1.6. Tanımlar
2.1.5. Okulla Özdeşleşme
Figura 3 – Média da parasitemia dos camundongos infectados com 5 x 103 formas tripomastigotas da cepa Y do Trypanosoma cruzi, submetidos ao tratamento por 3 (A), 5 (B), 7 (C) ou 10 (D) dias com as drogas Benznidazol (círculos brancos) ou Itraconazol (círculos cinza). Ambos os tratamentos foram realizados na dose de 100mpk por dia. O grupo controle infectado está representado pelos círculos pretos. As setas indicam o dia do inicio do tratamento.
Considerando que o objetivo deste experimento foi determinar o tempo mínimo de tratamento para a definição da dose ótima, e que nesta padronização os animais foram tratados com as doses ótimas de Bz e Itz (padronizada anteriormente por outros autores), foi definido, que em nosso protocolo, seria utilizado o tratamento durante 7 dias para a identificação da melhor dose de cada composto avaliado.
Isabel Mayer de Andrade Resultados
4.2 – Avaliação da atividade anti-T. cruzi de novos compostos nitroimidazólicos.
4.2.1 – Avaliação da atividade tripanocida
O protocolo definido anteriormente foi utilizado para a avaliação da atividade tripanocida de quatro derivados nitroimidazois, denominados DNDi-IM2, DNDi-IM3, DNDi-IM4 e da reavaliação do Fex. Nestes experimentos o Bz e/ou Itz foram utilizados como drogas de referência.
No primeiro experimento camundongos inoculados com a cepa Y do T. cruzi foram tratados com uma dose única de 500mpk de cada composto avaliado.
Os resultados apresentados na Tabela 2 mostram que a análise dos parâmetros: (i) supressão da parasitemia, (ii) tempo para a reativação da parasitemia e (iii) taxa de mortalidade, foi capaz de diferenciar os níveis de atividade anti-T. cruzi dos compostos avaliados.
Tabela 2 – Parâmetros utilizados para a avaliação do tratamento de camundongos infectados com a cepa Y do Trypanosoma cruzi utilizando uma dose única de 500mg/kg de peso (mpk) de Fexinidazol, DNDi-IM2, DNDi-IM3, DNDi-IM4, Benznidazol e Itraconazol.
Parâmetros de Avaliação
Composto parasitemia/ animal Supressão da da parasitemia (dias) Tempo de supressão Mortalidade
Fexinidazol 6/6 4,67 + 0,82 0/6 (0%) DNDi-IM2 6/6 3,67 + 1,63 0/6 (0%) DNDi-IM3 6/6 8,83 + 2,64 0/6 (0%) DNDi-IM4 6/6 2,3 + 0,52 5/6 (83%) Benznidazol 6/6 4,5 + 1,64 0/6 (0%) Itraconazol 5/6 2,1 + 1,16 6/6 (100%) Não Tratado - - 6/6 (100%)
Todos os compostos foram eficazes em suprimir a parasitemia de camundongos infectados pela cepa Y de forma similar ao Bz, a droga de referência. Entretanto, o
tempo necessário para a reativação da parasitemia foi variável, sendo similar ao Bz entre os animais tratados com Fex, inferior entre aqueles tratados com os compostos DNDi-IM2 e DNDi-IM4 e maior nos animais tratados com o composto DNDi-IM3. Em relação à taxa de mortalidade, todos os compostos foram eficazes em prevenir a morte dos animais infectados pela cepa Y, assim como o Bz. Por outro lado, foi observado 100% de mortalidade entre os animais tratados com o Itz.
A análise dos resultados obtidos permitiu ranquear os compostos avaliados quanto a sua atividade anti-T. cruzi, sendo o DNDi-IM3 > Bz = Fex> DNDi-IM2 e DNDi-IM4 > Itz.
De acordo com o protocolo, o composto que apresentasse atividade tripanocida igual ou superior às drogas usadas como referência continuaria a ser avaliado. Neste caso, foi realizado um novo experimento para definir as doses de cada composto, a ser usada nos experimentos de longa duração.
