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Obezite Gelişen Hastalarda Metabolik Hastalık Varlığı:

HİPERLİPİDEMİ GELİŞİMİ

4.5.3. Obezite Gelişen Hastalarda Metabolik Hastalık Varlığı:

O foco principal em relação a esta 5ª variável é o papel crítico desempenhado pelas coalizões de indivíduos e organizações que são de uma forma ou de outra afetados pela política. O primeiro ponto a ser destacado é a relação entre o GEPAR e os demais grupamentos da Polícia Militar. Os Estudos Técnicos, de diferentes regiões, apontam haver uma resistência institucional e até mesmo, um desconhecimento, no que diz respeito ao trabalho desenvolvido pelo grupamento. Nos dizeres dos policiais:

“Eles acham que a gente é amigo de bandido, que pega leve com eles” (Estudos Técnicos, 2009).

“(...) falam que a gente fica muito na conversa e que, quando tem que

resolver, tem que chamar as outras guarnições” (Estudos Técnicos,

2009).

Notadamente, na percepção dos policiais, as guarnições do Tático Móvel e da ROTAM desconhecem a filosofia de polícia comunitária e a forma de policiar na perspectiva do policiamento comunitário. Este fato se torna um problema ao trabalho desenvolvido pelo GEPAR na medida em que o grupamento leva um tempo relativamente grande para adquirir a confiança da comunidade. Esta confiança é conquistada, principalmente, pelo maior contato

do policial com a comunidade, pelo respeito aos direitos fundamentais dos cidadãos e pelas ações conjuntas de intervenção estratégica realizadas na região, conforme exposto em capítulos anteriores. No entanto, todo esse trabalho é colocado em cheque pela comunidade quando, por exemplo, permite-se que policiais do Tático Móvel utilizem a viatura do GEPAR para entrar no aglomerado. Dessa forma, alguns policiais atuam no aglomerado com uma filosofia diferente da estabelecida pelo GEPAR. Assim, os policiais do GEPAR quando voltam a trabalhar na comunidade têm que lidar com situações que eles não criaram e, frente à ausência dos policiais do Tático Móvel, não há quem se responsabilize por elas. Consequentemente, o trabalho de construção de confiança entre os policiais do GEPAR e a comunidade fica prejudicado (CRISP, 2009).

No que se refere a esse aspecto, no Palmital, os principais problemas estão associados à guarnição ROTAM. Esta última, assim como o Tático Móvel, não está subordinada às Companhias de Polícia responsáveis pelos aglomerados onde o GEPAR atua. Isso significa, por exemplo, que quando a ROTAM adentra no Palmital, no intuito de realizar uma operação, nem o capitão da Companhia, nem o tenente e os policiais do GEPAR são informados da operação. Como corolário dessas ações, os moradores destacam ações violentas e arbitrárias em quase todas as abordagens da ROTAM. Pode-se citar: invasões às residências com arrombamento de portas, tiros no meio da rua com a presença de moradores no entorno, roubos de eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos. Além disso, muitos são os relatos de flagrantes forjados por esses policiais, acusados de utilizar, frequentemente, o expediente de “plantar” drogas e armas nas mãos dos adolescentes da região (CRISP, 2006).

Uma vez que os esforços em torno do policiamento comunitário se dão em direção a uma verdadeira redefinição do papel e da missão policial, o que em termos de filosofia foi incorporado pelo GEPAR do Palmital (como demonstrado no item sobre o Conteúdo da Política), é preciso que as outras guarnições também de adaptem a filosofia mesmo que, na prática, o trabalho seria diferenciado - ou seja, não exista responsabilidade territorial, contato permanente com a comunidade, patrulhamento a pé, entre outros - a filosofia de trabalho deveria ser a mesma. Isto significa, basicamente, que uma ação repressiva dentro dos parâmetros estabelecidos pela lei e respeitando os direitos fundamentais dos cidadãos é uma ação que está em consonância com as ações de policiamento comunitário e que contribui para a diminuição do sentimento de insegurança das populações dos aglomerados.

