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3.4. Spearman Non-Parametrik Korelasyon Analizi Sonuçları

3.4.8. OKB Olan Çocukların Obsesif-Kompulsif Semptomlarının

A remição de pena pode ser interpretada como uma forma de mitigação da pena. Ao concedê-la, o Estado leva em consideração o resultado obtido pelo condenado durante o trabalho prisional, além da obediência às demais disciplinas. Em outras palavras, a concessão da remição da pena é condicionada ao bom comportamento.

A remição pelo trabalho ou pelo estudo do preso é útil para este, haja vista que o premia com redução de pena, além de servir como terapia, desvinculando-o do ambiente criminógeno dos presídios, favorecendo também a sociedade como um todo, que irá recebê-lo mais à frente.

Durante muitos anos, baseada na concepção de que o trabalho é a redenção do homem, prevaleceu a ideia de que, somente por meio da ocupação profissional do detento, este conseguiria verdadeiramente a sua reinserção social. Entretanto é importante reconhecer a educação em um sentido mais abrangente e compatível com a ressocialização, fim maior da execução penal.

No mês de junho de 2006, o Superior tribunal de Justiça (STF) editou a Súmula 341, que reconhece a remição da pena por estudo, ao estender o conceito de trabalho às atividades estudantis que demandam esforço intelectual, como maneira de abreviar parte do tempo da condenação e de estimular a recuperação social do encarcerado: a frequência a curso de ensino formal é causa de remição de parte do tempo de execução de pena sob regime fechado ou semiaberto.

No mesmo sentido, foi o posicionamento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), consoante se infere dos seguintes decisões:

EMENDA: REMIÇÃO PELO ESTUDO – VIABILIDADE – INTELIGÊNCIA DO ART. 126 DA LEP. A lei não se refere, expressamente, à remição da pena pelo estudo. Contudo, em sua interpretação, o art. 126 da LEP não deve limitar-se, na concessão da remição, às atividades que demandam esforço físico, podendo ser ampliadas, para abranger também as atividades que exijam esforço intelectual como, por exemplo, o estudo em curso de alfabetização (...) (autos nº 1.0000.06.439560-1/002910. Rel. Hyparco Immesi. DJ 13/04/2007).

EMENDA: AGRAVO EM EXECUSÃO, REMIÇÃO DE PENA PELO ESTUDO. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO AMPLA DO ART 126 DA LEP. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Sendo a remição um direito subjetivo do apenado, cujo objetivo principal é justamente atender a finalidade da pena, em todos os seus aspectos, de ressocialização, readaptação, repressão e prevenção. Não há razão lógica para que a útil ocupação com a educação, que constitui a viga mestra na formação da personalidade do indivíduo, não seja também considerada para tal fim. Possibilidade de interpretação analógica do art. 126 da LEP, em benefício do reeducando, para efeito de viabilizar a remição da pena pela frequência escolar. (autos nº 1.0000.06.444508-3/001(1). Rel. Des. Márcia Milanez. DJ 27/03/2007).

Diante dessas emendas, o entendimento do TJMG era: se a carga horária letiva é de 3 (três) horas diárias e se a jornada mínima de trabalho é de 6 (seis) horas diárias, a remição da pena pelo ensino deveria ser feita à razão de 1 dia de pena para 18 (dezoito) horas ou 6 (seis) dias de estudo, de modo a garantir igualdade de tratamento em relação à concepção da remição pelo trabalho.

Neste período não existia um consenso entre os Estados da Federação sobre a relação entre o número de horas de estudo e tempo remido. Concomitantemente, vários projetos de Lei em relação ao direito e a padronização da remição de pena pelo estudo tramitavam no congresso e no senado.

Em dezembro de 2008, o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação em Regimes de Privação da Liberdade (GEPÊPrivação), integrado por membros da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) e do Instituto Paulo Freire (IPF), realizou um levantamento legislativo referente aos projetos de lei e seus critérios.

Tabela 4 – Projetos de Lei sobre a Remição de Pena por atividade educacional, 1993- 2008

PL nº/ano

Autor Situação Critérios

216/1993 Dep. José Abrão (PSDB/SP)

Estabelece jornada de trabalho de 6 horas para condenados que estudem por pelo menos 4 horas diárias, diminuindo a contagem do tempo de 1 dia de pena por 2 dias de trabalho ou estudo. 3.569/1993 Dep. José Abrão Tramitação Desconta 1 dia para cada 2 dias de trabalho ou

(PMDB/RS) dia para cada 5 de estudo e, no caso de trabalho e estudo, desconta 1 dia para cada 4 trabalhados e estudados.

