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2. BÖLÜM

4.2 Okul Deneyimi I Dersinden Yararlanma Düzeyine İlişkin Bulgu ve Yorumlar

A história da educação em Minas Gerais possui um rico acervo de fontes variadas, sejam vinculadas à legislação, pareceres, materiais didáticos, registros de salas de aula, além de fontes provenientes de jornais e alguns periódicos impressos importantes. Dentre esses periódicos, tem se destacado nas mais diversas produções acadêmicas a publicação denominada Revista do Ensino. A Revista do Ensino foi um impresso pedagógico oficial direcionado aos professores, diretores e técnicos da rede pública mineira. A Revista foi criada originalmente em 1892, durante o governo de Afonso Penna, mas logo foi desativada, retornando em 1925, durante o governo de Melo Vianna. Funcionou ininterruptamente até 1940, por ocasião da Segunda Grande Guerra, retornando em 1946. Sua publicação, nessa etapa derradeira, se deu até o ano de 1971, quando foi publicada sua última edição, a de no 239, durante o governo de Rondon Pacheco. Ao analisar os períodos de publicação da Revista do Ensino, percebe-se que a mesma esteve presente em períodos distintos da república brasileira, iniciando pela República Velha, passando pela Revolução de 30, por toda a era Vargas (incluindo o Estado Novo), pelo período democrático (1946-1964) e pela ditadura militar. A Revista do Ensino pode ser entendida como o impresso pedagógico mais importante de Minas Gerais, não só pela sua periodicidade extensa, mas também pelo protagonismo relativo aos processos de formação dos educadores mineiros. De maneira geral, a Revista do Ensino apresentava duas funções: informar e orientar o professorado mineiro sobre os grandes temas da educação em circulação no Brasil e em outros países; e, valer-se de um meio de divulgação das obras realizadas pelos governos mineiros. Segundo Biccas,

a Revista do Ensino, por suas características – ser uma revista periódica, mensal, e pelos tipos de seções, artigos, etc. – acaba,

de certa forma, por promover um elo entre professores mineiros, até então isolados (Minas tinha uma grande população rural espalhada em centenas de municípios, distritos e vilas). Para muitos professores, a Revista constituiu-se na única forma de ter um panorama regional, nacional e internacional do que ocorria na educação (BICCAS, 2008:44).

Dentre os vários artigos publicados nas suas 239 edições, a Revista do Ensino apresenta ao professorado mineiro e demais leitores o posicionamento oficial do Estado e, no que interessa a este trabalho, as orientações específicas para o ensino do Desenho e outros temas correlatos. No seu segundo volume, publicado em 14 de abril de 1925, o artigo denominado “As novas orientações pedagógicas”57, apresenta uma série de ideais relacionados ao movimento escolanovista, postulando um processo de modernização e adaptação do sistema escolar às novas técnicas e metodologias pedagógicas existentes. Esse artigo é uma tradução de um texto publicado na Revista El Monitor de La Educacion Commun, de Buenos Aires, que sugere a adoção dos chamados métodos intuitivos, no que diz respeito ao uso da estética no ensino das artes. O artigo apresenta as idéias do professor Franz Cizek, tcheco radicado em Viena que se debruçou nos estudos sobre a produção gráfica das crianças. Cizek criou, em 1897, a Escola de Arte Infantil, instituição embasada nas concepções psicológicas e estéticas, voltada para o estudo científico do desenvolvimento mental das crianças. Segundo o artigo:

“nos ramos da estética, o professor Cizek pleiteia a causa da

liberdade da imaginação individual e recomenda como mais natural, o processo que vai da imaginação a técnica, por oposição ao método inverso, que sempre contribuiu para desnortear a mente infantil” (pág. 41).

Em 16 de junho de 1925, a Revista do Ensino, em seu volume 04, trouxe um artigo intitulado “O estudo do desenho e a cultura dos sentimentos estéticos” 58

. O artigo em questão é a reprodução da introdução de uma obra de grande circulação, “O estudo do desenho”, de autoria do já citado professor Anibal Mattos. No artigo da Revista do Ensino, Anibal Mattos faz uma exaltada justificativa do estudo do desenho e da cultura dos sentimentos estéticos no

57

Revista El Monitor de La Educacion Commun. As novas orientações pedagógicas. in: Revista

do Ensino. Orgam Official da Directoria da Instrucção. Ano I, volume 02 - Belo Horizonte, 1925.

