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Okul Öncesi Dönem Çocuklarında Beslenmeye İlişkin Sağlık Problemler

2.7. Okul Öncesi Dönem Çocuklarda Görülen Beslenmeye İlişkin Sorunlar

2.7.2. Okul Öncesi Dönem Çocuklarında Beslenmeye İlişkin Sağlık Problemler

O ser humano, conforme exposto anteriormente, a partir da teleologia do trabalho é capaz de reconfigurar suas relações materiais, de forma que se afasta de suas características biológicas e alcança maior liberdade a partir da transformação efetuada de causalidades naturais em causalidades postas. Dessa forma, deixa de estar completamente suscetível à natureza e alcança maior liberdade. Nesse sentido, os reguladores sociais são construídos como uma necessidade de regulação da atividade social e como forma de mediar os pôres do fim.

A respeito dessa necessidade Lukács (2013, p. 46) destaca:

Como o trabalho – base fundadora de toda sociabilização humana, mesmo da mais primitiva – destaca tendencialmente o ser humano da esfera das necessidades biológicas mais puramente espontâneas e de sua satisfação apenas biológica, tornando determinantes, em seu lugar, os pores teleológicos, que, por sua natureza, assumem de imediato um caráter alternativo, são necessários, desde o primeiro instante, reguladores sociais que regulamentem as decisões alternativas que estabelecem os conteúdos da teleologia conforme as respectivas necessidades sociais vitais (LUKÁCS, 2010, p. 46, grifos nossos).

Os reguladores sociais cumprem papel de orientar as possibilidades e alternativas dos pores teleológicos. Visam tanto balizar como estabelecer valores, comportamentos, ou seja, estão imbricados à ética. Os reguladores sociais são históricos, estão presentes universalmente em qualquer tipo de sociedade, pois regulam a ação humana em sua liberdade proporcionada a partir do trabalho.

Como exemplos de reguladores sociais têm-se regras morais, o corpo jurídico e a respectiva coercibilidade. No entanto, Lukács (2010) destaca que os reguladores sociais não são estabelecidos apenas por imposição. A ideologia é um exemplo de regulador social que não é imposto por coerção jurídica ou física.

Sobre a discussão de Lukács a respeitos dos reguladores sociais, Ferraz et al. (2012, p. 4) mencionam:

A consideração de Lukács acerca da capacidade inexoravelmente humana do pôr teleológico apresenta o ser humano como um agente criador de possibilidades, um construtor da história. […] Isto é, o distanciamento do ser humano das relações causais oportuniza que os seres humanos determinem (por estar dotado de consciência) o conteúdo das finalidades do ser social, determinar aquilo que nos coloca em ação. Por tratar-se de decisões conscientes e não imposições meramente biológicas e, pelas mesmas estarem imbricadas a relação recíproca entre homem- natureza, Lukács alerta para a necessidade de reguladores que balizem as decisões de tal constituição, uma vez que são os pores teleológicos que determinam o devir da humanidade. Em suma, se há relativa liberdade das determinações biológicas para a reprodução do ser social, este não imprescinde da regulamentação ética. A regulamentação é da esfera da ética porque Lukács chama a atenção para a existência de regras sociais conscientemente instituídas enquanto meio da efetuação do desenvolvimento pleno do ser social.

Não cabe discutirmos nesse texto a natureza e a funcionalidade do Estado, mas a despeito de todas as colocações de Poulantzas4 (1986, p. 42), concordamos que o “Estado possui a função particular de constituir o fator de coesão dos níveis de uma formação social” e assim, sua competência está para o estabelecimento de reguladores sociais.

Nesse ínterim, é possível afirmar que as políticas públicas são, também, exemplos de reguladores sociais, pois é possível, por homologia, afirmar que a política pública é uma ação do Estado visando o atendimento de determinada necessidade social, que, ao mesmo tempo, são princípios balizadores da ação do Estado e da sociedade civil, para usar um termo de Gramsci (2001). Ademais, a política pública é trabalho, pôr teleológico, e simultaneamente age na realidade interferindo em determinado tipo de problema, o que fomenta valores e princípios.

4 Sobre as limitações da teoria do Estado em Poulantzas, Ferraz (2010) menciona que para o referido autor “um Estado se caracteriza pela autonomia dependente das lutas econômicas e das lutas políticas, do poder político e do poder econômico, dos interesses econômicos de classe e dos interesses políticos de classe (POULANTZAS, 1986). Essa autonomia decorre da ausência de um sujeito fixo, de modo que:

a legitimidade deste Estado está agora baseada, não na vontade divina implicada no principio monárquico, mas no conjunto dos indivíduos-cidadãos formalmente livres e iguais, na soberania popular e na responsabilidade laica do Estado para com o povo. [...] O próprio “povo” é erigido em princípio de determinação do Estado [...] enquanto massa de indivíduos-cidadãos, cujo modo de participação em uma comunidade política nacional se manifesta no sufrágio-universal, expressão da “vontade geral” (POULANTZAS, 1986, p. 119).

Entretanto, como a igualdade e a liberdade são apenas uma abstração que segue os parâmetros do sistema jurídico moderno, este Estado acaba por constituir a coesão a partir das características de um dos níveis de formação social, no caso, a classe burguesa. Portanto, o Estado capitalista, possui um sujeito fixo, que em última instância, baseia sua legitimidade na vontade divina do capital.

De acordo com Teixeira (2002), as políticas públicas:

são diretrizes, princípios norteadores de ação do poder público; regras e procedimentos para as relações entre poder público e sociedade, mediações entre atores da sociedade e do Estado. São, nesse caso, políticas explicitadas, sistematizadas ou formuladas em documentos (leis, programas, linhas de financiamentos) que orientam ações que normalmente envolvem aplicações de recursos públicos (TEIXEIRA, 2002, p. 2).

As políticas públicas então cumprem papel de reguladores sociais que orientam a teleologia do Estado, e dessa forma, em geral, tem por teleologia a manutenção de uma determinada ordem, por meio do atendimento de determinadas necessidades sociais.

A respeito das políticas públicas, para melhor compreensão, é interessante entendermos sua fundamentação, processo de formulação, implementação e avaliação para compreendermos melhor o seu papel enquanto um regulador social. Esta explicação trará mais concretude para a compreensão do papel da política pública enquanto um pôr teleológico que cumpre papel de regulador social. Assim, no próximo tópico apresentamos a compreensão tradicional sobre políticas públicas no que tange a literatura de formulação e implementação dessas políticas. Em seguida, abordamos a visão de política pública a partir da concepção lukacsiana de reguladores sociais, a qual vai de encontro ao entendimento dessas políticas enquanto trabalho e teleologia em prol do atendimento de determinada necessidade social, colaborando a manutenção do metabolismo societal do capital.

Benzer Belgeler