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OFİS VE TİCARİ GAYRİMENKUL PİYASASI
Na década de 1980, a Reestruturação Produtiva se consolidava, com a desestatização dos governos Ronald Reagan, dos EUA, e de Margareth Tatcher, na Inglaterra, e a financeirização dos mercados, afetando profundamente os países periféricos do raio de influência americana.
A experiência do Toyotismo no Japão já vinha chamando a atenção das universidades, consultores e escritores de negócios americanos, desde meados da década anterior, quando os Estados Unidos iniciaram um histórico de perda da liderança econômica em alguns segmentos de produção, como o automobilístico, para o próprio país oriental. Havia uma clara percepção de que a experiência era positiva e merecia ser replicada, mas existiam dificuldades relacionadas às diferenças entre empresas japonesas e americanas. Em comparação com as primeiras, as segundas
apresentavam um histórico de conquistas salariais e de estabilidade, por parte dos trabalhadores, nas décadas de 1950 a 1970. Além disso, encontravam-se inchadas, sob a ótica dos empresários.
A agudização da crise levou a escola americana de negócios à elaboração de metodologias e teorias que visavam aliviar o peso da recessão e dos impactos da superprodução versus queda da demanda. Uma dessas obras foi o livro Reinventando
o Governo, em 1992, que explorava a experiência administrativa de uma cidade
chamada Visalia, na Califórnia, destacando o surgimento de uma visão empreendedora, típica da iniciativa privada, no âmbito das instituições governamentais. A obra propunha mudanças significativas e, pela primeira vez, na cultura norte-americana, focava as organizações públicas, mas não apresentou conteúdos, como também resultados radicais.
Dois anos depois, uma proposta criada por uma empresa de consultoria dirigida por um engenheiro viria a se tornar um best-seller no mundo americano dos negócios e mais tarde, em todos os países satélites, a Reengenharia, cujo conteúdo se dirigia a todas as organizações produtivas, fossem públicas ou privadas, e apresentando um radicalismo acentuado.
As propostas da Reengenharia situavam-na como um sistema de gestão desenvolvido através de diferentes técnicas administrativas, que visava adequar as empresas às novas exigências do mercado, em franca recessão, tido como desfavorável para as organizações produtivas que não fossem enxutas, um termo que designa empresas que funcionam no limite de sua capacidade produtiva, com um mínimo de força-de-trabalho.
Era clara a intenção de auferir lucros e notoriedade, no concorrido mercado americano de negócios, através da descoberta de uma solução para a crise daquele país, o que viria por meio de uma metodologia que contribuísse para a vitória sobre o Japão na corrida pela liderança no mercado internacional de automóveis. Além disso, possibilitaria a adequação das empresas nacionais aos princípios do Toyotismo, principal modelo de produção surgido no âmbito da Reestruturação Produtiva, resgatando os níveis de lucratividade necessários para essa nova fase do capital.
O modelo da reengenharia foi concebido nos Estados Unidos, mas a sua presença na literatura da administração e dos negócios, e o sucesso de algumas grandes empresas que o implementaram, fizeram com que fosse rapidamente importado para os países capitalistas periféricos.
No contexto de sua aplicação nesses países, a reengenharia aparecia como uma verdade inatacável, tais os resultados que o modelo prometia e em alguns casos, estava conseguindo, falando-se em redução de custos via supressão de níveis hierárquicos e de postos de trabalho.
De 1994 a 1998, poucas críticas foram feitas ao modelo, que realmente parecia um marco na história do campo da administração e dos negócios, capaz de permitir uma mudança radical no modo de pensar as organizações. A partir desse ano, o fracasso na implantação do modelo em algumas grandes organizações trouxe à tona algumas primeiras críticas à reengenharia, não só da literatura especializada como também de profissionais que tradicionalmente não se preocupariam com o tema, mas foram atraídos pelo alcance do debate que se travava no mundo dos negócios.
Micklethwait e Wooldridge, dois jornalistas da filial americana do The Economist, por exemplo, lançaram o livro Os Bruxos da Administração, obra em que abordavam as vogas modistas do campo da administração e dos negócios. O lado negativo da reengenharia foi apontado pelos autores (MICKLETHWAIT; WOOLDRIDGE, 1998, p.14-15):
O problema com a reengenharia, quando não é bem feita – o que ocorre na maioria das empresas – é que ela destrói as pessoas, até as que permanecem nas empresas (...) A reengenharia – semelhante ao taylorismo – seria um sucesso se as pessoas fossem autômatos irracionais, sem coração nem alma (...) O pessoal que passou pelo processo de reengenharia de reengenharia acredita que seus funcionários romperam o contrato moral implícito entre chefes e trabalhadores – trabalharemos com a maior dedicação possível desde que a empresa só nos demita se for totalmente necessário.