O segundo ponto a ser ressaltado diz respeito à relação entre o GEPAR e a comunidade. Um dos elementos centrais do policiamento comunitário é que a comunidade deve ter papel

central na definição dos problemas a serem enfrentados pela polícia, e estes devem estar além da forma tradicional de combate ao crime. Dito de outra forma, as funções dos policiais do GEPAR deveriam incluir manutenção da ordem, resolução de conflitos, provisão de serviços através de solução de problemas, assim como outras atividades (KELLING e MOORE, 1988). Em relação ao Palmital é possível afirmar que apesar de avanços pontuais (descritos nos itens anteriores), tais como percepção positiva dos representantes das instituições que conhecem o GEPAR em relação à abordagem desenvolvida pelo grupamento e melhora na percepção dos policiais em relação à dificuldade em levantar informações junto à comunidade, no geral, nos cursos de Estudos Técnicos, os policiais afirmam que a comunidade ainda sente medo de falar determinados assuntos para a polícia (CRISP, 2009).

“Tem muita comunicação entre a gente e a comunidade, mas tem muita coisa que a gente não consegue saber. O nosso 0800, por exemplo, não funciona direito” (Estudos Técnicos, 2009).

Na percepção dos policiais do GEPAR, outro aspecto que afeta a relação do grupamento com a comunidade é a pouca informação, por parte desta, a respeito da filosofia do policiamento comunitário. Em outras palavras, os policiais percebem que determinados moradores ficam revoltados e reagem quando são abordados, porque, muitas vezes, não entendem o caráter preventivo dessa prática. Nesse sentido, destacaram que fóruns comunitários, cursos de gestores e outras metodologias do programa Fica Vivo!, poderiam ser utilizadas para a divulgação, na comunidade, dos direitos e deveres dos cidadãos na abordagem policial (CRISP, 2009).

Apesar das ressalvas, ações desenvolvidas pelo grupamento que, na percepção dos policiais, tiveram como corolário a conquista de uma credibilidade da comunidade no trabalho do GEPAR, foram destacadas. Por exemplo, policiais do aglomerado, em Estudos Técnicos, afirmaram que, antes da criação do GEPAR as operações feitas na área eram pontuais e o tráfico era realizado de forma explícita. Com a criação do GEPAR e a prisão de várias pessoas, a dinâmica do tráfico na localidade foi modificada. O trabalho do grupamento culminou na identificação de vários infratores. A partir dessas ações, eles acreditam que a comunidade passou a ter uma confiança maior no trabalho da polícia. Todavia, a comunidade não expressa tais sentimentos de forma direta tendo em vista os “olheiros” que registram os movimentos dos moradores (CRISP, 2009).

Como salientado em várias partes da tese, o Programa de Controle de Homicídios – Fica Vivo! é dividido em dois grupos que representam os dois grandes eixos de seu

funcionamento: Proteção Social e Intervenção Estratégica. Enquanto o GEPAR é a ponta mais visível do eixo de Intervenção Estratégica no aglomerado, as oficinas dão visibilidade à Proteção Social perante a comunidade. No que diz respeito ao grau de integração existente entre eles, no geral, cabe destacar que os policiais percebem que em determinado momento na história dos aglomerados praticamente o único braço do Estado nessas localidades era a polícia. No entanto, o cenário muda com a implantação do programa Fica Vivo! e este fato, para os militares, é algo positivo. Porém, ainda segundo eles, existem alguns complicadores em relação ao desenvolvimento das ações de proteção social dentro das comunidades (CRISP, 2009). O primeiro ponto citado é a relação do oficineiro com os policiais do GEPAR. Para se entender a figura do oficineiro é preciso esclarecer que o programa prevê em sua metodologia uma série de intervenções que se propõe a atender os jovens, visando, entre outros fatores, favorecer a construção de modos de vida distintos do envolvimento direto com a criminalidade. Dentre as metodologias interventivas do programa, são apresentadas as oficinas. As oficinas são definidas como estratégias de aproximação e atendimento aos jovens e são implantadas em diferentes locais das áreas atendidas. Têm como objetivos: prevenir a criminalidade; promover e facilitar a circulação dos jovens; garantir o acesso ao esporte, lazer, cultura e formação profissional; favorecer a inserção e a participação dos jovens em novas formas de grupos; trabalhar temas relacionados à cidadania e aos direitos humanos; possibilitar a criação de espaços de resolução de conflitos (SEDS, 2007).