Nesta etapa o tratamento foi realizado utilizando três doses: 100, 200 e 300mpk. A dose eficaz em suprimir a parasitemia, aumentar o tempo de supressão da parasitemia, de reduzir o pico de parasitemia e a mortalidade, de forma igual ou superior ao Bz (tratamento padrão de 100mpk) seria escolhida a prosseguir na avaliação.
Os animais foram tratados por sete dias consecutivos e foram avaliados os seguintes parâmetros: (i) supressão da parasitemia, (ii) tempos de supressão da parasitemia e (iii) mortalidade.
A análise dos parâmetros propostos mostrou que o tratamento com 100mpk de Bz, administrado por sete dias, induziu a supressão da parasitemia e da mortalidade de todos os animais, sendo a reativação da parasitemia observada após 11,5 + 9,16 dias após o término do tratamento (Tabela 3).
A análise dos mesmos parâmetros mostrou que o tratamento com DNDi-IM2 foi eficiente em induzir a supressão da parasitemia e da mortalidade em níveis similares ao Bz apenas quando os animais foram tratados com a dose de 300mpk. Entretanto, a reativação da parasitemia sempre ocorreu mais precocemente em relação aos animais tratados com Bz. De forma diferente, os tratamentos realizados com os compostos DNDi-IM3 e Fex induziram a supressão da parasitemia e da mortalidade de forma similar ao Bz, independente da dose usada. Adicionalmente, o tempo necessário para a reativação da parasitemia foi superior ao observado entre os animais tratados com Bz quando utilizadas as doses de 200 e 300mpk do composto DNDi-IM3 e com todas as doses de Fex. De forma diferente, quando os animais foram tratados com 300mpk do
Isabel Mayer de Andrade Resultados
composto DNDi-IM4, a supressão da parasitemia e da mortalidade foi observada em 5 dos 6 animais tratados.
Tabela 3 – Parâmetros utilizados para a avaliação de novas drogas no experimento de curta duração com tratamento por sete dias nas doses de 100, 200 e 300mg/kg de peso (mpk) de Fexinidazol, DNDi-IM2, DNDi-IM3, DNDi-IM4 e Benznidazol em camundongos infectados com a cepa Y do Trypanosoma cruzi.
Compostos
Parâmetros de Avaliação
Supressão da
Parasitemia Período de supressão da Parasitemia Mortalidade
Fexinidazol 100mpk 6/6 22,85 + 8,68 1/6 (16,6%) 200mpk 6/6 20,66 + 10,25 0/6 (0%) 300mpk 6/6 28,6 + 6,74 0/6 (0%) DNDi-IM2 100mpk 0/6 - 2/6 (33%) 200mpk 3/6 5,3 + 4,04 0/6 (0%) 300mpk 6/6 6,66 + 1,97 0/6 (0%) DNDi-IM3 100mpk 6/6 9,0 + 2,45 0/6 (0%) 200mpk 6/6 13,5 + 5,13 0/6 (0%) 300mpk 6/6 18,5 + 3,99 0/6 (0%) DNDi-IM4 100mpk 4/6 2,75 + 1,71 3/6 (50%) 200mpk 3/6 1,0 + 0,0 2/6 (33%) 300mpk 5/6 13,4 + 8,76 0/6 (0%) Benznidazol 100mpk 6/6 11,5 + 9,16 0/6 (0%)
A avaliação do pico de parasitemia após o tratamento confirmou estes resultados (Figura 4). Foi observado que os níveis de parasitemia foram dose-dependente nos animais tratados com os compostos DNDi-IM2, DNDi-IM3, DNDi-IM4, sendo ainda possível verificar que a maior redução da parasitemia foi observada nos animais tratados com a maior dose (300mpk), evidenciando que a atividade dos compostos é dose- dependente. Essa mesma relação de dose-dependência não foi observada no tratamento com Fex, sendo que as médias dos valores máximos de parasitemia não apresentaram diferença significativa.