58

MATTOS, Anibal. O estudo do desenho e a cultura dos sentimentos estéticos. in: Revista do

ambiente escolar, pois a apreensão desses saberes auxiliaria sobremaneira na inserção do Brasil no rol dos países industrializados. O autor discorre sobre como os países industrializados, em especial os Estados Unidos, Inglaterra e França investem nos liceus e escolas de arte e desenho, fazendo uma associação direta dessas habilidades com a produtividade industrial.

O governo inglês viu que o futuro de seu imenso comércio de exportação dependia dos progressos artísticos dos seus produtos. Se em nosso país existisse o prestigioso cuidado que merecem as artes, não dependeríamos tão diretamente das outras nações do globo, porque a nossa produção encontraria hábeis auxiliares (pág. 82).

Segundo Mattos, combater o analfabetismo seria uma medida importante de salvação pública, assim como o ensino e estudo do Desenho, pois o uso dessas habilidades impulsionaria o país ao rumo do progresso, que se daria com o desenvolvimento concomitante da indústria, da agricultura e do comércio. Para atingir esse fim, o professor Anibal Mattos propôs a fundação de liceus de artes e ofícios, de institutos profissionais para homens e mulheres, de escolas de educação física e manual e de cursos de desenho e trabalhos manuais nas escolas existentes. Desses cursos, segundo Mattos, sairiam professores preparados para aplicar as idéias da moderna pedagogia que “ensina primeiro a trabalhar e depois a tirar partido do que sabe”, em claras referências aos métodos escolanovistas que se baseavam na pedagogia ativa. Finalizando o artigo, nas palavras de Mattos:

As conquistas modernas são puramente da inteligência e povos independentes são aqueles que podem viver do seu trabalho, exercendo com segurança a sua proveitosa atividade. Para isso é indispensável à educação artística, o conhecimento das artes liberais e mecânicas, em suma o desenho e a cultura dos sentimentos estéticos (pág. 83).

Em 14 de julho de 1925, na edição no 5, a Revista traz em sua reportagem de

capa, em uma seção denominada Pedagogia, o artigo intitulado “Educação post-escolar e o aprendizado” 59. Trata-se de trechos de uma entrevista proferida por M. Lacoin, à Société d`Encouragement, instituição francesa voltada para a formação de técnicos profissionais para atuar principalmente nas companhias ferroviárias daquele país. O artigo, sem autoria, mas com

59

Educação post-escolar e o aprendizadoin: Revista do Ensino. Orgam Official da Directoria da

características de editorial da Revista do Ensino, indica a importância dessas reflexões justificando que o governo mineiro estaria preocupado com o ensino técnico profissional e implementando mudanças no ensino primário, sendo ofertados cursos complementares. O artigo propõe que as fábricas tenham programas de acolhimento de aprendizes do trabalho industrial, uma vez que as indústrias estariam muito mais capacitadas para fazer esse trabalho do que a educação industrial ofertada pelas escolas isoladas. Segundo o artigo, “o ensino ministrado na própria fábrica ou oficina escapa ao grave inconveniente que se verifica em toda escola: o afastamento da vida, que torna o ensino meramente abstrato” (pág. 113). O artigo apresenta a experiência da Companhia de Estradas de Ferro de Orléans, cujo sistema de aprendizado duraria três anos. Essencialmente práticos e voltados para uma orientação profissional, os cursos incluem os estudos de desenho e de tecnologia, repletos de experiências e atividades realizadas nas máquinas e aparelhos das oficinas. Os cursos teriam para além dessa formação realizada no interior das fábricas, uma formação geral incluindo o Francês, aritmética, geometria e outros conteúdos essenciais para a formação dos alunos. O artigo termina da seguinte maneira:

Essa rápida resenha dos cursos da Companhia d`Orléans mostra quão útil e proveitosa pode ser a colaboração das companhias particulares de indústrias, viação, etc., com o Estado a fim de resolver o problema vital para as nações novas, como o Brasil: a formação de técnicos capazes (pág.114).