O que orienta a implantação das oficinas é a articulação entre a dinâmica criminal local, a demanda do jovem, os aspectos socioculturais e a seleção do oficineiro. Assim como a escolha das oficinas, a do oficineiro também não é feita ao acaso: ser morador da comunidade, ter experiência no ofício a ser ministrado, saber dialogar com os jovens e ter acesso aos espaços do aglomerado. Estes são alguns dos pré-requisitos básicos para seleção dos oficineiros. Os candidatos deverão apresentar um projeto de oficina para os técnicos dos programas que o avaliarão com base nos critérios destacados acima. Além da aprovação dos técnicos, o projeto precisa ser aprovado pela diretoria do programa. Depois disso, cabe ao oficineiro a responsabilidade de atender a todos os objetivos das oficinas. Ao final de cada mês, o oficineiro será responsável pela elaboração de listas de presença e relatórios sobre os jovens atendidos nas oficinas. As funções de capacitar, orientar e monitorar o trabalho dos oficineiros, além de realizar atendimentos individuais com os jovens quando demandado esse atendimento, cabem exclusivamente aos técnicos.

Nos Estudos Técnicos, em 2009, grande parte dos policiais disse não concordar com o fato de o programa aceitar no quadro de oficineiros jovens que já tiveram envolvimento com atos ilícitos. Segundo eles, deveria haver pré-requisitos assim como existe para qualquer trabalho. Alguns policiais sugeriram que fosse feito um rastreamento dos oficineiros de tal forma a excluir os que tivessem envolvimento com a dinâmica criminal local. Segundo eles, seria necessário avaliar a ficha criminal deste indivíduo e a sua vivência no momento em que ele fosse entrar para o programa. Ainda nesse sentido, outro ponto ressaltado pelos policiais é a falta de aproximação do GEPAR com os oficineiros sob o argumento de que estes dizem não querer a presença da polícia nas oficinas, por julgarem que tal presença irá afastar os jovens. Os militares afirmaram que esse receio dos oficineiros é infundado uma vez que o GEPAR possui uma boa relação com os moradores das comunidades. Além disso, os militares questionaram o porquê dos oficineiros e técnicos do programa não comunicarem a polícia casos concretos de violência e crime. (CRISP, 2009).

A percepção dos policias em relação aos oficineiros, bem como a perspectiva em torno do trabalho deles e dos técnicos do Fica Vivo!, aponta, entre outras coisas, um desconhecimento por parte dos policiais “da ponta” do GEPAR da dinâmica das ações de proteção social e da complexidade destas na comunidade. Isso porque determinadas falas ou mesmo a presença constante dos militares nas oficinas ou no Centro de Prevenção pode ser uma questão delicada e de risco para os oficineiros e técnicos do programa. Assim, cabe destacar que o papel do oficineiro é muito mais complexo do que apenas transmitir o ofício e fazer relatórios sobre os jovens que frequentam sua oficina: envolve lidar com situações inusitadas e conduzir o comportamento dos jovens, configurando-se num dos principais atores do programa. Por sua vez, cabe reafirmar que, no Palmital, técnicos e oficineiros não foram capazes de construir, no longo prazo, uma relação de aproximação entre o GEPAR e os jovens das oficinas.

VII - Considerações finais

A cidade de Santa Luzia durante grande período ficou conhecida como a localidade que ocupava a quarta posição entre os municípios mais violentos de Minas Gerais. O Palmital, por sua vez, era a área com o maior número de crimes violentos. Nesse contexto, o Grupo Especializado em Policiamento de Áreas de Risco (GEPAR) nasce com a perspectiva de ser um modelo de policiamento capaz de atuar preventivamente no aglomerado, com o apoio da comunidade, baseado no policiamento orientado para o problema e na repressão qualificada. Parte constituinte do programa Fica Vivo!, o grupamento inicia seus trabalhos, no Palmital, em 2005.

