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3. YÖNTEM

3.3. Veri Toplama Araçları

3.3.2. Okuduğunu Anlama Becerisi Testi

Ao focarmos as análises das representações de escola necessária, na perspectiva das ausências, podemos constatar como as justificativas mais gerais, identificadas no bloco anterior, traduzem-se em ações/proposições que mais se aproximam da experiência pedagógica dos congressistas – tanto no ensino primário quanto no normal – e/ou de seus conhecimentos sobre as crianças. Uma das razões pelas quais as crianças precisam ir para a escola, deve-se ao fato de que possam ter a oportunidade de receber tratamento, para a cura de suas doenças, dada a impossibilidade de se expandirem os postos de saúde para todas as localidades do Estado. Além disso, estando nas escolas, são mais viáveis a identificação e o tratamento de suas moléstias. Os argumentos de Oswaldo Campos, nesse sentido, são bastante contundentes:

Nem exaggero, senhores! nas escolas, grande numero de creanças padecem de molestias varias; o seu corpo franzino, de desenvolvimento muito abaixo do normal, denota a má alimentação, ou a influencia de males evitaveis: verminose, syphylis congenita, tuberculose latente e não raro parasitos varios denunciam a falta de hygiene em que vivem. Na administração passada, foi creado o serviço de hygiene escolar, realizado nos moldes mais modernos, por enfermeiras escolares orientadas pelo medico. Os resultados colhidos têm demonstrado a qualidade do serviço. Pois bem, houve no inicio, uma certa reacção contra as enfermeiras, alegando-se que ellas roubavam muito tempo destinado ao ensino, o que prejudicava a execução dos programmas. Sempre este espectro a bailar deante das professoras. A estas não cabe a culpa, pois que é imperativo e categorico o dispositivo regulamentar que rege o assumpto.

Esquece-se de que a educação physica, e portanto a hygiene, é tão necessaria quanto a intellectual, devendo preceder a este, de acordo com o velho preceito de sabedoria

latina ‘mens sana in corpore sano’, cuja justeza é cada vez mais reforçada pelas conquistas da pedagogia moderna [destaque do autor].571

Além de oportunizar o tratamento das doenças que as crianças apresentam, a escola é necessária à continuidade do atendimento que os serviços de saúde, onde existirem, possam já ter prestado desde o seu nascimento. O acompanhamento durante o tempo passado como aluno evitaria uma ruptura nos trabalhos de saude publica, conforme relata Ernani Agricola:

A Saude Publica, que antes da creança nascer, já se interessa por ella (serviço de hygiene pré-natal), que a assiste até entrar para a escola (serviço de hygiene infantil), não a deve abandonar no periodo escolar para depois amparal-a de novo. É uma synalepha prejudicial á coordenação e ao bom exito dos trabalhos de saude publica.572 Até mesmo, uma disciplina do programa, concorre para suprir a ausência de um acompanhamento mais sistemático da saúde da criança por parte dos órgãos competentes: o canto possibilitaria o fortalecimento do corpo infantil, segundo Branca de Carvalho Vasconcellos:

Não nos esqueçamos tambem do benefico effeito dos exercicios do canto para a saude e para a robustez dos meninos. Não ha negar que o canto é uma excellente gymnastica para os orgãos respiratorios: dilata a caixa thoraxica, fortalece os pulmões e os orgãos vocaes, interessa e movimenta os musculos respiratorios, concorrendo, portanto, grandemente para a saude geral.573

Outra face do acompanhamento à saúde diz respeito à questão dos hábitos higiênicos: eliminar os maus e criar os bons. Assim se o aluno,

pratica innumeros pequenos actos contrarios á hygiene: senta-se em má posição, leva o lapis aos labios, põe o dedo na bocca, no nariz, nos olhos, nos ouvidos, suja os livros ou cadernos, cospe no solo, espirra ou tosse sem collocar o lenço deante da bocca, molha o dedo na saliva para voltar as paginas; no recreio, toma agua em copo usado, traz um lanche indigesto, come estando fatigado, bebe estando suado, mastiga insufficientemente...574

terá esses comportamentos corrigidos pelo professor: são habitos maus que convém extirpar. Do mesmo modo, ha os bons habitos que na propria escola é possível ir inculcando ... como

571 Relatório (OGE 2) – Oswaldo Campos – MG 11-05-1927, p. 6. 572 Relatório (HEP 1)– Ernani Agricola – MG 11-05-1927, p. 3.

