2.1 ARAġTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESĠ
2.1.4 Okullarda Teknoloji Kullanımı
Produções excessivas do superóxido, em função do aumento da atividade da SOD, podem inibir a atividade da CAT (Kono e Fridovich, 1982). Roberts et al. (1987) e Rodriguez- Ariza et al. (1991; 1992; 1993) caracterizam o aumento da atividade da SOD como indicador de exposição a águas poluídas, indicando aumento na produção de ânion superóxido. Como observado nos peixes expostos ao meio ácido (0CupH), verificamos que no metabolismo hepático houve aumento da atividade da SOD e diminuição da atividade da CAT. As concentrações hepáticas de HP não foram alteradas. Possivelmente a manutenção da atividade
da GSH-Px foi suficiente para combater os superóxidos produzidos pela elevada atividade da SOD, evitando danos oxidativos (Figura 10).
A exposição dos peixes ao meio ácido causou diminuição na concentração de HP e na atividade das enzimas SOD e CAT no músculo vermelho, quando comparados aos peixes do grupo controle (Figura 11). Os valores do metabolismo intermediário dos peixes expostos ao meio ácido apontam para uma possível diminuição do metabolismo frente a esta adversidade pois, houve diminuição de concentração plasmática de glicose e lactato (estes parâmetros serão discutidos mais adiante). Este processo pode ser uma busca de evitar a acidose, como verificado nos dados de pHsg (Figura 15), o que implicaria na diminuição de captação de oxigênio e, assim, diminuições da produção de EROs provenientes da cadeia respiratória. Cassini et al. (1993) e Wilhelm Filho et al. (1993) encontraram correlação positiva entre enzimas antioxidantes e intensidade metabólica.
A regulação precisa das concentrações de H+ é essencial, visto que a atividade da maioria das enzimas é influenciada pelo pH. O pH da água afeta a estrutura e atividade das enzimas e baixos pHs podem desnaturar muitas delas na mitocôndria (Ling, 1981). Isto pode explicar a redução da atividade das enzimas do músculo vermelho, nos peixes expostos ao meio ácido no presente estudo, e a correlação destas inibições com a diminuição do pHsg.
Por outro lado, no músculo branco dos peixes expostos ao meio ácido, por se tratar de um tecido menos oxidativo e ter menor atividade das DAs, houve um aumento na concentração de HP (Figura 12). Por não haver diferenças nas atividades da SOD e GSH-Px e diminuição na atividade da CAT, verificamos que as DAs não foram efetivas no processo de proteção do músculo branco, caracterizando estresse oxidativo.
Singh et al. (2004) determinaram uma faixa de pH ótimo para a atividade da CAT entre 6,5 a 7,0. Moore et al. (2008) sugerem que as alterações do pH do ambiente parecem influenciar a atividade da CAT, modificando a relação entre a ação enzimática e a concentração do substrato. O mecanismo molecular para o efeito do pH na atividade da CAT, embora ainda não tenha sido estudado detalhadamente, pode estar na oxidação do Fe2+ presente no grupamento heme de sua molécula. A sensibilidade da CAT à diminuição do pH foi verificada nos tecidos avaliados do pacu expostos ao meio ácido. Por outro lado, a atividade da GSH-Px foi mantida constante nestes tecidos, mostrando que as variações do pH, no presente estudo, não modificaram a atividade desta enzima no pacu.