Os dados obtidos a partir da avaliação do processo de implantação do GEPAR no Palmital permitem afirmar que a atuação do grupamento nos moldes do policiamento comunitário variou ao longo do tempo, desde o início dos trabalhos. De acordo com análise documental e a percepção dos atores envolvidos no processo, o período de 2005 a 2006 - um momento de adaptação ao novo estilo de policiamento - não foi propício para que todas as fases do processo fossem implantadas segundo o protocolo prescrito e não houve uma mudança substantiva na relação com a comunidade. Com isso, nesse primeiro momento, o processo de implementação do GEPAR no Palmital não esteve voltado ao desenvolvimento de uma modalidade de policiamento preventivo, nos moldes do policiamento comunitário. Apesar de, nessa época, a atuação do grupamento já ser diferenciada em termos de filosofia, não era diferenciada no que diz respeito à estratégia organizacional e à utilização da ferramenta de solução de problemas. Isso significa, entre outros fatores, que no que concerne à filosofia, a polícia comunitária estava difundida, mas, em termos de uma efetiva aplicação dos princípios no nível operacional, as ações ainda não estavam consolidadas.

Diferentemente, em 2007, os dados analisados permitem afirmar que o processo de implementação do GEPAR esteve voltado para o desenvolvimento de uma modalidade de policiamento preventivo, nos moldes do policiamento comunitário, sendo a atuação do grupamento diferenciada em termos da filosofia, da estratégia organizacional e da utilização da ferramenta de solução de problemas. Os dados apontaram mudanças genuínas na percepção dos policiais quanto à atuação do grupo na comunidade. A percepção dos atores que compunham o Grupo Gestor Fica Vivo!/Palmital no período era de que eles trabalhavam em parceria com os policiais do GEPAR, confiavam na sua atuação e informavam sobre a

dinâmica criminal na localidade, além de efetivamente participarem do planejamento operacional do grupamento a partir da estratégia de solução de problemas. Isso trouxe resultados muito positivos, levando, nesse mesmo ano, a uma mudança radical no cenário da criminalidade e violência em Santa Luzia, particularmente na região do Palmital, onde no mês de julho o município atingiu a marca de 30 dias sem nenhum homicídio e redução de 60% de outros crimes. Policiais do GEPAR, lideranças comunitárias e representantes de diferentes entidades atribuíram grande parte dessa mudança às ações de policiamento comunitário do grupamento, em conjunto com ações desenvolvidas com os poderes Legislativo e Judiciário, Núcleo de Prevenção à Criminalidade, comunidade, empresários, igrejas, Conselho Comunitário de Segurança Pública (CONSEP), entre outras instituições e órgãos que faziam parte do Grupo Gestor Fica Vivo!/Palmital. A grande ressalva a ser feita sobre o período é que, apesar dos avanços, não existe registro documental sobre uma mudança na relação entre os policiais do grupamento e os jovens que participavam do programa Fica Vivo!.

Não obstante os avanços, a partir do final de 2007, os atores envolvidos no processo de implantação destacaram uma falta de continuidade das ações que tinham gerado resultados positivos para a localidade. Dito de outra forma, eles apontaram diferentes fatores que dificultaram a continuação da efetividade da estratégia de policiamento comunitário.

O primeiro ponto está relacionado aos recursos logísticos disponíveis à atuação preventiva dos policiais do grupamento. A partir dos relatórios, planos de intervenção e percepção de parte dos policiais entrevistados cabe afirmar que passado o primeiro momento de má gestão dos equipamentos - tais como desvios de armamentos e outros acessórios -, na prática, a partir do final de 2007, um dos principais problemas era a falta de manutenção nas viaturas Troller e as limitações do veículo para o policiamento a ser desenvolvido na comunidade. Outras dificuldades apontadas eram a falta de computadores para o registro das ocorrências e de câmera fotográfica e/ou filmadora, instrumentos considerados necessários para um trabalho mais qualificado do grupamento.

