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UZLAŞI RAPORU

OKSİJEN TEDAVİLERİ

A Dissertação apresentada ao Sr. de Mably sobre a educação do Sr. seu filho (Dissertação) faz parte dos dois escritos entregues ao Sr. de Mably no final do ano de 1740. Ambos os textos, a Dissertação e o Projeto para a educação do Sr. de Saint-Marie (Projeto), destinam-se a discutir a educação de dois dos seus filhos, sendo o mais velho, de cinco anos e meio, François-Paul Marie (Saint-Marie), e o mais novo, de quatro anos e meio, Jean-Antoine Bonnot de Mably (Condillac). O segundo dos dois textos, o Projeto, é uma versão resumida da Dissertação. Do Projeto foram suprimidas três passagens que consideramos importantes, são elas: raciocinar com as crianças; catecismo; e educação e felicidade na vida mundana. Por isso, optamos por analisar a Dissertação, que é uma versão mais completa do Projeto.

A Dissertação, esclarece Rousseau, não é um texto definitivo. Escrito na forma de ensaio, esse opúsculo entregue ao Sr. de Mably e colocado sob as luzes do seu irmão, Gabriel Bonnot de Mably (o Abbé de Mably), é um registro das primeiras produções intelectuais de Rousseau. Apesar de bem escrito e de apresentar teorias modernas, como o método empírico de observação do seu aluno, essa composição é mais obra de um erudito do que de um

precepteur experiente, talvez por isso seu caráter inovador, porque não é viciado com os

costumes da profissão. O esforço do inexperiente preceptor em mesclar teorias modernas a práticas pedagógicas revolucionárias, como veremos, não foi bem-sucedido. A falta de paciência e de sangue frio não possibilitou avanços na educação das crianças pelas quais era ele o responsável. Chegado à casa do Sr. de Mably no dia 30 de abril de 1740, pouco mais de um ano depois Rousseau partiria definitivamente da casa do seu anfitrião156.

156 Rousseau (2008a, p. 254) relata o seu fracasso como preceptor: “Eu tinha mais ou menos os conhecimentos

A primeira faceta do seu método é a de observar o comportamento do seu educando, seu caráter, gostos e antipatias, para, a partir daí, poder traçar um plano de estudos que conviesse ao seu modo de vida. A pedagogia rousseauniana não é submissa às vontades do seu aluno, mas é sensível às suas necessidades157. A estratégia do “observar para conhecer”

e do “conhecer para educar” é uma das novidades do seu modelo de ensino. Sua intenção com isso, como salienta o próprio Rousseau (2004b), é a de, em observando o gênio do seu aluno, extrair um tipo de educação que se coloque a meio caminho entre suas carências físicas e suas deficiências intelectuais, ou seja, uma instrução que seja suficiente, senão para transformá-lo num prodígio, pelo menos para não deixá-lo como um asno.

A segunda característica do seu método em pedagogia é a de despertar o interesse do discente em aprender. O estudo, quando bem orientado, não deve ser uma imposição, e sim deve ser apreendido com interesse e atenção. Rousseau, como veremos, foi um crítico mordaz dos castigos físicos. Para ele, o “educar pelo açoite” só produz tolos e é pouco eficaz, porque, além de revoltar, deixa vícios incorrigíveis no homem, mesmo em sua mocidade158. Nesse

sentido, a estratégia a seguir é a de despertar a curiosidade do educando para as matérias que lhe possam ser úteis. Ele aprenderá, diz Rousseau (2004b), sem saber que está sendo ensinado. Para isso, tudo que ele deve aprender deve estar ao seu alcance, devendo-se, além disso, ser respeitado seu interesse sensível. Por exemplo, ao brincar com uma esfera ou ao manusear um microscópio, ele aprenderá sobre formas geométricas e sobre o comportamento dos astros sem se aborrecer com aulas enfadonhas ou com conteúdos pré-formatados. Sendo assim, sua sensação será de protagonista, e não de coadjuvante no processo educativo.