Figura 4 – Média do pico máximo de parasitemia dos camundongos infectados com 5 x 103 formas tripomastigotas da cepa Y do Trypanosoma cruzi, submetidos ao tratamento por 7 dias com as drogas Fexinidazol, DNDi-IM2, DNDi-IM3 e DNDi-IM4, nas doses de 100, 200, 300mpk por dia. O tratamento com Benznidazol foi feito na dose de 100mpk. CNT representa o controle não tratado.
Com base nos resultados obtidos foi possível observar que os compostos Fex, DNDi-IM2 e DNDi-IM3 seriam os compostos que passariam para terceira etapa de avaliação, tendo em vista que o composto DNDi-IM4 não foi eficaz em suprimir a parasitemia em 100% dos animais, mesmo quando foi utilizada a dose de 300mpk. No entanto, decidimos que esse composto deveria continuar a ser avaliado como mais um critério para testar a eficácia do protocolo proposto neste estudo. Para isso a dose escolhida para o composto DNDi-IM4 foi a de 300mpk que foi a que apresentou melhor resultado de acordo com os parâmetros avaliados.
4.3 – Avaliação da eficácia dos compostos nitroimidazólicos em induzir cura parasitológica em camundongos infectados com a cepa Y do T. cruzi.
Para avaliar a eficácia de cada composto em induzir a cura parasitológica grupos de 10 animais infectados com 5x103 formas tripomastigotas sanguineas da cepa Y do T. cruzi foram tratados por 20 dias consecutivos. Como referência foi utilizado o esquema
0 2 4 6
Bz DNDi-IM-2 DNDi-IM-3 DNDi-IM-4 CNT
300 mg 200 mg 100 mg
*
*
*
Fex L o g d o n ° d e p a ra s ít o s /0 .1 m L d e s a n g u e + 1Isabel Mayer de Andrade Resultados
terapêutico previamente estabelecido por Filardi & Brener (1987), sendo que os animais foram tratados com 100mpk de Bz por 20 dias.
Como controle de cura foi utilizado o exame de sangue a fresco, antes e após a imunossupressão com ciclofosfamida, a hemocultura e a PCR. Apenas os animais que apresentaram resultados negativos em todos os testes foram considerados curados.
Todos os tratamentos induziram a rápida supressão da parasitemia, confirmando a atividade tripanocida dos compostos avaliados. Entretanto, nos grupos tratados com DNDi-IM4 (300mpk) e com DNDi-IM3 (100mpk) foi observada a reativação espontânea da parasitemia em todos os animais (Tabela - 4), não sendo necessária a realização de hemocultura e PCR para a definição de cura.
Estes dados confirmam os resultados dos experimentos anteriores, que havia demonstrado que o composto DNDi-IM4 apresenta atividade tripanocida inferior ao Bz, droga usada como referência.
Por outro lado, os compostos DNDi-IM2 (300mpk) e o DNDi-IM3 (300mpk) foram eficazes em induzir cura parasitológica nos animais infectados com a cepa Y, mas os níveis de cura observados foram variáveis. Entre os animais tratados com o composto DNDi-IM2 foi detectado 33,3% (6 entre 9) de cura, níveis inferiores ao observado no tratamento com Bz. Já o composto DNDi-IM3 (300mpk) induziu 100% de cura parasitológica de acordo com os parâmetros avaliados, resultado melhor do que o obtido com o tratamento por Bz. Estes resultados mostram, mais uma vez, que a eficácia deste composto é dose-dependente, pois quando utilizado na dose de 100mpk não induziu cura entre os animais infectados com a mesma cepa do parasito.
