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4 1482 NUMARALI RUÛS DEFTERİNİN TRANSKRİPSİYONU

“suspeito que a espécie humana – a única – está por extinguir-se e que a biblioteca permanecerá: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta”.

(Jorge Luis Borges)

Segundo Modesto Carvalhosa, a idéia de reunir a coleção de livros da família foi somada à proposta de reconstituir o acervo de uma biblioteca que agrupasse as principais obras e autores lidos na passagem do século XIX para o século XX, período em que viveram os patriarcas da família Botelho.

A proposta de criação de uma biblioteca que reunisse as leituras da família e as obras referentes àquela época, ou que ampliem a compreensão sobre ela, provavelmente está relacionada ao conceito de biblioteca enquanto aporte da memória. A biblioteca pode ser encarada como um complemento não menos importante para a preservação da memória da família e, em parte, da própria história nacional. Ela seria um espaço para a reunião e preservação dos “vestígios do pensamento, da sabedoria e da imaginação” do fin du siècle (JACOB, 2001, p.51). Conforme Cânfora (2001), pode-se escrever a história de uma civilização “tanto com os monumentos quanto com o alfabeto”. Mas as bibliotecas e os arquivos são “lugares e instrumentos privilegiados

da memória. (...) Tudo o que resta de uma civilização é o que ela escreveu” (p.237). É nessa perspectiva que a biblioteca do Pinhal está sendo enfocada neste estudo.

A coleção existente na fazenda Pinhal complementa o conhecimento sobre a história da família Botelho, contextualizada na história da sociedade brasileira, na medida em que a construção, os móveis e os objetos são legados tangíveis do passado, conforme as palavras de Lowenthal (1998). Isso fica claro nas atas da referida Associação Pró-Casa do Pinhal:

A Associação Pró-Casa Casa do Pinhal tem por finalidade precípua dar apoio a conservação e manutenção da sede da antiga Fazenda Pinhal, preservar e divulgar o inestimável acervo historiográfico, paisagístico e natural nele compreendido, permitindo que permaneça como centro de referência e de atividades e pesquisas de caráter cívico, educacional, artístico e de cultura notadamente de História, de Arquitetura, Paisagismo e Botânica. (p.2A)

Na fazenda Pinhal, as duas realidades - a tangível e a imaginária - convivem simultaneamente através das instalações e dos objetos que são mantidos, na medida do possível, como na época de seus primeiros proprietários. Por meio deles, pode-se verificar, ainda que em parte, a história e o que se lia naquele período. A biblioteca do Pinhal reúne o que, em pleno século XX, se depreende o que poderia ser a cultura, as leituras e o ideário da elite brasileira do século XIX.

Para compor acervo com obras que supostamente pertenceram ao universo de leitura da passagem do século e outras que abordam a história oficial desse período, Carvalhosa adquiriu livros em sebos e livrarias no país e no exterior, como demonstram diversos nomes de estabelecimentos nacionais e estrangeiros encontrados neles. Entre as cinqüenta e sete indicações de nomes de livrarias registrados em selos,

carimbos e anotações, pode-se destacar, por exemplo, a livraria do Luis, em São Paulo, local onde Carvalhosa adquiriu várias obras da atual biblioteca.

No início dos anos noventa, o projeto da biblioteca parece ter ganhado novo impulso. Nessa época, foi criada a Associação Pró-Casa do Pinhal, entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo “preservar este patrimônio cultural, integrar o poder público nesta preservação e permitir à coletividade participar dos benefícios culturais dela avindos” (ASSOCIAÇÃO PRÓ-CASA DO PINHAL, s. d., p.4). Nesta mesma ata, há a menção da possibilidade de se firmar um convênio com a Universidade Federal de São Carlos “para sistematização do pequeno e precioso acervo de livros da Pinhal”. Foi através dessa iniciativa que surgiu um projeto de extensão universitária, já mencionado, e que mais tarde deu origem à presente pesquisa.

Uma outra informação relevante que consta nessa ata é o registro da compra da coleção completa da Revista Moderna por Modesto Carvalhosa. Embora tivesse sido editada, conforme foi apontado anteriormente, por Martinho Botelho, um dos filhos do Conde do Pinhal, não havia qualquer exemplar dessa revista entre as obras encontradas na casa. É provável que alguns exemplares ou toda a coleção esteja em posse de outros membros da família, em outras cidades. O importante, no entanto, é que, por iniciativa do professor Modesto, foi possível resgatar um dos itens mais importantes da coleção e que é representativo do universo de leitura da elite brasileira na passagem do século XIX para o século XX. Percebe-se, então, através desses relatos que a biblioteca do Pinhal ganhou um novo impulso nos últimos dez anos e continua viva.

Parte da coleção contém as marcas de propriedade dos Botelho e de outros que contribuíram com a formação do acervo inicial da atual biblioteca, como já foi

abordado anteriormente. Assim, neste trecho serão privilegiadas as demais obras que foram recentemente incorporadas à coleção. É oportuno ressaltar que não se pretende aqui realizar uma análise literária das obras, uma vez que o objetivo dessa pesquisa que é fazer a terraplanagem do tema. Essa abordagem literária das obras fica então para um trabalho posterior. A apresentação dos dados do acervo irá seguir a ordem da Classificação Decimal de Dewey, conforme consta no apêndice III.

A primeira classe de assunto na Classificação de Dewey é a de Generalidades, na qual estão incluídos os periódicos de caráter geral, item importante do universo de leitura do brasileiro do final dos oitocentos. Foram encontrados na coleção da fazenda Pinhal dez títulos de periódicos deste tipo, que são: A mensageira, O Polichinello,

Jornal das famílias, Renascença, Almanaque brasileiro Garnier, Illustração brasileira, Kosmos, Revista brasileira (veja figura 29).

Benzer Belgeler