Sr. de Mably, tive tempo de me desconvencer [...]. Enquanto tudo marchava bem e eu via darem resultados meus cuidados e meus sacrifícios, que então não me poupava, eu era um anjo; mas era um diabo quando as coisas andavam tortas. Quando os alunos não me ouviam, eu desvairava; quando faziam uma maldade, desejava matá-los, o que não era um meio adequado de os tornar sábios e corretos [...]. Só sabia empregar com eles três instrumentos sempre inúteis e muitas vezes perniciosos às crianças: o sentimento, o raciocínio e a cólera”.

157 A questão do caráter, do temperamento individual e da organização interna dos indivíduos renderá, como

vimos, uma discussão com Helvétius sobre a igualdade natural dos espíritos. Rousseau na Dissertação antecipa sua discordância com Helvétius no Do Espírito e afirma que cada indivíduo possui uma organização do caráter e do espírito que lhe é peculiar, por isso a preocupação de Rousseau com o comportamento do seu pequeno aluno. “Observar para conhecer” e “conhecer para educar” são as estratégias metodológicas de Rousseau para educar com sucesso o seu pupilo.

158 Após a fuga do seu pai, ameaçado de morte depois de uma discussão, Rousseau passou a morar e a ser

educado pelo Sr. Lambercier, um ministro protestante morador de Genebra. Na casa do seu tutor, Rousseau recebeu afeto e uma boa educação, porém, tempos depois, Rousseau foi acusado, junto com o seu primo, de quebrar os pentes da Sra. Lambercier. Essa injusta acusação rendeu a Rousseau e ao seu primo um castigo violento, que, segundo o próprio Rousseau, foi o ocaso de sua felicidade e de sua inocência pueril. A surra por ele recebida lhe rendeu diversos vícios em sua alma, como o gosto pela mentira e pelos pequenos furtos mesmo quando adulto. Essa lembrança de sua infância, aos oito anos de idade, encontra-se no Livro I das suas Confissões. A indignação contra os castigos físicos nasce desse período da sua vida.

O último passo do método pedagógico de Rousseau na Dissertação reúne duas habilidades que o preceptor deve ter: a primeira delas é a de saber que existe um tempo certo para ensinar os conteúdos ao seu aprendiz; e a outra é a de que não se deve educar por preceitos, e sim por princípios. Ao avaliar que os preceitos da religião são incompreensíveis para a criança, Rousseau (2004b) mostra sua sensibilidade com a condição do seu educando. A título de exemplo, salienta Rousseau (2004b, p. 23-24):

[...] Falam-lhes de um Deus em três Pessoas, das quais nenhuma é a outra e cada uma é, entretanto, o mesmo Deus; do mistério da Eucaristia, onde um espaço de cinco pés está contido num espaço de duas polegadas; do pecado original, pelo qual somos punidos muito justamente pelas faltas que não cometemos; da eficácia dos sacramentos, que operam virtudes na Alma por intermédio de uma aplicação puramente corporal; todos assuntos sobre os quais a melhor cabeça não tem força suficiente para conceber coisa alguma; numa palavra, no mesmo tempo que começam a cultivar sua razão, obrigam-nas a fazer, a todo momento, exceções das mais estranhas contra suas noções mais evidentes e, por acúmulo, sobrecarregam-nas com uma multidão de preceitos áridos e estéreis, concebidos em termos cuja construção mesma não está ao seu alcance [...].

Essa educação por preceitos, longe de aprimorar as potencialidades do educando, cria nele uma hipersensibilidade do gosto que estimula sua imaginação mais do que a sua curiosidade. Os preceitos dissimulam a criança, porque produzem nela a tendência pela fantasia e, por consequência, pelas histórias não verdadeiras, ao mesmo tempo que a tornam preguiçosa, porque a acostumam mais a repetir do que a descobrir por conta própria os conteúdos que lhe são ensinados. A melhor forma, explica Rousseau (2004b), seria subtrair da educação dos pequenos as fórmulas prontas, que carregam consigo os preconceitos arraigados na vida em sociedade, e substituí-las por princípios que ensinam e não viciam. Assim, ao invés de tentar explicar coisas incompreensíveis à sua razão, como os mistérios da religião, o melhor seria estimulá-la a realizar na prática os fundamentos da moral cristã, como o amor, o altruísmo, a misericórdia, entre outras ações boas em si mesmas.

Benzer Belgeler