Tabela 4 – Parâmetros utilizados para a avaliação de cura no experimento de longa duração dos compostos DNDi-IM2 (300 mg/kg de peso - mpk), DNDi-IM3 (100 e 300mpk), DNDi-IM4 (300mpk) e Benznidazol (100mpk) em camundongos infectados com a cepa Y do Trypanosoma
cruzi. Controle de cura Grupos Tratados DNDi-IM2 300mpk n = 9 DNDi-IM3 100mpk n = 8 DNDi-IM3 300mpk n = 8 DNDi-IM4 300mpk n =8 Benznidazol 100mpk n = 28 Doses para negativar
a parasitemia 1,43 + 1,13 3,8 + 4,8 1,0 + 0,0 3,8 + 4,76 1,1 + 0,37 Reativação da
parasitemia após o
tratamento 5/9 8/8 0/8 8/8 9/28
Hemocultura ou
PCR positivas 1/4 realizado Não 0/8 realizado Não 3/19 Total de
camundongos não
curados (%) 6/9(66,7%) 8/8 (100%) 0/8 (0%) 8/8 (100%) 11/28(39,9%) Mortalidade
(até 30 dias após o tratamento)
0/9 (100%) 1/8 (12,5) 0/8 1/8 (12,5%) 2/28 (7,1%)
Considerando que não foi observada relação entre a dose e a atividade tripanocida do Fex nos experimentos anteriores os animais infectados com a cepa Y foram tratados, por 20 dias, com diferentes doses deste composto. Neste caso, o composto foi administrado usando 50, 100, 200 e 300mpk.
Os resultados dos parâmetros utilizados no controle de cura estão apresentados na Tabela 5. Todas as doses de Fex foram eficazes em induzir a supressão da parasitemia, sendo que nos tratamentos com 200 e 300mpk o número de doses necessárias para a supressão da parasitemia em todos os animais foi similar ao tratamento padrão com Bz. Adicionalmente todos os tratamentos realizados com Fex foram eficazes em induzir cura, de acordo com os parâmetros usados. Entretanto, os níveis de cura observados foram relacionados com a dose do composto utilizada. Entre os animais tratados com 50mpk foi observada uma percentagem de cura inferior a detectada entre os animais tratados com Bz. Nos animais tratados com 100 e 200mpk estes índices foram semelhantes ao tratamento de referência. Por outro lado, nos animais tratados com 300mpk foi obtido um índice de cura superior ao induzido pelo tratamento
Isabel Mayer de Andrade Resultados
com Bz. É importante ressaltar que não foi observado nenhum efeito adverso nos animais tratados com Fex em nenhuma das doses utilizadas.
Tabela 5 – Parâmetros utilizados como critério de cura parasitológica em animais infectados com a cepa Y do Trypanosoma cruzi e tratados com 50, 100, 200 e 300mg/kg de peso (mpk) de Fexinidazol e 100mpk de Benznidazol.
Controle de Cura
Grupos Tratados por 20 dias
Fexinidazol Benznidazol
50mg/kg
n=10 100mg/kg n=9 200mg/kg n=9 300mg/kg n=10 100 mg/kg n=20 Doses para negativar a
parasitemia 3,77+1,82 2,44+1,13 1,89+0,6 1,2+0,42 1,19+0,68 Reativação da Parasitemia após o tratamento 8/10 3/9 4/9 0/10 9/20 Hemocultura ou PCR positivas 0/2 1/6 1/5 2/10 1/11 Total de camundongos não curados (%) 8/10 (80%) 4/9 (44%) 5/9 (55%) 2/10 (20%) 10/18 (55%) Mortalidade (%) 0/10 0/9 0/9 0/10 2/20 (10%)
4.4 – Avaliação da eficácia do Fexinidazol em induzir cura parasitológica em camundongos infectados por cepas do T. cruzi resistentes ao tratamento com Benznidazol.
Para a análise da eficácia da terapeutica do Fex em animais infectados com cepas resistentes ao Bz na fase aguda da infecção, foi realizado um experimento com camundongos infectados pelas cepas VL-10 e Colombiana do T. cruzi. O inoculo utilizado foi de com 5x103 formas tripomastigotas sanguineas para ambas as cepas e a confirmação da infecção foi realizada no sétimo dia de infecção, que também foi o primeiro dia de tratamento. Considerando a alta resistência ao Bz (100%) destas populações do T. cruzi, nestes experimentos foi usada a dose de 300mpk.