b. Intermediários metabólicos
Brown et al. (1990) verificaram efeito do pH (4,7 – 5,6) no salmão do atlântico, Salmo salar. Estes autores observaram um aumento na concentração de glicose no plasma atribuído à busca na manutenção do metabolismo de carboidratos. A exposição ao meio ácido no pacu causou diminuição plasmática da glicose e lactato, sem alterações do piruvato, da amônia e da proteína (Figura 13). Estes resultados demonstram que a exposição ao meio ácido causou hipoglicemia, porém, sem ativação do metabolismo anaeróbico na tentativa de suprir as demandas energéticas. Estas respostas podem caracterizar uma depressão metabólica, diminuindo o gasto energético e evitando intensificar a acidose, uma vez que houve acidificação do plasma dos pacus expostos a pH 5,0. Winkaler et al. (2001) caracterizaram a hipoglicemia de peixes do gênero Astyanax sp. como resposta a estresse crônico. A diminuição do metabolismo glicolítico pode estar relacionada à prevenção da acidificação do meio evitando a acidose metabólica (Sidell, 1983), uma vez que a glicólise é o maior produtor de H+ no organismo (Devlin, 1997), pois a diminuição do pH pode prejudicar processos fisiológicos e causar danos severos à célula (Van den Thillard e Van Waarde, 1985; Wood, 1991). De acordo com Jobling (1994), a exposição a condições ácidas pode levar a diminuições do pH sangüíneo de não mais que poucos décimos de unidade. Porém, as conseqüências fisiológicas destas mudanças são potencialmente grandes. Nossos dados, portanto, corroboram os destes autores demonstrando que a exposição ao meio ácido diminuiu o pHsg de pacu.
c. Atividade da Na+/K+-ATPase, concentração de Metalotionina branquial e [Cup]
A exposição ao meio ácido não modificou a [Cup] do pacu quando comparados aos peixes do grupo controle (Figura 15). Não houve diferenças na concentração de MT branquial dos peixes expostos ao pH ácido, quando comparados aos do grupo controle (Figura 14). As MTs são importantes biomarcadores de poluição ambiental mas, no presente estudo, não se mostraram responsivas às alterações de exposição ao meio ácido.
Diferente dos mamíferos, o principal mecanismo de tamponamento sangüíneo dos peixes depende da regulação interna do pH, que é realizada pela excreção de H+ para o ambiente aquático. Um dos processos que auxilia este mecanismo é a manutenção da baixa da concentração de Na+ intracelular, mantido pela Na+/K+-ATPase (Claiborne et al., 2008). Diversas espécies de peixes mostraram ajustar rapidamente seu metabolismo utilizando a liberação de H+ pelas brânquias (Heisler et al., 1988). Claiborne et al. (1992) descreveram que o
“spiny dogfish”, Squalus acanthias, pode se recuperar de uma acidose respiratória em 24 h através
da excreção de H+ e aumento de HCO3- no plasma, compensando a diminuição do pH do
sangue. O pacu exposto ao meio ácido aumentou a atividade da Na+/K+-ATPase,
possivelmente como mecanismo de reversão da diminuição do pHsg.
d. Parâmetros Hematológicos
Variações no pH aquático causam estresse em peixes e as determinações dos parâmetros hematológicos são consideradas indicadores desta toxicidade (Sancho et al., 2000). Tanto o pH alto como o pH baixo são tóxicos para os peixes (Carvalho e Fernandes, 2006). De acordo com Heath (1995), quando a exposição a baixos pHs ocorre de forma mais crônica, o aumento dos parâmetros hematológicos pode ser uma resposta a uma diminuição no fluxo de oxigênio no sangue. Devido ao efeito Bohr, o sangue terá menor afinidade pelo oxigênio em baixos pHs. Os estímulos à produção de eritrócitos e hemoglobina podem, posteriormente, aumentar a capacidade de transporte de oxigênio e assim compensar parcialmente estas alterações. Os dados observados em pacus expostos ao meio ácido, na presente pesquisa (Figura 16), demonstram que os mecanismos para melhorar a captação e o transporte de oxigênio pelo sangue foram ativados. Estes dados são confirmados pelos aumentos de Eri, Hb e CHCM. Nota-se, ainda, que as diminuições significativas do VCM nos peixes expostos ao meio ácido possivelmente caracterizaram que as células sangüíneas liberadas eram menores, e não alterando o Htc.
Segundo Heath (1995) as proteínas são importantes tampões intracelulares e nos eritrócitos a hemoglobina pode também atuar como importante tampão. Nossos dados demonstram que a elevação na concentração de Hb pode também ser um mecanismo acionado para reverter a acidose plasmática. Estes dados mostram que, apesar do pacu resistir à exposição ao meio ácido, pois não houve mortalidade, suas variações hematológicas são estratégias para melhorar a captação de oxigênio dificultada pela acidose sangüínea, conforme descrito por Nussey et al. (1995).
8.1.3 Exposição à hipóxia