Percebe-se como o discurso a favor de um ensino voltado para o trabalho técnico industrial circulava no Brasil desde finais do Império e nas primeiras décadas do século XX. Essa seria, segundo seus defensores, a maneira de inserção do Brasil no rol das grandes nações industriais e liberais e a forma de superação dos problemas advindos dos anos de escravidão e da falta de aptidão desse trabalhador recém-liberto para atividades econômicas modernas. No volume 07, de 27 de setembro de 1925, a Revista do Ensino traz, em seu artigo principal, na mesma seção denominada Pedagogia, um texto escrito por Lucio José dos Santos, que na ocasião ocupava o cargo de Diretor da Instrução Publica do Estado de Minas Gerais, o que equivaleria atualmente ao Secretário da Educação. Além disso, foi diretor da Escola de Aperfeiçoamento

em 1929. O artigo intitulado Educação Estética60, apresenta a necessidade de

uma educação voltada para a formação moral dos indivíduos, idéia essa que se assemelha aos ideais da pedagogia estética de viés romântico, principalmente os desenvolvidos por Kant e Schiller61.

Citando Rousseau e Aristóteles, o autor indica a necessidade da educação voltada para o aperfeiçoamento moral. Para isso, existe a necessidade de uma educação estética, que ajude a equilibrar a educação voltada somente para as ciências e técnicas. Mas a educação não poderia pender demasiadamente para a estética, pois “as crianças que se acostumaram unicamente às impressões estéticas facilmente se encaminham para a vida sensual e efeminada e frequentemente, apesar do refinamento do gosto, caem na rudeza brutal do coração”. (pag. 178). Segundo Lucio dos Santos, as pessoas unicamente educadas esteticamente perdem o senso de caridade, pois não reconhecem beleza na pobreza, isolando-se dos pobres. Esse isolamento se dá, pois, ao se associar a pobreza com o não belo, os sensíveis esteticamente tendem a distanciar do que não os agrada, não havendo espaço para o convívio nem para com a caridade. Lucio dos Santos finaliza do artigo dizendo: Que não venha jamais, nas nossas escolas, a preocupação estética prevalecer sobre o lado moral e religioso da educação. A arte não é um fim, é um meio, e como tal, só pode ser encaminhada para a realização do verdadeiro destino do homem que é, primeiro que tudo, um ser religioso e social. O ideal estético dos gregos não salvou da ruína sua grande pátria. Em Roma, Nero admirou o incêndio que causou, não se preocupando com o bem estar do seu povo (pág. 178).

Percebe-se, nas palavras de Lúcio dos Santos a importância dada à religiosidade, sendo que, para ele, a finalidade do homem seria se tornar um ser religioso e social. Essa ênfase na religião como base moral e objetivo final da educação reflete muito bem os momentos que precederam a Reforma Francisco Campos, que em 1927 pôs, frente a frente, os grupos católicos e

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SANTOS, Lucio José dos. Educação Estética. in: Revista do Ensino. Orgam Official da

Directoria da Instrucção. Ano I, volume 07 - Belo Horizonte, 1925.

61 KANT, Immanuel. Crítica da faculdade do juízo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995. _____ Crítica da razão prática. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

_____ Crítica da razão pura: texto integral. São Paulo: Martin Claret, 2005

SCHILLER, Friedrich. Cartas sobre a educação estética da humanidade. São Paulo: EPU, 1991.

escolanovistas que disputavam entre si as questões relativas à educação. Um dos primeiros embates se deu logo no início da reforma, quando Campos indicou a necessidade do estado de se responsabilizar pelo controle e gerenciamento das escolas mineiras, o que desagradou os pensadores vinculados à Igreja Católica. Para acalmar os ânimos, o governador Antônio Carlos promulgou um decreto que concedia a possibilidade do ensino religioso ser ministrado nas escolas oficiais. Ademais, os embates entre escolanovistas e católicos se estenderam para a década seguinte, ressaltando que o relacionamento entre estado e Igreja foi se estreitando paulatinamente, principalmente após a Revolução de 3062.

Em 1926, a Revista do Ensino traz em uma de suas páginas, uma canção chamada Canto do Trabalho63. O texto de Anna Amélia de Mendonça64 apresenta arte com influências do estilo art-nouveau, bastante difundido em todo o mundo nas primeiras décadas do século XX e muito utilizado na pintura, gravura, design e arquitetura. Em Belo Horizonte, esse estilo não foi tão difundido na arquitetura, predominando o também moderno art-déco.