870/1995 Dep. Chicão Brígido (PMDB/RS)

Desconta 1 dia a cada 16 horas de estudo 1.565/1996 Dep. Miguel Roseto

(PT/RS)

Estabelece a remição de pena pelo estudo. 3.542/1997 Dep. Marta Suplicy

(PT/SP)

Desconta 1 dia para cada 12 horas de estudo. 37/1999 Dep. Paulo Rocha

(PT/PA)

Desconta 1 dia para cada 12 horas de estudo e 1 dia da pena para cada 3 dias de trabalho ou estudo.

1.036/1999 Dep. Léo Alcântra (PSDB/CE)

Desconta 1 dia na pena para cada dia de trabalho, mais 20 horas-aula semanais ou 3 dias de trabalho ou 40 horas-aulas semanais.

1226/1999 Dep. Fleury (PTB/SP)

Torna obrigatório o trabalho e estabelece para autores de crime hediondo a remição na base de 1 dia de desconto para cada 15 dias trabalhados. 1.882/1999 Dep. Rubens Bueno

(PR)

Estabelece a remição de pena pelo estudo. 2.502/2000 Dep. Cpornélio Ribeiro

(PL/RJ)

Exclui da remição autores de crimes hediondos. 3.159/2000 Dep. Valdeci Oliveira

(PT/RS)

Estabelece a remição da pena pelo estudo. 4.102/2001 Dep.José Aleksandro

(PSL/AC)

Estabelece a remição da pena pelo estudo. 4.291/2001 Dep. Nilton Capixaba

(PTB/RO)

Estabelece a remição da pena pelo estudo. 4.704/2001 Dep. Marcos Rolim

(PT/SP)

Estabelece a remição da pena para o preso que frequentar curso regular, garantindo a remição para os presos que são impedidos de trabalhar e elimina a revogação da remição por falta grave. 5.002/2001 Dep. Iara Bernadi

(PT/SP)

Desconta 1 dia para cada 8 horas de efetiva presença em instituição de ensino.

6.390/2002 Sem. Maguito Vilela (PMDB/GO)

Estabelece a remição da pena pelo estudo. 4.230/2004 Dep. Pompeo de Matos

(PDT/RS)

Tramitação da Câmara

Estende ao preso que estiver estudando o benefício da remição.

6.254/2005 Dep. João Campos (PSDB/GO)

Desconta 1 dia para cada 3 dias estudados. 6.298/2005 Dep. Antônio Carlos

Biscaia (PT/RJ)

Vincula a progressão prisional ao trabalho e ao estudo; exclui da remição presos que não quiserem trabalhar e fixa prazo de 5 anos para o sistema penitenciário implantar o sistema de trabalho do preso.

265/2006 Sen. Cristovam Buarque (PDT/DF)

Tramitação do Senado

Desconta 1 dia para cada dia de trabalho ou estudo.

164/2007 Sen. Aloizio Mercadante (PT/SP)

Desconta 1/3 da pena no caso de conclusão do Ensino Fundamental, Ensino Médio ou Ensino Superior.

269/2007 Dep. Gilmar Tatto (PT/SP)

Propõe a remição da pena de estudo, inclusive em cursos de requalificação profissional e educação à distância. Desconta um dia de pena por oito horas de aulas presenciais.

1.455/2007 Dep. Dr. Ubiali (PSB/SP)

Tramitação da Câmara

Torna o estudo obrigatório durante o cumprimento da pena.

1.936/2007 Poder Executivo Desconta 1 dia para cada 18 horas de aulas assistidas, divididas em, no mínimo, 3 dias, acrescido de desconto de 1/3 dos dias remidos no caso de conclusão de curso.

(PSDB/PA) trabalho. 3.390/2008 Dep. Dr. Tamir

(PV/SP)

Inclui a capacitação profissional na assistência ao egresso.

Fonte: SILVA, Roberto da. Por uma política nacional de educação para os regimes de privação de liberdade. In: O espaço da prisão e suas práticas educativas: enfoques e perspectivas contemporâneas. EdUfsCar 2011. P.83-85.

Constata-se assim, que deste início da década de 1990, a ideia de remição de pena por estudo arrastava-se nas discussões da legislação brasileira, além de ser tema de debates envolvendo encontros da sociedade civil, como os seminários de educação prisional. Mas somente em 2011, quase 20 anos depois é aprovada definitivamente a lei de remição pelo estudo.

2.4 O caminhar dos debates para construção de uma política de educação para

Benzer Belgeler