado.

A maioria dos fornecedores não produziam mais do que 100 toneladas de carvão vegetal por ano. Conforme se pode observar no Gráfico 5, em 1990, 2/3 dos fornecedores, ou seja 579, produziram menos que 100 toneladas, e foram responsáveis pelo fornecimento de apenas 15,2% do volume total do carvão consumido pela COSIPAR, enquanto 2% dos fornecedores foram responsáveis pelo suprimento de mais de ¼ do carvão.

Gráfico 5 -Número de fornecedores por volume de produção anual, em

milhares de toneladas. Acima de 1000t 500 a 1000 t 300 a 500 t 100 a 300 t Até 100 t f o rne c ed. V o lum e pr odu zi d o f o rne c ed. V o lum e pr odu zi d o f o rne c ed. V o lum e pr odu zi d o 1991 A N O 1990 1989 8 17 5 14,2 32,6 6,7 23 38 1 162 180 130 44 5 24 5 1 9 5 7 9 6 5 6 15,7 25,1 11,7 17,5 18,8 8,8 26,8 31,6 22,0 17,9 19,4 21 Fonte: Monteiro (1995, p. 79).

Não é possível estabelecer uma relação direta entre os pequenos fornecedores (até 100 t/ano) e os camponeses, pois, na maioria dos casos, os fornecedores utilizam lenha de propriedades alheias, que lhes é cedida. Desse modo, um pequeno fornecedor pode estar

utilizando a lenha oriunda de um latifúndio, ou de uma propriedade de porte médio e não necessariamente de um minifúndio.

O traço marcante no perfil do mercado de carvão vegetal da região reside no fato de haver uma concentração do volume da produção de carvão em poucas unidades. Em 1991, os oito maiores fornecedores produziram 14,2 mil toneladas, enquanto os 519 menores foram responsáveis por apenas 17,9 mil toneladas. Caracteriza-se uma dinâmica na qual os pequenos fornecedores – aqueles que produzem até 100 t/ano – equivalem, no período estudado, em termos numéricos, a mais de 2/3 do total de fornecedores e são responsáveis pela produção de uma pequena parcela do carvão consumido, enquanto um pequeno número de fornecedores são responsáveis por parcela significativa do carvão produzido.

Fotografia 16- Bateria de fornos tipo japonês onde se carboniza lenha originária de desmatamentos.

Fonte: Autor (1996).

Uma vez determinada a localidade de onde provém o carvão vegetal consumido pela COSIPAR, torna-se possível construir uma série de relações que possibilitam compreender alguns elementos da lógica de estruturação da cadeia de fornecedores. O Gráfico 6 indica que os fornecedores que têm carvoarias instaladas a até 80 km da usina foram responsáveis pelo suprimento de mais da metade do carvão vegetal consumido pela empresa nos anos de 1989, 1990, 1991, respectivamente 44%, 54,9% e 54,6% do abastecimento da companhia. Infere-se que nas proximidades da indústria ocorre a produção de mais da metade do carvão, o que significa que há efetivamente uma pressão sobre as florestas mais próximas

da usina, pois a demanda do carvão constitui-se em um forte estímulo para os proprietários desatarem ou cederem áreas a terceiros para produção do carvão, o que representa a diminuição dos custos na formação de pastos.

Existe uma contradição evidente entre a realidade e o discurso dos planejadores e dos empresários, que afirmavam que a siderurgia não seria um elemento de pressão sobre a mata, à medida que seria utilizada a lenha resultante das derrubadas para a formação de pastos81

A racionalidade empresarial não recomenda a utilização da lenha originária de desmatamentos distantes da usina; para tanto, sua capacidade de organizar o espaço incentiva diversos agentes econômicos a realizarem desmatamentos próximos à usina.

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Nos três anos referenciados, aproximadamente 70% do total do carvão originário de resíduos de fazendas provinham de carvoarias instaladas a menos de 80 km da companhia. Em 1990, das 41.317 toneladas de carvão vegetal produzidas com resíduos de fazendas, 31.166 toneladas, ou seja, 75%, tiveram origem nos municípios próximos à usina.

O maior número dos pequenos fornecedores, de até 100 t/ano, está localizado nos municípios próximos à usina. Em Marabá, dos 234 fornecedores de carvão instalados no município, em 1991, 175 produziram menos de 100 toneladas. Destes, pequenos fornecedores, a maioria (150) utilizava resíduos de fazendas na produção do carvão.

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Ver por exemplo Brasil (1989, p. 219); artigo de Marco Aurélio Machado, Presidente da ABRACAVE na revista “Pará Desenvolvimento” nº 22; e depoimento de Sérgio Leão, gestor do CDI/PA emIDESP (1988b, p. 18).

Gráfico 6- Origem do carvão vegetal consumido pela COSIPAR, em toneladas. 26590 2639 9916 23856 13829 9374 31168 6123 2246 38924 25530 21742 18503 5846 1735 17732 26468 11983 0% 25% 50% 75% 10 0%

Até 80 km Entre 80 e 200 km Mais de 200 km

SERRARIAS FAZENDAS SERRARIAS FAZENDAS SERRARIAS FAZENDAS 199 1 A N 0 199 0 198 9 Fonte: Monteiro (1995, p. 81).

Nos municípios de Rondon do Pará, Jacundá, Tailândia e Tucuruí, há concentração da produção do carvão originário de resíduos de serrarias, obviamente vinculada ao fato de estes municípios registrarem o maior número de serrarias da região. Paragominas, município que também concentra grande número de serrarias, e que está distante mais de 400 km da Usina, em 1990, contou com 22 fornecedores de carvão de serraria, que foram responsáveis pela produção de quase 10.000 toneladas e, a partir de 1991, privilegiaram o fornecimento às siderúrgicas instaladas no Maranhão.

Portanto, a partir da siderurgia e do carvoejamento conformaram-se novos esquemas de mobilização, apropriação de recursos naturais e transferência de estoques de energia que se apoiaram em estruturas e relações sociais já existentes na região como a exploração madeireira predatória, o latifúndio e a peonagem da dívida – que serviram de base para formas aparentemente novas ou ampliadas de produção social. Esses esquemas de transferência de energia ampliaram a degradação ambiental, caotizaram diversos espaços urbanos, reforçaram as tensões no campo e os conflito, ampliaram os esquemas de submissão da força de trabalho à baixa remuneração e a condições de trabalho insalubres, e principalmente implicaram ampliação da produção entrópica, correspondendo, por um lado, ao esgotamento de recursos naturais e, por outro, à desigual partilha do produto social resultante da conversão material e energética em valores.

7 A GENERALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO CARVOEIRA E SUAS IMPLICAÇÕES