Destaca-se que os ideais trabalhistas circulavam no Brasil no início do século XX, seja no que diz respeito à utilização de mão de obra especializada para as indústrias ou no que tange ao combate ao ócio. A primeira estrofe do poema traz as seguintes idéias: Trabalho é glória. Quem trabalha vive feliz, sereno e são. No ferro em brasa, o homem que malha/ Busca a beleza e a perfeição. Percebe-se a clara referência ao trabalho e a busca pela beleza, num movimento estético vinculado aos processos civilizatórios.

62Cf. Carvalho (1998); Cury (1988); Dutra (1997); Fausto (1997); Nagle (1974); Nunes (2001); Schwartzman (2000).

63Canto do Trabalho. in: Revista do Ensino. Orgam Official da Directoria da Instrucção. Ano II, volume 11. Belo Horizonte, 1926. Página 52.

64Poetisa, tradutora e defensora dos direitos das mulheres. Nasceu no Rio de Janeiro em 1896 e faleceu na mesma cidade, em 1971. Entusiasta do futebol, introduziu o tema na poesia brasileira. Sua filha mais nova foi a renomada crítica teatral Bárbara Heliodora. In: COUTINHO, Edilberto. Literatura e futebol. II Salão do futebol. Belo Horizonte: Palácio das Artes, 1982.

Figura 10 – Canto do Trabalho.

Em 1926, foi publicado o artigo As crianças, em geral, possuem inclinação para o desenho65, de Cláudio Brandão. O artigo em questão aponta que as crianças, antes de serem alfabetizadas, devem utilizar amplamente o desenho como atividade formativa lúdica, confundindo o ato de aprender com o de brincar. O autor indica uma atividade a ser feita com crianças em fase inicial de alfabetização, no qual um jogo de adivinhação é proposto e as respostas devem ser desenhadas. O artigo apresenta uma predisposição inata das crianças ao desenho e essa característica deve ser bem aproveitada pela

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BRANDÃO, Cláudio. As crianças, em geral, possuem inclinação para o desenho. in: Revista

escola. O artigo traz uma orientação de atividade a ser trabalhada com as crianças. Segue a orientação e os desenhos que a ilustram:

A professora escreve a palavra no quadro negro e explica o seu significado. Depois desenha o objeto que a palavra designa e a criança também o desenha, recortando-o em seguida no papel. Devem ser objetos com as quais ela esteja familiarizada como as representadas nos exercícios 1 e 2. É preciso que as linhas sejam simples e retas, para não haver muita dificuldade para os pequenos dedos inábeis. Como a palavra brincar é uma das principais no vocabulário de uma criança do primeiro ano escolar, a ordem pode ser dada oralmente: - Recorte algumas das coisas em que você gosta de brincar. As palavras recorte e

brincar serão sublinhadas, se a ordem for escrita no quadro

negro. O exercício 3 mostra o resultado dessa ordem obtido numa classe primária (pag. 236-237).

Figura 11 – Ilustração de atividade.

É interessante perceber a circulação de idéias relacionadas à psicologia infantil no Brasil, principalmente pelas mãos dos escolanovistas. A idéia apresentada no artigo, de que a criança deve utilizar o desenho de forma lúdica, confundindo o ato de aprender com o de brincar, sendo o desenho uma atividade inata das crianças, encontra respaldo nas idéias da educadora Maria Montessori. Em obra fundamental para o entendimento histórico, psicológico e sociológico da arte e do seu ensino, Herbert Read apresenta, no capítulo V da obra A Educação pela Arte, as idéias de Montessori acerca da expressão espontânea nas crianças. Segundo o autor, citando a educadora,

não podem existir quaisquer exercícios graduados de desenho que levem a criação artística. Esse objetivo só pode ser alcançado por meio do desenvolvimento de uma técnica mecânica e da liberdade do espírito. É por esse motivo que não ensinamos desenho diretamente à criança. Nós a preparamos indiretamente, deixando-a livre para a misteriosa e divina tarefa de produzir coisas de acordo com seus próprios sentimentos. Assim, o desenho vem satisfazer uma necessidade de expressão, da mesma forma que a linguagem; e quase toda idéia pode buscar expressão por meio do desenho. O esforço por aperfeiçoar essa expressão é muito similar ao que a criança desenvolve quando se esforça para aperfeiçoar sua linguagem a fim de ver seus pensamentos traduzidos em realidade. Esse esforço é espontâneo; e o verdadeiro professor de desenho é a vida interior, que a partir de si mesma se desenvolve, atinge o refinamento e busca irresistivelmente nascer para a existência externa sob alguma forma empírica. (READ, 2013:125)