Foi utilizada, como controle de cura, a mesma metodologia descrita anteriormente, acrescida de análise morfométrica do tecido cardíaco dos camundongos eutanasiados seis meses após o tratamento e da dosagem de anticorpos da classe IgG.
Entre os animais infectados pela cepa VL-10 o tratamento com Fex induziu a rápida supressão da parasitemia em 100% dos camundongos, enquanto naqueles tratados com Bz este resultado foi observado apenas em 20% (2 em 10), sendo que nos outros camundongos o parasito foi detectado, em níveis baixos, durante todo o período de tratamento (Figura 5). 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 2 4 6 8 10 10 30 50 70 90 Fexinidazol Benznidazol
Controle não Tratado
1° dia de Tratamento Fim do Tratamento Inicio da Imunossupressão Dias após a infecção
100 300 500 700 900 1100 1300 T ri p o m a s ti g o ta s /0 .1 m L d e s a n g u ex10 3
Figura 5 – Curva da média da parasitemia de camundongos infectados com 5x103 formas tripomastigotas sanguíneas da cepa VL-10 do Trypanosoma cruzi e tratados com 300mpk de Fexinidazol (linha azul) ou 100mpk de Benznidazol (linha vermelha) por 20 dias consecutivos. O controle infectado não tratado é representado pela linha preta.
Os resultados dos testes usados como controle de cura estão apresentados na Tabela 6. Não foi observada a reativação da parasitemia em nenhum dos animais tratados com Fex, sendo que apenas a PCR, realizada 6 meses após o tratamento, foi positiva em 11% (1 em 9) dos animais. Considerando estes resultados o tratamento com Fex induziu cura em 89% dos animais, enquanto o tratamento com Bz não foi eficaz em induzir cura nos animais infectados pela cepa VL-10.
Isabel Mayer de Andrade Resultados
Tabela 6 – Parâmetros utilizados no controle de cura de camundongos infectados pela cepa VL- 10 do Trypanosoma cruzi e tratados com 300mg/Kg de peso (mpk) de Fexinidazol ou 100mpk de Benznidazol durante 20 dias.
Controle de Cura
Cepa VL-10 – Grupos Tratados Fexinidazol 300 mpk n=9 Benznidazol 100mpk n=10 Número de doses para a supressão
da parasitemia 1,67 + 1,0 NO*
Parasitemia no primeiro dia de
tratamento (média + DP) 3.611 + 1.799 2.800 + 632 Parasitemia máxima durante o
tratamento (média + DP) 3.888 + 4.961 3.700 + 2.310 Reativação da parasitemia – até 30
dias após o tratamento 0/9 10/10
Reativação da parasitemia após a
imunossupressão 0/9 9/9
+Hemocultura 0/9 NR
+PCR 1/9 NR
Total de camundongos positivos (%) 1/9 (11%) 10/10 (100%) Mortalidade até 30 dias após o
tratamento 0/9 (0) 1/10 (10%)
Os tratamentos foram iniciados no sétimo dia após a inoculação. Parasitemia – tripomastigotas/0.1 mL de sangue.
PCR e Hemocultura foram realizadas 1 e 6 meses após o tratamento. NO* – não observado
NR – não realizado
Para a dosagem de anticorpos da classe IgG, foram coletadas amostras de sangue seis meses após o tratamento. Para essa análise os animais foram classificados de acordo com os resultados dos testes parasitológicos e molecular utilizados no controle de cura. Dessa forma, os animais tratados com o Fex ou com Bz que apresentaram resultado positivo nos testes parasitológicos e/ou molecular foram denominados + Fex ou +Bz; e aqueles que tiveram resultados negativos são representados por – Fex. Os animais infectados e não tratados são representados por CNT.
Os níveis de absorbância foram significativamente menores entre os animais tratados em relação ao grupo infectado e não tratado. Entretanto, foi observado níveis de anticorpos significativamente menores nos animais do grupo –Fex em relação aos +Bz
(Figura 6). Como o +Fex é resultado de apenas um animal, não foi possível incluir na analise estatística, no entanto, pode ser observado que os níveis de anticorpos detectados no soro deste animal foi semelhante ao do grupo +Bz.