A Reengenharia parecia juntar algumas motivações próprias do capitalismo, especialmente o americano, mais agressivo, agravado ainda pelo fato de o país estar em recessão. Assim, acreditamos que uma análise dessa ferramenta, enquanto movimento de ajuste ao toyotismo japonês no ocidente traz em si alguns elementos
que nos ajudam a compreender como um modismo como esse floresce num país considerado civilizado como os Estados Unidos.
a) em primeiro lugar, a reengenharia trazia como um dos elementos intrínsecos, aqueles ligados à própria estrutura social do capitalismo, entre os quais a ambição, o desejo de sucesso e de acumulação, vistos como positivos para a cultura capitalista, tanto dos donos do capital como para a burguesia profissional. Por esse motivo, as soluções milagrosas para os problemas empresariais são buscadas com ansiedade por empresas e consultores do capitalismo americano, como uma das poucas chances para uma ascensão ao status de guru empresarial, glorificado pela mídia dos negócios e enriquecido pelas oportunidades de consultorias, conferências e treinamentos empresariais. Isso aconteceu com Taylor, que enriqueceu com seus livros e serviços de consultoria. Essa atitude dá aos autores empresariais uma postura quase religiosa, uma necessidade de apresentar um ufanismo auto-exaltador, de se considerar importante historicamente falando, como fala Micklethwait sobre Hammer (1998, p.5) “...que combina a lógica matemática a um entusiasmo fanático, e responde, com muita simplicidade: minha atividade é reverter a revolução industrial”.
b) em segundo lugar, a reengenharia encarnou a visão messiânica, apocalíptica, presentes no capitalismo e na cultura americana, caracterizada pelas fórmulas salvacionistas que defendem a extirpação geral de processos considerados defeituosos e a sua completa substituição por novos processos, como se fosse possível apagar e construir uma nova história. O próprio autor da teoria, Hammer (1994) afirma que “a reengenharia empresarial não trata de consertar nada. A reengenharia empresarial significa começar de novo, começar do zero”.
c) em terceiro lugar, a reengenharia teve como fundamento basilar, uma concepção matemática, mecânica, ingênua, de que as organizações podem
ser reformadas com a simplicidade de uma mudança de móveis de um lugar para o outro. Não é difícil constatar que a reengenharia e o próprio nome desse modismo, com sua inspiração quantitativa, partiram da mente de um teórico com formação em ciências exatas, cujos profissionais são tradicionalmente positivistas quando se trata de abordar de temas sociais. De fato, Hammer era matemático com especialização em ciência da computação, assim como Porter, outro guru dos negócios americanos, engenheiro mecânico e aeroespacial de formação. Já mencionamos essa tendência para matematizar os assuntos sociais e corporativos, deixando de analisar os fenômenos sociais tão importantes para a sociedade e para as organizações. É essa a crítica de Aktouf (2004), quando afirma que da estratégia corporativa ao marketing, passando pela produção, pelas finanças e pelos recursos humanos, não há praticamente curso em escolas de gestão americanas, com repercussão sobre as organizações daquele país, que não esteja apoiada em modelagens e simulações e – pior – sem o conhecimento dos algoritmos utilizados. O autor complementa (AKTOUF, 2004, p.47):
Tudo isso parece como se a única maneira de pensar, exata e cientificamente, fosse utilizando a matemática na reflexão até o absurdo. Se fosse assim, seria preciso educar gerações como se fossem verdadeiras calculadoras, máquinas para ‘resolução de problemas’ (como são freqüentemente, nos dias de hoje, os economistas, econometristas e diplomados em administração) sabiamente condicionadas para confundir analisar-calcular com pensar-refletir, e confundir velocidade de cálculo, ou aplicação de fórmulas com inteligência.
O método da Reengenharia produzido pela escola americana de negócios foi a ferramenta utilizada pelo capitalismo americano para se adaptar às novas condições do mercado após a Reestruturação Produtiva. Entretanto, a sua aplicação em grande escala deixou as empresas com problemas de funcionamento, já que as estruturas organizacionais haviam sido mudadas de maneira radical e novo formato implicava numa necessidade de aprender com rapidez as inovações trazidas.
O campo do saber da administração, especialmente nos Estados Unidos mas também nos demais países em que a Reengenharia foi realizada, foi mobilizado por
empresários, consultores e técnicos da área para promover um esforço de educação corporativa em grande escala.
Antes de comentar esse grande esforço de ensino-aprendizagem do campo do saber da administração, falaremos de uma tendência de comportamento que lançou sua influência sobre esse mesmo campo.