Na esteira dessa maneira de conceber a criatividade e aptidão infantil para as artes, a Revista apresenta, em sua seguinte edição, o artigo Como devemos iniciar o ensino do desenho: desenho espontâneo, livre e de imaginação66, de autoria de Emília Truran. Apresentando atividades para os primeiros e segundos anos, a autora indica a necessidade de se aproveitar a aptidão natural das crianças para as representações gráficas dos objetos do convívio cotidiano, “A principio farão umas garatujas, assim como na aula de linguagem as suas frases são simples, ingênuas e erradas, o que é muito natural” (pag. 257). As crianças vão desenhando os objetos que vêm a mente e cabe ao professor corrigir os desenhos, não no que diz respeito aos traços ou a parte artística, e sim auxiliando no entendimento mais amplo dos objetos desenhados. Emília Truran, por ter experiência no ensino de geometria e de desenho linear, pois foi professora dessas disciplinas no ensino primário de Belo Horizonte, assinala as formas adequadas às figuras e modelos que devem ser apresentados aos alunos como referências aos desenhos. Essas formas seriam as esféricas, ovoides, elipsoides, cônicas e cilíndricas, não sendo correta a apresentação de figuras de papelão com essas formas, e sim através de objetos vivos ou manufaturados. A professora indica, em uma nota no final do artigo, que com “o ensino de desenho obteremos um poderoso auxílio em

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TRURAN, Emília. Como devemos iniciar o ensino do desenho: desenho espontâneo, livre e de imaginação. in: Revista do Ensino. Orgam Official da Directoria da Instrucção. Ano II, volume 16 e 17 - Belo Horizonte, 1926.

todas as disciplinas”, numa clara opção de um desenho utilitarista, voltado para uma formação ampla das crianças.

Em outro artigo publicado no mesmo ano, intitulado O desenho no terceiro ano67, a mesma autora aponta o desenho como um poderoso elemento para desenvolver a observação, a inteligência e o bom gosto, em clara opção por uma educação dos sentidos embasada no pensamento estético de origem romântica. A autora propõe que o desenho seja utilizado de maneira intuitiva, como apoio para todas as disciplinas, seja no que tange ao trabalho com ilustrações de temas cívicos, no ensino de aritmética facilitando o raciocínio, no de ciências ilustrando plantas, seja formulando mapas na geografia. Além do mais, a autora sugere que as professoras devem escolher e hierarquizar os melhores desenhos, que serão utilizados para ornamentar as salas de aula. A atividade proposta aponta para o uso de desenhos de observação, com noções simples de perspectiva. Nota-se nesse artigo a presença do desenho em caráter utilitarista, pois além de desenvolver o bom gosto estético, serviria para melhorar a inteligência, inclusive matemática, também produzia material para a ornamentação das salas. A ligação do desenho com a matemática já foi diversas vezes comentada no decorrer desta Tese, não necessitando maiores comentários no momento.

Na edição seguinte, a Revista do Ensino publica um artigo também escrito por Truran68, com muita semelhança temática com o anterior, mas voltado ao ensino do desenho para o quarto ano. A diferença básica fica a cargo da opção por desenhos geométricos e de ornamentos postulada ao quarto ano. Essa opção pelos desenhos geométricos corrobora a idéia de um desenho utilitarista voltado para a formação de mão de obra para as indústrias, conforme o pensamento vigente na época. A autora finaliza sua série de artigos e recomendações valorizando o ensino do desenho linear e geométrico em detrimento ao desenho artístico ou à mão livre e recomenda, no grau máximo

67TRURAN, Emilia. O desenho no terceiro anno:O desenho no curso primário é um poderoso elemento para desenvolver a observação, a inteligência e o bom gosto. in: Revista do Ensino.

Orgam Official da Directoria da Instrucção. Ano II, volume 18 - Belo Horizonte, 1926.

68TRURAN, Emilia. O desenho no quarto anno: O desenho no curso primário é um poderoso