- Fex + Fe x + B z CN T 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 p<0.01 p<0.001 (-Fex / CNT) p<0.05 (+Bz / CNT) Ig G - ab s o rb ân ci a a 4 92 n m
Figura 6 – Níveis de anticorpos da classe IgG, pela ELISA, no soro de camundongos infectados pela cepa VL-10 do Trypanosoma cruzi seis meses após o término do tratamento com Benznidazol e Fexinidazol e dos animais do grupo infectado e não tratado (CTN). A linha mostra o valor da absorbância discriminante (0,181). +Fex e +Bz - animais com resultado positivo em pelo menos 1 teste utilizado no controle de cura (Hemocultura, PCR e exame de sangue a fresco); – Fex - animais com resultado negativo em todos os testes utilizados no controle de cura.
Em seguida foi realizada a análise morfométrica do tecido cardíaco dos animais necropsiados 6 meses após o tratamento para a avaliação da eficácia do tratamento em prevenir a inflamação do tecido cardíaco dos camundongos infectados com a cepa VL- 10. Para esta análise os animais foram divididos nos mesmos grupos descritos anteriormente.
Nos animais infectados foi detectado um número significativamente maior de núcleos de celulares em relação aos animais infectados e não tratados (Figuras 7 e 8). De forma semelhante aos resultados da dosagem de anticorpos IgG, o tratamento com Fex induziu a redução significativa do infiltrado inflamatório no tecido cardíaco, sendo o número de núcleos celulares similar aos detectados no coração dos animais não infectados. Por outro lado, a intensidade do infiltrado inflamatório presente no tecido cardíaco dos animais + Bz foi similar ao detectado nos animais infectado e não tratados.
Isabel Mayer de Andrade Resultados
CNI - Fex + Fex + Bz CNT
0 100 200 300 p>0.05 p<0.01 p>0.05 N ° d e n ú c le o s c e lu la re s /1 ,5 x 1 0 6 m 2
Figura 7 – Análise quantitativa do número de núcleos celulares presentes no tecido cardíaco de camundongos inoculados com a cepa VL-10 do Trypanosoma cruzi tratados com Fexinidazol ou Benznidazol, de camundongos infectados e não tratados (CNT) e de camundongos não infectados (CNI). Os animais foram eutanasiados 6 meses após o tratamento. +Fex e +Bz - animais com resultado positivo em pelo menos 1 teste utilizado no controle de cura (Hemocultura, PCR e exame de sangue a fresco); – Fex - animais com resultado negativo em todos os testes utilizados no controle de cura.
Figura 8 – Fotomicrografias do tecido cardíaco (corados com Hematoxilina- Eosina e obtidas na objetiva de 40X) de camundongos infectados com 5x103 tripomastigotas da cepa VL-10 do
Trypanosoma cruzi tratados com Fexinidazol (Fex) ou Benznidazol (Bz) durante a fase aguda.
Os animais foram eutanasiados 6 meses após o tratamento. +Fex e +Bz - animais com resultado positivo em pelo menos 1 teste utilizado no controle de cura (Hemocultura, PCR e exame de sangue a fresco); – Fex - animais com resultado negativo em todos os testes utilizados no controle de cura.
Esses dados mostram que o tratamento com Fex foi eficiente em reduzir o infiltrado inflamatório dos animais infectados pela cepa VL-10. Em contraste, o tratamento com Bz não foi eficaz em reduzir a intensidade do infiltrado inflamatório nos camundongos infectados por esta cepa.
De forma diferente, nos animais infectados pela cepa Colombiana, ambos os tratamentos (Fex e Bz) induziram a supressão da parasitemia durante todo o período de tratamento. Entretanto, após o término do tratamento foi detectada a reativação da parasitemia em 100% (10 de 10) dos animais tratados com Bz e apenas em 22% (2 de 9) dos animais que receberam o Fex. Adicionalmente, após a imunossupressão com ciclofosfamida os níveis de parasitemia detectados no sangue dos animais tratados com Bz foram significativamente maiores em relação aos dos animais tratados com Fex que apresentaram a reativação da parasitemia (Figura 9).