O segundo ponto que dificultou uma continuação das atividades de policiamento comunitário desenvolvido pelo GEPAR na localidade está relacionado à formação dos policiais que fazem parte do grupamento e o perfil necessário para o trabalho. Como dito anteriormente, a partir da instrução 02/2005 os policiais que compõem o grupamento deveriam ser voluntários, com no mínimo um ano de experiência em atividade operacional e devendo permanecer no grupo por um período mínimo de dois anos. Na prática, o GEPAR do Palmital desde o início era composto por policiais que não foram voluntários (foram

indicados pelo comando), outros não possuíam o curso do GEPAR e, ainda, alguns afirmaram não possuir o perfil para estar no policiamento comunitário. Esta constatação indica vários problemas. Primeiro, a partir do momento que o policial não é voluntário, por razões diferenciadas, maior é a probabilidade de ele não atuar dentro da filosofia do policiamento comunitário. Segundo, a formação do policial nos cursos de GEPAR, Estudos Técnicos e Direitos Humanos aumenta a probabilidade dos policiais relacionarem as temáticas tratadas durante os cursos com as situações concretas que eles enfrentam no dia a dia, consequentemente, maior a possibilidade desse profissional adotar atitudes e comportamentos que favoreçam uma parceria entre a comunidade e a polícia. Ainda foram apontados como problemas, horários indefinidos na atuação do grupamento e componentes do GEPAR empregados em outras funções e eventos que não o serviço de prevenção comunitária do crime e da violência. Por exemplo, em determinado período no ano de 2011, o comandante do GEPAR não exercia exclusivamente a função de comando do grupamento, estava trabalhando à noite como Coordenador de Policiamento da Unidade (CPU). A justificativa era de que o efetivo muitas vezes não conseguia comportar a necessidade daquela unidade e os oficiais, assim como os “praças”, acabavam tendo de desempenhar outras funções. Nesses termos, a função de comandante do GEPAR era exercida juntamente com outros encargos, o que prejudicava o desenvolvimento do policiamento comunitário.

O terceiro fator apontado como dificultador da continuação do policiamento comunitário desenvolvido pelo grupamento é a grande rotatividade dos policiais. O GEPAR do Palmital foi criado em 2005 e no ano de 2006 foi realizado o primeiro curso de Estudos Técnicos. Em 2009, houve a atualização desses estudos. Ao analisar a lista dos participantes do GEPAR nas duas capacitações foi possível constatar que apenas um policial que fazia parte do grupamento em 2006, fez a atualização em 2009. Esse dado demonstra que num período de tempo muito curto houve grande rotatividade dos policiais do grupamento. Esse elemento é importante para essa modalidade de policiamento na medida em a permanência dos mesmos policiais no grupo, em convívio diário e duradouro, possibilita condições para a criação de um vínculo maior com a comunidade. Uma rotatividade alta dificulta o estabelecimento de relações de confiança entre moradores e policiais.

O quarto ponto destacado como empecilho às ações de policiamento comunitário é a própria relação da polícia com a comunidade. No Palmital, os precedentes históricos da atuação da polícia junto aos moradores indicam ações pontuais e violentas, as quais criaram desconfiança mútua. A transição de um polícia meramente repressiva para uma polícia

preventiva que, estrategicamente, utiliza a repressão qualificada, é um processo de construção tanto da polícia quanto da população da localidade. Processo esse que tem variado ao longo do tempo. Nesse sentido, as lideranças comunitárias entrevistadas destacaram que, ao final de 2007, os canais através dos quais a comunidade podia ser ouvida não funcionavam mais. Da mesma forma, não havia mais planos de ação de policiamento desenvolvidos com a comunidade e, o GEPAR não mais atuava como um dos articuladores dos atores sociais da localidade.

Na percepção dos policiais, após o período citado, a falta de formação continuada para o desenvolvimento de trabalhos comunitários deixava o policial sem diretrizes gerais para atuar em determinadas situações enfrentadas no cotidiano policial. A falta de apoio logístico e a rotatividade dos policiais tornaram-se complicadores para o desenvolvimento do policiamento comunitário.

No que diz respeito aos jovens que participam das oficinas do programa Fica Vivo!, em relação ao trabalho desenvolvido pelo GEPAR, destaca-se que não houve, pela maior parte dos adolescentes, desde o surgimento do grupamento, a percepção de uma mudança na forma de abordagem dos policiais. No mesmo sentido, a maioria dos jovens não confia nos policiais do grupo que trabalham na localidade. Podemos problematizar nesse ponto a pouca eficácia do eixo de Proteção Social em aproximar os jovens do programa com os policiais do GEPAR.

Benzer Belgeler