573 Relatório (Ca 1) – Branca de Carvalho Vasconcellos – MG 18-05-1927, p. 9. É possível imaginar o efeito desses argumentos num tempo em que contrair uma tuberculose significava, quase sempre, estar diante de uma “sentença de morte”.

574 Relatório (HEP 1) – Ernani Agricola – MG 11-05-1927, p. 4. Nessa parte do seu relatório, Ernani Agricola cita A. Almeida Junior, como sua referência.

lavar as mãos antes do lanche, laval-as cada vez que o alumno vem da privada, limpar os sapatos ao entrar na escola. Um excellente habito, que a escola poderia dar, é o escovar os dentes, após ás refeições.575

A escola primária também é necessária para as crianças aprenderem, com perfeição a ler, a

escrever e a contar. Segundo Francisco Lins, ha muitos doutores que não sabem essas tres coisas.576 Mas o argumento mais contundente para justificar a escola necessária é a ausência de uma disciplina, principalmente, por parte da família. A indisciplina do aluno na escola é um tema que, perpassa muitos argumentos apresentados pelos congressistas. Para Jacyntho Pereira, Aymoré Dutra e Oswaldo Campos, toda a vez que um alumno se mostrar

indisciplinado, elle deverá ser encaminhado ao medico escolar ou, em falta deste, ao medico de familia, para verificar-se si o alumno soffre de algum defeito organico removivel que esteja difficultando o ensino.577 Já Branca de Carvalho Vasconcellos, ao fazer a defesa da inclusão/manutenção do canto no currículo, apela também para as suas possibilidades na manutenção da disciplina em sala de aula. Diz ela:

Conhecida, é, por outro lado, a influencia benefica e decisiva da musica como auxiliar da manutenção da boa disciplina escolar. Quem não terá apreciado o effeito produzido pelo canto em uma classe desanimada e indolente, agitada ou distrahida? A creança gosta de musica e sente por ella uma attracção irresistivel. Cantando ou ouvindo cantar, não ha temperamento abatido que se não levante, impellido á actividade natural por uma excitação agradavel; não ha agitação que se não acalme; impeto de colera, ira, ou indocilidade que se não abrande.

A musica escolar é, portanto, incontestavelmente, adjuvante poderoso do mestre, para manter o respeito e a obediencia nas classes.578

Entretanto, dentre tais argumentos, os que são relatados por Margarida Praxedes Torres chegam a ser, em alguns momentos, extremamente “radicais”, a ponto de merecerem ressalvas por parte de seus companheiros. Segundo ela

A origem da indisciplina na escola é a falta da educação que a creança deveria receber no lar. Os paes, em sua grande maioria, são pobres e ignorantes. Pobres, passam todo o tempo trabalhando para obter os meios de vida.

Ignorantes, rudes, não sabem educar, nem corrigir de maneira efficaz os defeitos dos filhos.

575 Relatório (HEP 1) – Ernani Agricola – MG 11-05-1927, p. 4. 576 Relatório (AE 2) – Francisco Lins – MG 12-05-1927, p. 6. 577 Aditivo (aprovado) – (OGE 11) – MG 15-05-1927, p. 9.

Os meninos são creados á solta, no meio da rua, sem governo, sem respeito ás conveniencias sociaes.579

Segundo a congressista, as penas disciplinares estabelecidas no Regulamento são inefficazes

para corrigir quem não é educado nos sentimentos de honra e dignidade e para as classes rudes que desconhecem a influencia benefica da instrucção.580 E ela continua a discorrer a respeito das penas:

A reprehensão em particular ou perante a classe, nenhum resultado produz em alumnos dessa natureza. A privação do recreio raras vezes concorre para melhorar a conducta do pequeno escolar. Os carinhos, os premios pouco influem no espirito de alumnos desatinados.