0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 20 30 40 50 50 550 1050 1550 2050 2550 3050 3550 4050 4550 5050 Fexinidazol Benznidazol
Controle não tratado
1° dia de Tratamento Fim do Tratamento Inicio da Imunossupressão
Dias após a infecção
T rip o m ast ig o ta s /0 .1m L d e sa n g u ex10 3
Figura 9 – Curva da média da parasitemia de camundongos infectados com 5x103 formas tripomastigotas sanguíneas da cepa Colombiana do Trypanosoma cruzi e tratados com 300mg/kg de peso de Fexinidazol (linha azul) ou 100mpk de Benznidazol (linha preta) por 20 dias consecutivos. O controle infectado não tratado é representado pela linha verde.
Isabel Mayer de Andrade Resultados
Considerando os resultados de todos os testes realizados no controle de cura (Tabela 7) 78% (7 de 9) dos animais tratados com o Fex foram curados enquanto o tratamento com Bz não foi eficaz em induzir cura em nenhum dos animais infectados com a cepa Colombiana.
Tabela 7 – Parâmetros utilizados no controle de cura de camundongos infectados pela cepa Colombiana do Trypanosoma cruzi e tratados com 300mg/kg de peso (mpk) de Fexinidazol ou 100mpk de Benznidazol durante 20 dias.
Controle de Cura
Cepa Colombiana – Grupos tratados Fexinidazol 300mpk n=9 Benznidazol 100mpk n=10 Número de dose para supressão da
parasitemia 1,6 + 0,52 2,1 + 1,66
Parasitemia no primeiro dia de
tratamento (média + DP) 3.200 + 1.932 2.800 + 1.032 Parasitemia máxima durante o
tratamento (média + DP) 2.400 + 2.065 2.100 + 2.233 Reativação da parasitemia – até 30
dias após o tratamento 2/9 10/10
Reativação da parasitemia após a
imunossupressão 0/9 10/10
+Hemoculturas 0/9 NR
+PCR 1/9 NR
Total de camundongos positivos
(%) 2/9 (22%) 10/10 (100%)
Mortalidade até 1 mês apos o tratamento
0/9 0/9
Os tratamentos foram iniciados no sétimo dia apos a infecção. Parasitemia – tripomastigotas/0.1 mL de sangue.
PCR e hemocultura foram realizadas 1 e 6 meses após o tratamento. NR – Não Realizado
Para a avaliação dos níveis de anticorpos da classe IgG foi coletado sangue dos animais 6 meses após o tratamento, sendo os animais divididos nos mesmos grupos descritos anteriormente (nos experimentos realizados com a cepa VL-10) para a análise dos resultados. Foi observado que apenas nos soros dos animais que apresentaram resultados do exame direto a fresco, da hemocultura e da PCR negativos (-Fex) a absorbância foi significativamente menor do que a detectada no soro dos animais
infectados e não tratados. Nos animais que tiveram os testes parasitológicos e molecular positivo (+Fex e +Bz) os níveis de absorbância foram similares ao grupo infectado e não tratado e significativamente maiores do que a detectada no soro dos animais incluídos no grupo –Fex (Figura 10).
- Fex + Fex + B z IC 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 p<0.01 p>0.05 Ig G - ab s o rb â n c ia a 4 9 2 n m
Figura 10 – Níveis de anticorpos da classe IgG, pela ELISA, no soro de camundongos infectados pela cepa Colombiana do Trypanosoma cruzi seis meses após o término do tratamento com Benznidazol e Fexinidazol e dos animais do grupo infectado e não tratado (CTN). A linha mostra o valor da absorbância discriminante (0,181). +Fex e +Bz - animais com resultado positivo em pelo menos 1 teste utilizado no controle de cura (Hemocultura, PCR e