A suspensão da frequencia é até motivo para contentamento do alumno preguiçoso e sem dedicação ao estudo, o qual encara essa punição como um beneficio, dando occasião para que elle possa, ausentando-se dos trabalhos escolares, vadiar mais livremente.581

Como tais dispositivos, já previstos no regulamento em vigor, não surtem os efeitos desejados, Margarida Praxedes propõe que se utilize dos castigos físicos, proposta esta que irá provocar certo estranhamento por parte de alguns congressistas e que terá repercussão em todos os jornais. Segundo ela, para haver ordem, respeito, silencio e socego na escola é

necessario apparelhar o professor para vencer ou excluir a insubordinação.582 Para isso

E’ indispensavel, porém, que só em casos extremos se utilize o mestre dos castigos corporaes e, mesmo, assim, deve o preceptor externar amor e bondade, como se fosse um pae que castiga o filho.

Mas para que o professor possa lançar mão dos castigos corporaes é necessario possuir declaração por escripto dos paes ou responsaveis pela creança, auctorizando-o á applicar castigos physicos si outras penas forem improficuas para a correcção. Essa declaração deve ser assignada pelo responsavel, sendo a firma legalmente reconhecida.

Diversos paes se queixam amargamente da desobediencia dos filhos e pedem aos mestres que os castiguem physicamente.

Entretanto, respeitando as normas disciplinares estabelecidas no Regulamento actual, o professor nada pode fazer.583

Para Margarida Praxedes, o castigo corporal applicado com moderação e justiça será, mas

tarde, reconhecido pelo paciente como um grande beneficio, que lhe foi dispensado na

579 Relatório (OGE 11) – Margarida Praxedes Torres – MG 16 e 17-05-1927, p. 9. 580 Relatório (OGE 11) – Margarida Praxedes Torres – MG 16 e 17-05-1927, p. 9. 581 Relatório (OGE 11) – Margarida Praxedes Torres – MG 16 e 17-05-1927, p. 9. 582 Relatório (OGE 11) – Margarida Praxedes Torres – MG 16 e 17-05-1927, p. 9. 583 Relatório (OGE 11) – Margarida Praxedes Torres – MG 16 e 17-05-1927, p. 9-10.

infancia, conforme a experiencia lh’o terá demonstrado.584 E busca na religião, nas palavras

do evangelho, o fundamento para sua posição: – ‘O pae que poupa a vara ao filho é inimigo

d’elle’. Mas a sua “hierarquia” de disciplinamento, ainda não está completa. Restam ainda as medidas a serem tomadas para com os alunos incorrigiveis: – só a expulsão pode resolver esse problema. E ela se estende na defesa dessa medida:

A pena de expulsão deve ser restabelecida para os alumnos incorrigiveis, cujos paes ou responsaveis não queiram fornecer ao professor a declaração, para applicação dos castigos physicos. Essa pena só será applicada depois de se verificar serem improficuas as outras penas disciplinares, reincidindo o alumno por diversas vezes na pratica de actos que perturbem a disciplina e implantem a desordem no estabelecimento; depois de repetidos avisos dados aos paes ou responsaveis, sem que o alumno se corrija; e nunca se fará publica.

E’ muito certo o adagio: ‘uma ovelha ruim põe um rebanho a perder’.

Em toda as circunstancias, principalmente nas aglomerações, os maus exemplos florescem mais que as boas acções.

Numa classe um só alumno indisciplinado arrasta para a desordem os collegas. E’ necessario excluir os maus elementos, os elementos perturbadores do silencio, e da boa marcha dos trabalhos escolares.

Os bons alumnos não devem ficar expostos ás insolencias, aos incomodos, aos maus exemplos que lhes fornece um collega mal educado e incorrigivel.

A bem do socego [sic], da ordem, da instrucção da maioria; para que o esforço do mestre não seja destruido pela indisciplina dos maus, é necessario, repito, estabelecer a pena de expulsão para os alumnos incorrigiveis, mesmo para aquelles que, sendo castigados physicamente até tres vezes, com auctorização dos paes, não queiram mudar de conducta.585

Como podemos constatar, a representação de escola necessária, para suprir certas ausências, encontra suas maiores justificativas nas possibilidades de acompanhamento da saúde do aluno, tanto no que se refere às doenças quanto aos hábitos de higiene, e nos mecanismos de disciplinamento. Se combinarmos esse último com o dispositivo da obrigatoriedade escolar, teremos a fórmula que poderá fazer da escola, não apenas o lugar de instrução e educação, mas de controle das vollições, a machina que dará forma ao futuro cidadão.

Benzer Belgeler